quinta-feira, 4 de abril de 2019

Lady Bird - A hora de voar




Diretora: Greta Gerwig
Atores: Saiorse Ronan, Laurie Metcaf, Tracy Letts, Lucas Hedges, Timothée Chalamet, Beanie Feldstein, Lois Smith, Stephen Henderson, Jenna Walton, Jordan Rodrigues
Gênero: Comédia 
Duração: 95 minutos
Ano: 2018

Sinopse: Christine McPherson (Saiorse) está no último ano de Ensino Médio e o que mais deseja é fazer faculdade  longe de Sacramento, Califórnia, idéia esta firmemente rejeitada por sua mãe (Laurie). Mas, com sua personalidade forte, faz questão de ser chamada Lady Bird, não se dá por vencida e leva o plano de ir embora, adiante. E enquanto isso não acontece, ela segue com sua vida se dividindo entre as obrigações estudantis num colégio católico (onde não é nada popular), o primeiro namoro, típicos rituais vividos da transformação para a vida adulta e inúmeros desentendimentos com a progenitora.



Filme despretencioso, leve e bastante jovial, mas cheio de vida por ter um conteúdo que mostra a passagem das vivências de adolescentes passando para chegar à maturidade. É um filme delicado, que retrata uma história de pessoas comuns, nem mais nem menos:  Tem um bom roteiro, direção consciente e honesta, e ainda com atuações tão boas que vale a pena ver, por isso agradou tanto ao público, principalmente jovem, uma vez que gera uma tremenda identificação com os personagens. Acredita-se que a diretora inspirou boa parte da história em sua própria trajetória.  E apesar da história ser centrada em Lady Bird, a diretora soube explorar sabiamente a individualidade de cada personagem, compondo esta história que apesar de não empolgar tanto, faz com que se tenha o desejo de ver qual a conclusão (apesar de todos os encontros e desencontros), o desfecho dos conflitos apresentados. O filme se passa em 2002, período de dificuldades na economia do pais, o que já por assim dizer, causaria situações de estresse na família e ainda mais com uma adolescente de 17 anos, chegando a vida adulta, buscando pelo seu próprio espaço e sonhos, sem se contentar com a vida que a família idealizou para ela. Ela quer mais, muito mais da vida!!!
Trilha Sonora dirigida por Jon Brion, tendo músicas de Alanis Morissette e Justin Timberlake fazendo parte do ritmo do longa.
Curiosidades: Saiorse e Greta se conheceram pessoalmente em 2015 no Festival de Cinema em Toronto. Na ocasião, Saiorse veio promover o filme Brookliyn (2014) e Greta, Maggie tem um plano (2015).Tempos depois, já havia lido o roteiro e se conectado instantaneamente com o personagem principal. Assim, quando as duas se reuniram para discutir o roteiro, a diretora teve a certeza de ter encontrado sua Lady Bird.


Por sugestão da diretora, Saiorse não escondeu algumas imperfeições de sua pele, para dar mais autenticidade ao personagem.
Foi pura coincidência o fato de Christine e sua melhor amiga Julie (Beanie) estarem usando a mesma coe de esmalte quando se encontraram para os ensaios, então foi decidido que elas passariam a usar as mesmas cores durante todo o filme.
Houve reencontros: entre Lucas Hedges e Saiorse,que já trabalharam juntos em O Grande Hotel Budapeste (2014), e Lucas  também participou de Manchester a Beira Mar (2016), ao lado de Stephen Herderson.
Após a exibição no Festival de Toronto em 2017, o longa foi ovacionado pela platéia.
O filme se passa entre 2002/2003, período em que Greta estava se formando em seu colégio, o St. Francis Catolic High School, localizado na sua cidade natal Sacramento. Ela dirige e também assina o roteiro.
Os quatro atores principais deste filme já foram indicados ao Oscar.
Indicações e Premiações: Oscar 2018, indicado para Melhor Filme, Atriz Coadjuvante (Laurie) e Roteiro Original (Greta). Ao Globo de Ouro, teve indicação para Melhor Atriz Coadjuvante em Comédia ou Musical e Melhor Roteiro (Greta) e venceu para as categorias e Melhor Filme Comédia ou Musical e para Melhor Atriz. Ao Critic's Choice Movie Awards foi indicado para Melhor Filme, Diretor, Atriz, Atriz Coadjuvante, Roteiro Original, Elenco, Atriz em Comédia e Melhor Comédia. Ao Screen Actors Guild Awards, teve indicações nas categorias de Melhor Atriz Principal, Atriz Coadjuvante e Elenco.
Recomendo! Diálogos muito bons, com conflitos muito parecidos com os nossos. 

