quinta-feira, 5 de abril de 2018

O outro lado na nobreza


Diretor: Michael Hoffman
Atores: Robert Downey Jr., Sam Neil, Polly Walker, Meg Ryan,David Thewls, Ian McKellen, Hugh Grant, Ian McDiarmid
Gênero: Romance       
     

Duração: 117 minutos
Ano: 1995

Sinopse: Um médico talentoso Robert Merivel (Robert Downey Jr.) cai nas graças do Rei Charles II (Sam Neil) e aceita um casamento conveniente aos propósitos do soberano. Porém sua vida luxuosa desmorona e ele redescobre a paixão pela medicina, durante o Grande Incêndio e a peste negra.

Mais um filme daqueles que deixam lembranças eternas e que emocionam sempre... Amei tudo: história, elenco, fotografia, figurino, roteiro, ambientação, época... O filme é britânico e estadunidense, ambientado no século 17, mais precisamente na Inglaterra, quando em 1.663, o Rei Charles II sobe ao trono após os anos de terror do governo de Oliver Cromwell (militar e fazia parte do Palamento Inglês, que acaba alcançando poder e se torna Puritanista, praticando muita perseguição aos católicos da época) que governou por 11 anos. A Inglaterra saudou a volta ao poder a antiga e resplandecente monarquia, e com uma extraordinária e alegre mudança de humor. É neste período da Restauração (daí a homenagem ao título em inglês do filme: Restoration) que o jovem estudante de medicina, recém formado no Colégio Real dos Cirurgiões, experimenta e ousa quebrar padrões, consegue dar uma guinada radical em sua vida, ao ser convidado a fazer parte da corte do rei. A recriação da época é estupenda, tudo é meio que irreal, ou melhor, nada é natural inicialmente, tudo é exagerado, até para se antagonizar com a mensagem do filme que é a moral, que é realmente o que importa na vida das pessoas, todo o resto é passageiro, temporário e supérfluo, (neste caso, a vocação superando a luxúria). A história é apresentada como uma fábula, belíssima e ainda que óbvia, é apresentada de uma forma brilhante, onde cada pessoa tem o seu lado escuro e seu lado claro, e dentro de certas limitações, tem a oportunidade de escolher o que realmente querem para a sua vida. 



O próprio personagem principal Merivel, que se deixa seduzir pela riqueza fácil e repentina, também passa por sua restauração particular. A musicalidade do filme é excepcional tendo como diretor responsável James Newton Howard. O roteiro é de Rupert Walters. Figurino maravilhoso, com suas cores e exageros, assinado por James Acheson e Fotografia esplendorosa de Oliver Stapleton. O filme foi baseado no romance de Rose Tremain e transformado nesta beleza cinematográfica, sendo apresentada ao mundo em 1995.


Indicações e Premiações: Foi indicado ao BAFTA, em 1996, para Melhor Figurino. Ao Festival de Berlim, foi indicado ao Urso de Ouro (Melhor Filme) e ao Oscar 1996, foi indicado a apenas duas categorias e venceu para Melhor Direção de Arte (Eugênio Zanetti) e Figurino (James Acheson). Também concorreu com grandes filmes como Coração Valente, O carteiro e o poeta, Razão e Sensibilidade, Despedidas em Las Vegas, Os últimos passos de um homem, Os suspeitos e Babe, o porquinho atrapalhado.



Curiosidade: o rei Charles II recebeu na história o cetro do rei mais extravagante que a Inglaterra já teve, famoso por suas proezas sexuais, que acabou ficando conhecido como o Alegre Monarca. há registros de que este foi um período de ousadias científicas, artísticas e extravagâncias sociais,muito brilho e luxuriante sensualidade. Mas também ficou conhecida como uma fase de miséria, pragas, catástrofes naturais e métodos medicinais arcaicos.
Recomendadíssimo!!! Vale a pena ver.
Veja e comente!!!

domingo, 11 de março de 2018

Manchester à beira mar


Diretor: Kenneth Lonergan
Atores: Casey Afleck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Lucas Hedges, Gretchen Mol, C.J. Wilson, Stephen Henderson, Tom Kemp, Mathew Broderick
Gênero: Drama
Duração: 138 minutos
Ano: 2017


Sinopse: Lee Chandles (Casey Afleck) é forçado a retornar para sua cidade natal com o objetivo de tomar conta de seu sobrinho adolescente, após o pai (Kyle Chandler) do rapaz, seu irmão, falecer precocemente. Este retorno ficará ainda mais complicado quando Lee precisar enfrentar as razões que o fizeram ir embora e deixar sua família para trás, anos antes.

