domingo, 22 de junho de 2014

Trapaça


Diretor: David O. Russel
Atores: Christian Bale, Bradley Cooper, Amy Adams, Jeremy Renner, Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Jack Huston, Michael Peña, Paul Herman
Gênero: Comédia
Duração: 138 minutos        


Sinopse: Irving Rosenfield (Christian Bale) é um grande trapaceiro, que trabalha junto da sócia e amante Sydney Prosser (Amy Adams), Os dois são forçados a colaborar com um agente do FBI (Bradley Cooper), infiltrando o perigoso e sedutor mundo da máfia. Ao mesmo tempo o trio se envolve com a política do país, através do candidato Carmine Pallito (Jeremy Renner). Os palnos parecem dar certo, até que a esposa de Irving, Rosalyn (Jennifer Lawrence) aparecer e mudar as regras do jogo.

Filme bom, com um mega elenco (com excelentes interpretações, é inegável) e ainda com um diretor muito bem cotado, que lembra muito o estilo Scorcesiano de ser, mas não conseguiu me encantar. Parece que ficou faltando algo essencial no filme. Esta foi a minha impressão... O diretor, que também é o roteirista, segue com linha de potencializar a realidade, o que mostrou no seu sucesso anterior O lado bom da vida, tem cenas cômicas, tem tragédias, neuroses e fantasias, mas não deixa de acentuar a questão da desconfiança nas relações  de seus personagens, onde todos desconfiam de todos, onde cada um criou uma imagem de si , que não condiz com o real, são todos pessoas comuns, mas que buscam serem algo além de suas capacidades e realizações, constroem um ideal de vida, o eterno sonho americano e não medem esforços para isso, pagando um preço elevado. O personagem de Irving (Bale), foi inspirado em Mel Weinberg, um trapaceiro condenado real que foi contratado pelo FBI no final dos anos 70 e início dos 80 para auxiliar em uma operação. O que realmente chama a atenção no filme é a reconstituição de época, os figurinos exuberantes, principalmente do elenco feminino e as músicas impactantes, os eternos e clássicos rocks das famosas décadas. Curiosidades: As parcerias: Bale e Amy Adams haviam trabalhado com o diretor em O vencedor e Cooper e Jennifer, Paul Herman e De Niro, no premiado O lado bom da vida. Reencontro de Bale e De Niro também, que já trabalharam juntos em outras produções: Sem limites (2011) e O lado bom da vida (2012). O ator Bradley Copper é também um dos produtores executivos do filme. O diretor escreveu os personagens, expressamente para cada ator interpretá-lo. A cena da briga que se passa no quarto entre Irving e Rosalyn foi completamente improvisada, com completo aval do diretor, que sempre foca nos personagens e não no roteiro. Metamorfose: Christian Bale mudou completamente seu visual, ganhou 18 kg, com penteado disfarçando a calvíce e curvando sua postura, o que acabou por resultar em duas hérnias de disco em sua coluna. Ficou tão bem caracterizado que o ator De Niro não o reconheceu inicialmente nos sets de filmagem. É a quarta vez passa por uma grande transformação corporal para atuar, em : O operário (2004), O sobrevivente (2006) e O Vencedor (2010). As filmagens do filme tiveram de ser adiadas depois da bomba terrorista na Maratona de Boston, onde o filme estava sendo gravado. O diretor Ben Affleck foi originalmente considerado para dirigir Trapaça, mas não houve acerto devido a estra envolvido em outra produção. A criança que o personagem de Jeremy Renner beija nas mãos ao cumprimentar as pessoas como prefeito, é na verdade sua filha Ava, que nasceu durante a produção do filme; mãe e filha tem uma participação especial. Indicações: Oscar 2014, foi indicado para 10 categorias, para Melhor Filme, Diretor, Ator (Bale), Atriz (Amy), Ator Coadjuvante (Bradley), Atriz Coadjuvante (Jennifer), Riteiro Original, Figurino e Edição, mas não levou nenhum. Ao Gloobo de Ouro, venceu nas categorias;   Melhor Filme Comédia/Musical, Atriz (Amy) e Atriz Coadjuvante (Jennifer), sendo indicado a Melhor Diretor, Ator Comédia/Musical (Bale), Ator Coadjuvante (Bradley) e Roteiro. Ao BAFTA, houve indicações para; Melhor Filme, Diretor, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Figurino, Produção de arte, vencendo para Melhor Atrizs Coadjuvante, Roteiro Original e Penteado e Maquiagem. Achei o filme longo e apesar de ser considerado uma comédia, cansativo. recomendo pelo desempenho dos atores e figurino de Michael Wilkinson.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Como se fosse a primeira vez