terça-feira, 26 de março de 2019

Último tango em Paris


Diretor: Bernardo Bertolucci
Atores: Marlon Brando, Maria Schineider, Jean Pierre Léaud, Massimo Girotti
Gênero: Drama erótico
Duração:129 minutos
Ano: 197

Sinopse: Considerado uma obra-prima cinematográfica e um sucesso de bilheteria, mas devido ao conteúdo sexual e o caos emocional do filme. Levaram a uma grande polêmica internacional sobre ele, levando a várias censuras governamentais ao redor do mundo. A história mostra o relacionamento entre uma jovem parisiense Jeanne e um viúvo americano de meia idade Paul.



Foi um filme que demorou a ser liberado aqui no Brasil, só muitos anos depois, mais precisamente 07 anos de pois de seu lançamento, em 1979. Foi polêmico na época e ainda hoje causa discussões, mas claro que não devido ao mesmo conteúdo. O filme causou muita discussão quando foi lançado, por causa de conteúdos eróticos até então não refletidos e discutidos na sociedade da época, que era sem dúvida muito mais conservadora e por que não dizer, mais hipócrita.
Nos Estados Unidos estreou diante de uma enorme controvérsia, mostrada pelo jornalismo, e a polêmica só fez chamar a atenção do público, cada vez mais curioso, para saber o que estava causando tanto burburinho. Uns aplaudiram, reconhecendo o filme como uma grande obra cinematográfica, outros condenaram como um atentado a moral e bons costumes.
Na França, onde o Le Journal du Dimanche o chamou de um dos maiores filmes da história, o público enfrentava filas de duas horas nas ruas, durante o primeiro mês de exibição, em 7 cinemas de Paris.
Na Grã-Bretanha, os censores diminuiram as cenas mais quentes, para permitir que estreasse no pais.
Na Itália, o filme só foi lançado em 1975, mas uma semana depois, a polícia confisca todas as cópias por ordem da Justiça e Bertolucci foi processado por obscenidade. Foi condenado a 4 meses de prisão, sentença suspensa, mas teve seus direitos civis e políticos cassados por 5 anos. Apenas em 1987, 15 anos depois de seu lançamento original, com a entrada em vigor de uma nova Lei de costumes, é que o filme pode ser exibido integralmente na Itália. 
No Chile de Augusto Pinochet, passou 30 anos proibido.


O roteiro também tem a assinatura de Bertolucci e mais Franco Arcalli e Agnès Varda, que surge a partir de fantasias eróticas de Bertolucci, quando viu uma bela mulher desconhecida na rua e imaginou transar com ela, sem saber quem era. A bela fotografia foi confiada ao então já premiado Vittorio Storaro, colaborador de outros diretores como Francis Ford Coppola, Warren Beatty e Woody Allen, que fez trabalhos lindos como: O conformista (1970), Apocalypse Now (1979), O último Imperador (1987), Roda Gigante (2017). A música, assinada pelo desconhecido Gato Barbieri, compositor e arranjador argentino, ficou famosa pelo toque de Jazz e transformou Barbieri em estrela internacional da música, após o sucesso do filme.