Tocante!!! Para resumir numa só palavra. Mexe com nossos sentimentos de muitas formas. O diretor que também assina o roteiro, consegue criar um ambiente tão angustiante, de intensa tristeza, que nos abala profundamente, sem precisar recorrer a cenas melodramáticas. Como o diretor é também dramaturgo com uma grande experiência em teatro, acabou "tirando de letra" este trabalho, que diga-se de passagem, ficou excelente!!!  O filme mostra o retrato de uma vida cotidiana (retrato humano de uma família), repleta de acertos e erros, relacionamentos complexos, perdas e a dificuldade em lidar e enfrentar certas situações. Até a cidade escolhida faz sentido, é pequena, tranquila, serena, mas sem qualquer vida (a cidade como pano de fundo para o que virá) e quando alguém morre, todos ao redor ficam abalados pelo acontecimento trágico, e assim, todos os assuntos não resolvidos vem à tona, principalmente para o personagem de Casey, que é um zelador mal-humorado e introvertido, que vive em Boston e que é surpreendido com uma reviravolta na família e que terá que lidar com assuntos inesperados para ele, com uma sobrecarga de responsabilidades e ainda enfrentar seus próprios problemas (fantasmas do passado) que também não são fáceis. 


O filme tem Trilha Sonora maravilhosa, que vai desde Rock até músicas incidentais, tudo muito bem colocado para enfatizar cada cena. A Fotografia impecável é assinada por Jody Lee Lipes. Teve além de Damon a produção de Kimberly Steward.
O elenco está afinadíssimo e Casey recebeu a indicação ao Oscar de Melhor Ator e ganhou merecidamente!!! Seu personagem reflete em tudo: no olhar, postura, expressão; toda angústia, sofrimento, toda dor que sente, mas vai seguindo a vida, enfrentando tudo, da maneira que pode. Está maravilhoso!!!


Curiosidades: O filme estreou no Sundance Film Festival em 2016. É o terceiro filme escrito e dirigido por Lonergan, os outros dois foram Conte comigo (2000) e Margareth (2011). Seria o primeiro trabalho de direção do premiado ator e roteirista Matt Damon, que acabou hesitando e deixando a função para Lonergan, seguindo o projeto como Produtor.
A cidade foi chamada de Manchester até 1989, quando o residente Edward Corley conduz uma campanha altamente controversa para mudar formalmente pata Manchester by the Sea. A ação foi aprovada pela legislatura estadual naquele ano. 
Indicações e Premiações: no Critics Choise Award, foi indicado a Melhor Filme, Diretor, Ator Coadjuvante (Lucas Hedges), Atriz Coadjuvante (Michelle Williams). Venceu para Melhor Elenco, Performance Jovem (Lucas Hedges), Roteiro Original e Ator (Casey Afleck). Ao Globo de Ouro, foi indicado para Melhor Filme de Drama, Diretor, Roteiro, Atriz Coadjuvante (Michelle) e venceu para Melhor Ator. Ao Oscar, foi indicado a 6 categorias: Melhor Filme, Diretor, Atriz, Ator Coadjuvante e Roteiro Original. Só venceu para Melhor Ator, Casey Afleck.
Recomendo!!! O filme emociona mesmo!!!  

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Nell






Direção: Michael Apted
Atores: Jodie Foster, Liam Neeson, Natasha Richardson, Richard Libertini, Nick Searcy, Jeremy Davies, Sean Bridgers
Gênero: Drama
Duração: 115 minutos
Ano: 1994

Sinopse: Uma jovem (Jodie Foster) é encontrada em uma casa na floresta, onde vivia com sua mãe eremita, mas o médico (Liam Neeson) que a encontra após a sua morte da mãe, constata que ela se expressa em um dialeto próprio, evidenciando que até aquele momento, ela não havia tido contato com outras pessoas. Intrigado com  descoberta e ao mesmo tempo encantado com a inocência e pureza da moça,tenta ajudá-la a se integrar na sociedade.



