domingo, 7 de fevereiro de 2016

Como água para chocolate


Diretor: Alfonso Arau
Atores: Marco Leonardi, Lumi Cavazos, Regina Tomé, Mario Iván Martinez, Claudette Mailé, Ada Carmasco, Yareli Arizmeni
Gênero: Drama
Duração: 123 minutos   


Ano: 1993

Sinopse: Tita (Lumi Cavazos) nasceu na cozinha do rancho de sua família, quando sua mãe (Regina Tomé) estava cortando cebolas. Logo em seguida seu pai morre de um ataque cardíaco fulminante, por ter sua paternidade questionada. Com isso Tita é vítima de uma tradição local, que dez que a filha mais nova não pode se casar para que cuide de sua mãe até a sua morte. Ao crescer, Tita se apaixona por Pedro Muzquiz (Marco Leonardi), que deseja se casar com ela. Sua mãe veta o matrimônio devido a tradição, e sugere que se case com Rosaura (Yarel Arizmendi), a irmã dois anos velha que Tita. Pedro aceita, pois apenas assim poderá estar perto de Tita.

  
Vivenciamos uma experiência fantástica enquanto vamos assistindo ao filme, embora delicado e sensível, é capaz de nos tocar de uma mameira incrível, através de sua fotografia (luzes e cores), combinadas com um trilha sonora e atuação perfeitamente combinadas dos atores, vamos "vivendo e sentindo" junto com os personagens, todas as muitas emoções que sentiam, que passam na história, como diz meu querido Amigo Dannon: "vivenciamos uma experiência sinestésica" (a ardência das cebolas, o calor provocado pela pimenta, sua dor devido a perda, o despertar da sensualidade, a angústia do desejo contido, o amor proibido...). Vimos este filme juntos. Onde o personagem de Tita demonstra todo o seu amor por Pedro, através dos pratos que prepara, e que devido à sua força, atravessa décadas. É um filme mexicano, com roteiro de Laure Esquível, baseado em romance homônimo de sua autoria. O filme convida a uma reflexão, o significado da comida e a relação que estabelecemos com ela (praticamente todas as nossas relações sociais, familiares, amorosas estão relacionadas com comidas, com pratos preparados para encantar e satisfazer, não só o paladar). Nos faz pensar sobre como os valores e regras que nos são impostos culturalmente, determinam a vida de cada um. No filme, a história é contada pela sobrinha-bisneta de Tita, através de um livro de receitas que é passado das gerações de mulheres da família. Ambientado no início do século XX, em um contexto de guerra (Revolução Constitucionista). A atmosfera criada pelo diretor, fotógrafos (Steves Bernstein e Emmanuel Lubezki) e montador Carlos Bolada, permite intervenções surreais que nos levam a construções da história (tristeza, paixões). O personagem central, Tita, passa toda a sua vida entre aromas e sons dos alimentos na cozinha, que era o único lugar de aconchego, onde os pratos eram preparados pela cozinheira e amorosa amiga Nacha. Tita então desenvolve gosto em preparar os alimentos com carinho e dedicação, transformando-o em comida e que permite o desenvolvimento de afetos e sensações, naqueles que tinham o prazer de desfrutar de seus maravilhosos pratos. E como foi privada de viver seu amor, a comida passou a ter um papel importante, ao preparar os alimentos, ela podia liberar os sentimentos aprisionados e também sentir prazer através do ato de comer, uma vez que outros prazeres da vida não podia desfrutar. Pela comida, transmitia a Pedro, algo que era negado  manifestar.



Através da comida amou Pedro profundamente, encontrando um meio de comunicação entre ambos. Tita passa para a comida, tudo o que está sentindo e possibilita aos outros, sentir, toda a gama de emoções, criando um clima interessante na história. É o retrato da maneira intensa com que as pessoas tem que enfrentar muitas proibições, contendo um amor, que não podia se concretizar naquela época. Para mim, a história peca um pouco, devido a postura de Pedro, que se mostra um tanto fraco e submisso em relação à imposição feita pela mãe de Tita (criando uma convenção local), quando poderia ter tido uma posição diferente, de enfrentamento. Curiosidades: em 1994, a revista mexicana Somos, inclui este filem na lista dos 100 melhores filmes do cinema mexicano. Teve indicação Globo de Ouro de 1993, de Melhor Filme Estrangeiro o mesmo ocorrendo com  ao BAFTA (Reino Unido) em 1994, ao Goya (Espanha), no Japão. Aqui no Festival de Gramado foi indicado também a Melhor Filme de Língua Estrangeira, vencendo na categoria de Melhor  Atriz (Lumi Cavazos-Tita) e Melhor Atriz Coadjuvante (Claudette Mailé-Gertrudes), foi escolhido como Melhor Filme pelo Juri Popular e indicado ao Kikito, na categoria de Melhor Filme Latino. No Chile, mais precisamente em Santiago, tem um restaurante com o mesmo nome, que promete esta gastronomia excelente e extravagante. Confira!!!
Recomendo, é uma viagem sensorial. Fotografia Liiiinda!!! Comente depois. 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Whiplash - em busca da perfeição

Diretor: Damien Chazelle
Atores. Miles Teller, J. K. Simmons, Paul Reiser, Melissa Benoit, Jason Blair, Austin Stowell, Chris Mulkey
Gênero: Drama
Duração: 107 ninutos
Ano: 2015

Sinopse: O solitário Andrew (Miles Teller) é um jovem baterista que sonha em ser o melhor de sua geração e marcar seu nome na música americana como fez Buddy Rich, seu maior ídolo na bateria. Após chamar a tenção do reverenciado e impiedoso mestre do Jazz Terence Fletcher (J.K. Simmons), Andrews entra para a orquestra principal do Conservatório de Shaffer, a melhor escola de música dos EUA. entretanto, a convivência com o abusivo maestro, fará Andrew transformar seu sonho em obsessão, fazendo tudo para chegar a um novo nível como músico, mesmo que isso coloque em risco seus relacionamentos, bem como sua saúde física e mental.



Este filme parece que foi produzido para deixar nossos nervos em frangalhos, ficamos em estado de tensão quase que o 105 minutos que é a duração dele. Muito bom, com excelentes atuações dos atores principais, tanto que o ator J.K. Simmons acabou sendo mais votado e eleito, para ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 2015.Você ao mesmo tempo o ama e admira, mas também o odeia, pois em alguns momentos, parece não ter limite para encontrar a perfeição, exigindo o "máximo" de todos seus alunos. É um filme que encanta todos os apaixonados por música e até os que não são, pois faz com que pensemos até onde podemos ir, testando os nossos limites, para alcançar os nossos sonhos e ambições. Parte do filme é baseado na experiência do diretor, que também compôs o roteiro, que afirma ter sido intimidado pelo instrutor da banda, da qual fazia parte e assim resolveu contar um pouco desta experiência. Como não obteve financiamento necessário para o filme, transformou o em um curta metragem (com duração de 18 minutos e com outros atores) e o apresentou para o Festival Sundance em 2013. O curta acabou vencendo o Prêmio do Juri e daí conseguiu financiamento para a produção do longa metragem. O Festival Sundance de cinema teve início em agosto de 1978, como Utah/US Film Festival. Em 1985, o Sundance Institute, fundado anos antes por Robert Redford, com o intuito de ajudar novos cineastas, incorpora o Festival aseus programas, dirigindo o e evento para as produções independentes. O Festival acontece todos os anos no mês de janeiro, em Park City, Utah. O filme é ambientado em Nova Iorque, porém foi gravado em locação em Los Angeles. E foi tudo rápido demais, entre filmagem (20 dias), edição e inscrição no Sundance, passaram-se apenas 10 semanas.


