quinta-feira, 14 de junho de 2018

A forma da água




Diretor: Guilhermo Del Toro
Atores: Sally Hawkins, Michael Shannon, Doug Jones, Richard Jenkins, Octávia Spencer, Lauren Lee Smith, Michael Stuhlbarg
Gênero: Romance
Duração: 123 minutos


Ano: 2018

Sinopse:  Década de 60. Em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos da Guerra Fria versus União Soviética, a muda Elisa (Sally Hawkins), zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, afeiçoa-se a uma criatura fantástica mantida presa a maltratada, no local. Para executar um arriscado e apaixonado resgate ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e também amiga e colega de turno Zelda (Octávia Spencer).

Mais um filme visualmente lindo, com uma fotografia perfeita, com ênfase nos tons azulados em alguns momentos e alaranjado em outros, divinos!!! Assinada por Dan Lausten. Com diretor musical Alexandre Displat (no início do filme toca uma música muito conhecida nossa Babalu e na voz parece ser de nossa esplêndida cantora paranaense, mas que reside atualmente no Rio de Janeiro, Simone Mazzer, eu acho!!! Vencedora do Prêmio da Música Brasileira, de Cantora Revelação, em 2016). O filme é apresentado como uma fábula, bem ao estilo Del Toro, onde uma "princesa", neste caso muda (nem linda, nem perfeita), apaixona-se por uma criatura que não tem nada de "príncipe", pelo menos não do modo como estamos acostumados, ele é um humanóide (meio homem, meio anfíbio) e juntos, constroem uma história linda, comovente e cativante. Neste filme Del Toro nos encanta, fazendo uma reflexão sobre o oposto do que chamamos de "belo", no padrão convencional. Numa outra linguagem, no entanto, extremamente expressiva, chama nossa atenção para a importância de olharmos para o novo e muitas vezes inusitado, de forma diferente, abertos a novos conceitos e a menos preconceitos. À medida que o filme avança, vão sendo despertados muitos sentimentos contraditórios no expectador: admiração versus repulsa, amor versus raiva/indignação, mas principalmente uma sensação de solidão/desolamento, do quanto o incomum, e também neste caso, transmite a imagem de fragilidade e total isolamento. Todos os personagens são diferentes, porque não dizer "estranhos" de uma maneira única e individual, mas todos são personagens solitários, vivendo em seus mundos particulares.


Indicações e Premiações: o filme foi selecionado para o Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2017. Teve 13 indicações ao Oscar 2018, para Melhor: Atriz (Sally), Ator Coadjuvante (Richard Jenkins), Atriz Coadjuvante (Octávia Spencer), Roteiro Original (Del Toro e Vanessa Taylor), Fotografia, Montagem (Sidney Wolinsky), Figurino (Luís Sequeira), Mixagem de Som , Edição de Som e ganhou para Melhor Filme, Diretor, Direção de Arte e Trilha Sonora Original. Ao Globo de Ouro foi indicado para Melhor Filme em Drama, Atriz em drama, Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante também em drama, Roteiro de Cinema, venceu na categoria de Melhor Diretor e Trilha Sonora. Ao BAFTA, indicação de Melhor Atriz, mas venceu para Melhor Diretor, Design de Produção e Trilha Sonora Original. Também levou para casa o Leão de Ouro de Veneza 2017, indicado nas categorias de Melhor Filme, Atriz, Atriz Coadjuvante, Ator Coadjuvante, Roteiro Original, Edição, Trilha Sonora Original, Design de Produção, Fotografia, Figurino, Edição e Mixagem de Som, venceu para Melhor Diretor.

Curiosidades: Del Toro revelou que a atriz Sally Hawkins não foi somente a primeira como a única opção para o papel de Elisa, ainda que outros personagens do longa foram escritos já tendo os atores que os interpretariam, a exemplo de Octávia Spencer, que disse que seu personagem é uma mistura entre sua participação em Histórias Cruzadas (2011) e Estrelas além do tempo (2016). Já Richard Jenkins recebeu um e-mail de Del Toro, com a mensagem: "Espero que você ame o roteiro tanto quanto eu". Del Toro também já dirigiu Doug Jones na franquia Helboy e nos filmes O Labirinto do Fauno (2006), A Colina Escarlate (2015) e na série The Strain (2016). O ator Doug demorava mais de três horas para se caracterizar como seu personagem. Mas apesar do tempo, ele revela que já demorou mais horas para se vestir para outros personagens de filmes de Del Toro. Também houve outro reencontro de Sally Hawkins e Michael Stuhlbarg, que já trabalharam juntos em Blue Jasmine (2013).

