sábado, 22 de janeiro de 2022

Fim de caso



Diretor: Neil Jordan
Atores: Ralph Fiennes, Julianne Moore, Stephe Rea, Jason Isaacs, Ian Hart, James Bolan, Adrien Brody, Colin Farrel. Heather Jones
Gênero: Romance
Duração: 102 minutos
Ano: 1999


Sinopse: Ambientado em Londres, por volta de 1946, o romancista Maurice Bendrix (Ralph Fiennes), um romancista, reencontra Sarah Miles (Julianne Moore), mulher casada por quem foi apaixonado e que um dia, sem explicação, põe fim ao caso. Para descobrir o motivo, um detetive é contratado para ajudar na investigação.

Quando vi este filme, saí do cinema pensativa e tocada, e destas reflexões até surgiu uma frase que escrevi: O amor não acaba quando e porque não nos vemos. Passamos a vida toda amando ao Criador, sem sequer o termos visto uma única vez. Brasília, 30/08/1.999.

O filme tem a direção do talentoso Neil Jordan que já dirigiu sucesso como Traídos pelo desejo (1992) e Entrevista com o Vampiro (1994). Desta vez ele trás um história romântica, permeada de desejo, traição e culpa. Abordando temas complexos que vivemos em nosso cotidiano: amor, fidelidade, religião, escolhas e consequências, o que leva o expectador a fazer um "mergulho interno" em suas próprias emoções,  crenças, ideais. Quem nunca viveu conflitos ligados a estes temas? Assim possivelmente ocorre muitas identificações com o tema abordado e ficamos sensibilizados com os sofrimentos apresentados por cada um dos personagens.







O cenário é a Inglaterra e a época é entre 1939 a 1946, em plena Segunda Grande Guerra Mundial. Onde Sarah (Moore) é casada com Henry (Rea), um homem que ela ama, mas não tem intimidade. Quando conhece Maurice (Fiennes), surge entre eles uma atração fortíssima e acabam embarcando num tórrido caso de amor. Até que um dia Sarah sai definitivamente da vida de Maurice, sem nenhuma explicação. Dois anos depois, ocorre um reencontro de Maurice com o casal e ainda desesperado para saber o que motivou o término e mais ainda, incentivado pelo próprio marido que pede ajuda a ele, tenta descobrir se Sarah está sendo infiel. Enciumado e angustiado começa uma investigação sobre a vida e rotina dela. Mas isso trás de volta todo seu amor e a descoberta de um segredo devastador. O filme é muito bem construído, com cenas do momento atual e muitos flahsbacks.


Tem uma bela fotografia assinada por Robert Pratt. 
Figurino impecável de Sandy Power que já ganhou prêmios pelos filmes Sheakespeare apaixonado e O aviador.
Trilha Sonora de Michael Nyman, simplesmente sensível e encantadora.
Roteiro de Neil Jordan, tendo se baseado no livro de Grahan Greene, The end of the affair, publicado em 1951.




Indicações e Premiações: foi indicado ao Oscar 2000, para Melhor Atriz (Julianne Moore) e Fotografia, mas não venceu em nenhuma das duas categorias. Quem venceu neste ano foi a atriz Hilary Swank em Meninos não choram e a fotografia foi de Conrad L. Hall, em Beleza Americana.
No Globo de Ouro, teve indicação para Melhor Filme Drama, Direção, Atriz Drama e Trilha Sonora, sendo que também não venceu em nenhuma delas.
Já ao BAFTA foi indicado a Melhor Filme, Direção, Ator, Atriz, Trilha Sonora, Cinematografia, