quarta-feira, 22 de junho de 2016

O silêncio dos inocentes


Diretor: Jonathan Damme
Atores: Anthonny Hopkins, Jodie Foster, Ted Levine, Scott Glenn, Anthony Heald, Diane Baker
Gênero: Suspense
Duração 118 minutos


Ano: 1991

Sinopse: Clarice Starling (com a brilhante Jodie Foster) é escolhida para investigar uma série de assassinatos cometidos por um criminoso conhecido como “Buffalo Bill” (Ted Levine), que tem como hobbie arrancar a pele de suas vítimas, que via de regra, são mulheres gordas. Para entender sua conturbada mente, Clarice, a promissora estudante da Academia do FBI se arrisca em conversar com um perigoso psicopata conhecido como Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), que está preso por canibalismo e que não perde oportunidade para cometer suas façanhas.



Este excelente filme, foi umas das maiores surpresas para mim, no Oscar de 1992, pois apesar da indicação, nunca imaginei que fosse ganhar, pois não é o tipo de filme muito bem aceito para representar a Academia, mas ganhou, merecidamente!!! E não só para Melhor filme, foram 5 prêmios ganhos, das 7 indicações. Hopckins e Jodie estão magníficos, ele como o arrepiante Dr Lecter (psicopata mais sedutor da história do cinema: um homem educado, inteligente, manipulador e perigoso), ela como Clarice, a discreta, mas desafiante investigadora da polícia, que precisa enfrentar além do machismo claramente evidenciado no filme (mundo até então categoricamente masculino), como o desafio agonizante proposto por Lecter, que só assim irá colaborar para desvendar o mistério do aterrorizante psicopata que está perturbando o meio social. Foi o terceiro filme a ganhar prêmios em 5 categorias principais, o primeiro foi Aconteceu naquela noite (1934) e o segundo, Um estranho no ninho (1975). É baseado no romance homônimo de 1088, por Thomas Harris, o segundo a apresentar Haniball, um psicopata assassino em série, que realizava canibalismo com suas vítimas. Foi o primeiro ganhador de Melhor Filme a ser amplamente considerado como de Terror, sendo o segundo, O Exorcista (1973). Este filme é considerado "culturalmente histórico e esteticamente" importante pela Biblioteca de Congresso e foi escolhido para ser preservado no National Film Registry em 2011. Também foi citado pelo escritor Steven Jay Schneider, no livro "1001 filmes para ver antes de morrer". Teve como roteirista o próprio escritor, em parceria com Ted Tally, o que acaba contribuindo para o realismo e precisão do filme, juntamente com a montagem e edição (Craig McKay) impecáveis, onde não é possível se perder na compreensão da história como um todo. A música fica por conta de Howard Shore, que compõe o toque de suspense e terror; e para completar a Fotografia mais escura e cheia de nuances, tem como responsável Tak Fujimoto, que à medida que o filme vai se desenrolando, vamos sendo levados gradativamente a um aprofundamento no universo do medo e suspense, não sendo necessário grandes efeitos visuais (detalhes do mundo obscuros dos presidiários, da intensidade do desajuste de Bufallo Bill). E o Figurino ficou a cargo de Colleen Atwood, que compõe com sabedoria a roupagem de Clarice (tons neutros e discretos, uma figura solitária, mas focada no trabalho, que faz tudo para passar despercebida, mas ainda assim marcante) e na de Lecter, criando para ele uma imagem que marcou para sempre a história da sétima arte (com uma espécie de "fucinheira humana"). Assim o filme só poderia ser o sucesso e considerado uma obra prima, como afirmado por muitos: um perturbador e magistral suspense.