Diretor: Peter Segal
Atores: Adam Sandler. Drew Barrymore, Rob Schneider, Sean Astin, Dan Aykroyd, Amy Hill, Aleen Covert, Black Clark, Lusia Strus
Gênero: Romance
Duração: 99 minutos
Ano: 2004



Sinopse: Henry Roth (Adam Sandler) é um veterinário paquerador que vive no Hawai e é famoso pelo grande número de turistas que conquista. Seu novo alvo é Lucy Wihtmore (Drew Barrymore), que mora no local e por quem Henry se apaixona perdidamente, Porém há um problema: Lucy sofre de memória de curto prazo, o que faz com que ela rapidamente esquece dos fatos mais recentes. Com isso, Henry é obrigado a conquistá-la dia após dia, para ficar a seu lado.



Filme delicioso de ver, acredito que toda mulher sonhe com uma situação assim, não a de perder a memória em um acidente, mas a de ser conquistada e amada todos os dias... É o sonho... Adoro este filme, o ator Adam Sandler me surpreendeu, acostumada e vê-lo basicamente em comédias, acredito que tenha se saído muito bem neste personagem, que inicialmente era como que um Dom Juan, que tinha medo de compromisso, apaixonar-se e passar a levar este sentimento muito a sério, chegando até a cogitar abrir mão de todo o seu projeto de vida. É lindo... e a personagem de Drew (Lucy) que apesar de doce e encantadora, acaba também se transformando em uma mulher forte e determinada que vai atrás de seus objetivos, apesar das limitações. Amo a parte em que Lucy mesmo não se lembrando do seu amor conscientemente, o faz em sonhos e traduz esse forte sentimento em arte. O filme no faz rir, com cenas muito engraçadas e também nos faz se emocionar, pois o roteiro é muito bem escrito surpreendentemente por um estreante George Wing. Muuuuito bom!!! Ainda tem a músicas ótimas (algumas delas cover) e uma delas que sou super fã, a do The Police "Every bresth you take". E ainda uma fotografia linda tendo como diretor responsável Jack Green. Curiosidades: O diretor Jay Roach esteva cotado para dirigir este filme. No roteiro original do filme, os personagens viviam em Seatle, posteriormente foi alterado para o Hawai. É a segunda parceria dos atores Sandler e Barrymore, a anterior foi em Afinado no amor (1998). Este é o 12º filme em que Sandler e Schneider atuam juntos, sendo praticamente todos comédias, não muito aclamadas pelas crítica, mas adoradas pelo público mais jovem, co O animal, Golpe baixo, Click. É também a segunda vez que o diretor dirige Sandler, a primeira vez foi em Tratamento de choque (2003). Foi indicado ao MTV Movie Awards em 2004, para Melhor Filme, Ator e Atriz. Ganhou o de Melhor Equipe em cena. O comprometimento da memória fictícia que sofre a personagem de Drew, é semelhante ao quadro real de Perda de memória de curto prazo e Amnésia anterógrada. Recomendo, muito leve e tocante, faz bem ao espírito. Veja se ainda não viu e comente.

Gravidade


Direção: Alfonso Cuarón
Atores: Sandra Bullock, George Clooney, Ed Harris, Eric Michels
Gênero: Ficção científica
Duração: 150 minutos
Ano: 2014



Sinopse: Matt Kowalski (George Clooney) é um astronauta experiente e e comendante da equipe, que está em missão de conserto ao telescópio Hubble juntamente com a doutora (médica e engenheira) Ryan Stone (Sandra Bullock que está em sua primeira viagem ao espaço. Ambos são surpreendidos por uma chuva de destroços decorrente da destruição de um satélite por míssel russo, que faz com que sejam jogados no espaço sideral, sem  qualquer apoio da base terrestre da Nasa, eles precisam encontrar um meio de sobreviver em meio a uma ambiente completamente inóspito à vida humana.