Del Toro havia confirmado em sua conta pessoal do Twitter que as filmagens começariam em 15 de agosto de 2016, mas acabaram começando mais cedo em 01 de agosto e terminaram mas filmagens em 06 de novembro. E pensou muito, chegando a cogitar fazer o filme em Preto e Branco, mas acabou mudando de idéia. Ainda bem, pois o colorido do filme ficou espetacular!!! Sendo que a maior parte do filme foi filmada em estúdio, segundo o Diretor de Fotografia Dan Laustsen.
O filme recebeu aclamação da crítica e teve uma performance forte nas bilheterias.
Recomendo assistir a este filme. É marcante!!! Comente depois.


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Lanternas vermelhas


Diretor: Zhãng Yimóu
Atores: Gong Li, He Caifei, Cao Cuifen, Jin Shuyuan
Gênero: Drama
Duração: 125 minutos

Ano: 1991

Sinopse: Na China de 1920, Songlian (Gong Li), é uma universitária de 20 anos, que é forçada a se casar com um homem bem mais velho, depois que sua mãe morre e sua tia não tem mais dinheiro para custear seus estudos. Seu marido é um homem de 50 anos que já tem três esposas, todas morando em casas diferentes. Cada noite, ele decido com quem vai dormir, e a escolhida ganha massagem, lanternas vermelhas acesas e o direito de escolher o cardápio do dia seguinte. Tal costume gera rivalidade entre as esposas, e logo Songlian se vê envolvida em um mundo de intrigas femininas e conspiração serviçais. 



Um interessantíssimo filme chinês, dirigido por Zhãng Yimou com uma fotografia belíssima, de impressionar, assinada por Fei Zhao e Trilha Sonora de Zhao Jiping. É um filme intenso, que primou pela simplicidade e competência de direção, que vai passando pelas quatro estações do ano e mostrando a história de uma jovem que com a morte do pai e o consequente empobrecimento da família, é pressionada pela madrasta e tia  a se tornar a quarta esposa de um homem muito rido e poderoso que ela nem sequer conhece. De repente ela se vê sozinha em uma casa onde as tradições seculares são seguidas como uma lei por seu marido e por todos que a habitam. A esposa escolhida pelo senhor da casa para passar a noite, tem as lanternas de sua casa acesas e recebe um tratamento privilegiado de toda a criadagem.



O que é mostrado no filme, é um panorama da sociedade chinesa no início do século XX, onde os nobres tinham poder, riqueza, influência e uma enormidade de servos, totalmente subservientes, numa relação constante de opressão. Suas esposas viviam no luxo e tinham tudo, menos a atenção e parceria dos maridos, eles eram tiranos e controladores de tudo e de todos. A vida para elas, era tediosa e perigosa ao mesmo tempo, pois o que acabava restando para elas, era uma disputa fervorosa para obter a atenção deles por mais tempo focada nelas, usando para isso todo tipo de recursos e artimanhas. O que chama atenção no filme e que foi muito bem representado, são os sentimentos contidos na alma de cada uma, um desvendar de como cada uma realmente é, sem máscaras e sob um verniz de aparência tranquila e de submissão, escondem sentimentos de inveja, crueldade, ódio, ciúme e um desejo intenso de vingança. A mulher, mostrada neste filme, precisa aceitar que não tem direitos, só deveres de agradar e servir seu senhor. Aff!!! Percebi, quando assisti ao filme, que na verdade o mundo todo é machista!!! Não só a sociedade brasileira. O homem, não importando seu nível social, econômico, raça, credo ou cultura, tem o desejo eterno de subjugar a mulher. Incrível!!! Não permitiriam nunca sair de suas zonas de conforto, de espontânea vontade, menos que tomássemos as rédeas de nossas vidas, à força, como fizemos no passado e continuamos a fazer, né???
Curiosidades: o filme foi proibido na China,mas por pouco tempo, no início dos anos 90.
Também foi levado aos palcos, com um roteiro com pequenas alterações, mas mantida a imponência, grandiosidade e beleza da história. O espetáculo foi dirigido por ele mesmo, Zhãng Yimóu, e quem viu aqui no Brasil, diz que foi simplesmente arrebatador, que valeu a pena ter visto, que foi como ter a sensação de ter vivido uma experiência única.