Principais indicações e premiações: Foi indicado ao Oscar 1992 para Melhor Filme, Diretor, Ator (Hopkins), Atriz (Foster), Roteiro Adaptado, Edição e Som, sendo que só não ganhou os dois últimos. Pra o Globo de Ouro, inidicado para Melhor Diretor de Cinema, Filme Drama, Ator para Cinema Drama e Roteiro Cinema. No BAFTA, venceu nas categoria de Melhor Ator e Atriz,sendo indicado também para Melhor Fotografia, Direção, Edição, Filme, Trilha Sonora, Roteiro Adaptado. No Festival de Cinema de Berlim (1991), foi vencedor do Urso de Prata de Melhor Diretor e foi indicado ao Urso de Ouro para Melhor Filme. Foi indicado ao Cesar (França) 1992, de Melhor Filme Estrangeiro. Ganhou o prêmio Edgard (Edgard Allan Poe Awards) EUA, para Melhor Filme. No NYCCA 1991 (New York Cartier Cirele Awrads), ganhou de Melhor Filme, Diretor, Ator e Atriz.
Recomendadíssimo!!! É um filme visceral, sentimos muitas emoções conflitantes ao mesmo tempo. Brilhante!!!

domingo, 5 de junho de 2016

Carol



Direção: Todd Haynes
Atores: Cate Blanchet, Rooney Mara, Kyle Chandler, Sara Paulson, Jack Lucy
Gênero: Drama
Duração: 118 minutos
Ano: 2016



Sinopse: A jovem Therese Belinet (Rooney Mara) tem um emprego entediante na seção de brinquedos de uma loja de departamentos. Um dia ele conhece a elegante Carol (Cate Blanchet),uma cliente em busca de um presente de Natal para sua filha. Carol, que está se divorciando de Harge (Kyle Chandler), também não está contente com a sua vida. As duas se aproximam cada vez mais e, quando Harge a impede de passar o Natal com a filha, Carol convida Therese a fazer uma viagem pelos Estados Unidos.

Mais um ótimo filme deste ano, que toca num assunto onde não é mais possível nos ausentarmos de entrar em contato, e no mínimo refletir... Que é o amor em pessoas do mesmo sexo. O amor é uma força da natureza, quase como que o "quinto elemento" e quando menos esperamos acontece!!! E muitas vezes, sem que percebamos e sem que queiramos, apenas sentimos... E o gênero, deveria ser o que menos importa, mas... O filme é muito sensível e delicado, tendo como protagonistas: a maravilhosa Cate  Blanchet, que é a elegância e charme, em pessoa; e a doce Rooney Mara, que cada vez mais se firma com excelente atriz (surpresa para mim foi seu desempenho no filme Millenium, homens que não amavam as mulheres). Ambas dão um banho de interpretação, que acredito que não deveria ter havido indicação para Atriz Coadjuvante, as duas são atrizes principais. Dando vida ao roteiro, interpretando com brilhantismo este delicado tema, ao mesmo tempo com força e fragilidade, de decidir viver uma relação homossexual, numa época (Nova York dos anos 50) com todos os preconceitos e discriminações sociais, em que a única forma de se proteger de retaliações e evitar um escândalo, ainda mais no caso de Carol, que era casada, vivendo um processo de divórcio e tendo uma filha; era reprimir os sentimentos ou torná-los o mais discreto possível. Assim, o diretor constrói um mundo, onde os sentimentos latentes, vão sendo desenvolvidos e tornando conscientes aos poucos, os sentimentos e o próprio relacionamento, vão sendo construídos devagar, com muita delicadeza, de forma contida, mas marcante, tudo mostrado nas "entrelinhas" (olhares, toques suaves), mas com tanta força, que comove. Lindo!!!