Simplesmente encantador!!! A atriz Jodie Foster nos brinda com mais uma comovente e surpreendente interpretação de Nell, uma garota que vive no estado americano de Carolina do Norte, em meio a uma floresta, com uma linguagem e culturas próprias e chama a atenção de um médico, que a decide ajudá-la, com a intenção de melhor conhecê-la e promover a sua inserção na sociedade local. A partir daí, Nell se torna um caso curioso e interessante para o médico e outras pessoas, sobre quem é ela? Como foi para naquela situação? É Autista, deficiente mental, louca? O que fazer com ela? Seria capaz de viver sozinha na floresta? E na sociedade?  Deveria ser internada em um Hospital? A trama toda gira em torno desta decisão, pois o caso acaba parando em um Tribunal, onde fica decidido que o médico e uma psicóloga que este solicitou ajuda, teriam um período de três meses para tentar conhecê-la e depois sua vida seria decidida. A história, apesar de fictícia é forte, pois Nell se apresenta como uma sobrevivente, onde surgem vários questionamentos: como uma pessoa de aproximadamente 30 anos, que possui "problemas de fala", vivendo como uma selvagem e que talvez possa ter problemas mentais, conseguiu sobreviver até o momento em que foi encontrada? O filme fazer inúmeras reflexões: ajuda a ver um pouco da realidade das pessoas, que além de conviver com uma necessidade especial, têm que enfrentar a indiferença de uma sociedade preconceituosa e etnocêntrica.

Vemos o tempo todo pessoas que possuem necessidades especiais e se deparam com as dificuldades no seu dia-a-dia, como os "cadeirantes' que não encontram calçadas adequadas, com rampas que facilitariam seu acesso às ruas: como os deficientes visuais que muitas vezes não encontram textos em Braille. Estas pessoas acabam por desenvolver hábitos diferentes, para se adequarem à realidade encontrada. Muitos não são compreendidos e são vistos com discriminação pelos membros da sociedade em geral, que não entendem as implicações e obstáculos enfrentados por um portador de necessidade especiais. Então este filme, é um ótimo ensinamento sobre como devemos ou não agir em relação às pessoas diferentes de nós, com hábitos e costumes peculiares, enfim, pessoas que possuem uma cultura diferente da que conhecemos. É possível também fazer algumas analogias, levando em conta alguns filósofos e educadores, quanto ao fato do homem ser visto como social, depende ou não, da configuração ou da configuração humana das pessoas,precisando haver um padrão ou não: Vygotski, que fala da unificação do dueto Pensamento e Linguagem (ênfase de que são processos interdependentes) à questão cultural no processo de significados pelos indivíduos. Piaget: ..."criança como ser dinâmico, que a todo momento interage com a realidade operando ativamente com objetos e pessoas. E que esta interação faz com que construa estruturas mentais e adquira maneiras de fazê-las funcionar". E ainda Jean-Jacques Rousseau: "que todos os homens nascem livres e a liberdade faz parte da natureza do homem. A liberdade natural caracteriza-se por ações tomadas pelo indivíduo com o objetivo de satisfazer seus instintos, isto é,com o objetivo de satisfazer suas necessidades. Podendo assim,manter ou não o vínculo das relações sociais". E para complicar a reflexão, ainda é possível ver no filme (e na vida real), que a aproximação de Nell provoca no médico ena psicóloga uma imersão em si mesmos, quando eles passaram a vislumbrar as possibilidades diferentes que eles próprios poderiam ter em relação às suas próprias vidas. Então o que se percebe é que Nell não é anormal, trata-se apenas de um ser humano que se afasta enormemente de nossos padrões de vida.
Indicações: ao Oscar 1994, Melhor Atriz para Jodie Foster, mas quem ganhou foi Jessica Lange,em Céu Azul. Teve indicação ao Globo de Ouro, para Melhor Filme Drama, Atriz em Drama,para Jodie Foster e Melhor Trilha Sonora.


Música de Mark Isham, Roteiro de William Nicholson e Fotografia linda de  Dante Spinotti.
Curiosidades: A atriz Jodie Foster, além de protagonizar Nell, também é uma das produtoras do filme.
Recomendadíssimo!!! Muito bem construído e cativante. Veja e comente depois.