Venceu dois principais prêmios neste Festival em 2014, Melhor Filme, de acordo com o público (Prêmio de Audiência, em drama e prêmio do Juri, em Drama) e Diretor. Outras premiações: ao Globo de Ouro, venceu na categoria de Melhor Ator Coadjuvante J. k.Simmons. Ao SAG (Screen Actors Guild - Sindicato dos Atores dos EUA), de Melhor Ator Secundário, em cinema, para J.K. Simmons. Ao BAFTA, indicado a Melhor Diretor e Roteiro Original e vencendo nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante em cinema J.K. Simmons, Montagem e Som,e ao Oscar 2015,teve indicação para Melhor Filme e Roteiro Adaptado,venceu em Melhor Ator Coadjuvante, Montagem e Mixagem de Som. Curiosidades: O ator Dane de Haan recusou o papel de Andrew. As obras Whiplash de Hank Levy e Caravan, de Juan Tizol que foram apresentadas no filme, são do tipo referidos por músicos de Jazz, como um "quadro temporal", uma peça com assinatura de tempo não convencional, neste caso, 7/8; e neste filme são as mais ensaiadas pela banda que se apresenta em festivais e quase sempre ganha, devido aos métodos duros e exigentes do maestro Flatcher, que muitas vezes parecem ser demais para os alunos e mais ainda para Andrew.
O ator Milles Teler toca bateria desde os 15 anos, e mesmo tendo esta vivência, teve aulas adicionais de bateria pelo menos de 4 horas por dia, 3 dias na semana,para se preparar. Chegando a ficar com bolhas nas mãos devido ao estilo vigoroso, nada convencional da bateria de Jazz. Um pouco de seu sangue, ficou mesmo nas baquetas e nos instrumentos. Durante as cenas de práticas intensas, o diretor não gritaria "corta", a fim de que Tiler mantivesse o rufar, até se esgotar. E para a cena do tapa que o maestro Fletcher dá em Andrew, os atores filmaram várias tomadas, mas com Simmons apenas imitando o gesto. Mas para a gravação final,os atores decidiram gravá-la com um tapa realmente genuíno. Recomendo!!! Emocionante!!!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

De repente 30


Diretor: Gary Winick
Atores: Jennifer Garner, Mark Ruffalo, Judy Greer, Andy Sarkis,Kathy Baker, Marcia Debonis, Christa B. Allen, Kiersten Warren, Sean Marquete
Gênero: Comédia
Duração: 98 minutos


Ano: 2004

Sinopse: Jenna Rink (Christa) é uma garota que está descontente com sua própria idade, já que seus colegas mais populares da escola não lhe dão atenção, seus pais ficam sempre no pé e o garoto por quem está apaixonada,nem sabe que ela exista. A única amizade que Jenna possui e Matt Flanhaff (Sean Marquete), seu vizinho. Para reverter a situação Jenna decide dar uma festa no seu 13º aniversário,convidando todos os adolescentes que conhece. Porém,o que deveria ser uma consagração se transforma num desastre, após Jenna ficar dentro de seu armário, devido a uma brincadeira inventada pela líder do grupo de garotas, e ser deixada completamente sozinha e esquecida. Triste, Jenna faz um pedido fervoroso: ser adulta, bem sucedida e ter um namorado, tudo o que sempre sonhou. O pedido milagrosamente se torna realidade e, no dia seguinte, Jenna (Jennifer Garner) desperta em 2004, e com 30 anos. De início fica assustada com as novidades de sua vida, mas aos poucos fica encantada por ter se tornado tudo aquilo que sempre idealizou. Porém, quando tentta encontrar Matt (Mark Ruffalo), descobre que perdeu contato com ele há vários anos e que agora ele está prestes a se casar.


Sou particularmente apaixonada por este filme, de "conto de fadas", de final feliz, mas não se pode dizer que é só um texto açucarado, apesar de tudo acabar como gostaríamos, o filme nos faz pensar sobre as decisões que tomamos ao longo de nossas vidas e dos possível desdobramentos e consequências que estas mesmas escolhas nos trás, às vezes boas, outras desastrosas. Neste filme Jenna  tem a oportunidade de refazer uma de suas escolhas e o resultado é surpreendente. Como seria bom se pudéssemos fazer o mesmo: poder refazer, ser algo diferente daquilo que no passado escolhemos e que ao tomar consciência no futuro e reconhecer que não foi uma boa escolha, pudéssemos voltar atrás, ter uma nova chance, seria maravilhoso!!! Não é ??? Mas só acontece na ficção, é uma pena...Seria o máximo se inventassem o "Pó Mágico" e comercializassem, mas penando bem, seria mais um produto acessível a poucos. Rsrsrs. Então,  Jenna descobre ao "acordar com 30 anos", que não se identifica com a pessoa que se tornou, realizou seus sonhos, mas perdeu seus valores morais, sendo apenas um rascunho ruim, do que tinha imaginado se transformar e assim se empenha para modificar e consertar os estragos já realizados. Um doce!!! O filme foi indicado ao MTV Movie Award, para Melhor Sequência Musical. Realmente as canções são deliciosas,para ouvir e dançar, de Rick Sprinfield, Belinda Carlisle, Madonna (Crazy for me), Whitney Houston (I wanna dande whith somebody), Vanila Ice (Ice, ice baby), Billy Joel, Liz, Phair, Pat Benatar, Ingran Hill.



