domingo, 5 de abril de 2020

A favorita


Diretor: Yorgos Lanthinos
Atores: Olívia Colmann, Rachel Weisz, Emma Stone, Nicholas Hoult, James Smith, Jenny Reinford
Gênero: Biografia
Ano: 2019
Duração: 120 minutes

Sinopse: a Inglaterra está em guerra com a França. A frágil rainha Anne da Grâ-Bretanha (Olívia Colmann), ocupa p trono e uma amiga próxima Sarah Churchill, Duquesa de Malborough (Rachel Weisz),  governa em seu nome e enquanto cuida da saúde e do temperamento instável da rainha, uma nova empregada Abigail (Emma Stone) chega à corte, seu parentesco a aproxima de Sarah, que a coloca sob suas asas, e Abgail vê isso como a chance de retornar ao seu status na aristocracia. E conforme as políticas de guerra tomam cada vez mais o tempo de Sarah, Abgail começa a se aproximar cada vez mais da rainha. Essa amizade a deixa mais próxima de alcançar seus objetivos , e ela não vai deixar nenhuma mulher, homem ou política ficarem em seu caminho.


Filme interessante que trás o universo feminino visto de uma ótica mais debochada e cínica do diretor grego Yorgos, que tem como característica apresentar temas que parecem ser do cotidiano, mas que vai muito além da normalidade, neste filme ele trás o luxo e esplendor visual da corte inglesa, mas seus personagens são grosseiros e pouco refinados e seu foco é na intriga entre as três personagens, com cenas bizarras e hilárias. Ou seja, com uma visão muito cínica da época, onde o universo é feminino (o poder está na mão das mulheres), todas as decisões são tomadas a parir delas, inclusive a sexual, os homens são apresentados como personagens superficiais e muitas vezes ridicularizados, neste filme ocupam um lugar realmente secundário e por que não dizer substituíveis. Uma visão muito diferente do que já foi apresentando em outros filmes anteriormente, como Razão e sensibilidade (1.995), Ligações perigosas (1.988), Orgulho e preconceito (2.005) e A outra (2.008), onde apesar de toda intriga, as mulheres eram de certa forma subjugadas à figura masculina, a uma visão machista da sociedade. Neste filme, as mulheres tem um  comportamento muito parecido com o que os homens tiveram durante séculos, não são diferentes e nem melhores, tem comportamentos iguais. O filme também aborda perdas (afetivas e de poder) e como cada um se posiciona diante disso e mais ainda, insinua um questionamento sobre a exerção do poder ser inversamente  proporcional à maternidade.  

O elenco realmente afinado, as atrizes principais estão maravilhosas, tanto que foram indicadas nas categorias de Melhor Atriz (Olívia) e Atriz Coadjuvante (Stonne e Weisz), levaram a rivalidade da ficção pra a vida real, ambas disputando a mesma premiação. 
Curiosidades: O filme foi escrito a partir de um roteiro escrito por Deborah Davis e Tony McNarara. Teve sua estréia mundial no 75  Festival Internacional de Cinema de Veneza em 30/08/18. No EUA, em 23/11/18 e foi aclamado pela crítica, foi elogiado no seu roteiro, direção, cinematografia, música, figurino, valores de produção e as atuações das atrizes principais.
O reinado da Rainha Anne foi de 1.702 a 1.714, herdou o trono do seu tio, o Rei Carlos II, que não teve filhos legítimos. Anne  governou por 12 anos, período onde sofreu muitos problemas de saúde (depressão, gota), perdeu 17 dos filhos que teve com seu marido (nem mencionado no filme), o Príncipe Jorge, da Dinamarca. Alguns fontes, dizem que ela não era bem como foi retratada no filme, não era tão imatura, temperamental, histérica e alienada, como foi mostrado no filme; mas que devido as doenças e dores terríveis que sentia, foi se afastando de suas principais responsabilidades. O filme é baseado na história real das personagens.
É uma trama "picante" também, por abordar relações homossexuais dentro da realeza britânica e isso é algo que não acontece todo dia. Rsrsrsr
Kate Winslet foi originalmente escolhida para compor o elenco, mas desistiu de seguir com o filme e Rachel a substituiu. O elenco inclui duas vencedoras de Oscar, Emma Stone em La La Lend (2.017) e Rachel por O jardineiro fiel (2.006). É o primeiro filme que o diretor não escreve o roteiro. É o segundo filme que o diretor e a atriz Rachel trabalham juntos, o primeiro foi em O lagosta (2.015). É o segundo filme que os atores Rachel e Nicholas atuam juntos, o primeiro foi em Um grande garoto (2.002).