O filme recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de melhor atriz (Jodie Foster), além de receber três indicações ao Globo de Ouro de melhor filme - drama, melhor atriz - drama (Jodie Foster) e melhor trilha sonora.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Estrelas além do tempo



Diretor: Theodore Melfi
Atores: Taraji P. Henson, Octávia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner, Kirsten Dunst, Aldis Hodge, Jim Parsons, Mahershala Ali, Glen Powell
Gênero: Biografia
Duração: 122 minutos
Ano: 2017



Sinopse: 1.961. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética, disputam a supremacia na corrida espacial, ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um  grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar, à parte.É lá que estão Katherine Jonhsons (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn ( Octávia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), grandes amigas que, além de provarem suas competências dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA.

Maravilhoso!!! Aborda temas que poderiam ser atuais, embora se passe na década de 60, como a questão de mulher negra estudar, ser brilhante e se destacar, mas principalmente, em ser admitida e  tratada com respeito no mundo praticamente masculino da NASA. Para ser sincera, eu mesma não sabia da existência de mulheres na NASA, de verdade! Normalmente nos filmes americanos, sempre que se fala ou mostra algo relacionado a este órgão só é mostrado homens. Mais uma amostra do machismo imperando, inclusive nos meios de comunicação e mídia. Esperado!!! O longa trás a história de três matemáticas negras que enfrentam o preconceito racial na NASA, uma instituição de ponta, onde a Ciência é estudada e valorizada, como pode manter tal comportamento por tanto tempo???   (É para se pensar, em como a humanidade pode ser obtusa frente a preconceitos enraizados por décadas. Tudo tão contraditório: uma nação tão "poderosa" e à frente de seu tempo em muitos aspectos, pode ser manter ainda tão retrógrada. Vai entender!!!).     Estas três mulheres fortes conseguem quebrar o ambiente claramente preconceituoso, com coragem, perseverança e classe. E além delas, um grupo de mulheres negras foi fundamental para o avanço tecnológico que permitiu a ida do primeiro homem à Lua. Mas sempre quem recebe os louros são os astronautas do Programa Mercury, como Gus Grissom e John Glenn e outros, mas é nos bastidores que tudo acontece, sem estes inúmeros/inúmeras funcionários anônimos da NASA, não seria possível a realização de tal feito. Por isso é maravilhoso tomarmos conhecimento desta história maravilhosa, praticamente desconhecida. Este é um dos motivos que me fazem Amaaaaar o Cinema!!! O trabalho das atrizes em destaque, está excelente, conseguem convencer com brilhantismo, com tamanha sensibilidade, demonstrando beleza, elegância e classe, sem perder o foco: realização do que desejavam sem perder a linha/calma. Mostra ainda a jornada "dupla" delas, trabalho fora, num ambiente altamente competitivo e tendo uma família esperando em casa, ao final do turno de trabalho. Isso nos faz lembrar de algo??? Nossas próprias vidas, ainda hoje, com exceção da questão do preconceito. Outro tema abordado, é a quebra do paradigma, que Inteligência e Beleza, podem andar juntas!!! Atualmente o foco do cinema para mim, não é só "cutucar", ao contrário, é sensibilizar. A autora do original é Margot Lee Shetterly, com roteiro de Allisson Schroeder. Direção de Fotografia, Mandy Walker e Direção de Arte Jeremy Woolsey. Trilha Sonora composta por um "trio da pesada", Hans Zimmer. Pharrell Williams e Benjamin Wallfisch, que busca sempre valorizar e chamar a atenção para um certo momento do filme.