Uma das cenas mais marcantes do filme é quando numa festa promovida pela revista Poise, em que trabalha e que está fadada ao insucesso e ela inicia a coreografia da música Thriller de Michael Jackson. de forma muito tímida e insegura inicialmente, mas que vai ganhando força e simpatias, até que quase todos encaminham- se para a pista de dança. Não me lembrava que o personagem de seu editor chefe, era nada mais e nada menos que Andy Sarkis, o mega ator que quase sempre não aparece com seu próprio rosto (Golum/Esmigo, em Senhor dos anéis e César, em Planeta dos macacos, a origem), e que está super engraçado neste filme. Curiosidades: as atrizes Renée Zellwegger, Hilary Swnak e Gwyneth Paltrow estiveram cotadas para o papel principal. E a própria Jennifer esteve cotada para a direção do filme, mas acabou só atuando e ganhando um cachê milionário para estrelar o filme. Assista!!! Uma delícia de ver.

Birdman (a inesperada virtude da ignorância)


Diretor: Alejandro Gonzales Inãrritu
Atores: Michael Keaton, Zach Galifanakis, Edward Norton, Andrea Riseboroug, Amy Ryan, Emma Stone, Naomi Watss, Linday Duncan
Gênero: Comédia
Duração:119 minutos
Ano: 2015



Sinopse: No passado, Riggan (Michael Keaton) fez muito sucesso interpretando o Birdman, um super herói que se tornou um ícone cultural. Entretanto, desde que se recusou a estrelar o quarto filme como o personagem, sua carreira começou a decair. Em busca da fama perdida e também do reconhecimento como ator, ele decide dirigir, roteirizar e estrelar a adaptação de um texto consagrado para a Bradway. Entretanto, em meio aos ensaios com o elenco, formado por Michael Shiner (Norton), Lesley (Watss), e Laura (Andreas), Riggan precisa lidar com seu agente Brandon (Zach), sua filha problemática (Stonne) e ainda uma estranha voz, que insiste em permanecer em sua mente.



Filme que abriu em 2014 o Festival de Veneza, dirigido e escrito por Alejandro, em parceria com Alexander Dinelaris e Armando  Bó, sendo usado um estilo incomum de filmagem, com longo take, (cenas longas). Alejandro afirmou que depois de perceber que "nós vivemos nossa vida sem edição", resolveu por usar uma tomada para o filme, que faria com que o protagonista entrar em uma realidade incontornável, e levar o público a esse sentimento; tendo a consciência da dificuldade que estava prestes a realizar, sabia dos riscos, pois não sabia como o público iria reagir, mas informa estar mais preocupado que o jeito de filmar não fosse uma distração para a história, "queria mantê-la de uma forma humilde e em serviço da narrativa". Assim, a câmera entra e sai dos camarins, salas e corredores em busca de verdades ocultas, como uma espécie de espiã, a revelar tudo, desnudando os sentimentos profundos dos personagens, sem a preocupação de se apresentar bonito ou feio, de agradar ou desagradar.  O que me fez associar ao livro que estou lendo A doçura do mundo de Thrity Umbigar que a respeito do cinema americano: Há uma preocupação excessiva com o riso e a diversão,  como se a vida fosse um filme de Walt Disney, uma coisa inventada por crianças, Já na Índia, a vida é um melodrama de Bollywood, cheia de perdas e tristezas.E, por isso, todos rejeitam a indústria de cinema indiano e preferem Disney. Uma busca constante por dinheiro, busca disso e daquilo". Confesso que levei um tempo para começar a gostar do filme, com esse realismo todo, mas depois de um tempo, acabamos por nos identificar com os personagens, com seus sentimentos nem sempre bem aceitos politicamente, mas somos o que somos, imperfeitos! Assim como o que foi mostrado. Então o filme vai sendo mostrado com "muita naturalidade", por um diretor que já é conhecido por seu perfeccionismo (o que tem feito dele um diretor premiado e reconhecido nos EUA, por Babel em 2006 e Biutiful em 2011, uma boa sequência e por que não dizer trilogias de filmes iniciados com B, um ótimo BBB), mas também muito rigoroso  (exigindo dos atores o melhor deles: ensaios muito bem marcados/coreografados, com diálogos também longos), e também como foi filmado numa sequência, o processo de edição levou apenas duas semanas para ser concluído. O filme é uma crítica a Hollywood e a Broadway, com seu funcionamento de supervalorizar alguns e desqualificar outros, sejam atores (com seus estrelismos e egos enormes)), estúdios, produtores, diretores, ditando de um modo muito superficial as regras do que é bom ou não, e do que deve estar na "moda", no auge, promovendo uma distorção de valores e influenciando tendenciosamente multidões. Este filme é para fazer pensar, mas também se divertir, com seus diálogos sarcásticos, mas também profundos, com cenas hilárias e bizarras, mas também com pausas marcantes, para enfatizar os sentimentos complexos abordados: sonhos, frustrações, ilusões, medos, e tudo num ritmo meio que frenético. Atuação muito competente do elenco, os atores estão muito "afinados", com o texto que mostra um decadente ator, tentando renascer das cinzas através de uma montagem da peça O que falamos, quando falamos de amor?, um conto escrito por Raymond Carver, 


