sexta-feira, 5 de julho de 2019

Higlander




Diretor: Russell Mulcahy
Atores: Christopher Lambert, Sean Connery, Clancy Brown, Roxanne Hart, Beatie Edney, James Cosmo
Gênero: Aventura
Duração: 116 minutos


Ano: 1986

Sinopse: O místico Russell Nash (Christopher Lambert) mata um homem durante uma luta de espadas em um estacionamento de Nova York, mas deixa um pedaço de arma antiga alojado em uma pilastra. A especialista em perícia forense Branda Wyatt (Roxanne Hart) encontra a peça misteriosa, e ao de seu parceiro, embarca em uma investigação perigosa sobre uma luta secular enter imortais poderosos.

Mais um filme que me encantou na época, há muitos anos atrás. Fiquei curiosa com o tema da imortalidade. E enlouquecida pelas músicas da Banda Queen, o filme se passa em duas épocas: a atual, no ano de 1986, e a do tempo em que o guerreiro escocês Connor MacLeod se tornou imortal, a partir de 1536. Ele é ferido mortalmente por Kurgan em uma batalha e misteriosamente ressuscita. Seus amigos e parentes (Clã MacLeod) passam a vê-lo como feiticeiro e o expulsam da vila onde ele nasceu.  O filme retrata a eterna luta entre o bem e o mal, onde poderosos imortais lutam para obter um prêmio que é a capacidade de ler pensamentos dos outros mesmo à distância e com isso influenciar os líderes mundiais. A Banda Queen foi chamada para colaborar na Trilha Sonora, com seis canções originais e mais tarde foram incluídas no álbum A Kind of magic, além de ser incluída no filme, Hammer to fall, do álbum anterior. A música Who wants to live forever, é uma daquelas canções que marcam, que fica para sempre em nossas memórias, linda demais!!! O filme aborda também a solidão, como não podem ter filhos e são imortais, vão perdendo as pessoas que amam, no caso de MacLeod, ele vive quatro séculos e meio e em meados dos anos 80 é que Connor irá reencontrar Victor Kavegan (Kurgan) em Nova York, com quem irá duelar pelo prêmio. Bem, não posso deixar de falar que a parte técnica deixa a desejar, com uma edição não muito boa, que mesmo para a época poderia ser melhor. E quando se compara com a de hoje, nem se fala (complicado). Mas também tem cenas lindas, bombásticas: com efeitos especiais (raios) e as magníficas paisagens da Escócia. Mas o conjunto todo no final, é muito bom!!! Marcante.



A história é de Gregory Widen e o roteiro foi assinado pelo próprio Gragory Widen, Peter Bellwood e Larry Ferguson. Fotografia Gerry Fischer.
Curiosidades: O conceito do filme se originou de uma visita de Widen à Escócia. Ao ver uma armadura, imaginou como seria se o guerreiro desta ainda estivesse vivo. Assim surgiram os Imortais, que lutam entre si. As filmagens ocorreram em Nova York, na Escócia e em Londres. Todas as cenas com Sean Conery foram filmadas em uma semana devido a agenda apertada do ator na época. O ator Clancy Brown que faz o Kurgan está muito bem como vilão e sua voz é linda e poderosa, tanto é que se tornou dublador e faz trabalhos até hoje, como o Sr Siriguejo, do Desenho Bob Esponja Calça Quadrada.

O filme teve outras 3 sequências Higlander II, a Ressureição em 1991; Higlander III, O Feiticeiro, em 1994 e Higlander IV, A Batalha Final, em 2000. Mas nemhum deles tão emocionante como o primeiro. Também baseados no mesmo conceito dos filme, foram criadas duas séries para a televisão: Higlander (1992 - 1998) e Higlander, The Haven (1998) e até foi criado um desenho animado.
A música tema Who wants to live forever, foi escrita em 1986 pelo guitarrista Brian May, como parte da trilha sonora, sendo que a compôs ao voltar para casa, após assistir a uma versão inacabada do filme. Pelo jeito estava inspirado, não é? Fez uma obra prima, que ficou para a imortalidade!!!
Recomendo!!! Assista e comente. 



sexta-feira, 21 de junho de 2019

Roma



Diretor: Alfonso Cuarón
Atores: Yalitza Aparicio, Marina Tavira, Fernando Grediaca, José Antônio Guerreiro, Marco Gref, Daniela Demesa,  Enoc Leãno, Daniel Valtierra, Nancy Garcia, Verônica Garcia, Carlos Peralta
Gênero: Drama
Duração: 135 minutos
Ano: 2019 



Sinopse: Cidade do México, 1970. A rotina de uma família de classe média é controlada de maneira atenciosa por uma mulher (Yalitza Aparicio), como babá e empregada doméstica. Durante um ano, diversos acontecimentos inesperados começam a afetar a vida de todos os moradores da casa,dando origem a uma série de mudanças coletivas e individuais.

