sexta-feira, 27 de março de 2020

Green book - o guia



Diretor: Peter Farrellly
Atores: Viggo Mortensen, Mahershala Ali, Linda Cardellini, P.J. Byrne
Gênero: Biografia
Duração: 130 minutos
Ano:2019

Sinopse: Em 1962, Tony Lip (Viggo Mortenssen), um dos maiores fanfarrões de Nova York, precisava de trabalho, pois a famosa boate Copacabana, fechou as portas para reforma. Ele então conhece um pianista Don Shirley (Mahershala Ali) que o convida a trabalhar para ele, como motorista numa turnê que fará ao sul do país. Enquanto os dois se chocam no início, um vículo finalmente cresce, na medida que eles viajam. 


O filme me fez lembrar de outros dois mais antigos, Conduzindo Miss Daisy (1989) e o francês Intocáveis (2011), onde duas pessoas com comportamentos e personalidades tão distintas, como que para confirmar aquela Lei da Física, de que os opostos se atraem, acabam por construir uma relação forte e profunda, porém inesperada. E como nos anteriores, o filme trás um conteúdo extremamente racista, sendo que neste o período ocorre na década de 60, mais precisamente nos anos de 1962, e um prisma que vai desde algo mais leve/velado até algo mais escancarado e violento. Com um roteiro inusitado e muito bom, é surpreendente a forma como ocorre o enfrentamento desta discriminação racial, infelizmente ainda tão presente na nossa sociedade. Muito sutil e tem tudo a ver com uma das frases marcantes do filme: "Ser gênio não é suficiente, é preciso coragem para mudar o coração das pessoas". Isso é tão lindo, profundo e digno!!! Tudo foi colocado na medida certa: sem violência demais, o mesmo ocorrendo com o humor, tudo na medida certa.



O filme é comovente e emocionante!!! Ao mesmo tempo pode ser visto como um passatempo, mas também como fonte rica de reflexão e educativo. Presença de uma gama enorme de sentimentos que são mostrados e despertados: racismo, medo, desconstrução do pré-conceito, solidão, baixa autoestima e perfeccionismo. Foi baseado em uma história real, do nascimento de uma amizade improvável, mas duradoura entre o sofisticado e contido pianista Don Shirley e o grosseiro, engraçado e típico ítalo-americano Tony Lip (Vallelonga, mas ganhou o apelido Lip, por ser respondão/bicudo), que era famoso por ser "o leão de chácara", o faz tudo de uma boate famosa.
Curiosidade: o carteiro Victor Hugo Green, criou o Green-book (Livro verde), que listava restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos comerciais, onde os negros eram bem vindos, pois havia muitos lugares onde os banheiros eram separados e onde não podiam entrar.
 É o primeiro drama de Farrelly, era mais conhecido por fazer comédia, como Débi e Lóide, Quem vai ficar com Mary? e o O amor é cego.



O real Tony Lip se tornou ator e foi figurante em vários filmes sobre a máfia, como O poderoso Chefão, Os bons companheiros, Um dia de cão.
Indicaçôes  e Premiaçôes: Ao Globo de Ouro, foi indicado em quatro categorias: e ganhou três Melhor Filme Musical ou Cômico, Roteiro de Cinema e Ator Coadjuvante em Drama ou Musical, só não ganhou para Melhor Diretor.
Ao BAFTA, ganhou para Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali), mas teve outras indicaçôes também, de Melhor Direção, Ator e Roteiro Adaptado.


E ao Oscar teve cinco indicaçôes e ganhou três: para Melhor Filme, Roteiro Original, Ator Coadjuvante, não ganhou para Melhor Montagem e nem para Melhor Ator (Viggo Mortensen).
Foi uma grata surpresa ver este filme, então eu recomendo que veja, não vai se decepcionar e nem se arrepender.