Indicações e Premiações: em 1991, foi indicado ao Leão de Ouro, em Cannes (Sul da França), para Melhor Direção Zhãng Yimóu, no Festival e Veneza, indicado ao Prêmio Especial do Juri e a Melhor Roteiro. Em 1992, foi indicado ao Oscar, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro e o Prêmio David Di Donatello (Itália) para Melhor Atriz, Gong Li.
Recomendadíssimo!!! Filme imperdível.
Veja e comente.

sábado, 26 de maio de 2018

Um limite entre nós


Diretor: Denzel Washington
Atores: Denzel Washingtom, Viola Davis, Stephen Henderson, Russel Hornsby, Mykelti Williamson, Saniyya Sidney, Jovan Adepo
Gênero: Drama
Duração: 139 minutos
Ano: 2017

Sinopse: Anos 50. Troy Marson (Denzel Washington) tem 53 anos e mora com a esposa, Rose (Viola Davis), e o filho mais novo Cory (Jovan Adepo). Ele trabalha recolhendo lixo das ruas e batalha na empresa para conseguir migrar para o posto de motorista do caminhão de lixo. Troy sente um profundo rancor por não ter conseguido se tornar jogador profissional de baseball, e por causa disto não quer que seu filho siga como esportista. Isto faz com que o jovem bata de frente com o pai, já que um recrutador esta prestes a ser enviado para observá-lo em jogos de futebol americano.



Filme bastante reflexivo, que certamente não agradou e nem agradará a muitos, por ser um drama  uma mistura muito hábil de conflito racial e familiar, mostrando como as feridas causadas pelo racismo dividiram não apenas uma nação, como também muitas famílias negras nos EUA, mas também acaba por mexer com nossos conteúdos internos. O título original Fences (cercas), remete a barreiras erguidas para proteger, mas também para isolar. É uma adaptação de uma peça de teatro de August Wilson (1983), que se tornou um clássico da literatura contemporânea, ganhando o Prêmio Pulitzer de Drama em 1987 e que finalmente recebeu uma adaptação comovente à altura da peça para a telona. Foi seu primeiro trabalho como roteirista, e fez uma exigência na época, que seu trabalho fosse dirigido por um afro-americano. Recebeu uma indicação póstuma ao Oscar 2017, uma vez que faleceu em 02 de outubro de 2005. O filme aborda a questão do preconceito racial, brancos com melhores empregos ou cargos, em relação aos negros e do quanto isso está profundamente arraigado na sociedade americana. Neste caso, o personagem Troy vive em Pittsburg, a segunda cidade mais populosa do estado da Pennsylvania, ao sofrer esta discriminação tanto no passado (era vedado a negros participarem dos jogos de baseboll), como no presente, em seu trabalho, arrasta esta dor por toda sua vida, afetando sua relação afetiva com a esposa e filhos. O filme vai mostrando numa atmosfera claustrofóbica, necessária para mostrar a profundidade da personalidade de um homem que está prestes a explodir de tanto ressentimento acumulado, potências frustradas e orgulho machista. Seu comportamento trás inúmeros conflitos a todos a sua volta,gerando novas dores, com seu comportamento intolerante e amargo. Mas é o retrato de uma família real. O roteiro é ótimo e tem excelentes atuações do elenco,como não poderia deixar de ser, com estes dois grandes atores Denzel e Viola. Um pouco monótono, para quem gosta de mais ação, mas muito bom e talvez por mexer com nossos sentimentos, possamos sentir um certo incômodo, diante de tanto egoismo e negativismo juntos.