O filme foi baseado no livro The Price of salt, de Patrícia Highsmith de 1952. O filme estava em desenvolvimento há mais de 11 anos nas produtoras britânicas Number 9 e Film 4 Productions. Co produzido pela Nova-iorquina Killer Films. As filmagens começaram em 2014 e duraram 34 dias. O filme foi rodado em Super 16 mm. Estreou no Festival de Cannes em 2015, concorrendo à Palma de Ouro, sendo premiado com o Queer Palm e interpretação feminina para a atuação de Rooney Mara. Recebeu 5 indicações para o Oscar 16, de Melhor Atriz (Cate), Atriz Coadjuvante (Rooney), Roteiro Adaptado (Phyllis Nagy), Trilha Sonora Original (Carter Burwell) e Figurino (Sandy Power). Ao Globo de Ouro, para: Melhor Filme Drama, Diretor, Atriz em drama, para as duas atrizes, Trilha Sonora. Ao BAFTA, teve 9 indicações, já que as produtoras são inglesas.
Curiosidades: A atriz Kate Winslet, foi cogitada para desempenhar o personagem de Carol. E para o papel de Therese, inicialmente o convite tinha sido para ela mesma, que acabou recusando, alegando cansaço, após as filmagens de Millenium, então convidaram a a triz Mia Waskowska, que desistiu, para se dedicar ao filme A colina Escarlate (2015), então o papel acabou voltando para Rooney. O primeiro esboço de Phyllis Nagy foi em 1996. A escritora informa que a inspiração para escrever o livro, foi de uma experiência que ela mesma teve no Natal de 1948, quando viu uma senhora loura, elegante vestindo um casaco de pele, logo depois descobriu que estava com catapora e ficou um período de cama, recolhida e que assim teve tempo para dar asas à sua imaginação. O filme foi ovacionado no Festival de Cannes, com a platéia toda em pé.
Recomendo, o filme é lindo, delicado, profundo, com Fotografia belíssima de Edward Lachman, ambientação perfeita. Palmas para o diretor que já é conhecido pelo seu esmero neste quesito.
Veja e comente!!!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Nosso amor de ontem


Diretor: Sidney Pollack
Atores: Robert Redford, Barbra Streisand, Bradford Dillman, Lois Chile, Patrick O'Neil, Vivieca Lindfors, Murray Hamilton, James Woods
Gênero: Romance
Duração: 118 minutos


Ano: 1973

Sinopse: Em 1937, Katie Morosky (Barbra Streisand), uma judia comunista desperta a atenção de Hubbell Gardner (Robert Redford), um protestante de família rica. Cada um segue seu caminho, ele se dedicando a escrever e ela trabalhando em uma rádio. Quase oito anos depois, os dois se encontram por acaso em uma boate, quando Katie o vê cochilando sentado. Provavelmente por serem bem diferentes e os opostos se atraem, os dois se apaixonam. Porém, Katie se sente pouco à vontade com os amigos de Hubbell e isso se torna motivo para brigas constantes. Após discussões e o fracasso do primeiro livro de Gardiner, eles vão para Hollywood, onde Bubbell escreverá o roteiro de um filme para J. J. (Bradford Dillman), um amigo dele que se tornou produtor. Katie diz que está grávida, mas nem tudo corre bem, porque o Macarthysmo domina o país, transformando a liberdade de expressão em algo perigoso que pode custar o emprego e a liberdade de quem desafia o Comitê de Atividades Anti-americanas.