Filme perfeito!!! Delicado, sincero e comovente. Cuarón fez um trabalho primoroso, brindando a todos nós com este projeto pessoal, inspirado em sua infância no Bairro de Roma (Distrito localizado em Cuahtémoc), na Cidade do México. É uma zona em que a classe alta mexicana se estabeleceu na primeira década do século XX, e onde existe até hoje, suntuosas mansões e palacetes de inspiração européia.  Filmado em preto e branco para chamar ainda mais a nossa atenção, foco nas relações e não no colorido das paisagens e figurino. Mostra dramas reais, trás seres humanos com uma gama de emoções ao mesmo tempo simples/puras, mas não menos complexos e com uma profundidade impactante: inúmeras relações de amor (um verdadeiro arco-íris), desde as mais sensoriais até as mais nobres e altruístas, e sem a pretensão de agradar a qualquer ideal romântico, pois mostra relações que não dão certo, mas que a vida induz a seguir em frente, é preciso seguir em frente, sempre. (Isso é viver, exercitar a nossa capacidade de lidar com a frustrações e superá-las).  Simplesmente Lindo!!! E ainda mostra, como pano de fundo, os conflitos político-sociais que o México passava, na década de 70 (início do governo de Luis Echeverria). Estreou no Festival Internacional de Cinema de Veneza em 30/08/18, onde recebeu o Leão de Ouro. 



A obra recebeu aclamação da crítica, sendo descrita com "dolorosamente bela" e "atraente", e foi escolhida pelo National Board of Review como uma das 10 melhores filmagens do ano. Ao passo que a Revista Time e o Sindicato New York Film Critics Circle, elegeram-na, na primeira posição em suas publicações. No Brasil, o crítico Lucas Salgado diz: "filme inteligente, envolvente, impactante , e acima de tudo instigante. É um filme que vai ficar em sua cabeça por bastante tempo. É cinema em seu estado puro e simples". Cuarón nesta obra escreveu, dirigiu co-editou e cinematografou, mas para produzir teve o apoio de Gabriela Rodrigues e Nicolás Celis.  



Curiosidades: em 03/11/2016, ocorreu um incidente no set de filmagens. De acordo com o Estúdio, pessoas se machucaram, foram hospitalizadas, celulares e jóias foram roubadas: a equipe de preparação estava na cidade para organizar a sessão de filmagens,quando um grupo atacou os membros desta equipe, mesmo havendo a permissão prévia para se filmar neste local, mas parece que houveram divergências e infelizmente ocorreu uma briga, que resultou neste incidente. 
Cuarón dedica o filme a !Libo!, que é como a família chamam Liboria Rodriguez, uma mulher de origem indígena que começou a trabalhar com eles quando o diretor tinha só 09 meses e cuja história de vida serve de base para a história. Rodriguez, que veio de uma aldeia de Tepelmere no Estado de Oaxaca, cuidou desde então das crianças da família de Cuarón,como muitas empregadas domésticas que tiveram um papel central na vida dos filhos de muitas famílias da América Latina.
Em abril de 2018, a Netflix adquiriu os diretos de distribuição do filme, que pode ser visto por muitos, antes dos famosos festivais e entrega de prêmios. O que acabou fazendo surgir muitas polêmicas ao redor do filme, principalmente depois que angariou vários prêmios, roubando a cena, diante de muitos outros filmes. O grande diretor Steven Spielberg se mostra literalmente contra, o fato de que filmes que façam parte de Empresas Streaming, devam concorrer ao Emmy (Filmes e Séries para TV) e não a outras premiações, que fiquem sem elegibilidade, argumentando que a Netflix, por exemplo, recusa-se a divulgar dados sobre a audiência e bilheterias e que por isso a competição ficaria desigual entre os filmes que concorrem a premiações. Ele então propões mudanças nas regras para as nomeações ao Oscar e deve ter levado esta opiniões para a reunião com os dirigentes da Academia, realizada em abril/19.