Filme de ficção que apesar de não ter um tema inédito, tem uma tecnologia nova, onde a equipe de efeitos visuais desenvolveram um sistema de cabos operados manualmente ou por controle remoto, para criar a ilusão de flutuação o que acabou exigindo muito trabalho e dedicação dos atores. Sandra Bullock em uma entrevista diz que o trabalho foi muito físico, teve que que aprender a funcionar como um robô natural, tudo muito matemático, onde cada movimento tinha que ser perfeito para dar o efeito desejado, mas que valeu muitíssimo a pena, um trabalho único, com uma equipe, direção e elenco maravilhosos. O filme é visualmente lindo, com uma fotografia perfeita de Emmanuel Lubezki, temos a sensação de que estamos "flutuando" junto com os protagonistas, mas também mexe com o nosso psicológico, sofremos junto com a personagem de Sandra, pois podemos sentír um "silêncio" assustador, quando ela e a equipe perdem o contato com a Terra, após um impacto da nave Explorer com detritos de um satélite, este impacto gera um a reação em cadeia que acaba destruindo outros satélites e a comunicação com a Terra.; então não existe qualquer chance de resgate, assim o medo vira pânico e a única chace de sobrevivência passa a ser a de se jogar na aterrorizante vastidão do espaço. É angustiante...Os efeitos sonoros também são maravilhosos e a música composta (Steven Price), tornam o filme meio mágico, único mesmo. Curiosidades: O roteiro foi escrito por Alfonso, em parceria com seu filho Jonás Cuaron. Com produção de David Heyman, que já havia trabalhado com o diretor em Harry Potter, e foi o primeiro filme que produz desde então (término da série de filmes Harry Potter). Originalmente, Angelina Jolie foi escalada para o papel, mas decidiu não continuar. Depois foi a vez de Natalie Portman, mas recusou ao confirmar sua gravidez e ainda outras atrizes foram cogitadas como Scarllet Johansson, Marion Cotillard, Rachel Weiz, mas o papel ficou mesmo com Sandra, que ao meu ver foi muito bem pois consegue transmitir todo o medo do desconhecido, da solidão. claustrofobia e a dor pela perda dos companheiros. Ela teve um treinador para aprender a se movimentar lentamente, sua grande dificuldade foi de mover o corpo em um ritmo mais lento do que a fala. Robert Downey Jr, seria o intérprete do personagem que ficou com Clooney. Ele deixou o papel por incompatibilidade com o estilo da atuação necessária à produção. O Marcos Pontes, o "nosso astronauta" informa numa entrevista que o acidente ocorrido no filme, poderia ocorrer na vida real, mas que os procedimentos adotados seriam diferentes. Que gostou do filme como diversão, mas não é para ser visto com olhar muito técnico em termos operacionais, como por exemplo a questão do fogo, do som e algumas sensações, não aconteceriam na vida real, como foi mostrado no filme. O filme começou a ser filmado em 03 de maio de 2011 em vários locais dos Estados Unidos como Atlanta e Los Angeles, bem como em Londres no Reino Unido e em Sidney, na Austrália. Foi filmado em formato digital e depois transformado em 3D. Foi o filme de abertura do Festival de Veneza em 2013. Diretores como James Cameron e Quentin Tarantino gostaram muito do filme, dizendo o primeiro que é o melhor filme de ficção que já viu e o segundo que está entre os 10 melhores filmes de 2013. Foi indicado a 10 categorias ao Oscar 2014, de Melhor Filme, Atriz, Direção de Arte e acabou ganhando as de: Melhor Diretor, Trilha Sonora, Edição e Mixagem de som, Fotografia, Edição e Efeitos Visuais. Ao BAFTA: foi indicado a Melhor Filme, Atriz de papel principal, Direção de Arte, Edição/Montagem, ganhou nas categorias: Diretor, Roteiro Original. Fotografia, Música Original, Som e Efeitos Visuais. Ao Globo de Ouro, teve indicação a Melhor Filme Dramático, Atriz em filem dramático e Trilha Sonora Original, ganhou para Melhor Diretor.
 Recomendo, é um bom filme, não foi o meu preferido deste ano, mas vale a pena. Muito diferente dos filmes anteriores que enfocam este tema.

domingo, 4 de maio de 2014

Philadelphia


Diretor: Jonathan Demme
Atores: Tom Hanks, Denzel Whashington, Antônio Banderas, Joana Woodward, Mary Steenburgen
Gênero: Drama
Duração: 125 minutos
Ano: 1993



Sinopse: O filme conta a história de Andrew, um advogado homossexual que trabalha para uma prestigiosa firma em Philadelphia. Quando ficar impossível para ele esconder dos colegas de trabalho, o fato de que tem aids, é demitido. Beckett contrata então Joe Miller (Denzel Washington), um advogado pouco conhecido e homofóbico para levar seu caso no tribunal. E a partir daí tudo acontece.