Filme maravilhoso, com a música inesquecível The way we where, tocada ao longo da projeção de todas as formas, com os mais variados instrumentos. Linnda!!! E os atores Robert Redford e Barbra Streisand, dois das maiores lendas do cinema, formam o par romântico, que atraem e cativam a todos nós. Sem falar que estão no auge da beleza, magníficos. Ela,  Katie (Barbra) uma jovem politizada e ativista e Hubbel (Redford); ele, um jovem esportista, mas com talentos de escritor, ambicioso que pretende chegar a Hollywood, acabam se conhecendo nos tempos da universidade (frequentam a mesma turma de redação) e se apaixonam apesar de toda divergência religiosa, política e temperamentais, sendo o amor deles colocado à prova devido a grande divergência de visão de mundo, e ainda tendo como pano de fundo os eventos históricos  das décadas de 30 e 50. Enfim, a história/roteiro, enchem a tela de magia, com mais este casal que vive um romance atemporal. Emocionante!!! A fotografia de Harry Stradding Jr, é belíssima, retratando com muita precisão o período Macarthysta (Senador Joseph McCarthy, promoveu um verdadeiro "caça às bruxas" ao comunismo e simpatizantes a ele). Tendo ainda como diretor musical Marvin Hanlisch, que teve seu brilhantismo muito bem recompensado, ganhando muito prêmios como Grammy em 1974, como Melhor Álbum de Trilha Sonora para cinema, Venceu no Oscar 1974 em Melhor Trilha Sonora e Canção Original e No Globo de Ouro, também venceu na categoria de Melhor Canção Original.
Indicações e premiações: ao Oscar, indicação para Melhor Atriz (Barbra), Fotografia e Figurino (Dorothy Jeakins e Moss Mabry). Ao Globo de Ouro, indicado para Melhor Atriz de cinema-drama (Barbra), Ao BAFTA,para a mesma categoria, e venceu no Prêmio David di Donatello, para Melhor Atriz Estrangeira (Barbra).


Curiosidades: é o terceiro de sete, em que o diretor Sidney e o ator Redford trabalham juntos: Esta mulher é proibida (1966), Mais forte que a vingança (1972), Três dias de Condor (1975), O cavaleiro elétrico (1979), Entre dois amores (1985), Havana (1990), Este é o primeiro filme que tornou conhecido o ator James Wood,  com pequena participação,mas foi o bastante para chamar a atenção.
Trecho lindo da música The way we where (Do jeito que a gente era):  "As lembranças iluminam as esquinas da minha mente. Lembranças nebulosas pintadas em aquarela. Do jeito que a gente era. Imagens despedaçadas de sorrisos que deixamos para trás. Sorrisos que demos um para o outro. Pelo jeito que a gente era". Affff!!!!
Recomendo. E para os românticos, fica a dica: preparem os lenços.

domingo, 1 de maio de 2016

O jogo da imitação


Diretor: Morten Tyldum
Atores: Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Mathew Goode, Mark Strong, Rory Kinnear, Charles Dance, Allan Leech
Gênero: Biografia
Duração: 115 minutos
Ano: 2015


Sinopse: Durante a Segunda Grande Guerra Mundial, o Governo Britânico monta uma equipe que tem por objetivo quebrar o Enigma, o famoso código que os alemães usam para enviar mensagens aos submarinos. Um de seus integrantes, Allan Turing (Benedict Cumberbatch), um matemático de 27 anos, estritamente lógico e focado  no trabalho e tem problemas de relacionamento com praticamente toda a equipe,apesar de liderá-la. Seu grande projeto é construir uma máquina que permita analisar todas as possibilidades de codificação do Enigma em apenas 18 horas,de forma que os ingleses conheçam as ordens enviadas, antes que sejam executadas. Entretanto,para que o projeto dê certo, Turing terá que aprender a trabalhar em equipe e tem Joan Clarke (Keira Knightley), única mulher do grupo, como sua grande incentivadora.