Indicações e Premiações: Ao Globo de Ouro 19, foi indicado a Melhor Roteiro, Diretor e Filme Estrangeiro e venceu nos dois últimos. Para o Oscar foi indicado a 10 categorias, para Melhor Filme, Atriz (Yalitza Aparicio), Atriz Coadjuvante (Marina Tavira), Roteiro Original, Direção de Arte, Edição e Mixagem de Som e vencedor nas categorias de Melhor Diretor, Fotografia e Filme Estrangeiro. Ao BAFTA foi indicado a Melhor Roteiro Original, Edição e Direção de Arte e venceu nas categorias de Melhor Filme, Diretor, Fotografia e Filme Estrangeiro. Ao Festival Goya (Espanha) vencedor na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano.
De um modo geral, os prêmios ganhos,  surpreenderam a muitos!!! São os latinos invadindo e arrebanhando os melhores prêmios em detrimentos aos "nativos americanos". Segundo ano, em 2017 foi a vez do Guilhermo Del Toro, por A forma da água. Show demais!!!
Recomendadíssimo!!! Um primor no detalhes!!!




domingo, 9 de junho de 2019

Amor à segunda vista



Diretor: Marc Lawrence
Atores: Hugh Grant, Sandra Bullock, Alicia Witt, Dona Ivey, Robert Klein, Nora James, Mike Piazza
Gênero: Comédia
Duração: 101 minutos
Ano: 2002



Sinopse: A dedicada advogada Lucy Kelson (Sandra Bullock), vai trabalhar para o bilionário George Wade (Hugh Grant) como parte de um acordo para preservar  um Centro Comunitário (Coney Island) que tem a ver com suas memórias. Muito indeciso, George fica dependente da orientação de Lucy para tudo, desde assuntos jurídicos até que roupa irá usar. Irritada Lucy pede as contas, começa a cumprir o aviso prévio e contrata June Carter (Alicia Witt) como sua substituta. Quando seus últimos dias na empresa começam a se aproximar, Lucy fica com ciúmes de June e tem dúvidas se deve deixar George.



Mais uma comédia romântica deliciosa para ver e rever muitas vezes. Vi no cinema e fiquei encantada, mesmo embora pareça um conto de fadas, é muito bom ver este conflito de sentimento e esta gama de emoções mostradas de maneira cômica e ao mesmo tempo charmosa. Divertidíssimo!!! A história não é inédita, claro, muito pelo contrário, mas acredito que agrade porque trás um conteúdo antigo, um desejo inconsciente que temos de vencer todas as barreiras sociais e políticas para viver um grande amor. Quem nunca desejou isso??? Bem, neste caso, o filme não é nem politicamente correto: o poder do dinheiro deslumbrando e conseguindo o que seu objetivo final de ganância e poder, onde se desdenha de movimentos de protesto: a personagem de Lucy passa de uma militante de uma boa causa (ainda que as cenas iniciais do filme são meio ridículas), para ser a advogada que ganha um bom salário, da mesma empresa que estava se mostrando ferrenhamente contra. Mas enfim, nos faz pensar que muitas vezes os meios justificam os fins, e que os opostos se atraem não por uma causa banal, mas por um mecanismo muito mais profundo, que é do crescimento mútuo, onde a possibilidade de trocas e pode levar a uma evolução dos dois lados; e que perfeccionismo e extrema prontidão, não faz bem para nenhum tipo de relação afetiva. A parceria dos dois convence, Sandra como sempre, muito competente no que faz e Grant, fazendo bem o que sempre fez também, o personagem imaturo emocionalmente. O filme estreou bem nos EUA, ficou com o segundo lugar nas bilheterias, só ficando atrás do tão esperado Senhor dos Anéis, as Torres Gêmeas. Tem cenas muito engraçadas, uma fotografia linda assinada por Laszló Koács, onde é mostrado uma Nova York, talvez não vista em nenhum outro filme. principalmente a que culmina num passeio aéreo maravilhoso (adoro a cena em que o personagem de Grant, George diz que vai providenciar um transporte para eles, já que ficaram presos num mega engarrafamento, e quando se menos espera, aparece um helicóptero, como o mero "transporte" para eles, show demais! Meu melhor, querido e único amigo "gaytero" Allan, depois que saímos do cinema, também providenciou um transporte para voltarmos para casa, não foi como mo filme, mas demos boas risadas com a referência!!! Saudades eternas de você!!! A edição é de Susan E. Morse e a música é de John Powell. Outro fato bacana demais são as fotos reais dos atores principais em fase de infância, mostradas no filme, em porta retratos.