A escolha de Sofia




Diretor: Alan J. Pakula
Atores: Meryl Streep, Kevin Klein, Peter MacNikol, Rita Karin
Gênero: Drama
Duração: 150 minutos
Ano: 1982


Sinopse: Em 1947, Stingo (Peter MacNikol) é um jovem protestante e asperante a escritor vindo do sul que vai morar no Brooklyn, na casa de Yetta Zimmerman (Rita Karin) que aluga quartos. Lá conhece Sofia Zawinstowiska (Meryl Streep), sua vizinha do andar de cima, que é polonesa e fora prisioneira em um campo de concentração e Nathan Landau (Kevin Klein), seu namorado, um carismático judeu, dono de um temperamento totalmente instável. Em pouco tempo tornam-se amigos, sendo que Stingo não tem a menor idéia dos segredos que ambos escondem.


Mais um filme maravilhoso protagonizado pela diva Meryl Streep, ela está linda nesta performance  e memorável, como a sobrevivente do Holocausto, Sophie. Filme baseado no romance homônimo de 1979, do escritor americano William Clark Styron, que relata neste romance filosófico a tragédia vivida por Sophie Zawistowiska. O filme aborda com delicadeza e através de flash backs da personagem os horrores da Segunda Grande Guerra Mundial e suas consequências, o impacto que isso pode ter no psiquismo dos sobreviventes: dor, medo, pânico e no caso da personagem, culpa, muita culpa; por estar viva e por ter sido obrigada a fazer uma escolha terrível que marcaria sua vida pra sempre.


Sofia é forte e com uma personalidade densa, mas trás cicatrizes profundas do Holocausto e quando encontra Nathan, um judeu americano culto, instável e obcecado pela Guerra, faz dele sua nova razão de viver, ele trás a sua vida o colorido e leveza que havia perdido. Eles de certa forma se completam: ele com seu brilhantismo, alegria de viver e fantasia, possibilita a ela o lenitivo para aplacar suas dores da alma. Os dois acabam estabelecendo uma relação doentia, de amor e ódio (Instinto de Vida, Eros e Instinto de Morte, Tânatos), com muito erotismo e sedução.


Ela precisa da loucura dele para esquecer seus traumas e ele precisa dela, fascinado por sua beleza e pela aceitação/submissão completa que ela desenvolve por ele, aceitando seu descontrole emocional. Daí conhecem Stingo, tornam-se amigos e logo acabam criando um triângulo amoroso, com sentimentos complexos de amor, inveja, ciúme, admiração, fascinação e medo. Sofia acaba fazendo uma segunda escolha na sua vida... Os atores Meryl e Klein estão maravilhosos como os personagens principais, que são de uma riqueza e ao mesmo tempo complexos demais, o que provavelmente não deve ter sido fácil de desempenhar. Meryl dá vida a Sofia, está simplesmente perfeita!!!! Realmente merecedora do Oscar. Inicialmente quando vem para Nova York está frágil, insegura, apesar de ser culta e falar várias línguas, mas com dificuldade para pronunciar o inglês e vai se tornando cada vez mais forte, apesar de toda sua história e Klein, incrível!!! Demonstrando muita segurança, ainda que este personagem tenha sido seu primeiro trabalho no cinema. São ambos, de certa forma apaixonantes. Deve ser por isso que Stingo se encanta por eles e se sente tão acolhido afetivamente.
Tendo como equipe técnica: Cenografista: George Jenkins, Diretor de Fotografia Nestor Almendros; responsável pela música Marwin Hamlisch. Figurino muito criativo e lindo de Albert Wolsky.
Curiosidades: a atriz Meryl se recusou a fazer a cena da escolha, outra vez, por ter achado a cena muito dolorosa e desgastante para filmar. E anos depois, ao participar do programa de Oprah Winfrey, foi apresentada novamente a cena e Meryl ficou visivelmente perturbada.  Meryl também literalmente implorou para fazer este personagem ao Diretor Pakula (ficou realmente de joelhos). Neste filme, ele dirige, escreveu o roteiro e ainda produziu.



Outras atrizes foram convidadas e fizeram testes pra o papel: Marthe Keller e Barbra Streisand.
O filme foi tão marcante que virou uma expressão usada para significar uma escolha muito difícil, uma decisão quase impossível de se tomar.
Indicaçôes e Premiaçôes: Foi indicado ao Oscar de 1983 para Melhor Fotografia, Figurino, Trilha Sonora e Roteiro Adaptado e venceu para Melhor Atriz, claro! Meryl Streep.
Ao BAFTA: indicações para Melhor Atriz e Melhor Ator Estreante.
Ao Globo de Ouro foi indicado para Melhor Filme Drama, Atriz em drama e Astro do ano em cinema.