Indicações e Premiações: teve 10 indicações para o Oscar, para Melhor Filme, Direção,  Roteiro Original, Montagem, Designer de Produção,  Atriz Coadjuvante (2), Fotografia (Robbie Ryan) e Figurino (Sandy Power),  mas só levou um, de Melhor Atriz (Olívia Colmann). Eu particularmente estava torcendo pela atriz Gleen Close, acredito que tenha tido um desempenho mais expressivo que o da Olívia e já foi indicadas outras vezes e nunca ganhou, como por exemplo em Atração fatal (1.988), Ligações Perigosas (1.989) e Albert Nobbs (2.011).

Ao Globo de Ouro, teve 5 indicações: Filme Comédia ou Musical, Atriz, Atriz Coadjuvante e Roteiro, venceu para Melhor Atriz em Comédia ou Musical (Olívia Colmann). 
Já ao BAFTA, "fez a festa", foi indicado e ganhou nas principais categorias: Melhor Filme Britânico, Atriz, Atriz Coadjuvante (Rachel Weisz), Roteiro Original, Direção de Arte e Figurino. 
Prêmio Marcello Mastroianni para Melhor Atriz (Colmann)
No Festival de Veneza para Melhor Roteiro.
Recomendo!!! Filme visualmente lindo e com diálogos muito bons, cada personagem tem uma personalidade ao mesmo tempo complexa e cativante..
É um filme que poderia ser colocado em várias categorias, como Drama e Comédia, apesar de ser um humor negro. 

O último dos Moicanos


Diretor: Michael Mann
Atores: Daniel Day Lewis, Madeleine Stone, Russell Means, Steven Waddington, Jodhi May, Eric Schweig, Wes Studi, Maurice Roeves.
Gênero: Épico
Duração: 122 minutos
Ano: 1.992



Sinopse: em solo americano, tropas britânicas e francesas disputam o domínio de território, enquanto uma terceira força, formada pelas inúmeras tribos indígenas também entra na batalha, fazendo negócio com um ou outro lado. Em meio a esta disputa sangrenta pelo continente norte americano, um homem branco, criado por um índio Moicano se envolve com a filha de um oficial inglês, e pretende tirá-la do meio do combate.



Mais um épico que fez um grande sucesso, sua trama é baseada no livro, publicado pela primeira vez em Janeiro de 1.826, de James Fenimore Cooper. Aborda o problema político de 1.757, durante a Guerra Franco-indígena (parte da Guerra dos Sete Anos), nas Montanhas Adirondack, no que era então a Colônia Britânica de Nova York. Ingleses e franceses brigam por uma hegemonia, e como sempre, sem medir as consequências no que isso traria para os nativos, mostra o choque de valores da cultura do homem branco e o povo indígena, já dizimada nos EUA. E três viajantes, o mais velho Chingachook (Russelll Means), é o último chefe da Tribo dos Moicanos, seu filho Uncas (Eric Schweig) e seu filho adotivo branco Nathaniel Poe/Hawkeye (Daniel Day Lewis), buscando um novo lar, acabam se envolvendo no conflito e tentam buscar equilíbrio e justiça na situação. As atuações estão excelentes, principalmente Daniel, que como sempre está impecável/convincente com Nathaniel, este ator britânico é famoso por ir ao extremo na preparação para os seus personagens. Para este filme, ele viveu durante um tempo em um lugar selvagem, que poderia ter sido o local escolhido para as filmagens do longa, onde ficou caçando e pescando; vivendo fora de lugares urbanos alguns meses antes das gravações. Tem uma Trilha Sonora daquelas que marcam as nossas memórias, elaborada por Trevor Jones e Randy Edelman, sendo que o tema principal foi basada na melodia, The Gael, do cantor e compositor escocês Dougie MacLean. Com ótimos cenários e história de época. E a fotografia é de notável beleza, com magníficas paisagens, linda demais assinada por Dante Spinotti. Figurino de Elsa Zamparelli.