O filme teve indicação ao Teen Choice Awards a Melhor Atriz em Comédia e a Melhor Filme em Ataque de nervos.
Curiosidades: o diretor Marc Lawrence também é o roteirista. E este filme foi a primeira de uma parceria entre o diretor e o ator Hugh Grant, os outros foram em Letra e música (2007) e Cadê os Morgans? (2009). Filmando mesmo na Big Apple: a intenção original dos produtores era rodar o filme no Canadá, para baratear os custos, mas Sandra Bullock, que também é uma das produtoras, foi quem definiu que as filmagens ocorreriam mesmo em Nova York, argumentando que não se pode fazer um filme sobre Nova York e se filmar em outra cidade.
Recomendo!!!     

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Bohemian Raphsody


Direção: Bryan Singer e Dexter Fletcher
Atores: Rami Malek, Gwilym Lee, Lucy Boyton, Ben Hardy, Joseph Mazzello, Tom Hollander, Aidan Gillen Allen Leech, Mike Meyers, Aaron McCusker.
Gênero: Biografia
Duração:134 minutos
Ano: 2018


Sinopse: Freddy Mercury (Rami Malek) e seus companheiros Brain May (Gwilym Lee), Roger Taylor (Ben Hard) e John Deacon (Joseph Mazzello) mudam o mundo da música para sempre ao formarem a Banda Queen, durante a década de 70. Porém quando estilo de vida extravagante de Mercury começa a sair de controle, a Banda tem que enfrentar o desafio de conciliar a fama e o sucesso com suas vidas pessoais cada vez mais complicadas.

Espetacular este recorte (quase documentário) da vida do inesquecível e lendário Freddy Mercury e da Banda britânica Queen. O filme mostra alguns "detalhes" por trás dos bastidores da Banda: sua formação, como compuseram as músicas mais famosas, as gravações dos discos e parte de suas vidas. É ambientado na Inglaterra, na década de 1970 até 1985, da formação da Banda até sua apresentação no Live Aid no Estádio de Wembley, um enorme Concerto Beneficente, organizado por Bob Geldof para arrecadar fundos a serem doados a Etiópia, em 13 de julho de 1985. É um filme histórico, que faz jus ao legado deixado por Mercury, emociona e envolve o expectador em cada cena mostrada, algumas arrepiam! A ênfase do filme é na sua trajetória brilhante: era cantor, músico, compositor, pianista e tinha um domínio de palco admirável, um verdadeiro Showman!!! E sua personalidade complexa e extravagante.  A escolha do ator, para interpretá-lo, não poderia ter sido melhor. Como ele mesmo disse na entrega da premiação do Oscar, que não foi a primeira escolha, mas o escolheram e acertaram, pois fez um trabalho primoroso!!!. Era o meu candidato favorito ao Oscar de Melhor Ator. Acho que minha torcida valeu, ele merecidamente ganhou!!! Malek se "entregou ao personagem, tornou-se o Freddy Mercury", fez uma atuação excepcional. Sucesso de público e crítica, acabou se tornando a sexta maior bilheteria dos EUA em 2018. Apesar de ter passado por problemas de direção: iniciou com o Diretor Stephen Frears, que foi demitido logo após a saída do também escolhido inicialmente para fazer o personagem principal, Sacha Baron Cohen, que não ficou por ter tido "diferenças criativas" com os outros integrantes da Banda. O segundo diretor contratado foi Bryan Singer (Diretor do filme X men), mas acabou tendo problemas também, dizem que ele começou a atrasar compromissos e a nutrir desavenças com a equipe e por isso também foi demitido pela Fox. Daí quem foi convidado para concluir as filmagens e o pós produção foi o Diretor Dexter Fletcher. No longa , algumas canções são efetivamente gravações feitas por Mercury e outras são cantadas por Marc Martel (cantor Gospel canadense que já era cover de Mercury e teve entre 2012 e 2015 a Banda Queen Extravaganza, que fazia um tributo ao conjunto inglês). Malek para se aproximar de seu personagem, fez uma série de aulas de canto e piano, mas apesar de parecer, ele não canta no filme. Em termos de experiência física, para se assemelhar mais ainda ao personagem, foram necessárias a colocação de uma prótese dentária feita de acrílico (que posteriormente ficou de presente para o ator) para ficar com a dentição parecida e uma correção no nariz. O início das filmagens iniciou em Londres em Setembro de 2017 e foi terminada em Janeiro de 2018 e lançado em Outubro do mesmo ano. Ainda que não estivessem concorrendo ao Prêmio de Melhor Canção Original, a Banda Queen foi convidada a fazer a abertura do Oscar 2019, cantando sucessos antigos como We will rock you e We are the Champions e foi realmente um show! Como nos velhos tempos, mas na voz do afinadíssimo e liiiindo Adam Lambert, numa performance de emocionar!