Na Academia Japonesa de Cinema, foi indicado para Melhor Filme Estrangeiro.
Recomendadíssimo!!! É um filme simplesmente inesquecível!!!

quarta-feira, 25 de março de 2020

Colcha de retalhos




Diretora: Jocelyn Moorhouse
Atores: Winona Rider, Ann Bancroft, Ellen Burstyn, Kate Nelligan, Claire Danes, Alfre Woodard, Dermot Mulroney, Jared Leto
Gênero: Drama
Ano: 1995



Sinopse: Enquanto elabora sua tese para concluir sua formação e se preparando para assumir um relacionamento com seu noivo, Finn Dodd encontra-se confusa com rumo em que dará na vida, acaba se refugiando na casa de sua Tia e Avó, para passar o verão (local onde passava suas férias, na infância). Lá também residem várias amigas da família e que estão se preparando para confeccionar uma colcha de retalhos para ser o presente de casameto dela. Enquanto o trabalho é feito, ela ouve relatos de paixão e envolvimentos nem sempre moralmente aprováveis, mas repletos de sentimentos que estas mulheres tiveram. Neste meio tempo, Finn se sente atraída por um desconhecido, criando mais dúvidas no seu coração que precisam ser esclarecidas. 



Filme muito delicado que aborda os sentimentos da alma humana em diferentes etapas da vida e sobretudo as várias fases do amor, apresentado de inúmeras maneiras: através da demonstração do afeto a um ente querido, a um parceiro, a um objeto ou animal e, até mesmo através da razão. Lições sobre o perdão e desapego, através de um arco-íris de sentimentos e emoções. Lindo demais!!! O filme tem um elenco feminino de peso, verdadeiras divas, que ao se reunirem para confeccionar uma certa colcha, e que fazia parte dos hábitos da comunidade local, vão contando sua história de vida e imprimindo sentimentos naquilo que estão fazendo. A colcha será o presente de casamento da personagem principal Finn (Winona Rider), e ela tem até um nome: Onde vive o amor? Estas mulheres são fortes e especiais e a convivência de Finn com elas, neste período de sua vida, será decisivo para sua transformação interna, para que possa enfrentar a vida, sem medo e dúvidas e ainda passando a ouvir mais sua intuição e a dar mais força as suas escolhas. O maravilhoso é que ao mesmo tempo, ao contar suas histórias amorosas através da confecção da colcha, estas mulheres também passam a ver suas vidas de forma diferente (o artesanato contribuindo para uma transformação catártica de todas). O roteiro é muito bem construído através das mãos habilidosas de Jane Anderson. A Trilha Sonora melancólica é assinada por Thomas Newman. A Direção de Fotografia, que por sinal está belíssima e bucólica tem como responsável, o conhecidíssimo Janusz Kaminski. E Diretoras de Elenco: Risa Branon Garcia e Mary Vernieu.


Curiosidade: Foi a estréia do ator Jared Let no cinema.
Frase  marcante do filme: "Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas que acrescentam e me fazem ser quem sou. Em cada encontro, em cada contato vou ficando maior... Eu compreendo e aceito que a felicidade será sempre pequenos retalhos da colcha da vida". 





"Como saber se devemos fica com a pessoa o resto da vida?"
Recomendadíssimo!!! Tocante e inesquecível!!! 

Veja ou reveja e comente.

A esposa




Diretor: Bjorn Runge
Atores: Glenn Close, Jonathan Pryce, Max Irons, Christian Slater, Harry Lloyd, Elizabeth McGovern, Annie Starke
Gênero: Drama
Duração: 101 minutos
Ano: 2019



Sinopse: Joan Castleman (Glenn Close) é casada com um homem controlador e que não sabe cuidar de si mesmo e de outra pessoa. Ele é escritor e está prestes a receber o Prêmio Nobel de Literatura. Joan, que passou 40 anos ignorando seus talentos literários para valorizar a carreira do marido, decide abandoná-lo.  