Curiosidades: Detalhe, a questão dos banheiros, n filme,foi vivenciado por Mary Jackson, personagem de Janelle. O que Katherine fez, foi recusar utilizar os banheiros segregados. Em uma cena em que Paul Stafford (Jim Parsons) fala dos engenheiros da NASA, há um rosto especial no meio da multidão. Trata-se de Mark Armstrong, filho do astronauta Neil Armstrong (o primeiro homem a pisar na Lua). Mark foi convidado por Ken Strunk, para aparecer na cena. A locação em que se encontra a casa de Dorothy Vaughn na trama, é na verdade, uma casa localizada em Atlanta. Sendo que no mesmo local, as lendas do Direito, Ralph Abernathy e Martin Luther King Jr,já se encontraram. Octávia Spencer apareceu ao lado de Jim Parsons no episódio The Euclid Altenative do seriado de comédia americano The big bang teory (2007). Reencontros, o longa reúne Octávia Spencer e Kevin Costner que já trabalharam juntos em Preto e Branco (2014) e Mahershala Ali e Janelle Monáe, que fizeram parte do elenco de Mooonligth, sob a luz do luar (2016). A física Katherine G. Johnson, de 98 anos, começou a trabalhar na NASA em 1953 e realizou inúmeros cálculos de trajetórias de vôos espaciais, seu Curriculum reúne os Projetos Mercury e Apollo 11. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, entrega e beija a matemática da ex-NASA, Katherine G. Johnson, depois que ele a apresentou a Medalha Presidencial da Liberdade durante uma cerimônia no quarto Leste, em 24 de novembro de 2015, na Casa Branca em Washington, DC. Dezessete destinatários foram premiados com a mais alta honra civil do país.
Já Mary Jackson, em 1958, foi consagrada a Primeira Engenheira negra da NASA, faleceu em 2005, aos 83 anos. 

Prêmios e Indicações: o filme foi indicado ao Oscar 2017 para Melhor Filme, Atriz Coadjuvante (Octávia Spencer) e Roteiro Adaptado. Mas não ganhou nada. Já no Globo de Ouro, foi indicado nas categorias de Melhor Trilha Sonora e Atriz Coadjuvante (Octávia), vence na Trilha Sonora. Ao BAFTA, ganhou de Melhor Roteiro. No Satélite Awards, teve indicação para Melhor Filme, Atriz (Taraji P. Henson), Atriz Coadjuvante (Octávia Spencer), Roteiro Adaptado, Trilhas Sonora, Canção (Running, de Pharrell Williams) e venceu para Melhor Elenco. No Critics Choice Awards,teve indicação para Melhor Atriz Coadjuvante (Taraji), Roteiro Adaptado e Elenco.
Recomendadíssimo!!! Muito bom, de emocionar  e despertar em nós um orgulho danado, pela participação de nosso gênero em fatos reais e importantes da nossa História. 

domingo, 4 de fevereiro de 2018

O sexto sentido



Diretor: M. Night Shyamalan
Atores: Haley Joel Osment, Bruce Willis, Tonny Collette, Olívia Williams
Gênero: Suspense
Duração: 107 minutos


Ano: 1.999

Sinopse: O psicólogo infantil Malcoln Crowe (Bruce Willis) abraça com dedicação o caso de Cole Sear (Haley Joel Osment). O garoto de 8 anos, tem dificuldade de relacionamento no colégio e vive paralisado de medo. Malcoln por sua vez, busca se recuperar de um trauma sofrido anos antes, quando um de seus pacientes se suicidou na sua frente.

Filme com uma abordagem espírita, tratando o drama de uma criança, que é tido como esquisito, doente, esquizofrênico, quando na verdade, o que ocorria era que ele tinha uma sensibilidade e mediunidade, bastante afloradas, mas totalmente incompreendida e nem percebida por todos ao seu redor (ele via pessoas mortas à sua volta e conta o seu drama ao psicólogo, que tenta ajudá-lo a descobrir o que está por trás de seus distúrbios). Também promove uma reflexão sobre vida e morte e o que acontece depois que morremos, a possibilidade de que nossa vida continua, mas de uma forma diferente. Interessante!!! O filme acabou sendo um sucesso de bilheteria, arrecadando uma pequena fortuna, quando comparado com o orçamento.