Amo também este filme, é daqueles que uma vez visto, jamais será esquecido: forte, tocante e sensível, para mim, o melhor trabalho, de muitos de Tom Hanks, ele "é o cara, o ator". Foi perfeito, do início ao fim. Maravilhoso. O filme mostra com muita sensibilidade os conflitos existenciais e sociais, vividos pelo advogado homossexual, que foi despedido unicamente pelo fato de ter esta opção sexual e por estar com aids numa época em que a doença estava sendo conhecida e havia uma preconceito social intenso. Mostra a discriminação, a dor e suas origens contra os homossexuais, ou portadores do vírus HIV e a relação mútua e confusa deste preconceito, na sociedade americana da época. Também mostra que podemos mudar nossos valores quando permitimos abrir a nossa mente par o novo, para o inesperado. O filme foi inspirado nos eventos ocorridos na vida de dois advogados: Geofrey Bowers e Clarence B. Caim, sendo que ambos ganharam suas causa, mas infelizmente o último já havia falecido. Foi considerado também um grande divisor de águas, em relação à forma como gays e lésbicas eram apresentados no cinema, abrindo caminho para O segredo de Brokeback Mountain. Curiosidades: Tom Hanks perdeu 12 kg para interpretar o personagem quando ele estava com aids em estágio avançado. O diretor queria que as pessoas não familiarizadas com a questão de homossexualidade e vírus HIV assistissem ao filme, então convidou o compositor/cantor Bruce Springsteen para compor a canção, acreditava que isso ajudaria a trazer tal audiência, que ambos: filme e canção ajudariam a conscientizar pessoas sobre o assunto, e afinal o resultado foi melhor que o esperado (uma jogada de mestre, Parabéns a Jonathan Demme que foi também o diretor de outro filme premiado O silêncio dos inocentes. O filme foi filmado totalmente na sequência do seu roteiro, para que Hanks pudesse perder peso para interpretar o personagem de Andrew. Os produtores pensaram em nomear o filme como: "Gente como nós", "Em risco" e "Causa provável", acabaram por fim decidindo pelo nome original, marcando o nome da cidade. Segundo o IMDB, 53 atores gays apareceram em várias cenas do filme, mas no ano seguinte morreram devido as complicações resultantes da aids e não puderam ver o sucesso do filme. Tak Fujjmoto, o diretor de fotografia, aparece como um médico do hospital, na cena seguinte a do parto. O papel de Andrew foi oferecido aos atores: Daniel Day Lewis, Michael Keaton, e Andy Garcia. O diretor queria que um ator cômico como Bill Murray ou Robin Williams interpretasse o papel de Joe Miller, pois sentiu que seria uma ótima forma de balancear todo o drama do personagem de Hanks. Mas quando Denzel o procurou, desistiu da idéia inicial, pois estava querendo trabalhar com ele havia muito tempo. O personagem de Denzel, era inicialmente um homem ítalo-americano chamado Joe Martino. O filme recebeu críticas positivas dos críticos de cinema, conquistando índices de aprovação de 77%. As cenas do processo foram rodadas em um verdadeiro tribunal e foi saudado como um marco no cinema: de profunda emoção e atuações excepcionais. A cena do personagem de Hanks, conversando com seu advogado Joe (Denzel) foi antológica, emocionante, de nos fazer chegar às lágrimas, ao som da música La Mamma Morta, da ópera Andrea Chémier, na voz da diva Maria Callas.  Prêmios: No Festival de Berlim (Alemanha), 1994, Tom Hanks foi o vencedor do Urso de Prata como Melhor Ator e o filme foi indicado para Melhor Filme. No Oscar 1994, ganhou para: Melhor Ator (Hanks) e Melhor Canção Original - Street of Philadelphia de Sprinsteen (que amo profundamente) teve indicações para Melhor Maquiagem (Carl Fulleton e Alan D'angelo), de Canção para Neil Young - Philadelphia e Roteiro original (Ron Nyswaner) perdeu para Jane Campion por O Piano. No Globo de Ouro 1994, foi indicado a Melhor Roteiro e ganhou de Melhor Ator Dramático (Hanks), de Melhor Canção Original (Springsteen). No Grammy 1995 Springsteen foi o vencedor do prêmio para melhor Canção escrita especialmente para filme. No BAFTA foi indicado ao prêmio de Melhor Roteiro Original. É um dos primeiros filmes comerciais de Hollywood para reconhecer o hiv/aids, homossexualidade e homofobia. Filme imperdível de ver. Recomendo!!! Veja e comente.