e sua luta para fazer esta produção ser sucesso, apesar de todas dificuldades enfrentadas, pessoais (conflitos com a filha, esposa e principalmente com sua consciência) e das pessoas envolvidas neste grande projeto. O filme teve 9 indicações para o Oscar 15, nas categorias de Melhor Ator (Keaton), Ator Coadjuvante (Norton), Atriz Coadjuvante (Emma Stone), Mixagem de Som e Edição de som. Vencendo em 4, Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original e Fotografia (Emmanuel Lubezki). Foi premiado no Screen Actors Guild de Melhor Elenco para o cinema. No Globo de Ouro, venceu para Melhor Ator em comédia ou musical, Michael Keaton e Melhor Roteiro. No BAFTA, levou o prêmio de Melhor Fotografia também. Curiosidades: foi gravado em grande parte dentro do St James Theatre da Broadway e sendo filmado em menos de um mês. Keaton disse que Birdman, "foi o filme mais desafiador que já fez e que a personalidade do personagem é a mais diferente de si mesmo, do que qualquer outro que já fez". Embora haja uma certa semelhança entre sua vida com a de Birdman, também fez Batman, e após protagonizar duas franquias, ficou meio que "esquecido", como ator. É o primeiro papel de Keaton, depois de longos 6 anos sem atuar. 


A cena engraçadíssima, em que Riggan atravessa a Time Square de cueca,foi filmada depois da meia noite e as pessoas que aparecem, são figurantes e membros contratados da equipe. Os atores Edward Norton e Zach Galifanakis  disseram que eram fãs de Keaton e que estavam animados para trabalhar com ele neste filme. A Trilha Sonora de Antônio Sanches, realizada quase que inteiramente por bateria, foi desclassificada pela banca musical do Oscar, atitudes bem Hollywoodianas, não??? A atris Emma Stone filmou este longa durante uma pausa nas filmagens de O espetacular Homem-Aranha 2, que também e localizado em Nona Iorque.. Edward Norton e Naoni Watts, já interpretaram um casal conturbado em O despertar de uma paixão (2006). Recomendo, é uma experiencia muito diferente. Inovadora, mas vale a pena. Comente depois.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Intocáveis


Diretores: Olivier Nakache e Éric Toledano
Atores: François Cluzel, Omar Sy, Anne Le Ny, Audrey Fleuret, Thomas Soliveres, Antoine Laurent, Clotilde Mollet
Gênero: Drama
Duração: 112 minutos
Ano: 2011


Sinopse: Philippe (François Cluzel) é um aristocrata rico, que após sofrer um grave acidente, fica tetraplégico. Precisando de um assistente, ele decide contratar Driss (Omar Sy), um jovem problemático que não tem a menor experiência em cuidar de uma pessoa no seu estado. Aos poucos ele aprende a função, apesar das diversas gafes que comete. Philippe, por sua vez, afeiçoa-se cada vez mais a Driss, por este não tratá-lo como um pobre coitado. Aos poucos a amizade entre eles se estabelece, com cada um conhecendo melhor o mundo um do outro.

Magnífico!!! Emocionante!!! Surpreende do começo ao fim, uma relação de amizade que surge de uma situação inusitada e improvável, mas que vai se fortalecendo ao longo do tempo. Os cineastas tiveram a idéia para este filme após assistirem a uma documentário A la vie, a la mort, que revela a trajetória de um jovem do subúrbio, responsável por cuidar de um homem tetraplégico. Inicialmente o ator Daniel Auteuil viveria o personagem de Philippe Pozzo di Borgo, que acabou ficando com François Cluzel, que tem um desempenho impressionante. Antes das filmagens, ele se encontrou com 


Philippe para conhecê-lo e para aprender sobre seus movimentos, respiração e fala para desenvolver o personagem. Já Omar Sy, que vai viver o personagem de Driss, um senegalês, radicado no subúrbio de Paris, que acaba de cumprir uma pena de seis meses na prisão e não tem formação para o cargo, porém de uma forma um tanto "errada e distorcida", por que não dizer irônica, desperta em Philippe o prazer pela vida novamente. Para viver este personagem, Omar perdeu 10 kg, pois acreditava que um jovem do subúrbio deveria ter um corpo mais atlético e para enfatizar a vida difícil e desregrada que tinha. A fotografia é linda, de Mathieu Vadepied, com cenas inspiradoras. Diretora de elenco Gigi Akoka e  Diretor musical Ludovico Einaudi, com canções escolhidas a dedo, fazendo jus ao filme, como as criadas por eleFly e Writinh poems e outras de George Benson, The ghetto, e as da Banda Earth, Wind e Fire, como September e Boogie Wonderland, onde Driss arrebata a platéia toda certinha em um recital, para dançar com ele, dando um show à parte de dança, um luxo só!!!


Curiosidades: Intocáveis vai ganhar um remake norte americano. Foi o filme mais visto na França em 2011, sendo a terceira maior bilheteria, só perdendo para Titanic e Bienvenne chez les Ch'ts. Acabou conseguindo o segundo lugar de maior bilheteria do cinema francês, só perdendo para A fabulosa história de Amélie Poulain. Foi também o mais na Alemanha na sua estréia, tendo alcançado o primeiro lugar na quarta semana de exibição neste país. Teve indicação para muitas premiações: ao César, foi indicado para Melhor Filme, Diretor, Atores, Roteiro Original, Edição e Som, ganhou Melhor Ator Omar Sy; ao Goya de Melhor Filme Estrangeiro, na Academia Japonesa de cinema, Festival Internacional de Cinema de Tóquio; Satélite Award, também de Melhor Filme ao Premio David di Donatelo, Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e ainda ao BAFTA, indicação de melhor Filme Estrangeiro.
Recomendadíssimo!!! Este é imperdível. É maravilhoso e belo este exemplo de amizade. Duas pessoas que talvez pelas condições sociais e culturais de vida, nunca viriam a se conhecer em situações normais, mas que a vida se encarregou de mudar, vencendo barreiras e preconceitos. Lindo!!!

Teoria de tudo


Diretor: James Marsh
Atores: Eddie Redmayne, Felicity Jones, Tom Prior, Charlie nCox, Harry Lloyd, David Tewlis, Emily Watson, Simon McBuney
Gênero: Biografia
Duração: 123 minutos
Ano: 2015


Sinopse: baseado na biografia de Stephen Hawding, o filme mostra como o jovem astrofísico (Eddie Redmayne) fez descobertas importantes sobre o tempo, além de retratar seu romance com a aluna de Cambridge Jane Wide (Felicity Jones) e a descoberta de uma doença motora degenerativa, quando tinha apenas 21 anos e idade.