Curiosidades: a peça de teatro Fences foi apresentada na Broadway em 1987 e ganhou os prêmio Tony Awards de Melhor Peça, Ator (James Earl Jones) e Atriz Coadjuvante (Mary Alice). Um revival da trama também foi realizada em 2010, e colecionou prêmios de novo, no Tony, como o Melhor Revival para uma peça, Melhor Ator (Denzel Washington) e Atriz (Viola Davis).
Quando os Estúdios da Paramount adquiriram o direito do filme, Eddie Murphy foi cogitado para viver o personagem de Cory. No entanto, quando foi filmado, muito tempo depois, o ator ficou velho para viver o personagem.
Viola Davis atuou em outro filme dirigido por Denzel, Voltando a viver (2002).
Indicações e Premiações: Oscar 2017, indivado para Melhor, Filme, Ator, Atriz Coadjuvante e Roteiro Adaptado,mas não venceu em nenhuma categoria. Ao Globo de Ouro, também foi indicado a Melhor Ator e Atriz Coadjuvante em Drama, mas não venceram. Ao Critics' Choice Movie Awards, foi indicado nas categorias de Melhor Filme, Diretor e Ator (Denzel), Elenco e Roteiro Adaptado e só venceu Viola Davis, como Melhor Atriz Coadjuvante.
Recomendo!!!

quinta-feira, 5 de abril de 2018

O outro lado na nobreza


Diretor: Michael Hoffman
Atores: Robert Downey Jr., Sam Neil, Polly Walker, Meg Ryan,David Thewls, Ian McKellen, Hugh Grant, Ian McDiarmid
Gênero: Romance       
     

Duração: 117 minutos
Ano: 1995

Sinopse: Um médico talentoso Robert Merivel (Robert Downey Jr.) cai nas graças do Rei Charles II (Sam Neil) e aceita um casamento conveniente aos propósitos do soberano. Porém sua vida luxuosa desmorona e ele redescobre a paixão pela medicina, durante o Grande Incêndio e a peste negra.

Mais um filme daqueles que deixam lembranças eternas e que emocionam sempre... Amei tudo: história, elenco, fotografia, figurino, roteiro, ambientação, época... O filme é britânico e estadunidense, ambientado no século 17, mais precisamente na Inglaterra, quando em 1.663, o Rei Charles II sobe ao trono após os anos de terror do governo de Oliver Cromwell (militar e fazia parte do Palamento Inglês, que acaba alcançando poder e se torna Puritanista, praticando muita perseguição aos católicos da época) que governou por 11 anos. A Inglaterra saudou a volta ao poder a antiga e resplandecente monarquia, e com uma extraordinária e alegre mudança de humor. É neste período da Restauração (daí a homenagem ao título em inglês do filme: Restoration) que o jovem estudante de medicina, recém formado no Colégio Real dos Cirurgiões, experimenta e ousa quebrar padrões, consegue dar uma guinada radical em sua vida, ao ser convidado a fazer parte da corte do rei. A recriação da época é estupenda, tudo é meio que irreal, ou melhor, nada é natural inicialmente, tudo é exagerado, até para se antagonizar com a mensagem do filme que é a moral, que é realmente o que importa na vida das pessoas, todo o resto é passageiro, temporário e supérfluo, (neste caso, a vocação superando a luxúria). A história é apresentada como uma fábula, belíssima e ainda que óbvia, é apresentada de uma forma brilhante, onde cada pessoa tem o seu lado escuro e seu lado claro, e dentro de certas limitações, tem a oportunidade de escolher o que realmente querem para a sua vida. 



O próprio personagem principal Merivel, que se deixa seduzir pela riqueza fácil e repentina, também passa por sua restauração particular. A musicalidade do filme é excepcional tendo como diretor responsável James Newton Howard. O roteiro é de Rupert Walters. Figurino maravilhoso, com suas cores e exageros, assinado por James Acheson e Fotografia esplendorosa de Oliver Stapleton. O filme foi baseado no romance de Rose Tremain e transformado nesta beleza cinematográfica, sendo apresentada ao mundo em 1995.