Curiosidades: Os próprios integrantes da Banda Brian May e Roger Taylor, foram os consultores criativos do filme. Após 20 anos, depois da morte de Mercury (novembro de 1991, de Pneumonia agravada pela Aids), mais precisamente em 2011 a Banda volta a se apresentar tendo a presença de Adam que foi especialmente convidado por eles após uma apresentação em que tocam juntos, na final da 8ª Temporada do Programa American Idol, onde Adam havia chegado a final junto com o cantor Kris Allen. Os dois foram acompanhados pela Banda para cantar o clássico We are the Champions. Allen levou a melhor, mas não durou muito tempo para o Queen entrar em contato com ele e fizesse o convite para que cantasse com eles. E a parceria tem feito o maior sucesso, já cantaram até aqui no Brasil, na edição do Rock in Rio 2015.
Um outro ator que foi convidado a representar o personagem de Mercury foi o ator britânico Ben Whishaw (O perfume), que também acabou não dando certo sua contratação.
Uma das críticas ao filme mais contundente é sobre quando Mercury comunicou ao mundo sua doença. De acordo com Jim Hutton, seu namorado por seis anos, o cantor descobriu que era portador do vírus HIV em 1987 e só anunciou oficialmente em 23 de novembro de 1991, um dia antes de sua morte. E não em 1985, como foi abordado no filme.
Assim como Freddy Mercury (Farrokh Bulsara) que era britânico de ascendência Parse, o próprio Rami Malek, também é americano mas descendente de pais egípcios.
Em uma das cenas do filme, onde Mercury assiste pela televisão as imagens do Show de maior público da Banda Queen, as cenas mostradas são as imagens reais do Rock in Rio de 1985, onde ele diz que ficou assombrado com a receptividade e tantas pessoas cantando a música deles. Realmente foi lindo!!! E ele diz durante Beautifull, quando estavam cantando Love of my life, como se fossem um gigantesco coral. De arrepiar mesmo!!!


Indicações e Premiações: Foi premiado ao Globo de Ouro para Melhor Filem Dramático e Melhor Ator em Drama (Remi Malek), também teve indicação para Melhor Som. Ao BAFTA foi indicado para Melhor Filme, Fotografia (Newton Thomas Gigel), Figurino (Julian Day), Som e Maquiagem e Caracterização (Mark Coullier e Jan Sewell). Ao Oscar teve cinco indicações, para Melhor Filme, Ator, Montagem, Mixagem e Edição de Som. Só não ganhou para Melhor Filme.
Filme super recomendado! Para quem gosta desta Banda então, imperdível!!!  

domingo, 12 de maio de 2019

O cheiro de papaya verde


Diretor: Tran Anh Hung
Atores: Tran Nu Yên Khê, Lu Man San,  Truong Ti Loc, Ahn Hoa Nguyen, Vantha Talisman, Vuong Hoahoi
Gênero: Drama
Duração: 104 minutos
Ano: 1993


Sinopse: Mui, uma camponesa de 10 anos é contratada para trabalhar como serva na casa de uma família abastada do Vietnã. De temperamento dócil, a menina conquista a matriarca da família, que a vê, como uma substituta da filha, que morreu a sete anos. Enquanto Mui se transforma em uma bela mulher, a situação da família se complica e ela é encaminhada para um novo patrão, um jovem pianista que esta prestes a se casar e Mui se apaixona pela primeira vez.