domingo, 27 de abril de 2014

Ela



Diretor: Spike Jonze
Atores: Joaquin Phoenix, Rooney Mara, Amy Adams, Scarllet Johansson, Olívia Wilde, Chris Pratt
Gênero: Drama
Duração: 126 minutos
Ano: 2014


Sinopse: Theodore Twombly (Joaquin) é um escritor solitário, que acaba de comprar um novo sistema operacional para o seu computador. Para sua surpresa, ele acaba se apaixonando pela voz deste programa informático, dando início a uma relação amorosa entre ambos. Esta história de amor incomum explora a relação entre o homem contemporâneo e a tecnologia.



Filme sensível, muito bem mostrado e dirigido por Spike Jonze, "romântico na medida certa", como disse o Rubens Ewald Filho, durante a premiação do Oscar. O ator Joaquim está excelente construção do personagem, deveria ter sido indicado para Melhor Ator. O filme transita entre a ficção científica e o drama, num futuro não muito distante, mas não especificado. Fala através de uma alegoria sobre a solidão e o amor, com bastante originalidade sobre o relacionamento de um homem introspectivo, vivendo um processo e divórcio e seu novo sistema operacional, o OS1 (dotado de inteligência e ainda é intuitiva, vai aprendendo com o tempo, acaba tendo uma personalidade e emoções praticamente humanas) chamada Samantha (Scarllet). O relacionamento entre ambos vai se aprofundando até o ponto de se apaixonarem um pelo outro. Para quem  gosta de tecnologia, o filme é um prato cheio. Também é possível identificar alguns elementos já presentes no nosso cotidiano, como a mobilidade e o isolamento provocados por esta dependência tecnológica.  O roteiro é originalíssimo e uma história que esta mais para um drama existencial do que de ficção. Os diálogos são intensos, cheios de vida e profundidade, com muitas questões levantadas: o que é bom ou ruim, o que é certo e errado na relação a dois. E a maneira como os protagonistas lidam com elas é envolvente e apaixonante. O filme é ótimo, encantador, vamos nos identificando com alguns de seus problemas tanto individuais, como de relação. Faz uma reflexão sobre questionamentos contemporâneos: o que é real e o que é virtual neste mundo digital em que as interações acontecem cada vez mais através da tecnologia? A fotografia é linda, meio futurista e retrô, ao mesmo tempo é assinada por Hoyte Van Hoytema. E a Trilha Sonora é de William Butler, da Banda Canadense Arcade Fire e Owen Pawllet e a Canção Original é de Karen O. O filme teve cinco indicações para o Oscar 2014, de Melhor Filme, Canção Original ('The moon song"), Direção de Arte, Design de Produção e ganhou o do Melhor Roteiro Original (Spike, que dirigiu e fez o roteiro). Foi  considerado o Melhor Filme de 2013, no National Board of Review. Compartilhou o primeiro lugar de Melhor Filme com Gravidade no Prêmio Los Angeles Film Critics Association. Teve três indicações para o Globo de Ouro: Melhor Filme Musical e Comédia, Roteiro, Ator de Musical e Comédia (Joaquin) e venceu o de Melhor Roteiro. Curiosidades: foi filmado em Los Angeles em 2012 e duas semanas em Xangai. Inicialmente era a voz da atriz Samantha Morton que desempenhou a voz de Samantha no filme, mas como o filme foi editado ao longo de 14 meses, acabou ocorrendo a substituição, pois o diretor disse: "parece que o que fizemos não estava funcionando de maneira correta", foi muito difícil chegar a uma realização, então houve a substituição para Scarllet, com sua voz rouca muito sensual. O diretor Steven Soderbergh se envolveu na edição do filme. A música "Supersymmentry" da banda Arcade Fire, foi originalmente escrita para o filme."Ela", foi aclamado pela crítica: "Doce, com alma e inteligente". Recomendo, imperdível!!!