Indicações e Premiações: Foi indicado ao BAFTA, em 1996, para Melhor Figurino. Ao Festival de Berlim, foi indicado ao Urso de Ouro (Melhor Filme) e ao Oscar 1996, foi indicado a apenas duas categorias e venceu para Melhor Direção de Arte (Eugênio Zanetti) e Figurino (James Acheson). Também concorreu com grandes filmes como Coração Valente, O carteiro e o poeta, Razão e Sensibilidade, Despedidas em Las Vegas, Os últimos passos de um homem, Os suspeitos e Babe, o porquinho atrapalhado.



Curiosidade: o rei Charles II recebeu na história o cetro do rei mais extravagante que a Inglaterra já teve, famoso por suas proezas sexuais, que acabou ficando conhecido como o Alegre Monarca. há registros de que este foi um período de ousadias científicas, artísticas e extravagâncias sociais,muito brilho e luxuriante sensualidade. Mas também ficou conhecida como uma fase de miséria, pragas, catástrofes naturais e métodos medicinais arcaicos.
Recomendadíssimo!!! Vale a pena ver.
Veja e comente!!!

domingo, 11 de março de 2018

Manchester à beira mar


Diretor: Kenneth Lonergan
Atores: Casey Afleck, Michelle Williams, Kyle Chandler, Lucas Hedges, Gretchen Mol, C.J. Wilson, Stephen Henderson, Tom Kemp, Mathew Broderick
Gênero: Drama
Duração: 138 minutos
Ano: 2017


Sinopse: Lee Chandles (Casey Afleck) é forçado a retornar para sua cidade natal com o objetivo de tomar conta de seu sobrinho adolescente, após o pai (Kyle Chandler) do rapaz, seu irmão, falecer precocemente. Este retorno ficará ainda mais complicado quando Lee precisar enfrentar as razões que o fizeram ir embora e deixar sua família para trás, anos antes.

Tocante!!! Para resumir numa só palavra. Mexe com nossos sentimentos de muitas formas. O diretor que também assina o roteiro, consegue criar um ambiente tão angustiante, de intensa tristeza, que nos abala profundamente, sem precisar recorrer a cenas melodramáticas. Como o diretor é também dramaturgo com uma grande experiência em teatro, acabou "tirando de letra" este trabalho, que diga-se de passagem, ficou excelente!!!  O filme mostra o retrato de uma vida cotidiana (retrato humano de uma família), repleta de acertos e erros, relacionamentos complexos, perdas e a dificuldade em lidar e enfrentar certas situações. Até a cidade escolhida faz sentido, é pequena, tranquila, serena, mas sem qualquer vida (a cidade como pano de fundo para o que virá) e quando alguém morre, todos ao redor ficam abalados pelo acontecimento trágico, e assim, todos os assuntos não resolvidos vem à tona, principalmente para o personagem de Casey, que é um zelador mal-humorado e introvertido, que vive em Boston e que é surpreendido com uma reviravolta na família e que terá que lidar com assuntos inesperados para ele, com uma sobrecarga de responsabilidades e ainda enfrentar seus próprios problemas (fantasmas do passado) que também não são fáceis. 


O filme tem Trilha Sonora maravilhosa, que vai desde Rock até músicas incidentais, tudo muito bem colocado para enfatizar cada cena. A Fotografia impecável é assinada por Jody Lee Lipes. Teve além de Damon a produção de Kimberly Steward.
O elenco está afinadíssimo e Casey recebeu a indicação ao Oscar de Melhor Ator e ganhou merecidamente!!! Seu personagem reflete em tudo: no olhar, postura, expressão; toda angústia, sofrimento, toda dor que sente, mas vai seguindo a vida, enfrentando tudo, da maneira que pode. Está maravilhoso!!!


Curiosidades: O filme estreou no Sundance Film Festival em 2016. É o terceiro filme escrito e dirigido por Lonergan, os outros dois foram Conte comigo (2000) e Margareth (2011). Seria o primeiro trabalho de direção do premiado ator e roteirista Matt Damon, que acabou hesitando e deixando a função para Lonergan, seguindo o projeto como Produtor.
A cidade foi chamada de Manchester até 1989, quando o residente Edward Corley conduz uma campanha altamente controversa para mudar formalmente pata Manchester by the Sea. A ação foi aprovada pela legislatura estadual naquele ano. 
Indicações e Premiações: no Critics Choise Award, foi indicado a Melhor Filme, Diretor, Ator Coadjuvante (Lucas Hedges), Atriz Coadjuvante (Michelle Williams). Venceu para Melhor Elenco, Performance Jovem (Lucas Hedges), Roteiro Original e Ator (Casey Afleck). Ao Globo de Ouro, foi indicado para Melhor Filme de Drama, Diretor, Roteiro, Atriz Coadjuvante (Michelle) e venceu para Melhor Ator. Ao Oscar, foi indicado a 6 categorias: Melhor Filme, Diretor, Atriz, Ator Coadjuvante e Roteiro Original. Só venceu para Melhor Ator, Casey Afleck.
Recomendo!!! O filme emociona mesmo!!!  

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Nell






Direção: Michael Apted
Atores: Jodie Foster, Liam Neeson, Natasha Richardson, Richard Libertini, Nick Searcy, Jeremy Davies, Sean Bridgers
Gênero: Drama
Duração: 115 minutos
Ano: 1994

Sinopse: Uma jovem (Jodie Foster) é encontrada em uma casa na floresta, onde vivia com sua mãe eremita, mas o médico (Liam Neeson) que a encontra após a sua morte da mãe, constata que ela se expressa em um dialeto próprio, evidenciando que até aquele momento, ela não havia tido contato com outras pessoas. Intrigado com  descoberta e ao mesmo tempo encantado com a inocência e pureza da moça,tenta ajudá-la a se integrar na sociedade.



Simplesmente encantador!!! A atriz Jodie Foster nos brinda com mais uma comovente e surpreendente interpretação de Nell, uma garota que vive no estado americano de Carolina do Norte, em meio a uma floresta, com uma linguagem e culturas próprias e chama a atenção de um médico, que a decide ajudá-la, com a intenção de melhor conhecê-la e promover a sua inserção na sociedade local. A partir daí, Nell se torna um caso curioso e interessante para o médico e outras pessoas, sobre quem é ela? Como foi para naquela situação? É Autista, deficiente mental, louca? O que fazer com ela? Seria capaz de viver sozinha na floresta? E na sociedade?  Deveria ser internada em um Hospital? A trama toda gira em torno desta decisão, pois o caso acaba parando em um Tribunal, onde fica decidido que o médico e uma psicóloga que este solicitou ajuda, teriam um período de três meses para tentar conhecê-la e depois sua vida seria decidida. A história, apesar de fictícia é forte, pois Nell se apresenta como uma sobrevivente, onde surgem vários questionamentos: como uma pessoa de aproximadamente 30 anos, que possui "problemas de fala", vivendo como uma selvagem e que talvez possa ter problemas mentais, conseguiu sobreviver até o momento em que foi encontrada? O filme fazer inúmeras reflexões: ajuda a ver um pouco da realidade das pessoas, que além de conviver com uma necessidade especial, têm que enfrentar a indiferença de uma sociedade preconceituosa e etnocêntrica.