Com a mudança da sociedade de um modo geral, nos últimos anos, onde ocorre um liberalismo maior de idéias e pensamentos é que a visão do filme mudou, em função do aprofundamento e percepção disso o filme acabou se tornando um símbolo de violência sexual no cinema. Mesmo na época, a jovem atriz Maria Schineider, desconhecida até então (depois faz inúmeros filmes, por volta de 50), faz depoimentos da violência e abuso que sofreu tanto pelo seu parceiro de cenas, como pelo diretor, mas que na época não foram levadas ou dadas as devidas considerações. Ela alega que depois do filme sua vida psicológica e afetiva não foi mais a mesma, passou a ter problemas mentais que trouxeram dependências com drogas e Depressão. Em 2007, quando este assunto foi novamente tratado, é que houve novamente polêmica, mas desencadeando uma nova direção no modo de interpretação do que ocorreu na época.  A atriz diz:"Eu me senti humilhada e, para ser sincera, tive um pouco a impressão de ser violentada, por Marlon e Bertolucci. No fim da cena, Marlon não veio me consolar, ou se desculpar. Felizmente, uma gravação foi suficiente".  
Só a partir de 2013, o assunto volta novamente na mídia, mas desta vez causando indignação  no mundo do cinema, nas atrizes e também atores, que tudo só passou a ser visto com outros olhos. Para eles, o que aconteceu só reforça ou reforçou a questão da cultura do estupro, cujos conceitos incluem: a normalização do impulso agressor, a impunidade e a culpabilização da vítima. Só quando o próprio diretor assume o que fez, assumindo sua postura, e que deveria ter pedido oficialmente desculpas a Maria, que sentia -se "culpado", mas não arrependido, é que tudo mudou, ou seja quando a mulher dá depoimentos, vai para a mídia, nada acontece, tudo muda, quando os próprios homens assumem seus erros é que a idéia se modifica. Complicado, né??? Em pleno século XXI, o mundo de certo modo segue MACHISTA. Até hoje isso ainda causa ferrenhas e acaloradas discussões!!! Bertolucci diz em uma de suas entrevistas, que o que fez era comum, que muitos diretores que para conseguirem reações genuínas de seus atores, lançam mão de surpreendê-los, combinando algumas performances com apenas um dos protagonistas da cena. Como por exemplo no filme Os pássaros (1963 - Alfred Hitchcock) e A fantástica fábrica de chocolate (1971 - Mel Stuart).  E mais uma fez foi o que fez neste filme, combinou algo com Brando, Maria foi pega de surpresa em uma das cenas, embora soubesse do roteiro e do conteúdo da mesma. Foi algo traumático para ela, tendo consequências psicológicas que arrastou pela sua vida, até sua morte em 2011, após uma luta contra o câncer. E que apesar de ter sido considerada um símbolo sexual naquela década, não se sentia assim, seu principal aprendizado foi nunca mais fazer filme com conteúdo sexual
Curiosidades: Bertolucci considerou Jean-Louis Trintginant e Dominique Sanda para os papéis principais, mas  Jean-Luis acabou recusando o roteiro e quando Brando aceitou, Sanda estava grávida e não pode fazer o filme, daí a desconhecida Maria Schineider foi escalada para viver a personagem de Jeanne. Brando recusou-se a decorar suas falas em várias cenas, improvisando algumas ou ainda, escrevendo suas falas em cartazes e espalhando pelo set de filmagem.
Indicações e Premiações: Oscar 1974, teve indicação para Melhor Filme e Diretor. Ao Globo de Ouro, também para Melhor Direção e Ator em Drama e ao BAFTA, teve indicação para Melhor Ator.

Recomendo. É interessante!!!


sexta-feira, 22 de março de 2019

O destino de uma nação




Diretor: Joe Wright
Atores: Gary Oldman, Kristin Scott Thomas, Ben Meldelshon, Lily James, Ronald Picup, Stephen Dillane, Samuel West, Hilton McRae
Gênero:m Drama
Duração: 126 minutos
Ano: 2018

Sinopse: Winston Churchill (Gary Oldman) está prestes a encarar um de seus maiores desafios, tomar posse do cargo de Primeiro Ministro da Grã Bretanha. Paralelamente, ele começa a costurar um Tratado de Paz com a Alemanha Nazista  que pode significar o fim de anos de conflito.