Apesar de ter gostado muito do filme, senti que tudo se passa rápido demais e a história poderia ter sido melhor aprofundada; ainda que o filme, no seu contexto geral seja grandioso, fiquei com a sensação de que ficou faltando algo.

Curiosidades: O filme foi gravado na Carolina do Norte. A mãe da atriz Jodhi Mae, que faz a Alice Munro, estava presente no set de filmagem o tempo todo e não permitira que houvesse uma cena de amor entre o personagem da filha e do Eric Schweig (Uncas). Esta atriz, Jodhi, declarou ter ficado muito chateada pois grande parte de seu personagem desapareceu após a edição na sala de cortes, só aparecendo a garota frágil e assustada.
Um dos pumas que aparece no filme, vive agora no Hollywild Animal Park, na Califórnia.
Vai ganhar uma série na HBO Max, com a mesma Diretora de Watchmen.
Michael Mann dirige, foi colaborador n Roetiro e na Produção.
Indicações e Premiações:  Ganhou o Oscar 1.993 para Melhor Mixagem de Som (Chris Jenkins, Doug Hemphill e Simon Kaye).
Acredito ter sido um injustiça não ter sido indicado na categorias de  Melhor Fotografia, Figurino e Música Original. Os ganhadores nestas categorias foram: Fotografia, Nada é para sempre, de Phillipp Rousselot, tendo como concorrentes: Retorno a Howards End, Os imperdoáveis, Hoffa - um homem, uma lenda e O amante. O Figurino foi Eiko Ishioka, por Drácula de Bran Stocker, tendo como outros concorrentes: Um sonho de Primavera, Retorno a Howards End, Malcolm X e A revolta dos brinquedos. E quanto à Musica Original, a premiada foi Alladdin (A whole new world) de Allan Menken, as outras indicações foram: Instinto selvagem, Chaplin, Retorno a Howards End e Nada é para sempre. Sei que eram concorrentes fortes mas...


Ao Globo de Ouro, foi indicado a Melhor Trilha Sonora para cinema. Mas também não ganhou.
Ao BAFTA: foi indicado em várias categorias: Melhor Ator (Daniel), Figurino, Som, Trilha Sonora e Desenho de Produção, Roteiro. Venceu nas categorias: Fotografia e Maquiagem (Peter Robb-King).
Recomendo!!!

sexta-feira, 27 de março de 2020

Green book - o guia



Diretor: Peter Farrellly
Atores: Viggo Mortensen, Mahershala Ali, Linda Cardellini, P.J. Byrne
Gênero: Biografia
Duração: 130 minutos
Ano:2019

Sinopse: Em 1962, Tony Lip (Viggo Mortenssen), um dos maiores fanfarrões de Nova York, precisava de trabalho, pois a famosa boate Copacabana, fechou as portas para reforma. Ele então conhece um pianista Don Shirley (Mahershala Ali) que o convida a trabalhar para ele, como motorista numa turnê que fará ao sul do país. Enquanto os dois se chocam no início, um vículo finalmente cresce, na medida que eles viajam. 