Mais um filme interessante que embora não tenha sido indicado a Melhor Filme, teve a sua protagonista principal indicada e acredito que foi uma injustiça não ter ganho, uma vez que é uma das mais talentosas de Hollywood. Foi baseado no livro homônimo de Meg Wolitzer e aborda o ambiente machista do mundo literário, mas sem um aprofundamento, tanto que diante de todo conteúdo apresentado, ainda assim, não ocorre uma emancipação da personagem, suas escolhas ainda são fomentadas pela submissão. O roteiro de Jane Anderson foi eficientemente adaptado, o filme gira inicialmente em torno do escritor que foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura e a repercussão que isso desencadeia e culmina com a ida do casal e o filho para Estocolmo na Suécia, onde ocorre oficialmente a entrega. Apesar da história ter o foco nesta premiação, desde o início a câmera esta sempre flagrando as expressões da esposa, que apesar de discretas, são profundas e percebidas pelo expectador, cheias de uma infinidade de sentimentos.  Os diálogos apresentados são excelentes e gradativamente vai se descortinando um novo panorama na relação do casal e da família, o que aparentemente era uma relação ideal, começa a mudar na medida que vão surgindo muitos silêncios e sentimentos de desconforto e dando a dica de que há algo de mais nebuloso na relação de todos e de que nem tudo é o que parece. Durante a viagem, Joan (Glenn Close) começa a questionar suas escolhas na vida, após quarenta anos de casamento e onde isso a levou: sacrifício de seu talento e sonhos, por um amor e para manter e apoiar a carreira literária promissora do orgulhoso e mimado Joe (Jonathan Pryce). O filme é ambientado nos anos de 1982, e ainda neste período o modelo machista estava presente como nunca: talento reconhecido e valorizado só através da figura masculina. E tudo é muito potencializado pela presença de um jornalista insistente que deseja escrever um livro biográfico sobre Joe e após inúmeras pesquisas de suas vidas, encontra-se ávido pra trazer alguns questionamentos e possíveis segredos à tona. Enfim, o filme mostra a complexidade das relações desta família, permeada por sentimentos tão conflitantes de amor, ódio, raiva, inveja, admiração e submissão. E também da aborda a fragilidade dos relacionamentos da terceira idade. 


Ironicamente ou não, o filme acaba por ressaltar o talento feminino (atriz e roteirista), como que para ressaltar aquele dito popular que "atrás de um grande homem, sempre existe um  grande mulher" ou mulheres, apesar do cunho machista, mas...
Atuação maravilhosas dos atores, principalmente de Glenn Close, que está majestosa e teve o reconhecimento merecido ao ser indicada para Melhor Atriz em várias premiações, mas não levou a estatueta do Oscar. Ela já foi indicada outras vezes, mas nunca ganhou (infelizmente), em Atração Fatal (1987), Ligações Perigosas (1988), Albert Nobbs (2011).
Indicações e Premiações: Indicação de Melhor Atriz ao Oscar 2019, ao BAFTA e ao AACTA Internacional Award. Vencendo para Melhor Atriz em Drama ao Globo de Ouro.
Curiosidades: o filme foi selecionado para o Festival de Internacional de Cinema de Toronto em 2017. E a atriz que interpreta Joan quando mais jovem, Annie Starke, é filha de Gleen Close, daí a enorme semelhança. 
Recomendo que seja assistido, vale muito a pena.

domingo, 13 de outubro de 2019

Vice


 Diretor: Adam McKay
Atores: Chrsitian Bale, Amy Adams, Steve Carell, Sam Rockwell, Bill Pullman, Lily, Rabe, Tyller Perry, Lindsay Hamilton, Allisson Pill
Gênero: Biografia
Duração: 134 minutos
Ano: 2019


Sinopse: Na juventude Dick Cheney (Christian Bale) se associou ao Partido dos Republicanos ao ver na política uma grande oportunidade de ascender na vida. Para tanto se aproxima de Donald Rumsfield (Steve Carell) e logo se torna seu assessor direto. Com a renúncia do ex presidente Richard Nixon, os poucos republicanos que não estavam associados ao governo, ganham imediatamente importância, e com isso, tanto Cheney quanto Rumsfeld retornam à esfera do poder do partido. Décadas depois, com a decisão de George W. Bush (Sam Rockwell) em se lançar candidato à Presidência, Cheney é cortejado para assumir o posto de Vice. Ele aceita,mas com uma condição: que tenha amplos poderes dentro do Governo, caso s chapa formada seja eleita.