Liderando nos EUA, o ranking semanal de público durante 6 semanas, sendo ainda a segunda maior bilheteria de 1.999, perdendo apenas para Stars Wars: a operação fantasma (Episódio II). No Brasil, foi líder absoluto  durante dois meses, sendo o filme que teve o maior número de expectador do ano. O sucesso do filme é justamente por abordar o assunto: vida após a morte. Não é possível saber o final, que acaba por surpreender o expectador do início ao fim. A história é instigante e comovente!!! O elenco está ótimo: Bruce surpreende como o terapeuta sensível e comprometido com seus pacientes (não mais o cara fortão, bonitão e "duro de matar", sempre envolvido com filmes de ação e perseguições, fugindo do padrão até então conhecido), Haley está perfeito, ele não só convence como impressiona, toca o coração de todos, em muitas cenas do filme e com isso, cai nas graças do público, ficamos todos apaixonados por ele. Logo após o seu lançamento, foi comparado aos trabalhos de Hitchcock, que é o famoso Mestre do Suspense do cinema. Na época muitos chegaram a afirmar que o diretor, poderia ser o seu sucessor. 

Indicações: Oscar 1.999, foi indicado para Melhor Filme, Diretor, Ator Coadjuvante (Haley), Atriz Coadjuvante (Tonny Collette), Edição e Roteiro Original, mas infelizmente não ganhou nada. Torci para que o Haley ganhasse, mas perdeu para nada mais e nada menos que Michael Caine, em Regras da vida, que também esteve brilhante. No Critic's Choise Awards de 2.000, Haley ganhou como Melhor Jovem Ator e Tonny Collette foi indicada como Melhor Atriz.
Curiosidades: o filme foi estrategicamente lançado mais cedo, ir ia estrear em outubro, mas o resultado animou tanto os executivos, que sua estréia foi antecipada em dois meses. O ator mirim Haley, foi impedido por sua mãe de assistir o filme por um  motivo simples, a censura era de 14 anos e ele só tinha 11 anos na época. Por dois anos o diretor e Bruce Willis trabalharam juntos, neste e depois no Corpo fechado em 2.000. O diretor também foi o roteirista. Música assinada por James Newton Howard e Fotografia precisa de Taki Fujimoto.
Recomendo para quem não viu, é ótimo na sua categoria.
Veja e comente!!!

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Moonligth


Diretor: Barry Jenkins
Atores: Alex R. Hibbert, Asthon Sanders, Trevante Rodhes, Mahershala Ali, Janelle Mone, Naomie Harris, Andre Hollamd, Jaden Piner, Jharrel Jerome.
Gênero: Drama
Duração: 11 minutos
Ano: 2017


Sinopse: O filme apresenta 3 momentos da vida de Chiron, um jovem negro, morador de uma comunidade pobre de Miami. Do bullyng da infância, passando pela crise de identidade da adolescência e a tentação do universo do crime e das drogas. Este é um poético estudo do personagem.

Gostei muuito!!! Com o tema Homossexualidade abordado com tamanha sensibilidade. Completamente diferente de décadas anteriores, que a idéia era "chocar", era mostrar para a sociedade, escancarar uma realidade que não dava mais para deixar de ser vista, algo mais agressivo e físico. Mas desta vez, parece que a intenção é chamar a atenção para o funcionamento interno, afetivo  da questão. Acredito que o filme ajuda na promoção de uma reflexão mais profunda acerca deste universo, de que nascemos todos com uma uma orientação sexual, de que ser ou não homossexual não é uma escolha, uma preferência sexual. Mostra também um retrato de solidão e superação, de busca por auto conhecimento e identidade. O filme foi baseado na peça de teatro In Moonligth black boys look blue, escrita e dirigida por Jenkins, que resolve depois transformar em longa, a partir da obra original de Tarell Alvin McCraney, que também foi um dos produtores executivos.. Muito provavelmente o texto tem um quê de autobiografia, no que se refere a questão familiar, pois assim como o personagem, também teve uma mãe que sofria com vício em drogas. E tanto Jenkins, quanto McCraney, nasceram e cresceram no complexo residencial Liberty Squar, no bairro Liberty City e resolveram filmar algumas locações do filme lá. Mostra a longa jornada de Chiron em busca de si mesmo, uma história individual, mas que poderia ser universal e de certa forma é, quem nunca passou por um conflito? De pelo menos de identidade, de não se sentir pertencendo a nada, até se encontrar??? Promove uma reflexão para quebrar esteriótipos sobre o que é bom ou mau (ninguém é 100% bom e nem 100% mau, somos uma mistura de sentimentos e valores complexos), do que é ou não possível de acontecer, ficando na dependência de nossa escolhas e das consequências das mesmas. Vai mostrando uma realidade, nada de respostas rápidas, com cenas lindas: nuances dos acontecimentos e com muita delicadeza, a trajetória de vida dolorosa de Chiron: negro, descobrindo-se gay (assumindo a sua orientação em uma sociedade machista e violenta), bem sucedido ainda que de forma ilícita. Enfim, o filme toca o que há de humano em nós, sem grandes produções, sem recursos tecnológicos, toca os nossos sentimentos, num jogo constante de comparações e super posicionamentos. O olhar de desamparo e tristeza do personagem Litle é de fazer chorar de tão expressivo, ao sofrer pela sua condição e por algo que nem tem consciência, mas  sofre tanta rejeição e  preconceito. 