O filme me fez lembrar de outros dois mais antigos, Conduzindo Miss Daisy (1989) e o francês Intocáveis (2011), onde duas pessoas com comportamentos e personalidades tão distintas, como que para confirmar aquela Lei da Física, de que os opostos se atraem, acabam por construir uma relação forte e profunda, porém inesperada. E como nos anteriores, o filme trás um conteúdo extremamente racista, sendo que neste o período ocorre na década de 60, mais precisamente nos anos de 1962, e um prisma que vai desde algo mais leve/velado até algo mais escancarado e violento. Com um roteiro inusitado e muito bom, é surpreendente a forma como ocorre o enfrentamento desta discriminação racial, infelizmente ainda tão presente na nossa sociedade. Muito sutil e tem tudo a ver com uma das frases marcantes do filme: "Ser gênio não é suficiente, é preciso coragem para mudar o coração das pessoas". Isso é tão lindo, profundo e digno!!! Tudo foi colocado na medida certa: sem violência demais, o mesmo ocorrendo com o humor, tudo na medida certa.



O filme é comovente e emocionante!!! Ao mesmo tempo pode ser visto como um passatempo, mas também como fonte rica de reflexão e educativo. Presença de uma gama enorme de sentimentos que são mostrados e despertados: racismo, medo, desconstrução do pré-conceito, solidão, baixa autoestima e perfeccionismo. Foi baseado em uma história real, do nascimento de uma amizade improvável, mas duradoura entre o sofisticado e contido pianista Don Shirley e o grosseiro, engraçado e típico ítalo-americano Tony Lip (Vallelonga, mas ganhou o apelido Lip, por ser respondão/bicudo), que era famoso por ser "o leão de chácara", o faz tudo de uma boate famosa.
Curiosidade: o carteiro Victor Hugo Green, criou o Green-book (Livro verde), que listava restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos comerciais, onde os negros eram bem vindos, pois havia muitos lugares onde os banheiros eram separados e onde não podiam entrar.
 É o primeiro drama de Farrelly, era mais conhecido por fazer comédia, como Débi e Lóide, Quem vai ficar com Mary? e o O amor é cego.



O real Tony Lip se tornou ator e foi figurante em vários filmes sobre a máfia, como O poderoso Chefão, Os bons companheiros, Um dia de cão.
Indicaçôes  e Premiaçôes: Ao Globo de Ouro, foi indicado em quatro categorias: e ganhou três Melhor Filme Musical ou Cômico, Roteiro de Cinema e Ator Coadjuvante em Drama ou Musical, só não ganhou para Melhor Diretor.
Ao BAFTA, ganhou para Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali), mas teve outras indicaçôes também, de Melhor Direção, Ator e Roteiro Adaptado.


E ao Oscar teve cinco indicaçôes e ganhou três: para Melhor Filme, Roteiro Original, Ator Coadjuvante, não ganhou para Melhor Montagem e nem para Melhor Ator (Viggo Mortensen).
Foi uma grata surpresa ver este filme, então eu recomendo que veja, não vai se decepcionar e nem se arrepender.

A escolha de Sofia




Diretor: Alan J. Pakula
Atores: Meryl Streep, Kevin Klein, Peter MacNikol, Rita Karin
Gênero: Drama
Duração: 150 minutos
Ano: 1982


Sinopse: Em 1947, Stingo (Peter MacNikol) é um jovem protestante e asperante a escritor vindo do sul que vai morar no Brooklyn, na casa de Yetta Zimmerman (Rita Karin) que aluga quartos. Lá conhece Sofia Zawinstowiska (Meryl Streep), sua vizinha do andar de cima, que é polonesa e fora prisioneira em um campo de concentração e Nathan Landau (Kevin Klein), seu namorado, um carismático judeu, dono de um temperamento totalmente instável. Em pouco tempo tornam-se amigos, sendo que Stingo não tem a menor idéia dos segredos que ambos escondem.


Mais um filme maravilhoso protagonizado pela diva Meryl Streep, ela está linda nesta performance  e memorável, como a sobrevivente do Holocausto, Sophie. Filme baseado no romance homônimo de 1979, do escritor americano William Clark Styron, que relata neste romance filosófico a tragédia vivida por Sophie Zawistowiska. O filme aborda com delicadeza e através de flash backs da personagem os horrores da Segunda Grande Guerra Mundial e suas consequências, o impacto que isso pode ter no psiquismo dos sobreviventes: dor, medo, pânico e no caso da personagem, culpa, muita culpa; por estar viva e por ter sido obrigada a fazer uma escolha terrível que marcaria sua vida pra sempre.