Vemos o tempo todo pessoas que possuem necessidades especiais e se deparam com as dificuldades no seu dia-a-dia, como os "cadeirantes' que não encontram calçadas adequadas, com rampas que facilitariam seu acesso às ruas: como os deficientes visuais que muitas vezes não encontram textos em Braille. Estas pessoas acabam por desenvolver hábitos diferentes, para se adequarem à realidade encontrada. Muitos não são compreendidos e são vistos com discriminação pelos membros da sociedade em geral, que não entendem as implicações e obstáculos enfrentados por um portador de necessidade especiais. Então este filme, é um ótimo ensinamento sobre como devemos ou não agir em relação às pessoas diferentes de nós, com hábitos e costumes peculiares, enfim, pessoas que possuem uma cultura diferente da que conhecemos. É possível também fazer algumas analogias, levando em conta alguns filósofos e educadores, quanto ao fato do homem ser visto como social, depende ou não, da configuração ou da configuração humana das pessoas,precisando haver um padrão ou não: Vygotski, que fala da unificação do dueto Pensamento e Linguagem (ênfase de que são processos interdependentes) à questão cultural no processo de significados pelos indivíduos. Piaget: ..."criança como ser dinâmico, que a todo momento interage com a realidade operando ativamente com objetos e pessoas. E que esta interação faz com que construa estruturas mentais e adquira maneiras de fazê-las funcionar". E ainda Jean-Jacques Rousseau: "que todos os homens nascem livres e a liberdade faz parte da natureza do homem. A liberdade natural caracteriza-se por ações tomadas pelo indivíduo com o objetivo de satisfazer seus instintos, isto é,com o objetivo de satisfazer suas necessidades. Podendo assim,manter ou não o vínculo das relações sociais". E para complicar a reflexão, ainda é possível ver no filme (e na vida real), que a aproximação de Nell provoca no médico ena psicóloga uma imersão em si mesmos, quando eles passaram a vislumbrar as possibilidades diferentes que eles próprios poderiam ter em relação às suas próprias vidas. Então o que se percebe é que Nell não é anormal, trata-se apenas de um ser humano que se afasta enormemente de nossos padrões de vida.
Indicações: ao Oscar 1994, Melhor Atriz para Jodie Foster, mas quem ganhou foi Jessica Lange,em Céu Azul. Teve indicação ao Globo de Ouro, para Melhor Filme Drama, Atriz em Drama,para Jodie Foster e Melhor Trilha Sonora.


Música de Mark Isham, Roteiro de William Nicholson e Fotografia linda de  Dante Spinotti.
Curiosidades: A atriz Jodie Foster, além de protagonizar Nell, também é uma das produtoras do filme.
Recomendadíssimo!!! Muito bem construído e cativante. Veja e comente depois.








O filme recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de melhor atriz (Jodie Foster), além de receber três indicações ao Globo de Ouro de melhor filme - drama, melhor atriz - drama (Jodie Foster) e melhor trilha sonora.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Estrelas além do tempo



Diretor: Theodore Melfi
Atores: Taraji P. Henson, Octávia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner, Kirsten Dunst, Aldis Hodge, Jim Parsons, Mahershala Ali, Glen Powell
Gênero: Biografia
Duração: 122 minutos
Ano: 2017



Sinopse: 1.961. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética, disputam a supremacia na corrida espacial, ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um  grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar, à parte.É lá que estão Katherine Jonhsons (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn ( Octávia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), grandes amigas que, além de provarem suas competências dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA.

Maravilhoso!!! Aborda temas que poderiam ser atuais, embora se passe na década de 60, como a questão de mulher negra estudar, ser brilhante e se destacar, mas principalmente, em ser admitida e  tratada com respeito no mundo praticamente masculino da NASA. Para ser sincera, eu mesma não sabia da existência de mulheres na NASA, de verdade! Normalmente nos filmes americanos, sempre que se fala ou mostra algo relacionado a este órgão só é mostrado homens. Mais uma amostra do machismo imperando, inclusive nos meios de comunicação e mídia. Esperado!!! O longa trás a história de três matemáticas negras que enfrentam o preconceito racial na NASA, uma instituição de ponta, onde a Ciência é estudada e valorizada, como pode manter tal comportamento por tanto tempo???   (É para se pensar, em como a humanidade pode ser obtusa frente a preconceitos enraizados por décadas. Tudo tão contraditório: uma nação tão "poderosa" e à frente de seu tempo em muitos aspectos, pode ser manter ainda tão retrógrada. Vai entender!!!).     Estas três mulheres fortes conseguem quebrar o ambiente claramente preconceituoso, com coragem, perseverança e classe. E além delas, um grupo de mulheres negras foi fundamental para o avanço tecnológico que permitiu a ida do primeiro homem à Lua. Mas sempre quem recebe os louros são os astronautas do Programa Mercury, como Gus Grissom e John Glenn e outros, mas é nos bastidores que tudo acontece, sem estes inúmeros/inúmeras funcionários anônimos da NASA, não seria possível a realização de tal feito. Por isso é maravilhoso tomarmos conhecimento desta história maravilhosa, praticamente desconhecida. Este é um dos motivos que me fazem Amaaaaar o Cinema!!! O trabalho das atrizes em destaque, está excelente, conseguem convencer com brilhantismo, com tamanha sensibilidade, demonstrando beleza, elegância e classe, sem perder o foco: realização do que desejavam sem perder a linha/calma. Mostra ainda a jornada "dupla" delas, trabalho fora, num ambiente altamente competitivo e tendo uma família esperando em casa, ao final do turno de trabalho. Isso nos faz lembrar de algo??? Nossas próprias vidas, ainda hoje, com exceção da questão do preconceito. Outro tema abordado, é a quebra do paradigma, que Inteligência e Beleza, podem andar juntas!!! Atualmente o foco do cinema para mim, não é só "cutucar", ao contrário, é sensibilizar. A autora do original é Margot Lee Shetterly, com roteiro de Allisson Schroeder. Direção de Fotografia, Mandy Walker e Direção de Arte Jeremy Woolsey. Trilha Sonora composta por um "trio da pesada", Hans Zimmer. Pharrell Williams e Benjamin Wallfisch, que busca sempre valorizar e chamar a atenção para um certo momento do filme.