domingo, 13 de abril de 2014

Alguém tem que ceder



Direção: Nancy Meyers
Atores: Jack Nicholson, Diane Jeaton, Keanu Reeves, Amanda Peet, Frances McDormand, Jon Favreau, Paul Michael Glaser, Nicole Hiltz
Gênero: Comédia romântica
Duração: 128 minutos

Ano: 2003

Sinopse: Harry Sanborn (Jack Nicholson) é um executivo que trabalha no ramo da música e que namora Marin (Amanda Peet), que tem idade para ser sua filha. Harry e Marin decidem ir até a casa de praia da mãe dela, Érica (Diane Keaton) para um fim de semana romântico. Lá Harry sofre uma parada cardíaca e fica aos cuidados de Érica e Julian (Keanu Reeves), um jovem médico local. Aos poucos Harry percebe que está se interessando cada vez mais por Érica, mas tenta esconder seus sentimentos. Julian também se sente atraído por ela, tornando-se um rival para Harry.



Filme sensacional, uma comédia deliciosa muito bem interpretada pelos veteranos Nicholson e Keaton, que formam um casal hilário, mas também tocante, ao mesmo tempo. O filme começa mostrando o playboy profissional Harry, um típico exemplo do homem com Síndrome de Peter Pan, ou seja, que se recusa a se comportar como alguém de sua idade e totalmente imaturo para relacionamentos com mais profundidade, associado a tudo isso, ainda tem uma libido exacerbada para alguém de sua idade, e no momento se encontrava todo empolgado com a nova conquista, um ninfeta linda chamada Marin (Peet). Mas acaba ocorrendo uma grande mudança em sua vida, quando conhece a mãe de sua namorada (Keaton) uma bem sucedida e divorciada dramaturga de Nova York e, para completar sofre um infarto na casa de praia dela. Sua vida sofre então uma reviravolta, seu mundo todo muito bem estruturado e controlado com rédeas curtas, passa a desmoronar, no entanto Harry resiste com todas as forças em assumir uma nova paixão, porque pela primeira vez deverá tomar decisões movidas pelo seu coração. Todos os protagonista tem embates verbais maravilhosos, que faz do filme algo muito mais complexo do que se imagina no início. Amei, pois vi colocada em prática a minha teoria de que quando uma mulher madura se divorcia, acaba ficando à mercê de situações de conflito e preconceito (sociais e pessoais), e para encontrar um novo parceiro torna-se algo extremamente complicado, pois os homens ou estão bem casados, divorciados mas só se interessando por alguém muito mais jovem ou então, são aqueles solteirões, cheios de manias. É fica difícil...Daí se acontece de se interessar por alguém mais jovem é discriminada e chamada de "papa anjo", e também passa a ser vista como um possível rival pelas esposas dos amigos. É uma loucura...O filme mostra de certa forma esta situação, quando o charmoso médico Julian (Reeves) se mostra interessado em Érica, mesmo num primeiro momento acreditar que ela é quem era a esposa de Harry. Os conflitos de três gerações de mulheres, vão sendo mostrado de modo muito inteligente e coerente, o que confirma a competência da diretora que também foi  a roteirista e responsável pela produção. Amei também os álbuns de família mostrados pela personagem de Keatn, separados por décadas; a idéias é original! Curiosidades: É o terceiro filme da diretora, os anteriores foram Operação Cupido (1998) e Do que as mulheres gostam (2000). Escreveu o personagem de Érica, especialmente para a atriz Diane Keaton. É a segunda vez em que Nicholson e Keaton atuam juntos, o trabalho anterior foi Reds (1981). O título original do filme é uma homenagem a música do mesmo nome de 1954 de Johnny Mercer. O nome do personagem de Keanu Reeves, Julian, é em homenagem ao cantor. Jack Nicholson canta música "La vie en Rose", durante os créditos finais do filme. A casa de praia mostrada nas filmagens é real, nos Hamptons, e foi muito comentada e admirada por todos que viram o filme na época e serve de modelos de designer até hoje, mas as cenas dos interiores que a tornam absolutamente aconchegante e charmosa, foram criadas em estúdio, pela decoradora Beth Rubino. Composição musical de Hans Zimmer.
O filme foi indicado ao Oscar 2004, na categoria de Melhor Atriz para Keaton e ao Globo de Ouro, do mesmo ano, para Melhor Ator Comédia/Musical para Nicholson e Diane Keaton ganhou o prêmio de Melhor Atriz Comédia/Musical.
Recomendo, o filme é apaixonante. Assista e comente.  