Mais um trabalho espetacular de Christian Bale que interpreta o inexpressivo Dick Cheney e sua trajetória na política americana, até se tornar o mais poderoso Vice Presidente dos EUA (2001 a 2009). A idéia da produção é mostrar como as políticas do ambicioso Cheney mudaram o mundo que conhecemos, ele é a figura importante que está por trás do tão falado Presidente George W. Bush e soube usar cada oportunidade para conseguir o que queria. É mostrado um personagem sem carisma, que inicialmente nem sabia o que queria da vida, mas com o incentivo certo da esposa Lynne e seu antigo chefe e mentor Donald (Chefe de Gabinete e Secretário de Estado em Governos do Partido Republicano, que na verdade parece ser a figura que Cheney gostaria de ser, mas não consegue), aliados a sua grande capacidade de observação e inteligência (trabalhava a partir dos bastidores), e ainda com seu grande poder de convencimento, foi engendrando planos e mais planos, chegando onde quis, sem precisar dos holofotes: arquitetou e manipulou a decisão da Guerra contra o Iraque e Afeganistão, pós o dia fatídico de 11 de Setembro de 2001; promoveu atrasos na questão da Energia Solar e mantendo uma forma retrógrada e preconceituosa de pensar, incentivando a população a se manter contra o casamento gay (ainda que sua sucessora e filha, fosse gay). O filme mostra a política hipócrita e oportunista dos políticos Republicanos (de Direita) e suas "artimanhas e jogadas" para permanecerem no poder, contada de uma forma bastante agradável e irônica, de acordo com o ponto de vista do diretor e roteirista McKay (que já mostrou seu talento em outros filmes como A grande aposta (2015), também nesta linha e Homem Formiga (2015). É uma excelente oportunidade para refletirmos, que esta forma de governo: corrupta e interesseira, não só acontece no Brasil. Temos com este filme, um bom panorama da história política dos EUA, neste período. O elenco está maravilhoso, não foi à toa, que todos os principais foram indicados as categorias de melhores atuações. Trilha Sonora assinada por Nicholas Britell e a Fotografia por Greig Fraser.

Curiosidades: é o segundo filme sobre a administração de Presidente George W. Bush, tem o W. (2008), do cineasta Oliver Stone. Em 22 de novembro de 2016, foi anunciado que a Paramount Pictures participara da aquisição dos direitos de um drama sobre a vida de Dick Cheney, que participou inicialmente da gestão de George Bush (pai), que foi o executivo-chefe da Halliburton (Companhia Petrolífera) e que volta ao cenário político novamente se tornando o Vice-Presidente mais poderoso da história americana.


Bale assinou o contrato em abril de 2017, para ser o personagem de Cheney, e grande parte do elenco se juntou à produção no decorrer do ano, sendo que as gravações começaram em Setembro de 2017. Ele conta que precisou fazer um trabalho de laboratório muito mais minucioso que o normal, precisou dominar todo o linguajar que um político usa, e ainda o sotaque e o jeito lento de falar de Cheney. E teve que engordar 20 kg para interpretar o político 33 anos mais velho, comeu muitas tortas e engrossou o pescoço graças a uma técnica de exercícios específicos, teve que descolorir as sobrancelhas e raspar a cabeça. O filme teria uma sequência musical para reforçar o tom de comédia, mas a cena foi cortada porque McKay decidiu tornar o filme mais sério. Sam  Rockwell usou prótese no nariz e na boca, para se parecer mais com o presidente. E tem uma coincidência, Bale e Cheney nasceram no mesmo dia, 30 de Janeiro, só que Cheney em 1941 e Bale só veio ao mundo em 1974. 
Indicações: ao Globo de Ouro foi indicado nas categorias Melhor Filme em Comédia ou Musical, Diretor, Atriz Coadjuvante para Comédia ou Musical e Ator Coadjuvante para Comédia ou Musical. Venceu para Melhor Ator. Ao Oscar foi indicado para Melhor Filme, Diretor, Ator, Atriz Coadjuvante, Ator Coadjuvante, Roteiro Original, Montagem, vencendo na categoria de Melhor Maquiagem e Penteados. Ao BAFTA foi indicado para Melhor Ator, Atriz e Ator Coadjuvante, Roteiro Original, Maquiagem e Edição.
Recomendo. Filme muito bom no seu estilo,só não espere grandes ações. É um filme mais lento, mas não menos interessante, propiciando muitas reflexões!!!