Sofia é forte e com uma personalidade densa, mas trás cicatrizes profundas do Holocausto e quando encontra Nathan, um judeu americano culto, instável e obcecado pela Guerra, faz dele sua nova razão de viver, ele trás a sua vida o colorido e leveza que havia perdido. Eles de certa forma se completam: ele com seu brilhantismo, alegria de viver e fantasia, possibilita a ela o lenitivo para aplacar suas dores da alma. Os dois acabam estabelecendo uma relação doentia, de amor e ódio (Instinto de Vida, Eros e Instinto de Morte, Tânatos), com muito erotismo e sedução.


Ela precisa da loucura dele para esquecer seus traumas e ele precisa dela, fascinado por sua beleza e pela aceitação/submissão completa que ela desenvolve por ele, aceitando seu descontrole emocional. Daí conhecem Stingo, tornam-se amigos e logo acabam criando um triângulo amoroso, com sentimentos complexos de amor, inveja, ciúme, admiração, fascinação e medo. Sofia acaba fazendo uma segunda escolha na sua vida... Os atores Meryl e Klein estão maravilhosos como os personagens principais, que são de uma riqueza e ao mesmo tempo complexos demais, o que provavelmente não deve ter sido fácil de desempenhar. Meryl dá vida a Sofia, está simplesmente perfeita!!!! Realmente merecedora do Oscar. Inicialmente quando vem para Nova York está frágil, insegura, apesar de ser culta e falar várias línguas, mas com dificuldade para pronunciar o inglês e vai se tornando cada vez mais forte, apesar de toda sua história e Klein, incrível!!! Demonstrando muita segurança, ainda que este personagem tenha sido seu primeiro trabalho no cinema. São ambos, de certa forma apaixonantes. Deve ser por isso que Stingo se encanta por eles e se sente tão acolhido afetivamente.
Tendo como equipe técnica: Cenografista: George Jenkins, Diretor de Fotografia Nestor Almendros; responsável pela música Marwin Hamlisch. Figurino muito criativo e lindo de Albert Wolsky.
Curiosidades: a atriz Meryl se recusou a fazer a cena da escolha, outra vez, por ter achado a cena muito dolorosa e desgastante para filmar. E anos depois, ao participar do programa de Oprah Winfrey, foi apresentada novamente a cena e Meryl ficou visivelmente perturbada.  Meryl também literalmente implorou para fazer este personagem ao Diretor Pakula (ficou realmente de joelhos). Neste filme, ele dirige, escreveu o roteiro e ainda produziu.



Outras atrizes foram convidadas e fizeram testes pra o papel: Marthe Keller e Barbra Streisand.
O filme foi tão marcante que virou uma expressão usada para significar uma escolha muito difícil, uma decisão quase impossível de se tomar.
Indicaçôes e Premiaçôes: Foi indicado ao Oscar de 1983 para Melhor Fotografia, Figurino, Trilha Sonora e Roteiro Adaptado e venceu para Melhor Atriz, claro! Meryl Streep.
Ao BAFTA: indicações para Melhor Atriz e Melhor Ator Estreante.
Ao Globo de Ouro foi indicado para Melhor Filme Drama, Atriz em drama e Astro do ano em cinema.

Na Academia Japonesa de Cinema, foi indicado para Melhor Filme Estrangeiro.
Recomendadíssimo!!! É um filme simplesmente inesquecível!!!

quarta-feira, 25 de março de 2020

Colcha de retalhos




Diretora: Jocelyn Moorhouse
Atores: Winona Rider, Ann Bancroft, Ellen Burstyn, Kate Nelligan, Claire Danes, Alfre Woodard, Dermot Mulroney, Jared Leto
Gênero: Drama
Ano: 1995



Sinopse: Enquanto elabora sua tese para concluir sua formação e se preparando para assumir um relacionamento com seu noivo, Finn Dodd encontra-se confusa com rumo em que dará na vida, acaba se refugiando na casa de sua Tia e Avó, para passar o verão (local onde passava suas férias, na infância). Lá também residem várias amigas da família e que estão se preparando para confeccionar uma colcha de retalhos para ser o presente de casameto dela. Enquanto o trabalho é feito, ela ouve relatos de paixão e envolvimentos nem sempre moralmente aprováveis, mas repletos de sentimentos que estas mulheres tiveram. Neste meio tempo, Finn se sente atraída por um desconhecido, criando mais dúvidas no seu coração que precisam ser esclarecidas. 