Um bom filme, com excelentes atuações, mas que não empolga, por ser apresentado de forma muito burocrática. Mas aborda uma situação que poucas pessoas fora da política ou sem patente militar conheciam, mas que foi decisivo para o fim dos combates na Segunda Guerra Mundial. O filme é uma biografia (parcial) adaptada do livro "Alam Turing: The Enigma", escrito por Andrew Hodges, Que nos apresenta Turing: criptoanalista, matemático e filósofo britânico, nascido Alan Mathison Turing (1912-1954), que é hoje considerado um dos precursores da computação moderna. Durante a Segunda Grande Guerra, ele e a sua equipe altamente sigilosa, deram uma ajuda fundamental aos Aliados na descodificação do código Enigma, que os nazistas utilizavam para comunicar secretamente os planos de ataque. Já durante o pós-guerra, Turing projetou um dos primeiros computadores programáveis no laboratório nacional de física do Reino Unido. Entre muitas outras coisas, os seus estudos serviram ainda para abrir portas a uma das questões mais pertinentes da tecnologia da atualidade: a possibilidade teórica da inteligência artificial.
Apesar de todo o reconhecimento, a sua carreira terminou abruptamente em 1952, depois de ter sido processado por atentado ao pudor, acusação que culminou numa condenação por homossexualidade, à época ilegal no Reino Unido. A 8 de Junho de 1954, dois anos depois de iniciar um tratamento com injeções de hormônios que provocam castração química (que preferiu à prisão), Turing foi encontrado morto na sua própria casa. A morte prematura, antes e completar 42 anos, foi classificada como suicídio, embora muitos, começando pela sua mãe, refutem a conclusão. Parece que o gênio que salvou tantas vidas na guerra, não conseguiu salvar a si mesmo.
Em Setembro de 2009, depois de uma campanha liderada por John Graham-Cumming, o Primeiro-Ministro Gordon Brown fez um pedido oficial de desculpas público em nome do Governo Britânico, devido à maneira pela qual Turing foi tratado. Finalmente, a 24 de Dezembro de 2013, o matemático recebeu o perdão da rainha Elizabeth II.



Curiosidades: Em uma citação, Wisnton Churchil afirmou que Turing fez a maior contribuição estimulante na Guerra da Grã-Bretanha. Como Turing sofreu um terrível tratamento como pessoa, por ser homossexual, o ator Benedict diz que "o filme trás à tona, o ser humano extraordinário que ele era". O ator ficou fascinado pela história de Turing e se dedicou a compor com esmero o personagem. Como inglês que é, afirma que isto é uma parte vergonhosa que o seu país carrega em sua história. E que acabou tendo um colapso nervoso (choro convulsivo em uma das cenas finais), por se envolver tanto como o personagem (apaixonou-se verdadeiramente), ficou pensando no quanto Turing tinha sofrido com isso tudo e na profundidade que tudo isso tinha lhe afetado. Os dois protagonistas do personagem, tiveram de usar uma prótese dentária para ficarem com os dentes idênticos ao de Turing.
A máquina de Turing "Christopher" vista no filme é baseado em uma réplica do aparelho original,que está localizado no Museu Bletchley Park, só que um pouco menor, que o mostrado no filme. A Revista Time, classificou a interpretação de Turing por Benedict, como a primeira da Lista de "Melhores Performance de 2014". O atores: Keira, Benedict e Mathew Goode são amigos fora da telona. Esta é uma estréia em língua inglesa, do diretor norueguês, Mortem. O ator Leonardo DiCaprio estava originalmente escalado para estrelar o longa. Vários diretores foram considerados pela Warner Bros para dirigir o projeto, como: Ron Howard, e David Yates. Descendentes da família, aplaudiram o filme, alegando que é um resgate à sua memória, um reconhecimento da importância do seu trabalho, que não era até então valorizado, ou até mesmo desconhecido, pois sua missão era estritamente sigilosa. O filme foi elogiado pela crítica e um sucesso nos Estados Unidos e no Reino Unido. Indicações: ao Oscar 2015, para Melhor Filme, Ator, Atriz, Montagem e Trilha Sonora, vencendo para Melhor Roteiro Adaptado. Ao Globo de Ouro foi indicado a Melhor Filme Drama, Ator em Drama, Atriz Secundária, Argumento,Trilha Sonora e Roteiro de Cinema. Ao BAFTA para Melhor Filme e Ator (Benedict). A história da "computação" já pode ter sido contada, mas não com o foco no seu "criador", que tinha uma personalidade complexa (arrogante, tirânica, introvertida), delicado para falar, irônico com humor inteligente e sutil,mas socialmente deficiente. Vale a pena ser visto. Recomendo!!!