Este filme é uma poesia, tocante em sua simplicidade, mas marcante em relação aos sentimentos que são despertados e acordados no expectador. É uma obra de arte de tão primoroso, semelhante a um pintor que vai pintando seu quadro de maior expressão e vai se apaixonando por ele. O filme aborda o contraste da existência humana, passado em residências abastadas e tendo ao fundo som naturais de pássaros, insetos e grilos,vai mostrando a idéia da simplicidade para se chegar à felicidade em detrimento de uma vida mais cheia de luxo, mas carente de valores que levam a uma real satisfação e contentamento da alma. A garota de apenas 10 anos Mui, que tem que trabalhar duro para viver, onde seu cotidiano é pesado, mas sua forma de encarar e vivenciar o mundo é de uma riqueza enorme, pois aprendeu talvez de modo inconsciente a valorizar o que tem, um mundo cheio de pequenas riquezas e demonstra satisfação em tudo que faz, sempre alegre, observadora e solidária, que encanta a quase todos. E com seu temperamento doce e sereno realiza conquistas certamente inimagináveis para ela inicialmente. Cresce como pessoa e nos ensina a pensar em como lidamos com os desafios a nossa volta. O tempo vai passando e quando fica adulta, é o cheiro do papaya verde, que faz com que aconteça um retorno ao seu passado e às suas memórias mais antigas.


Filme lindo demais!!! Desde a primeira vez que assisti, fiquei encantada e me fez refletir muito e entender o valor de nossas memórias. Eu posso dizer que tenho memórias privilegiadas e uma delas é a olfativas, às vezes sou levada a profundeza das minhas lembranças infantis, como por exemplo, quando vejo e sinto o cheiro de carambola, automaticamente e magicamente sou remetida à casa da minha Avó materna Maria, que residia em Araçatuba, interior da Região Noroeste do Estado e São Paulo, que tinha um pé desta fruta, bem na entrada de sua chácara. Adorava sentir o cheiro delas e também tomar seu suco maravilhoso. Até hoje, basta sentir este cheiro e parece que estou chegando, sendo levada até a casa aconchegante e receptiva da minha Vózinha. Memórias inesquecíveis!!!
Também acho que foi a primeira vez que ouvi a música Claire de Lune, de Claude Debussy e fiquei impressionada, como fundo para marcar a fase adulta de Mui. Nunca me esqueci desta música, anos depois é que fui descobrir o seu nome e autor. Mas desde então, sou completamente apaixonada por ela.
E para não deixar de registrar, foi também a primeira vez que vi um filme sobre a cultura mais familiar do Vietnã, antes só tinha visto sobre a guerra. E observei o quanto o Oriente também tem uma cultura machista. Acreditava que era só no nosso país, mas me dei conta de que não, está presente no mundo todo. A diferença é que em algumas culturas é mais disfarçado/dissimulado enquanto que em outras é mais escancarado, extremamente visível.
Tem a Fotografia assinada por Benoit Delhomme,Edição de Nicole Dedieu, Música de Tiet Ton-That e Figurinista responsável Jean-Philipe Abril.


O filme foi indicado ao Oscar de 1994, para Melhor Filme Estrangeiro (Franco vietnamita).
Curiosidades: foi o primeiro filme de seu país a concorrer a um Oscar. Foi vencedor da Câmera de Ouro no Festival de Cannes. Venceu o César como Melhor Trabalho de Estréia,concedido a Tran Anh Hung. Embora se passe no Vietnã, foi filmado na França.
Foi um filme que agradou o mundo, na sua época. Para mim, maravilhoso e encantador como foi Cinema Paradiso, que reforçou a idéia de que um grande filme, não necessariamente tem que ser realizado com um grande orçamento.
Recomendadíssimo!!! Não irá se arrepender!!!
Comente depois.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Corra!