Filme muito delicado que aborda os sentimentos da alma humana em diferentes etapas da vida e sobretudo as várias fases do amor, apresentado de inúmeras maneiras: através da demonstração do afeto a um ente querido, a um parceiro, a um objeto ou animal e, até mesmo através da razão. Lições sobre o perdão e desapego, através de um arco-íris de sentimentos e emoções. Lindo demais!!! O filme tem um elenco feminino de peso, verdadeiras divas, que ao se reunirem para confeccionar uma certa colcha, e que fazia parte dos hábitos da comunidade local, vão contando sua história de vida e imprimindo sentimentos naquilo que estão fazendo. A colcha será o presente de casamento da personagem principal Finn (Winona Rider), e ela tem até um nome: Onde vive o amor? Estas mulheres são fortes e especiais e a convivência de Finn com elas, neste período de sua vida, será decisivo para sua transformação interna, para que possa enfrentar a vida, sem medo e dúvidas e ainda passando a ouvir mais sua intuição e a dar mais força as suas escolhas. O maravilhoso é que ao mesmo tempo, ao contar suas histórias amorosas através da confecção da colcha, estas mulheres também passam a ver suas vidas de forma diferente (o artesanato contribuindo para uma transformação catártica de todas). O roteiro é muito bem construído através das mãos habilidosas de Jane Anderson. A Trilha Sonora melancólica é assinada por Thomas Newman. A Direção de Fotografia, que por sinal está belíssima e bucólica tem como responsável, o conhecidíssimo Janusz Kaminski. E Diretoras de Elenco: Risa Branon Garcia e Mary Vernieu.


Curiosidade: Foi a estréia do ator Jared Let no cinema.
Frase  marcante do filme: "Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas que acrescentam e me fazem ser quem sou. Em cada encontro, em cada contato vou ficando maior... Eu compreendo e aceito que a felicidade será sempre pequenos retalhos da colcha da vida". 





"Como saber se devemos fica com a pessoa o resto da vida?"
Recomendadíssimo!!! Tocante e inesquecível!!! 

Veja ou reveja e comente.

A esposa




Diretor: Bjorn Runge
Atores: Glenn Close, Jonathan Pryce, Max Irons, Christian Slater, Harry Lloyd, Elizabeth McGovern, Annie Starke
Gênero: Drama
Duração: 101 minutos
Ano: 2019



Sinopse: Joan Castleman (Glenn Close) é casada com um homem controlador e que não sabe cuidar de si mesmo e de outra pessoa. Ele é escritor e está prestes a receber o Prêmio Nobel de Literatura. Joan, que passou 40 anos ignorando seus talentos literários para valorizar a carreira do marido, decide abandoná-lo.  