Amei este filme!!! Tocante, realista sem perder a sensibilidade, no decorrer do filme vamos conhecendo seu drama pessoal, e  desenvolvendo um profundo respeito por Hawking, em vez de despertar pena, somos induzidos a uma profunda admiração pelo seu espírito de lutador e persistência, chegando a este nível de superação, é realmente um vencedor em todo sentido da palavra. Teve e ainda tem uma vida digna, construiu uma história para si e para o mundo. Meus sinceros agradecimentos, por mais esta lição de vida!!! O filme foi inspirado na obra Travelling to Infinity: my life with Stephen, de Jane Hawding. Sendo que o roteirista Anthony McCarten passou quase três anos para convencer Jane a concordar com a adaptação cinematográfica de seu livro, mas no total foram dez anos para conseguir trazer esta história para a telona. É observado uma sensibilidade impressionante do diretor em em contar esta biografia/história, que relata a vida de Stephen que é especialista em Cosmologia (estudo da origem e evolução do Universo), tema este que desperta muito interesse nas pessoas, mas que se entende muito pouco. E apesar dele não ser considerado "o cientista" dos cientistas como Einstein ou Newton, desenvolve uma Teoria, um modelo matemático, para explicar como o Cosmos foi formado, que segundo ele ocorreu a partir de uma singularidade muito parecida como a que acontece com os buracos negros. Sendo este uma hipótese, mas não é a única. E de suas relações afetivas com a esposa, amigos, filhos e principalmente como enfrentou seu diagnóstico de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) com dignidade e força, não desistindo nunca. Ficou confinado em uma cadeira e rodas e uma expectativa de vida de 2 anos, quando era ainda muuuito jovem. Mas contrariando tudo e todos, ainda está presente entre nós, quando seu prognóstico não era nada favorável. A interpretação de Redmayne impressiona, está absolutamente "perfeito", com um repertório de trejeitos e posturas muito semelhantes ao de Hawking, e o resultado é maravilhoso, tanto que acabou arrebatando o Oscar 2015 de Melhor Ator.

O filme foi indicado a premiações como Oscar 15 para Melhor Filme, Ator, Atriz, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora (Jóhann Jóhannson). No BAFTA, ganhou para Melhor Filme, Maquiagem e Atriz (Felicity Jones), no Globo de Ouro, como Melhor Filme Drama, no Sindicato dos Atores, como Melhor Elenco e Melhor Atriz e no AACTA Internacional Melhor Ator (Redmayne) e Atriz (Jones).
A fotografia é belíssima, exuberante, para encantar, compondo cenas lindas, como a doBaile de Maio,os fogos de artifício e a do casamento. Demais!!! Assinada pelo francês Benoit Delhomme. Curiosidades: em um e-mail enviado para o diretor sobre a interpretação de Redmayne, Stephen disse que houve alguns momentos em que ele pensou que estava assistindo a si mesmo e que o filme era "amplamente verdadeiro". Assim, empresta sua voz para as cenas finais do filme e para compor e dar mais veracidade ao filme cede seu medalhão da Medalha da Liberdade e sua Tese assinada por ele, como adereços. Redemayne diz que só encontrou com Stephen uma vez antes do início das filmagens. Mas houve uma preparação incrível, para compor o personagem e que tudo pudesse acontecer e fluir: emagreceu 15 kg; treinou por quatro meses com um dançarino para aprender a controlar seu corpo; reuniu se com 40 pacientes com ELA,; manteve um gráfico de acompanhamento com a ordem em que os músculos de Stephen diminuiram e ficou na frente do espelho por horas a fio, contorcendo o rosto; por fim, permaneceu imóvel e curvado entre as gravações, tanto que um osteopata disse que ele tinha alterado o alinhamento de sua coluna vertebral. Redmayne admite que ficou meio que obsecado pelo personagem, não tendo muita certeza se o que estava fazendo era saudável. Perfeccionista não???  E tanto o ator, como o Stephen estudaram na Universidade de Cambridge, na vida real. A atriz Felicity Jones foi a primeira escolha para representar o personagem de Jane Hawking.
Recomendo!!! Assista, pois vale muito a pena, comente depois.
  

domingo, 23 de agosto de 2015

O feitiço de Áquila


Diretor: Richard Donner
Atores: Mathew Broderick, Rutger Hauer, Michelle Pfeiffer, Alfred Molina, John Wood, Ken Hutchison, Leo Mckern
Gênero: Aventura
Duração: 125 minutos
Ano: 1985


Sinopse: Europa, século XII, o Bispo de Áquila (John Wood), toma consciência que sua amada Isabeau Danjou (Michelle Pfiffer), está apaixonada por Etienne Navarre (Rutger Hauer), o cavaleiro chefe da Guarda Especial. O Bispo fica possuído de raiva e ciúme e lança uma maldição sobre o casal, que ficam impedidos de se entregar um ao outro. Eles tem como único aliado Philipe Gaston (Mathew Broderick), mais conhecido com Rato, que é o único prisioneiro que escapou das muralhas da prisão de Áquila.



Um encanto de filme, que se passa na bela Itália, em uma cidadezinha medieval e tem como tema um amor impossível entre Isabeau e Navarre, devido a um poderoso feitiço, realizado por um Sacerdote ambicioso e invejoso, que fez uma barganha com o Demônio, que deu ao novo "convertido" o poder de conjurar uma terrível maldição que impede que o amor deles se realize. Sonham: "um dia conseguiremos a felicidade que duas pessoas sonham mas nunca encontram".  Filme baseado no romance de Joan D.Vinge, que retrata uma lenda do século XIII. A história é envolvente, tem ótimas atuações (sofrimento percebido quase que de forma palpável, nos personagens de Etienne e do padre arrependido, e de Michelle, com sua presença linda, etérea e sedutora), uma direção competente e um excelente trabalho técnico: Montagem de Stuart Baird, Figurino impecável de Naná Cecchi e a bela direção de arte de Ken Court e Giovanni Nataluci que criam um realismo à cidade medieval, repleta de montanhas nevadas, masmorras, castelos e catedrais belíssimas. Tem ainda a Direção de Fotografia assinada por Vittorio Storaro, que explora muito bem as paisagens das regiões (Parma-Castelo de Torrechiara, região Emilia-Romagna, aldeia Castell'Arquato em Soncino, Vêneto, Lácio). Deixando sensibilidade ao



captar com precisão os lindos momentos em que o Sol surge e desaparece no Horizonte, que tem importante função narrativa, ajudando a compor a história, destacando o contraste entre a noite e o dia. Que é a idéia principal do filme,o casal vive um amor impossível como Sol e a Lua, que quase  nunca se encontram. E também não poderia deixar de falar da Trilha Sonora que é linda, mesmo que não seja tão coerente com a época, mas ajuda a compor as cenas, composta por Andrew Powell e produzida por Allan Parsons, O diretor afirmou que estava ouvindo The Allan Parsons Project enquanto procurava as locações, e ficou incapaz de separar suas ideias visuais da música. Powell então combinou música orquestrada tradicional e cantos gregorianos, com material de rock contemporâneo progressivo-infundido, pata efeito controverso. Ficando perfeito!!! Também tem outras músicas lindas de Enigma-Between Mind e Hearl, Journey-Loved by you, Hurt-Christina Aguilera, Joe Cocker-Edge of a Dream. O filme foi indicado a dois Oscars, de Melhor Edição de Som e Mixagem de Som, mas não venceu. Ganhou o prêmio para Melhor Filme de Fantasia e Figurino no Saturn Award, sendo ainda indicado nas categoria de Melhor Atriz (Michelle Pfeiffer) e Melhor Trilha Sonora (Andrew Powell).  Amo a cena principal do filme, que é quando acontece a transformação:"Sempre juntos, eternamente separados", Apenas no momento do nascer do Sol é que os dois podem ter um instante, o vislumbre do que outrora foram e quase se tocam, é lindo!!! Exilado na tristeza, Etienne segue seu destino, com seu garanhão Golias,pelos campos da Europa, com seu falcão. Emocionante mesmo!!! Capaz de tocar até ao mais frio dos expectadores. Curiosidades: o papel de Navarre estava destinado ao ator Kurt Russell, que desistiu um pouco antes do começo das filmagens, tendo sido escolhido então, o ator holandês Rutger Hauer. O jovem ator Mathew Broderick parece ter tido muita liberdade para trabalhar suas tiradas cômicas que tanto eram desejadas pelo público, desde suas anteriores comédias de sucesso, pois seus diálogos não sugerem um comportamento medieval, mas sim contemporâneo. A escolha dos animais em que os personagens se transformam foram cuidadosas: O falcão é o símbolo da beleza e o lobo é normalmente solitário, e ambos são monogâmicos, e no filme, nenhum deles tem qualquer memória da sua meia vida em forma de animal. Este conto também possui um paralelo com a Psiquê Humana, sendo possível traçar uma comparação com a Psicologia Analítica (Jung), presença dos Arquétipos mais comuns: Anima/Animus, Ego,Velho sábio, Sombra, Self, Persona. Interessantíssimo!!! Talvez por isso o filme mantem o expectador tão atento e acaba saindo do cinema tão mexido emocionalmente.
Recomendo: é um filme visualmente lindo e romântico,