domingo, 29 de setembro de 2019

O céu pode esperar


 Diretor: Warren Beatty e Buck Henry
Atores: Warren Beatty, Julie Christie, James Mason, Jack Warden, Charles Grodin, Dyan Cannon, Buck Henry
Gênero: Comédia
Duração: 101 minutos
Ano: 1978


Sinopse: Joe Pendleton (Warren Beatty) jogador do Time de Futebol Americano Los Angeles Rams, morre em um acidente de carro. Na vida após a morte, Joe descobre que seu Anjo Guardião o tirou de seu corpo prematuramente, e ele ainda tem mais anos para viver na Terra. Incapaz de retornar para seu corpo, Joe assume a forma de um ganancioso multimilionário, Léo Farnsworth. Como Léo, Joe tenta voltar para o futebol e conhece e se encanta por uma ativista ambiental, Betty Logan (Julie Christie).


Uma delícia de ver, divertido e intrigante ao mesmo tempo. Baseado na peça dede Harry Segall. E é uma refilmagem do Que o céu espere, de 1941, com Robert Montgomery e Claude Rains, nos papéis que foram de Beatty e Mason, mas apesar de ser um remack, vários personagens e situações são completamente novos, não repetindo a versão de Alexander Hall, apesar de alguns detalhes conservados, como o fato de, nos dois filmes, os protagonista também ser músico, além de atleta. O personagem Joe, é mandado acidentalmente para o Paraíso, décadas antes de sua hora (na época não conhecia o Espiritismo codificado por Allan Kardec e hoje sei que este erro, não é possível), por um Anjo ansioso. Quando o erro é percebido, ele tenta voltar para a Terra, e descobre que seu corpo foi cremado, e não teria como voltar. Interessante, pois segundo o Espiritismo, reencarnamos de novo na Terra, mas nunca com o mesmo corpo, a mesma roupagem, nascemos as vezes num local, diferente em condições muito adversas da anterior: não tendo o mesmo porte físico, saúde, condição sócio econômica e cultural e até mesmo podemos ter gênero diferente. Então, no filme Joe (dedicado Quaterback, em preparação para uma super disputa, o Superbowl) provisoriamente começa a habitar o corpo de um mega industrial que faleceu. Mas agora, suas atitudes são muito diferentes, claro, do antigo industrial e aí começam os muitos e hilários conflitos.
Com música de Dave Grusin. Direção de Fotografia, assinada por William A. Fraker.
Este filme concorreu a várias categorias, ao Oscar 1978, mas concorreu com grandes filmes também, como O franco atirador (vencedor), Amargo regresso, O expresso da meia noite e Uma mulher descasada (este não vi). Realmente assim ficou difícil!!!


Adoro a cena de Déjà vu (é um galicismo que descreve a reação psicológica da transmissão de ideias de que já se esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo. O termo é uma expressão da língua francesa que significa: "Já visto”). 
Faz com que pensemos em muitas situações já vividas por nós mesmos, em algum momento de nossa existência. E fica a pergunta que não quer calar, será que é sou um fenômeno? Ou uma recordação de uma outra existência, em outro tempo???


As indicações foram para Melhor Filme, Ator, Diretor, Ator Coadjuvante (Jack Warden), Atriz Coadjuvante (Dyan Cannon), Música Original (perdeu para nada mais, nada menos que Giorgio Moroder em O expresso da meia noite), Roteiro Adaptado e Fotografia. Vencendo na categoria de Direção de Arte (Paul Sylbert e Edwin O'Donovan). Ao Globo de Ouro, venceu nas categorias  de Melhor Filme Comédia/Musical, Ator em Comédia /Musical (Beaty) e Atriz Coadjuvante em Comédia /Musical (Dyan Cannon).
Curiosidades: Beatty neste filme é produtor, co-diretor e co-roteirista junto com Elaine May.
Houveram 3 versões: a primeira já citada em 1941: Que espere o céu e uma nova versão produzida em 2001,  de Chris Weitz e Paul Weitz, com Chris Rock, Regina King e Chazz Palminteri.
Inicialmente era intenção de Beatty,que o protagonista fosse novamente um boxeador e ser interpretado por Muhammad Ali. Porém devido a problemas na agenda de Ali, Beatty refez o roteiro de forma a transformar o personagem em um jogador de futebol americano, para que ele mesmo pudesse interpretá-lo.
Recomendo!!! Os fãs do estilo vão amar, como eu. Assista e comente!!! 

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Nasce uma estrela



Direção: Bradley Cooper
Atores: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Eliott, Andrew Dice Clay, Rafi Gavron, Anthony Ramos, Dave Chappelle, Ron Rifkin
Gênero: Drama
Duração: 136 minutos
Ano: 2019



Sinopse: Jackson Maine (Bradley Cooper) é um cantor no auge da fama. Um dia, após deixar uma apresentação, ele pára em um bar para beber algo e é quando conhece Ally (Lady Gaga), uma insegura cantora que ganha a vida trabalhando em um restaurante. Jackson se encanta pela mulher e seu talento, decide então acolhê-la debaixo de suas asas. Ao mesmo tempo em que Ally ascende ao estrelato, Jackson vive uma crise pessoal e profissional devido aos problemas com o álcool.
 
Esta é a quarta versão deste filme, as outras versões foram em 1937 (Janet Gaynor e Frederic March), 1954 (Judy Garland e James Mason), 1976 (Barbra Streisand e Kris Kristofferson; sendo que Elvis Presley foi cotado para fazer o personagem principal, John Norman Howard). Sendo que nos dois primeiros se passam nos bastidores do cinema e nos dois últimos, o pano de fundo é o mercado musical. Apesar das apresentações serem um pouco diferentes, a essência é a mesma, retrata temas universais como luto, superação, triunfo e decadência. Mas neste último ocorre um maior aprofundamento no mundo mental dos personagens, suas relações familiares e o que pode ter desencadeado os transtornos afetivos e psicológicos do personagem de Maine.


Cooper claramente apaixonado por esta história, decidiu "pagar para ver" e assumir esse risco: além de interpretar o protagonista, ele escreveu o roteiro, produziu o longa e assina a direção. E como nem sempre as famosas cantoras transitam para as telas e se dão bem, quando Lady Gaga foi escolhida para o papel, o mundo olhou com descrédito para a escolha. Mas no final,Gaga provou que a escolha foi acertada, sua Ally foi muito bem construída. A história, mesmo não sendo inédita, desta vez parece cativar mais o público, acredito que seja por mostrar os "astros" como pessoas normais, por trás dos bastidores: Maine é apresentado como um homem relativamente frágil, onde demonstra sentir sentimentos comuns como a vaidade, o ciúme, medo, competição e principalmente sendo muito influenciado pelo meio em que vive e no meio em que foi criado, um ambiente pernicioso (órfão de mãe, pai alcoólatra e irmão mais velho ausente). E também é muito suscetível a opinião do outro, demonstrando uma fragilidade emocional muito grande que o leva a melancolia e depressão. Quem nunca passou por isso em pelo menos um período em sua vida, de muita insegurança e vulnerabilidade???  Já a protagonista, Ally se apresenta mais forte, mais bem resolvida psicologicamente e se mantém firme em seus propósitos e continua com a parceria com Maine, mesmo quando é aconselhada a se afastar dele, ao contrário, continua acreditando nele, mesmo após inúmeras crises. É uma história densa e envolvente, sem dúvida!!!