Diretor: Jordan Peele
Atores: Daniel Kaluuya, Allison Williams, Bradley Whitford, Caleb Lanry Jones, Stephen Root, Lakeith Stanfield, Catherine Keener, Lilrel Howery
Gênero: Suspense
Duração: 104 minutos
Ano: 2018



Sinopse: Chris (Daniel Kaluuya), um jovem fotógrafo negro, que vai para o interior para conhecer a família de Rose , sua namorada branca. Aparentemente tranquilos e liberais, aos poucos Chris começa a desconfiar que, por trás das aparências, os parentes de Rose escondem segredos perturbadores.

Filme muito interessante, surpreendente!!! Que mistura cenas de humor, com uma bem sucedida construção de suspense e terror. Escrito e dirigido por Jordan Peele, que é um ator e cineasta americano, que ficou mais conhecido por seu lado mais comediante e que estréia na direção deste longa. O filme parte de uma adaptação para o cinema da frase: "eu não sou racista, eu até tenho amigos negros". Em uma entrevista, o diretor disse que a idéia do roteiro veio de um stand-up do ator Eddie Murphy, em que ele conta uma história sobre o dia em que foi conhecer a família de sua namorada branca.

O filme prende a atenção desde o início, ficamos em estado de alerta o tempo todo, interessados no destino de cada personagem. Além do racismo óbvio apresentado em algumas cenas (que estamos acostumados a ver), um outro vai sendo apresentado sutilmente, convidando o expectador a uma reflexão sobre o racismo psicológico: relações não tão claras de superioridade e poder, que a sociedade branca se utiliza para dominar as pessoas negras. Não sendo necessário a utilização da Hipnose, mas onde se criam situações psicológicas onde os negros não se acham merecedores de conquistas no trabalho, em sua moradias, na saúde, em ascensão social, por não corresponderem as expectativas que têm de si mesmos, pois os valores internalizados são valores da sociedade branca, do que é belo, do que é socialmente aceito, da benevolência dos brancos para com os negros. Chama também a atenção para fatos que estão correlacionados com o racismo e que passam despercebidos pela sociedade de um modo geral: desaparecimentos, raptos, tráfico de órgãos. Mostrando que pessoas que se dizem simpatizantes e até avessos ao racismo, podem revelar um interesse muito mais doentio e sinistro.


Os atores principais estão excelentes, onde cada um desempenha o seu personagem com muita competência e propriedade, Daniel: seguro (ainda que tenha a necessidade de agradar), engraçado e desconfiado; Allison convence como a namorada apaixonada, os pais Bradley (Neurocirurgião) e Catherine (Hipnoterapeuta) parecem tranquilos, sofisticados, mas enigmáticos; o amigo de Chris, Lilrel Howery engraçadíssimo e que acaba por equilibrar o clima mais pesado do filme.
As canções foram compostas por Michael Abels e outros ligados a cultura negra, a pedido de Peele.  
A Fotografia fica por conta de Toby Oliver, que contribui na criação de todo o clima de tensão do filme.
O jornal The Guardian escreveu que "o que Get Out faz tão bem - e o que vai espelhar em alguns espectadores - é mostrar como, embora involuntariamente, essas mesmas pessoas podem tornar a vida desconfortável e difícil para negros. Isso expõe a ignorância liberal e a arrogância no modo de se expressar. É uma atitude arrogante que no filme leva a uma solução horrível, mas, na verdade, leva uma complacência de que a realidade é perigosa. O filme retrata a falta de atenção de negros desaparecidos em comparação com mulheres brancas desaparecidas". Damon Young, da Slate, declarou que a premissa do filme era "deprimentemente plausível, embora negros representem apenas 13 por cento da população americana, são 34 por cento dos desaparecidos da América; esses números relacionam uma mistura de fatores raciais e socioeconômicos, demonstrando o baixo nível da vida negra em relação aos brancos."

Curiosidades: As filmagens foram realizadas em Fairhope, no Alabama e duraram 23 dias. O diretor Peele, fez alguns "términos" para concluir a história, mostrando finais diferentes do apresentado, mas acabou optando por este. E diz sobre o filme, que " a verdadeira situação é a escravidão; que é uma coisa sombria". 