terça-feira, 26 de abril de 2016

Caminhando nas nuvens


Diretor: Alfonso Arau
Atores: Keanu Reeves, Aitana Sánchez-Gijón, Anthony Quinn, Debra Messing, Giancarlo Giannini, Freddy Rodriguez, Angélica Aragón
Gênero:Romance
Duração: 102 minutos
Ano: 1995


Sinopse: Logo após a rendição do Japão, que marca o fim da II Grande Guerra Mundial, o órfão Paul Sutton (Keanu Reeves) retorna a San Francisco para se reunir com sua esposa Betty (Debra Messing), com quem se casou, na sequência de um namoro rápido, um dia antes de partir para o Pacífico. A guerra deixou cicatrizes emocionais. Quando retorna, Paul se decepciona com Betty, especialmente depois que descobrui que suas cartas, escritas praticamente todos os dias (que eram o seu refúgio), não foram nem abertas. Em uma de suas viagens, Paul conhece Victória (Altana), uma bela estudante grávida. Emocionado com sua história, ele concorda em se passar por seu marido, até que a sua família se acostume com a idéia.

Cheguei a suspirar...Filme lindo, com um colorido fantástico, adoro seus tons de laranja, ocre e dourado, as cores da minha estação do ano preferida, o Outono, Com uma riqueza de detalhes, cenários incríveis, paisagens exuberantes, bem o estilo do diretor Alfonso, seus filmes são sempre mágicos!!! Recheados de cheiros, bebidas, tons, cores, música, tudo muito forte, para agradar e encantar!!! O filme é México-Estadunidense, com roteiro de Robert Mark Kamen, Mark Miller e Harvey Weitzman, supervisor de Efeitos Visuais Robert Stromberg e produção de Jerry e David Zucker e quê produção!!! Amei!!! É mais um filme que aborda o tema "vinho", através da região vitivinícola da Califórnia, porém apresenta um ângulo diferente, trazendo um pouco de embasamento histórico sobre o surgimento da região, como zona vitícola, mostrando a ligação que o vinho tem com a cultura, o amor e o significado de família. O vinhedo mostrado em seu grande esplendor, chama-se Las Nubes, daí a origem do nome do filme. Roger Ebert do Chicago Sun-Times, chamou o filme de "uma fantasia romântica gloriosa. é preciso, talvez, ter um pouco dessas qualidades em um filme, mas que me encantou com inocência e confiança. Numa altura em que os filmes parecem obrigados a serem cínicos". Mick LaSalle do San Francisco Chronicle, disse que "é em grande parte, uma bonita história, bem atuado e imagem emocionalmente rica". Concordo com eles: a cena em que Paul e Victória ajudam a aquecer o parreiral é divina, quente e sensual.


O roteiro, pode-se dizer que é simples, mas muito bem construído e agrada. O elenco está impecável, com atuações bem convincentes, adoro a cena em que o avô Don Pedro (Quinn) se embriaga junto com Paul e canta, acompanhado de músicos locais. As músicas são lindas tendo Maurice Jarre como diretor musical e a fotografia é espetacular de Emmanuel Lubezki.



Foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Trilha Sonora e venceu. Também houve indicação no MTV Movie Awards de Melhor Beijo (Keanu Reeves e Aitana Sánchez-Gijón).
Tem uma frase interessante que o personagem de Quinn que diz: "que onde os homens pensam, as mulheres sentem, que somos criaturas do coração". Acredito que sejamos bem assim.
Recomendo, vale a pena conferir esta bela história de amor.

domingo, 24 de abril de 2016

A garota dinamarquesa


Diretor: Tom Hooper
Atores;  Eddie Redmayne, Alicia Vikander, Mathias Schoenaerts, Ben Whitshaw, Amber Heard, Sebastian Kock
Gênero: Biografia
Duração: 119 minutos


Ano: 2016

Sinopse: Cinebiografia de Lili Elbe (Eddir Redmayne), que nasceu Einar Mogens Wegwnwer, bem casado, vivendo em Copenhagen, na década de 1920, foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero. Em foco, o relacionamento amoroso do pintor dinamarques com Gerda (Alicia Vikander) e sua descoberta como mulher.

Uma história digna, apresentada de forma muito delicada e sensível. com muita leveza o drama de Lili Elbe vai sendo mostrado, com tanta humanidade, tudo é tão belo e vibrante, que não tem como não se apaixonar e aplaudir este ser que assumiu todos os riscos para ter uma vida plenamente verdadeira. Não conhecia sua história, mas me senti tocada e teria torcido por ela, para que conquistasse seus objetivos. Críticas à parte: que o livro ao qual foi inspirada a história (romance de 



David Ebershoff, inspirado na vidas das pintoras dinamarquesas Lili Elbe e Gerda Wegener), não fazer jus aos acontecimentos reais: um aprofundamento no sofrimento e conflito da vida de Lili, na possível bissexualidade de Gerta, a desintegração e anulação do casamento  de Einar e Gerta e na morte de Lili, que no filme fica subtendido que foi infecção, mas não que foi uma infecção causada por uma rejeição do útero que lhe fora implantado, ela pretendia ter filhos (foi uma pioneira, vanguardista para o seu tempo). Mas apesar de tudo o filme é lindo, com uma fotografia (Danny Cohen), decoração de sets e figurinos ( Paco Delgado) maravilhosos, de encher os olhos. A interpretação e transformação de Redmayne impressiona, com uma postura corporal perfeita (mais feminino que muitas mulheres), trejeitos, expressões, com uma leveza de movimentos fantasticamente femininas, e com uma profundidade na forma de apresentar seus conflitos interiores, quanto a sua identidade sexual, é possível "sentir" sua angústia. Ator que veio para ficar, muuuuuito bom. Acredito que filmes como este e outros apresentados nas telonas este ano (Carol, Amor por direito, Stonewall), tem tudo a ver com o processo de mudança que vem ocorrendo e já não era sem tempo (demonstração de que os tempos mudam, mas os conceitos, nem tanto, demoram...) em relação a sociedade, que se faz imprescindível rever conceitos tão absolutistas (certo/errado; bonito/feio, preto/branco), que reforça padrões convencionais, suprimindo toda e qualquer escolha, que  não esteja dentro destes parâmetros. E a sétima arte não poderia deixar de se fazer presente neste momento histórico de transição, onde o Casamento Gay foi aprovado legalmente e apoiado até mesmo pelo Papa Francisco, é algo realmente inédito, que avanço!!!  



O filme foi indicado ao Oscar 2016, para Melhor Ator (Redmayne), Direção de Arte e Figurino; vencendo na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante para Alicia Vikander. Ao Globo de Ouro, foi indicado nas categorias de Melhor Ator e Atriz em Drama e Trilha Sonora (Alexandre Desplat).
Curiosidades: o filme foi lançado no Festival de Veneza. Nicole Kidman é quem interpretaria Einar, mas decidiu abandonar o projeto por conta do atraso nas filmagens. Já Gwynweh Paltrow viveria a esposa, mas decidiu deixar projeto, alegando compromissos familiares. Lili Elbe morreu em 1931, após complicações na sua quarta cirurgia, estava num outro relacionamento com um parceiro masculino, tentando ter filhos. Já Gerda, depois de se afastar de Lili, casou-se novamente, mas não conseguiu se firmar como pintora, acabou por voltar para a Dinamarca e morreu pobre e com problemas de alcoolismo.


Recomendo!!! Veja e comente.

O quarto de Jack



Diretor: Lenny Abrahanson
Atores: Brie Larson, Jacob Tremblay, Joan Allen, William H. Macy, Sean Bridgers, Amanda Brugel, Cas Anvar, Joe Pingue
Gênero: Drama
Duração: 118 minutos

Ano: 2016

Sinopse: Joy/Ma (Brie Larson) e seu filho Jack (Jacob Tremblay) vivem isolados em um quarto. O único contato de ambos têm com o mundo exterior é a visita periódica do Velho Nick (Sean Bridgers), que os mantém em cativeiro. Joy faz o possível para tornar suportável a vida no local, mas não vê a a hora de deixá-lo. Para tanto, elabora um plano logo depois que o filho faz 5 anos, onde com sua ajuda, poderá enganar Nick e retornar à realidade.

Amei!!! Filme sensível, delicado e comovente!!! O meu preferido para ganhar o Oscar deste ano. Uma verdadeira poesia, ainda que na primeira hora (acredito que foi idealizado exatamente para isso) desperta no espectador a sensação de claustrofobia, tamanho realismo no que é mostrado no "room", quarto. Num segundo momento, é possível sentir mais liberdade e relaxar um pouco, diante dos acontecimentos e de como cada personagem vai lidar com a situação. O filme é baseado no livro homônimo, escrito por Emma Donoghue, lançado em 2010, que teve como inspiração o caso real revelado em 2008, da jovem que foi mantida refém pelo pai na Áustria, durante 24 anos, no episódio que ficou conhecido como o Caso Fritz. Inicialmente o projeto foi avaliado por muitos como inadaptável (traduzir em imagens as palavras que compõem o romance, com fator complicador: narrado por uma criança). O cineasta irlandês Lenny, resolveu enfrentar o desafio, e não só conseguiu filmar, como o transformou numa obra prima. O que também deve ter ajudado a direção é que o roteiro também ficou por conta da autora, e não poderia deixar de enfatizar, o desempenho da excelente atriz principal (Larson) e seu apaixonante filho Jack (Jacob, que impressiona e convence, fiquei admirada por não ter sido indicado ao Oscar). Muita emoção durante


todo o desenrolar do filme, mas a surpresa fica a critério de como somos levados a mergulhar no processo de readaptação de Joy, que se mostra muito mais difícil do que poderíamos imaginar (ela como mãe, preocupa-se muito mais com o bem estar e sanidade do filho, transformando dor em força, acabando por se "esquecer de si mesma. Mas que depois, quando seu filho está em segurança, entra numa depressão profunda. apresentando muita confusão entre o novo e o velho, para ela o mundo mudou: valores, família, relações...Ela foi sequestrada aos 17 anos e havia se passado 7 anos desde então. Já para Jack é mais uma descoberta (ele "vivia" num mundo menor, apesar da relação afetiva com todos os objetos, agora terá que ampliar isso tudo, o mundo ficou maior). Indicações e Premiações: Oscar 2016, indicado a Melhor Filme, Diretor e Roteiro Adaptado e venceu para Melhor Atriz Brie Larson. Ao Globo de Ouro, teve indicações nas categorias Filme Dramático, Roteiro cinema, vencendo na de Melhor Atriz Drama (Brie), no BAFTA, venceu em Melhor Atriz e foi indicado para Melhor Roteiro de Cinema, e ainda no Critics Choice Awards, foi indicado para Melhor Filme e venceu nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Jovem Ator/Atriz.
Curiosidades: o filme não é baseado em fatos reais, As atrizes Shailene Woodley e Brie Larson foram as duas últimas atrizes a serem convidadas para o papel, sendo  que Emma Watson e Rooney Mara foram outras cotadas. O filme foi rodado no Canadá (Toronto e Ontário),apesar de parecer ser nos EUA, e a polícia ser de Akron. A produção venceu o Grande Prêmio do Público no Festival internacional de Cinema de Toronto 2015. Brie Larson isolou se por um mês e seguiu uma rigorosa dieta, a fim de ter uma noção do que a mãe e Jack passaram; e também não usou maquiagem durante a filmagem.


Frases marcantes: "O universo dos sonhos é o caminho para enfrentarmos os absurdos que somos expostos em nosso cotidiano".
"Os monstros são grandes demais para existir, principalmente quando temos pessoas que nos amam perto da gente".
Recomendadíssimo!!! Original e surpreendente.