O filme teve 8 indicações ao Oscar 2017, e com a indicação de Jenkins a categoria de Melhor Diretor, torna-se o 4º cineasta negro a ser indicado a esta categoria. Com trilha sonora composta Nicholas Brittel, que tem canções de Goodie mob, Boris Gardner e Barbara Lewis. Tem uma canção também, Cucurucucu Paloma, interpretada por Caetano Veloso, mas infelizmente não aparece no Álbum.
Indicações e Premiações: ao Oscar para Melhor Diretor, Atriz Coadjuvante, Trilha Sonora, Fotografia e Edição. Ganhando os prêmios de Melhor Filme, Ator Coadjuvante ( Mahershala Ali) e Roteiro Adaptado.Ao Globo de Ouro, indicado a Melhor Ator Coadjuvante em drama, Atriz Coadjuvante em drama, Diretor, Roteiro, Trilha Sonora Original. Venceu também para Melhor Filme Drama, No Chicago International Film Festival, venceu como Melhor Audiência, junto com Lion.
Com produção executiva de Brad Pitt, Fotografia de James Laxton, Produtoras: Adele Romanski e Dede Gaedner e Montadora chefe Joi McMillon


Curiosidades: o filme é encenado exclusivamente por negros. Estreou no Festival de Toronto 2016. No filme, Juan (Mahershala) ensina Litle (Alex R. Hibbert) a nadar e na vida real, o jovem realmente não sabia nadar, então foi ensinado de verdade. Os três atores que iriam desempenhar o mesmo personagem não se conheciam e nem se conheceram nas filma, para que cada um pudesse interpretar sem a influência do outros. A atriz Naomie Harris, na trama, mãe de Chiron, teve que filmar todas as suas partes em apensa 3 dias, e foram filmados na sequência. O filme todo foi filmado em 25 dias, no sul da Flórida.
Recomendo, é maravilhoso!!! Tocante!!! Para ver com muita atenção e calma, pois é um filme com muita simbologia, principalmente no gestual.

domingo, 10 de setembro de 2017

A cor púrpura


Diretor: Sreven Spielberg
Atores: Woopi Goldberg, Danny Glover, Margareth Avery, Oprah Winfrey, Adolph Caesar, Rae Dawn Chong, Williard E. Ruge, Lawrence Fishbome, Akosua Busia.
Gênero: Drama
Duração: 154 minutos
Ano: 1985


Sinopse: Georgia, 1909, em uma pequena cidade, Cellie (Woopi Goldberg), uma jovem apenas de 14 anos que foi violentada pelo pai, torna-se ma~e de duas crianças. Além de se tornar infértil, Celie é separada dos filhos e de única pessoa que a ama, que é sua amiga e irmâ Nettie (Akosua Busia).  É "doada" para a Mister ((Daany Glover, que a trata com simultaneamente como escrava e companheira. Grande parte da brutalidade de Mister provém do fato dele alimentar uma forte paixâo por Shug Avery (Margareth Avery, uma sensual cantora de Blues.Celie fica muito solitária e compartilha sua tristeza com as cartas (a única forma de manter a sanidade em um mundo em que poucos a ouvem), primeiro com Deus,depois com sua irmã, missionária na África. Contudo, o casamento forçado com Mister, permite que ela conheça Sofia (Ophrah Winfrey), que é esposa de Harpo (Willard E. Pugh) e com Shug Avery, o que dá forças à protagonista pata que ela possa seguir em frente em sua vida. Revelando seu espírito brilhante, seu valor e de suas possibilidades.