Indicações e Premiações: Foi indicado ao Oscar 2018 para Melhor Filme, Diretor e Ator e ganhou para Melhor Roteiro (Jordan Peele). Ao Globo de Ouro foi indicado e venceu para Melhor Filme Cômico e Melhor Ator em Comédia. Ao BAFTA, ganhou para Melhor Ator e Roteiro. E ganhou o Prêmio do Sindicato dos Atores, para Melhor Ator, Daniel Kaluuya.
Recomendo!!! Dá o que pensar, despertar inúmeras reflexões.
Assista e comente depois.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Rob Roy - A saga de uma paixão


Diretor: Michael Caton-Jones
Atores: Liam Neeson, Jessica Lange, John Hurt, Andrew Keir, Brian Cox, Jason Flemyng
Gênero: Épico
Duração: 139 minutos
Ano: 1995



Sinopse: No início do século XVIII, na Escócia, o Marquês de Montrese (John Hurt) se compromete e entregar uma carta de crédito de mil libras a Rob Roy (buscando um futuro melhor para seu povoado, pede emprestado este valor à nobreza). Mas o pagamento é feito em dinheiro vivo e acaba sendo roubado pelo Chefe da Guarda do Marquês, (Tim Roth). O nobre exige o dinheiro de volta e o Chefe da Guarda desloca-se para prender Rob Roy, acusado de ser o responsável pelo crime. Como não o encontra e para atraí-lo, invade suas terras, desonra sua família, queima sua casa, mata seus animais. O que provoca o desejo de vingança de todo o Clã ofendido.



Mais um filme maravilhoso, um épico que retrata uma história linda inspirada na vida do lendário líder escocês Robert Roy MacGregor e suas  batalhas nas terras altas da Escócia. Filme com muita ação que nos encanta do começo ao fim, mostrando a saga de um homem comum e simples que tem sua honra manchada pela cobiça dos nobres, gerando conflitos em todo o seu clã. Emocionante!!!  Foi baseado no livro escrito por Sir Walter Scott, com roteiro de Alan Sharp. Os atores principais estão memoráveis: Liam está maravilhoso em sua forma física (maduro e gatíssimo), convence como o líder do clã e apaixonado pela esposa Mary (Jessica), que está linda e com sua elegância e nobreza naturais e o "odioso", neste caso, Tim Roth, o então chefe da guarda, que faz o vilão Archibald Cunningham com uma força e cinismo, que mais que convence, e na minha opinião, mesmo não sendo o galã da história e nem era tão conhecido na época, já poderia ser promovido a fazer parte do primeiro escalão de atores excelentes de Hollywood, sua atuação como este personagem foi impecável!!! Parece saborear cada cena que participa, explora com muita propriedade a sua vilania.  A reconstrução da época é perfeita, tendo como produtores Peter Broughan e Richard Jackson e Direção de Arte assinadas por John Ralph e Alan Tomkins. A fotografia é belíssima em cenários deslumbrantes da Escócia e paisagens de beleza indescritíveis, tendo como responsável Karl Walter Leindenlaub. E teve como Figurinista a famosa e já ganhadora de vários Oscar, Sandy Powell. Prêmios em 1999 por Shakespeare apaixonado, 2005 por O aviador e em 2010, por A jovem Victoria. A tocante música é assinada pelo também já conhecido Carter Burwell.



Curiosidades: Esta é a terceira vez que a história de Rob Roy chegas às telas do cinema, a primeira vez foi em 1922 como Robin Roy e a segunda foi em 1954, como O grande rebelde, de Harold French. O orçamento foi de U$ 28 milhões e arrecadou pelo menos duas vezes mais. Em 1994, a mais antiga fábrica de tartan (Tartã é um padrão quadriculado de estampas, composto de linhas diferentes e cores variadas. A título de exemplo, podemos mencionar o uso frequente desta estampa em kilts, indumentária típica escocesa) da Escócia na Ilha de Islay, foi convidada a tecer um tartan para o filme. Este tartan, tecido de forma tradicional em 14 onças depura lã, foi inspirada nas cores da paisagem serrana e honra das Terras Altas, além de baseado no azul do Saltire da Escócia (bandeira) e o castanho representando a encosta antiplana. O saiote usado por Liam, foi feito sob medida e costurado à mão por uma equipe de peritos kilmakers.


Prêmios e Indicações: a categoria de Melhor Ator Coadjuvante para Tim Roth, foi indicada tanto ao Oscar, como ao Globo de Ouro. E ao BAFTA, Roth ganhou a premiação.
Recomendadíssimo!!! Romântico e visualmente belo.