segunda-feira, 17 de março de 2014

12 anos de escravidão


Diretor: Steve McQueen
Atores: Chiwetel Ejiofor, Michael Fassbender, Benedict Cumberbatch, Paul Dano, Lupita Nyong'o, Brat Pitt, Michael k. Williams, Sarah Paulson , Paul Giamatti
Gênero: Drama
Duração: 133 minutos       


Ano: 2014

Sinopse: 1841, Solomon Northup(Chiwetwl Ejiofor) é um escravo liberto, que vive em paz ao lado da esposa e filhos. Um dia após aceitar um trabalho que o leva para outra cidade, ele é seuqestrado e acorrentado. Vendido como se fosse um escravo, Solomon precisa superar humilhações físicas e emocionais para sobreviver. Ao longo de 12 anos, ele passa por dois senhores, Ford (Benedict Cumberbatch) e Edwan Epps (Michael Fassbender), que, cada um à sua maneira explora os seus serviços.



Filme encantador, o diretor construiu uma poesia em forma de filme, com uma sensibilidade tocante, mostra o tema da escravidão de um ângulo radicalmente apresentado até então. É um filme muito doloroso, para mim com tema inédito, mas também honesto, não é apresentado para chocar, mas para sensibilizar, entender o que realmente aconteceu. O filme mostra todo o sofrimento físico e psicológico sofrido por Solomon Northup, que passa de homem livre, digno, com uma família, a escravo por um longo período, mas não é mostrado como um herói (mas certamente tem um herói dentro de si), onde demonstra todo seu sofrimento e angústia com intensidade equilibrada. O diretor faz algumas tomadas onde paralisa a cena, como que para que o expectador foque nos sentimentos apresentados, tornando assim a cena muito forte, mostra todos os desafios e traumas sofridos na escravidão. Foi baseado em um livro homônimo de memória escrito em 1853, que também foi a fonte do telefilme de 1984 American Playhouse Solomon Northup Odyssey, estrelado por Every Brooks. O diretor britânico McQueen diz: 'Todo mundo merece não só sobreviver, mas sim, viver". O filme teve vários produtores como Brad Pitt, John Ridley, Jeremy Kleiner; com composição musical de Hans Zimmer e Patrícia Norris assinando o Figurino (já indicada 5 vezes, mas nunca ganhou) e Diretor da bela fotografia (fiquei admirada por não ter sido indicada) é Sean Bobbitt. Curiosidades: É o terceiro filme do diretor como ator Michael Fassbender, depois de Hunger e Shame. McQueen queria escrever um roteiro sobre a escravidão, mas estava com dificuldade para escrever, até que foi presenteado pela esposa com a biografia de Solomon Northup. O ator Chiwetel Ejiofor, primeiramente  recusou a oferta do diretor para desempenhar o papel principal, mas depois percebeu que estava com um medo inicial, após McQueen ter dito a ele que o personagem de Solomon era um papel para a vida toda do ator. Quando aceitou, iniciou o processo de se preparar para o personagem: imergiu na cultura de plantio de Luisiana e foi aprender a usar e tocar violino. As filmagens na Luisiana duraram somente 35 dias e foram feitas com apenas uma câmera. É o filme que maraca a estréia de Lupita, que embora estreante teve um papel muito forte e determinante no filme, tanto é que acabou ganhando o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. É a terceira colaboração cinematográfica entre Fassbender e Pitt, os dois atuaram em Bastardos Inglórios (2009) e O Conselheiro do crime (2013). O ator Michael K. Williams teve um colapso emocional durante algumas filmagens, viveu um estresse ao ter que recriar um material tão doloroso. A árvore onde Solomon vê vários homens sendo linchados, foi realmente utilizada para linchamentos e esta rodeada por túmulos de escravos assassinados. Junto com Gravidade, este é o primeiro filme a empatar como Melhor Filme no Producer Guild Awards. Ganhou o ADAM, Prêmio UPC Audience, na Semana de Cinema de Amsterdam. Foi indicado ao Oscar deste ano, para 9 indicações: Melhor Filme, Ator (Ejiofor), Ator Coadjuvante (Fassbender), Figurino, Montagem, Designer de Produção e ganhou nas categorias de: Melhor Filme, Atriz Coaduvante (Lupita) e Roteiro Adaptado. Recomendo. Muito bom, faz uma nova leitura da escravidão. Assista e comente.