Curiosidades: Detalhe, a questão dos banheiros, n filme,foi vivenciado por Mary Jackson, personagem de Janelle. O que Katherine fez, foi recusar utilizar os banheiros segregados. Em uma cena em que Paul Stafford (Jim Parsons) fala dos engenheiros da NASA, há um rosto especial no meio da multidão. Trata-se de Mark Armstrong, filho do astronauta Neil Armstrong (o primeiro homem a pisar na Lua). Mark foi convidado por Ken Strunk, para aparecer na cena. A locação em que se encontra a casa de Dorothy Vaughn na trama, é na verdade, uma casa localizada em Atlanta. Sendo que no mesmo local, as lendas do Direito, Ralph Abernathy e Martin Luther King Jr,já se encontraram. Octávia Spencer apareceu ao lado de Jim Parsons no episódio The Euclid Altenative do seriado de comédia americano The big bang teory (2007). Reencontros, o longa reúne Octávia Spencer e Kevin Costner que já trabalharam juntos em Preto e Branco (2014) e Mahershala Ali e Janelle Monáe, que fizeram parte do elenco de Mooonligth, sob a luz do luar (2016). A física Katherine G. Johnson, de 98 anos, começou a trabalhar na NASA em 1953 e realizou inúmeros cálculos de trajetórias de vôos espaciais, seu Curriculum reúne os Projetos Mercury e Apollo 11. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, entrega e beija a matemática da ex-NASA, Katherine G. Johnson, depois que ele a apresentou a Medalha Presidencial da Liberdade durante uma cerimônia no quarto Leste, em 24 de novembro de 2015, na Casa Branca em Washington, DC. Dezessete destinatários foram premiados com a mais alta honra civil do país.
Já Mary Jackson, em 1958, foi consagrada a Primeira Engenheira negra da NASA, faleceu em 2005, aos 83 anos. 

Prêmios e Indicações: o filme foi indicado ao Oscar 2017 para Melhor Filme, Atriz Coadjuvante (Octávia Spencer) e Roteiro Adaptado. Mas não ganhou nada. Já no Globo de Ouro, foi indicado nas categorias de Melhor Trilha Sonora e Atriz Coadjuvante (Octávia), vence na Trilha Sonora. Ao BAFTA, ganhou de Melhor Roteiro. No Satélite Awards, teve indicação para Melhor Filme, Atriz (Taraji P. Henson), Atriz Coadjuvante (Octávia Spencer), Roteiro Adaptado, Trilhas Sonora, Canção (Running, de Pharrell Williams) e venceu para Melhor Elenco. No Critics Choice Awards,teve indicação para Melhor Atriz Coadjuvante (Taraji), Roteiro Adaptado e Elenco.
Recomendadíssimo!!! Muito bom, de emocionar  e despertar em nós um orgulho danado, pela participação de nosso gênero em fatos reais e importantes da nossa História.