Quase que um documentário sobre a vida desse personagem que marca a história da Humanidade, um dos mais brilhantes do século XX, Winston Churchill. Não é precisamente uma biografia, pois o filme mostra apenas um recorte de sua vida, passada em 1940, onde mostra os primeiros dias de Churchill como Primeiro Ministro (que não era a escolha mais aceita por todos, mas se tornou a última esperança), onde se depara com um conflito, tendo que tomar a decisão de aceitar um suspeito acordo de paz com Hitler ou se confronta o ditador, retirando as tropas inglesas na Batalha de Dunquerque, que estavam cercados na França, durante a Segunda Grande Guerra Mundial. Mas mostra também um Churchill na intimidade do lar, com sua esposa e seus inúmeros rituais e manias. Oldeman está fantástico!!! Já sou fã dele, desde outros tempos: Drácula de Bram Stocker (1992), Minha amada imortal (1994), Batman (a trilogia desde 2008), O espião que sabia demais (2012). Está maravilhoso na composição deste personagem, com sua postura mais encurvada, meio bonachão, mais "volumoso", fala mansa, mas em outro momento com uma oratória impecável, extremamente convincente, que emociona. Gastava muitas horas para compor seu personagem, em torno de 200 horas em maquiagem e para parecer mais gordinho, usava várias próteses que pesavam quase que a metade de seu próprio peso. Tem um elenco de peso e também uma equipe técnica incrível: Roteiro de Anthony Mac Carten, Trilha Sonora de Dario Marianelli, Fotografia assinada por Bruno Delbonnel, Figurino de nada menos que Jaqueline Duran, responsável pelas roupas visualmente espetaculares de alguns filmes de época como Orgulho e Preconceito (2005), Desejo e Reparação (2007), Anna Karenina (2012) e os de aventura: Peter Pan (2015) e A bela e a fera (2017), Editor de Efeitos Especiais de Maquiagem Kazuhiro Tsuji.



Curiosidades: o ator John Hurt estava inicialmente confirmado para o elenco para assumir o papel do ex Primeiro Ministro Britânico Neville Chamberlain. No entanto Hurt estava iniciando um tratamento contra um CA de pâncreas e assim indisponível  para acompanhar os ensaios para as filmagens, vindo a falecer em 2017, menos de dois meses depois do início da produção. E mesmo sem ter feito parte oficialmente do filme, o mesmo será dedicado em sua memória. O filme foi selecionado para o Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2017. Houve um reencontro de Oldman e Hurt, que haviam trabalhado juntos em O espião que sabia demais (2012). També se esbarrou com Ben Mendelshon nas gravações de Batman, o Cavaleiro das tervas ressurge (2103). O diretor, negligenciou a menção sobre o fato de que Churchill ter sido reeleito a Primeiro Ministro em 1951.
Indicações e Premiações: Oscar 2018, foi indicado para Melhor Filme, Fotografia, Direção de Arte, Figurino e vencendo para Melhor Ator (Oldman) e para Penteado e Maquiagem. Ao Globo de Ouro ganhou para Melhor Ator em Drama, ao Critic's  Choice Awards, foi indicado a Melhor File e venceu para Melhor Ator e Cabelo e Maquiagem. Ao BAFTA, teve indicação para Melhor Filme, Filme Britânico, Atriz Coadjuvante (Kristin Scott Thomas), Trilha Sonora, Fotografia, Design de Produção e Figurino; venceu para Melhor Ator e Penteado e Maquiagem.


Recomendo que seja visto. Forte e baseado na inspiradora história real. 

sábado, 2 de março de 2019

Instinto secreto


Diretor: Bruce A. Evans
Atores: Kevin Costner, Demi Moore, William Hurt, Marg Helgenberger, Dane Cook, Ruben Santiago-Hudson, Danielle Panabaker, Aicha Hinds
Gênero: Suspense
Duração: 120 minutos
Ano: 2007

Sinopse: Earl Brooks (Kevin Costner) é um executivo de sucesso, marido e pai exemplar, filamtropo e generoso. Todos o consideram um pilar em sua comunidade, mas ele esconde um grande segredo: é um serial killer. Seus crimes são conhecidos como sendo do Assassino da Impressão Digital e ninguém tem idéia de qual seja sua identidade. Apesar de estar muito afastado do mundo do crime a algum tempo, a compulsão de Brook em matar volta à tona devido ao seu alter ego (William Hurt).Ao realizar mais um assassinato Brooks comete um erro e é flagrado por um fotógrafo curioso (Dane Cook), que passa a chantageá-lo. Este crime também coloca em seu encalço a detetive Tracy Atwood (Demi Moore), obcecada em desvendar o caso.