Filme que me deixou muito impressionada, mas na época não consegui  identificar com clareza, o por quê de tamanha comoção. Depois de anos, é que consegui processar tantos sentimentos, ao mesmo tempo tocados, com a produção. Foi muito marcante!!! É uma história sobre racismo, subserviência e violência contra as mulheres, que foi superado com uma resignação invejável, da qual certamente eu não teria tido. E salvaguardando as proporções, ainda são questões que permanecem atuais (mulher pobre, negra e semianalfabeta, sofre violentamente, ainda em pleno Século XXI, o maior preconceito. O filme é baseado no Romance Epistolar (todos os acontecimentos relatados são em forma de cartas, inicialmente para Deus e depois para a irmã), da premiada ao Prêmio Pulitzer em 1982 e o American Book Award, da afro-americana Alice Walker, que aborda com muita sensibilidade questões de discriminação racial e ainda sexual.  O nome não foi escolhido à toa, que é uma alegoria de todo o processo de autoconhecimento e de des(construção) que passa a personagem de Cellie. Foi dirigido com maestria pelo então conhecido Steven Spielberg, que neste caso, imprime uma outra versão a si mesmo: o diretor ultra sensível e primoroso, dirige um time de "estrelas", mas sem efeitos especiais e tecnologia, trocando o fantástico/sonho pela realidade, o ultra-colorido pelo "preto" da dor e sofrimento. Teve um show de interpretações de todo o elenco: uma até então desconhecida Woopi como a doce, mas determinada Celie e a primeira atuação de Oprah Winfrey, como a obstinada e destemida Sofia. Saí do cinema "odiando" Danny Glover, indignada pelo seu comportamento tão opressor no filme, que só se retratou comigo depois em 1987, com seu engraçado personagem Sargento Roger Murtaugh, parceiro do Mel Gibson (Gibbs) em Máquina Mortífera. Acredito que tenha sido um dos mais injustiçados filmes, na história da Premiação do Oscar. Foi indicado a 11 categorias e não ganhou nenhuma. Sem falar que Spielberg nem chegou a ser indicado a melhor diretor desta obra prima. Apesar de impecável, o filme foi muito criticado na época, por movimentos afro-americanos, feministas e homossexuais ,por não conseguir reproduzir na tela, a profundidade das questões levantadas no livro. Estas críticas são apontadas como a provável motivo do filme ter tido tantas indicações e não levar nenhum prêmio. Também não posso deixar de mencionar o fato de que concorreu com outras produções de grande peso: Entre dois amores (o vencedor do ano),  A honra do Poderoso Prizzi,  O beijo da Mulher-aranha de Hector Babenco, A testemunha e outros que não foram indicados como melhor filme, mas fizeram a diferença: De volta para o futuro, Cocoon e Marcas do destino. Todos divinos, marcaram uma época!!! O filme tem Fotografia simplesmente  bela, de Allen Daviau; Figurino assinado por Agie Guerard Rodgers, Maquiagem de Ken Chase e Música de compostas por dois grandes compositores  e produtores Quincy Jones e Lionel Ritchie.


Curiosidade: a cantora Tina Turner chegou a ser convidada para atuar como a personagem Shug Avery. Foi o segundo filme de Spielberg que não contou com a trilha sonora assinada por John Williams. E tiveram duas indicações para Melhor Atriz Coadjuvante, algo pouco comum.


Indicações e Premiações: Ao Oscar 1986, indicado nas categorias de Melhor Filme, Atriz. Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado,  Direção de Arte, Fotografia, Figurino, Trilha Sonora, Canção Original. Ao Globo de Ouro, foi indicado a Melhor Filme Drama, Diretor e Atriz Coadjuvante (Oprah), ganhando para Melhor Atriz em Drama para Woopi Goldberg. Ao BAFTA, foi indicado para Melhor Roteiro Adaptado. E ao National Board of Review 1986, foi indicado para Melhor Ator Principal (Danny Glover), Atriz Coadjuvante (Oprah) e Roteiro Adaptado.
O filme é belíssimo, do início ao fim, comovente!!! Recomendadíssimo para todos os amantes da Sétima arte. Filme para se ter na coleção.