Este roteiro de Cooper não propriamente baseado em uma única história real, mas é o resultado de uma narrativa que circula nos bastidores do universo dos famosos há décadas. No filme, vemos um casal passando por conflitos, movidos por sentimentos comuns a todos nós: inveja, posse, raiva, medo. Se apresentam tão reais, que não tem como não se identificar com eles, daí o enorme sucesso!!! Em relação às cancões, não poderia deixar de comentar, são lindas, né? As que Maine canta, foram compostas por Cooper e por Lukas Nelson. Já Gaga é responsável pela composição musical do longa e mais, serviu como "coach" de Cooper, que informa nas entrevistas de divulgação, que dois fatores foram fundamentais e contribuíram muito para que ele tivesse coragem de cantar no filme: muita prática (trabalhou quase que em tempo integral com Roger Love) e o talento e conhecimento musical de Gaga. Houve desde o início uma admiração mútua e respeito entre Bradley e Gaga, o que facilitou a química entre os personagens.Gaga disse no Fandango: "ele me aceitou como atriz e eu o aceitei como músico...foi emocionante para mim, vê-lo se transformar em um músico".
Curiosidades: Cooper era conhecido em papéis mais mediano como na franquia Se beber, não case e por ser a voz do Rocket Racoon, na franquia Guardiões da Galáxia. Neste filme marca sua estréia como produtor, um dos roteiristas e ainda diretor, sendo que o projeto inicial era para ter Clint Eastwood como diretor e Beyoncé como Ally, em 2011. Cooper só assumiu em 2015, mas a liberação do filme pela Warner Bros. foi no final de 2016, e em 2017 começaram as produções na Califórnia. Como as cenas onde aparece o público, foram praticamente todas filmadas no Festival de Música de Coachella, em 2017, quando Gaga atuou com destaque. E todas as canções foram gravadas ao vivo, essa teria sido a maior exigência da cantora. Para viver Maine foram cogitados nomes como Leonardo DiCáprio, Christian Bale, Tom Cruise e Will Smith, mas não houve acertos. E a grande inspiração de Jackson Maine, é o vocalista do Pearl Jam, Eddie Vedder, que é um nome importantíssimo no mundo musical, mas que ao ser contactado não se tornou um grande incentivador da idéia do remake, mas depois de de uma insistência acirrada de Cooper aderiu ao projeto, que o bombardeou com perguntas, para que pudesse compor o personagem, e ele contou pequenos detalhes que só músicos conhecem (questões de estéticas e trejeitos). E no filme, realmente a aparência de Jackson, seu comportamento no palco, até mesmo o tom de voz, prestam bela homenagem ao líder do Pearl Jam. Houveram participações especias no longa como Rebecca Field que interpreta Gail, enquanto o grupo Lukas Nelson & Promise of the Real aparecem como a banda de Jackson. A drag queen americana Shangela Laquifa Wadley, o ator Greg Grumberg, a cantora Halsey e ainda o ator Alec Baldwin, também fazem aparições no filme.


Cooper dedicou o filme a Elizabeth Kemp, sua mentora, que faleceu em 2017.
Tem a Fotografia assinada por Mathew Libatique. Diretoras de Elenco: Lindsay Graham e Mary Vernieo e Designer de Produção: Karen Murphy.
Indicações e Premiações: indicado ao Globo de Ouro em várias categorias: Melhor Filme em Drama, Diretor, Ator em filme Dramático, Atriz em filme Dramático e ganhou o prêmio de Melhor Canção Original por Shallow (Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyat). Ao BAFTA, ganhou também em Melhor Trilha Sonora Original. Ao Oscar, foi indicado a sete categorias, para Melhor: Filme, Atriz, Ator, Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Fotografia, Mixagem de Som e venceu na categoria de Canção Original. Ao Grammy, a música Shallow, venceu nas categorias de Dueto e Melhor Canção.
Recomendo!!! Amo a versão de 76, mas esta é realmente mais comovente, é um drama trágico, emocionante e real.