Surpreendente!!! Este filme trás uma reflexão sobre os nossos instintos (impulso interior que faz uma pessoa ou animal a executar inconscientemente atos adequados às necessidades de sobrevivência própria, de sua espécie ou de sua prole), que possivelmente quando não é "politicamente" correto, fazemos de tudo para disfarçar, mas nem por isso, deixa de existir dentro de nós. O filme aborda temas interessantíssimos para uma profunda reflexão. Bruce A. Evans além da direção também assina o roteiro que faz com que certos conceitos que temos internalizados, de que assassinos não precisam ser sempre maníacos, feios, sujos, magrelos, baixinhos, negros, ao contrário, podem ser bonitos, refinados, simpáticos, bem colocados socialmente, podem ser um homem de bem, mas com uma obsessão. No filme, o personagem Earl é assim, tem uma aparência inofensiva, mas planeja tudo de modo meticuloso e preciso, e se mostra mais calado, possivelmente devido aos conflito que vive de ter uma natureza homicida (no filme Marshall é apenas a materialização de uma parte da psiquê de Brooks). É mostrada esta alternância entre seus lados: o bom que sempre promete para si, que este assassinato será o último, demonstrando mesmo que de modo sutil, o desejo inconsciente de ser pego. E o outro lado, que representa a metade sádica, doentia e impulsiva, que exige uma satisfação imediata, mas o interessante e que é mostrado no filme, que Marshall mesmo não gostando do outro lado, considerando-o fraco, demonstra carinho e respeito. Assim, os dois atores Costner e Hurt, estão excelentes na interpretação dos personagens, conseguindo estabelecer um sentimento de tensão e ao mesmo tempo de camaradagem, pois no roteiro estão sempre trocando "piadinhas" entre eles. Vale a pena ressaltar também os recursos visuais que o diretor se utiliza para destacar o conflito entre os dois lados de uma mesma mente, um jogo de claro e escuro.
Também aborda um pouco sobre a personalidade da policial, que também se mostra meio que obcecada em desvendar os crimes, mas muito mais forma de superação, vencer a si mesma para mostrar ao pai que estava errado no seu julgamento machista.
Curiosidade: este é o segundo filme que Costner e Hurt atuam juntos. O anterior foi O reencontro (1983).

Uma das frases do filme: "Antes de ser o assassino digital, eu matei muita gente, de várias maneiras".
Recomendo!!! Um bom suspense.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Don Juan DeMarco



Diretor: Jeremy Leven
Atores: Johnny Deep, Marlon Brando, Faye Dunaway, Geraldine Paillas, Richard C.Serafias, Stephen Singer
Gênero: Romance
Duração: 100 minutos
Ano: 1995


Sinopse: Um homem de 21 anos (Johnny Deep) dizendo ser o famoso Don Juan vai para Nova York para encontrar seu grande amor perdido, mas sentindo que não irá alcançar seu objetivo, tenta se matar. Porém um psiquiatra (Marlon Brandon) consegue convencê-lo a mudar de idéia e começa  a tratá-lo. Entretanto o paciente possui um romantismo irrecuperável e contagioso, que começa a influenciar o comportamento do médico.

Emocionante!!! O filme encanta pelos desempenhos notáveis de um Johnny Deep super jovem, um Marlon Brando não tão jovem e nem tão belo como antes, mas esbanjando charme e talento e uma Faye Dunaway madura, linda e glamourosa de sempre.  Filme romântico, que seduz o expectador do início ao fim, com um bom roteiro, de certa forma leve, retratando a relação de um psiquiatra com seu paciente, que se intitula como o famoso sedutor Dom Juan (personagem fictício, geralmente tido como símbolo da libertinagem, conquistador. Originado no folclore, adquiriu forma literária no romance do século XVII, El Burlador de Sevilha (1630), atribuído ao dramaturgo espanhol Tirso de Molina. Depois acabou se tornando o herói-vilão de romances, peças teatrais e poemas. Mas sua lenda adquiriu muita popularidade através da Ópera de Mozart, Don Giovanni  em 1787). Sua história é tão convincente/envolvente que chama atenção do médico e desperta nele sentimentos até então adormecidos (reformulando sua vida amorosa), e os dois desenvolvem um curioso relacionamento de respeito e admiração, e porque não dizer, segundo os Psicanalistas desenvolvem uma relação de transferência e contratransferência, que faz com que elabore seu problema, transformando-se internamente, sem precisar tomar medicação.


"O Complexo de Don Juan, segundo alguns pesquisadores acreditam,  possuem problemas no processo de elaboração co Complexo de édipo, em razão de ficarem muito fixados na figura materna e assim não conseguem constituir uma família, trocando de parceiras continuadamente, o importante é a conquista, sem medir consequências, desenvolvente uma compulsão sexual, com presença de autoestima baixa e um sentimento muito grande de vazio, por isso tentam conquistar várias mulheres como uma forma de "massagear o Ego" e preencher este vazio de si mesmo com os triunfos das suas conquistas". Para Jung, Psicoterapeuta e Paciente são como duas substâncias químicas que interagem mutualmente e os dois sofrem transformações psíquicas neste encontro. Foi isso o que foi mostrado no filme, os dois saem "melhorados" após o tratamento. No filme também são abordados vários Mecanismos de Defesa (formas que a mente busca para se proteger. Para Freud, a defesa é uma operação pela qual o Ego exclui da consciência os conteúdos indesejáveis, protegendo dessa forma o aparelho psíquico). Principais Mecanismos de Defesa: Negação, Racionalização, Formação Reativa, Isolamento, Projeção, Regressão e outros. O personagem de Deep, John Albert De Marco utiliza inúmeros mecanismos de defesa, para manter sua sanidade,criando um mundo de fantasia, para compensar suas inúmeras frustrações.


 A música é maravilhosa, do Brian Adams e Michael Kamen, Have you ever really loved a woman. Lindíssima!!! Diretor de Fotografia Ralf D Bode, com imagens muito precisas, coloridas e "quentes". Coreografia de Adam Shankman. E ainda teve produtores de renome: Francis Ford Coppola, Fred Fuchs e Patrick J. Palmer. Roteiro de Lord Byron (personagem) Jeremy Leven.
Curiosidades: o ator Johnny Deep, para compor seu personagem, assistiu a vários episódios da série americana Ilha da Fantasia (1977-1984), para aprender a falar com sotaque espanhol. Condicionou sua atuação no filme, á participação do ator Marlon Brando, como o psiquiatra Jack Mickler. O orçamento do filme foi de US$25 milhões, sendo que o filme arrecadou US$65 milhões, nas bilheterias de todo o planeta.
Indicações e Premiações: foi indicado ao Oscar 1996, para Melhor Canção Original e ao Globo de Ouro também em 1996 para Melhor Trilha Sonora e Canção Original, música Have you ever really loved a woman?

Recomendo!!! Imperdível!!!







domingo, 1 de julho de 2018

Me chame pelo seu nome



Diretor: Luca Guadagnino
Atores: Thimothée Chalamet, Arnie Hammer, Michael Stuhlbarg, Amira Casar, Esther Garrel
Gênero: Romance
Duração: 131 minutos
Ano: 2017



Sinopse: É verão de 1983 no Norte da Itália, e Elio Perlman (Timothée Chalamet), um garoto ítalo-americano de 17 anos, passa seus dias na casa de campo de sua família, datada do século 17, preguiçosamente transcrevendo música e flertando com sua amiga Marzia. Um dia, Oliver (Armie Hammer), um charmoso pesquisador americano de 24 anos, que está fazendo doutorado, chega na cidade para trabalhar como estagiário de verão encarregado de ajudar o pai de Elio (Michael Stuhlbarg), um renomado professor especializado em cultura greco-romana. Em meio ao esplendor ensolarado desse cenário, Elio e Oliver descobrem a beleza inebriante do desejo despertado ao longo de um verão que mudará suas vidas para sempre.



Amei este filme!!! Um tema polêmico, abordado com extrema sensibilidade, o desabrochar da sexualidade de um garoto, com a total compreensão e participação dos pais, Lindo!!! Elio é sensível e filho único, de uma família de intelectuais, com ascendência italiana e francesa, com uma forma de criação muito livre, leve, mas nem por isso desatenta. As locações são maravilhosas, fotografia linda e com a direção competente do diretor, vamos sendo transportados com naturalidade para a Itália, é  verão, muito calor, preguiça e gradativamente vai acontecendo o despertar dos sentimentos fortes, mas tudo sendo apresentado de forma sutil, mas com poderosa intensidade. Não li o livro, mas segundo informações, foi realizada uma adaptação com muita competência, e acredito que o tão falado "ritmo lento", de algumas críticas, seja uma parte essencial do filme, onde a mensagem é mostrar o desenvolvimento de algo que não pode ser dito e nem revelado de forma tão evidente, está sendo "descoberto". Daí a indicação do filme a Melhor Roteiro Adaptado, tendo como roteirista, James Ivory. Foi baseado no romance homônimo do escritor egípcio André Acinan. Li a descrição do filme realizada por um repórter do G1, que para mim foi perfeita, segundo ele: "o filme dá uma cara real, vibrante e próxima das duas coisas imateriais e difíceis de explicar, desejo e afeto. Retrata o primeiro amor de um jovem italiano por um estudante americano, mostrado com (pouco) açúcar e com (muito) afeto. Por isso se tornou um dos filmes mais elogiados do ano e muito cotado ao Oscar". Para mim aborda também a dualidade, o contraditório é apresentado o tempo todo, então passa a ser o fundamento das relações que se estabelecem no filme. A família é muito intelectual, falam três línguas com muita naturalidade, que recebem muitos convidados em sua casa, mas contrasta com a cidade que é pacata. Natureza bela e cultura, contraditórias, mas convivendo em plena harmonia, neste caso. Outro contraste apresentado é referente aos dois personagens principais, Oliver é como uma escultura, bonito, com porte atlético, admirado pelas moças da cidade, já Élio é franzino, quase passa despercebido, no entanto tem sede de contemplação pelo belo, e vai sendo consumido ao mesmo tempo pelo desejo e admiração em relação a Oliver. Suas roupas, são contrastantes, quando se compara o início com o final do filme, vai sendo mostrado a evolução de seus sentimentos, no início roupas claras, quase pastéis, mas à medida que seus sentimentos vão crescendo o tom das roupas também vai escurecendo, com presença de tons mais fortes. E finalmente os dois funcionam como polos (que se atraem), de um único/mesmo universo/objeto, a incerteza de um se funde na segurança do outro, por isso a questão do chamar pelo mesmo nome: o eu e o outro na verdade, somos um só. Para pensar: Sexo é parte da vida, pode ser vivido de forma simples ou complicada, com ou sem consequências, mas nenhum desejo pode ser satisfeito, sem ser vivido. Isso é fato!!!
O elenco está perfeito, maravilhosas interpretações, mas palmas especiais para Thimothée e Sthlbarg. Este garoto é bastante promissor. Música tocante, assinada por Sufjan Stevens.



Curiosidades: o filme foi lançado em 2017 no Festival de Sundance, EUA e logo foi visto no 42º Festival de Toronto, com ótima aceitação do público. em 2015, James Ivory disse ao The New York Times que ele planejava dirigir um filme que teria Shia LaBeouf e Greta Scachi estariam no elenco. No entanto em 2016, tudo mudou, ele passou a ser o roteirista e um dos produtores. Durante o Festival de Cinema em Londres, de 2017, o diretor afirmou que espera filmar uma sequência do filme em 2020. Tanto Thimothée quanto Hammer manifestaram interesse em participar da sequência. No livro, Élio e Oliver se reúnem 15 anos depois. Então vamos aguardar, ansiosamente, né??? O jovem ator Thimothée também trabalhou em outro filme indicado ao Oscar, Lady Bird, mas com um personagem completamente diferente do seu Élio.


Indicações e Premiações: recebeu 8 indicações no Critic's Choise Award, para Melhor Diretor, Ator, Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado e Cinematografia. No 75º Globo de Ouro foi indicado para Melhor Filme em Drama, Ator em Drama (Thimothée), Ator Coadjuvante em Drama (Hammer). Ao Oscar 2018, foi indicado para quatro categorias: Melhor Filme, Música Original, Ator e Roteiro Adaptado, vencendo nesta última indicação.         
Recomendo!!! Muito lindo e delicado.

Love Story - uma história de amor


Diretor: Arthur Hiller
Atores: Ali Mac Graw, Ryan O'neil, John Marley, Ray Millard, Katherine Balfour, Andrew Duncan, Tommy Lee Jones
Gênero: Drama
Duração: 99 minutos
Ano: 1970


Sinopse: Oliver Barret IV (Ryan O'neil), um estudante de Direito da Harvad, conhece Jenny Cavilleri, uma aluna de Música de Radclife. É amor à primeira vista, e eles decidem se casar. No entanto, o pai de Oliver, um multimilionário, não aceita tal união e deserda o filho. Jenny não consegue engravidar e descobre que está doente.

Mais um clássico do cinema, filmado em 1970, com músicas lindas de Francis Lai, inesquecíveis!!! Da era vinil, compacto duplo (ainda temos). Marcou a vida dos atores para sempre e a nossa também. Eu estava com 09 anos, quando chegou ao Brasil em 71, saí do cinema encantada... A famosa frase "Amar é nunca ter que pedir perdão" ou desculpas, não saia da cabeça, na minha tentativa vã de entender a profundidade disso, sendo que nem havia chegado na pré adolescência, enfim!!!

Robert Evans então diretor do grandioso Estúdio Paramount, emplaca este romance, protagonizado pela sua esposa, na época Ali e salva o estúdio de uma falência, pois já havia tentado outras produções mas não havia feito sucesso, os americanos estavam vivendo um momento meio que depressivo, pós guerra do Vietnã (diga-se o grande fiasco americano), com perdas gigantescas de jovens e abuso no uso de drogas. O filme parece que trouxe uma outra perspectiva, uma certa dose de alívio em suas dores. Elevando a moral do público jovem, o filme acabou sendo um mega sucesso, devolvendo a credibilidade e respeito ao estúdio. O público amou e foi lembrado por muitos anos.
O escritor Steven Segall era professor de Literatura Comparada em Oxford, Yale e Princepton, discutia com os alunos a estrutura clássica do romance, quando ouviu de um aluno uma história que acabou virando a base do filme. Na verdade, o livro foi sendo escrito simultaneamente com a realização do filme, que para o período foi rodado com um orçamento muito limitado. Um história simples, mas poderosa que arrebata corações, que trás uma mensagem de esperança nos bons valores da humanidade num período marcado pela guerra e extrema violência.


O filme inicia com uma reflexão: "o que é morrer uma garota que era linda, brilhante, que amava Mozart, Bach e eu???" E segue com muitas outras: o que é amor? Como se constrói uma relação com profundidade? Quais valores envolvidos? No filme o que fica claro é que a personagem de Ali, tinha uma ótima relação com o pai, ao passo que o do Ryan, não. Tinha uma relação conflituosa com o pai e ela pode lhe ensinar o que á amar. Os atores estão ótimos nos papéis, tornam o filme imperdível de ver ou rever, é realmente uma linda história de amor, composta por inúmeros erros e acertos, um drama real,"meloso na medida certa", onde mostra que nada dura para sempre e a capacidade de cada um de reagir diante das adversidades. Com muitas músicas maravilhosas e muitas cenas tocantes, adoro a que eles brincam na neve, fazendo o tão famoso "anjo na neve", acho que foi a primeira vez que vi neve em um filme, fiquei encantada!!!
Indicações e Premiações: Oscar 71, foi indicado para Melhor Filme, Diretor, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante (John Marley) e Roteiro Original. Venceu na categoria de Melhor Trilha Sonora. Ao Globo de Ouro 71, teve indicação para Melhor Ator e Ator Coadjuvante e venceu pra Melhor Filme em Drama, Diretor, Ator em Drama, Roteiro Original e Trilha Sonora. No Prêmio Davis di Donatello 71 (Itália), venceu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz Estrangeira. No Grammy Award 72, foi indicado para Melhor Trilha Sonora para cinema.

Curiosidades: na época Michael York, Jon Voight, Beau Bridges, Michael Serrazin e Michael Douglas recusaram o papel, alguns por incompatibilidade de agenda e outros por acreditarem que o filme,bem comoo personagem não tinham nada a ver com o momento. O'neil foi quem acreditou, aceitando o convite de viver Oliver Barret e teve sua vida transformada. Foi o filme que lançou o ator Tommy Lee Jones, então muito jovem, diferente do que estamos acostumados a ver. Em entrevista, O'neil informa que para fazer o personagem de Oliver, espelhou-se justamente em Lee e no político Al Gore. O guarda-roupa que a atriz usou no filme, virou moda por vários anos. O livro virou um Best Sellers internacional. E o casal foi convidado a contracenar, após 45 anos, em uma peça, ela com 76 anos e ele com 74. Juntos novamente na peça "Love Letters", em uma turnê nos EUA, que iniciou em outubro de 2015. Foi um sucesso!!! O filme teve uma continuação em 1978, A história de Oliver, mas nem de longe fez o sucesso de seu antecessor.
Recomendadíssimo!!! Não deixe de ver, é um filme atemporal.