Mais um filme interessante que embora não tenha sido indicado a Melhor Filme, teve a sua protagonista principal indicada e acredito que foi uma injustiça não ter ganho, uma vez que é uma das mais talentosas de Hollywood. Foi baseado no livro homônimo de Meg Wolitzer e aborda o ambiente machista do mundo literário, mas sem um aprofundamento, tanto que diante de todo conteúdo apresentado, ainda assim, não ocorre uma emancipação da personagem, suas escolhas ainda são fomentadas pela submissão. O roteiro de Jane Anderson foi eficientemente adaptado, o filme gira inicialmente em torno do escritor que foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura e a repercussão que isso desencadeia e culmina com a ida do casal e o filho para Estocolmo na Suécia, onde ocorre oficialmente a entrega. Apesar da história ter o foco nesta premiação, desde o início a câmera esta sempre flagrando as expressões da esposa, que apesar de discretas, são profundas e percebidas pelo expectador, cheias de uma infinidade de sentimentos.  Os diálogos apresentados são excelentes e gradativamente vai se descortinando um novo panorama na relação do casal e da família, o que aparentemente era uma relação ideal, começa a mudar na medida que vão surgindo muitos silêncios e sentimentos de desconforto e dando a dica de que há algo de mais nebuloso na relação de todos e de que nem tudo é o que parece. Durante a viagem, Joan (Glenn Close) começa a questionar suas escolhas na vida, após quarenta anos de casamento e onde isso a levou: sacrifício de seu talento e sonhos, por um amor e para manter e apoiar a carreira literária promissora do orgulhoso e mimado Joe (Jonathan Pryce). O filme é ambientado nos anos de 1982, e ainda neste período o modelo machista estava presente como nunca: talento reconhecido e valorizado só através da figura masculina. E tudo é muito potencializado pela presença de um jornalista insistente que deseja escrever um livro biográfico sobre Joe e após inúmeras pesquisas de suas vidas, encontra-se ávido pra trazer alguns questionamentos e possíveis segredos à tona. Enfim, o filme mostra a complexidade das relações desta família, permeada por sentimentos tão conflitantes de amor, ódio, raiva, inveja, admiração e submissão. E também da aborda a fragilidade dos relacionamentos da terceira idade. 


Ironicamente ou não, o filme acaba por ressaltar o talento feminino (atriz e roteirista), como que para ressaltar aquele dito popular que "atrás de um grande homem, sempre existe um  grande mulher" ou mulheres, apesar do cunho machista, mas...
Atuação maravilhosas dos atores, principalmente de Glenn Close, que está majestosa e teve o reconhecimento merecido ao ser indicada para Melhor Atriz em várias premiações, mas não levou a estatueta do Oscar. Ela já foi indicada outras vezes, mas nunca ganhou (infelizmente), em Atração Fatal (1987), Ligações Perigosas (1988), Albert Nobbs (2011).
Indicações e Premiações: Indicação de Melhor Atriz ao Oscar 2019, ao BAFTA e ao AACTA Internacional Award. Vencendo para Melhor Atriz em Drama ao Globo de Ouro.
Curiosidades: o filme foi selecionado para o Festival de Internacional de Cinema de Toronto em 2017. E a atriz que interpreta Joan quando mais jovem, Annie Starke, é filha de Gleen Close, daí a enorme semelhança. 
Recomendo que seja assistido, vale muito a pena.

domingo, 13 de outubro de 2019

Vice


 Diretor: Adam McKay
Atores: Chrsitian Bale, Amy Adams, Steve Carell, Sam Rockwell, Bill Pullman, Lily, Rabe, Tyller Perry, Lindsay Hamilton, Allisson Pill
Gênero: Biografia
Duração: 134 minutos
Ano: 2019


Sinopse: Na juventude Dick Cheney (Christian Bale) se associou ao Partido dos Republicanos ao ver na política uma grande oportunidade de ascender na vida. Para tanto se aproxima de Donald Rumsfield (Steve Carell) e logo se torna seu assessor direto. Com a renúncia do ex presidente Richard Nixon, os poucos republicanos que não estavam associados ao governo, ganham imediatamente importância, e com isso, tanto Cheney quanto Rumsfeld retornam à esfera do poder do partido. Décadas depois, com a decisão de George W. Bush (Sam Rockwell) em se lançar candidato à Presidência, Cheney é cortejado para assumir o posto de Vice. Ele aceita,mas com uma condição: que tenha amplos poderes dentro do Governo, caso s chapa formada seja eleita.


Mais um trabalho espetacular de Christian Bale que interpreta o inexpressivo Dick Cheney e sua trajetória na política americana, até se tornar o mais poderoso Vice Presidente dos EUA (2001 a 2009). A idéia da produção é mostrar como as políticas do ambicioso Cheney mudaram o mundo que conhecemos, ele é a figura importante que está por trás do tão falado Presidente George W. Bush e soube usar cada oportunidade para conseguir o que queria. É mostrado um personagem sem carisma, que inicialmente nem sabia o que queria da vida, mas com o incentivo certo da esposa Lynne e seu antigo chefe e mentor Donald (Chefe de Gabinete e Secretário de Estado em Governos do Partido Republicano, que na verdade parece ser a figura que Cheney gostaria de ser, mas não consegue), aliados a sua grande capacidade de observação e inteligência (trabalhava a partir dos bastidores), e ainda com seu grande poder de convencimento, foi engendrando planos e mais planos, chegando onde quis, sem precisar dos holofotes: arquitetou e manipulou a decisão da Guerra contra o Iraque e Afeganistão, pós o dia fatídico de 11 de Setembro de 2001; promoveu atrasos na questão da Energia Solar e mantendo uma forma retrógrada e preconceituosa de pensar, incentivando a população a se manter contra o casamento gay (ainda que sua sucessora e filha, fosse gay). O filme mostra a política hipócrita e oportunista dos políticos Republicanos (de Direita) e suas "artimanhas e jogadas" para permanecerem no poder, contada de uma forma bastante agradável e irônica, de acordo com o ponto de vista do diretor e roteirista McKay (que já mostrou seu talento em outros filmes como A grande aposta (2015), também nesta linha e Homem Formiga (2015). É uma excelente oportunidade para refletirmos, que esta forma de governo: corrupta e interesseira, não só acontece no Brasil. Temos com este filme, um bom panorama da história política dos EUA, neste período. O elenco está maravilhoso, não foi à toa, que todos os principais foram indicados as categorias de melhores atuações. Trilha Sonora assinada por Nicholas Britell e a Fotografia por Greig Fraser.

Curiosidades: é o segundo filme sobre a administração de Presidente George W. Bush, tem o W. (2008), do cineasta Oliver Stone. Em 22 de novembro de 2016, foi anunciado que a Paramount Pictures participara da aquisição dos direitos de um drama sobre a vida de Dick Cheney, que participou inicialmente da gestão de George Bush (pai), que foi o executivo-chefe da Halliburton (Companhia Petrolífera) e que volta ao cenário político novamente se tornando o Vice-Presidente mais poderoso da história americana.


Bale assinou o contrato em abril de 2017, para ser o personagem de Cheney, e grande parte do elenco se juntou à produção no decorrer do ano, sendo que as gravações começaram em Setembro de 2017. Ele conta que precisou fazer um trabalho de laboratório muito mais minucioso que o normal, precisou dominar todo o linguajar que um político usa, e ainda o sotaque e o jeito lento de falar de Cheney. E teve que engordar 20 kg para interpretar o político 33 anos mais velho, comeu muitas tortas e engrossou o pescoço graças a uma técnica de exercícios específicos, teve que descolorir as sobrancelhas e raspar a cabeça. O filme teria uma sequência musical para reforçar o tom de comédia, mas a cena foi cortada porque McKay decidiu tornar o filme mais sério. Sam  Rockwell usou prótese no nariz e na boca, para se parecer mais com o presidente. E tem uma coincidência, Bale e Cheney nasceram no mesmo dia, 30 de Janeiro, só que Cheney em 1941 e Bale só veio ao mundo em 1974. 
Indicações: ao Globo de Ouro foi indicado nas categorias Melhor Filme em Comédia ou Musical, Diretor, Atriz Coadjuvante para Comédia ou Musical e Ator Coadjuvante para Comédia ou Musical. Venceu para Melhor Ator. Ao Oscar foi indicado para Melhor Filme, Diretor, Ator, Atriz Coadjuvante, Ator Coadjuvante, Roteiro Original, Montagem, vencendo na categoria de Melhor Maquiagem e Penteados. Ao BAFTA foi indicado para Melhor Ator, Atriz e Ator Coadjuvante, Roteiro Original, Maquiagem e Edição.
Recomendo. Filme muito bom no seu estilo,só não espere grandes ações. É um filme mais lento, mas não menos interessante, propiciando muitas reflexões!!!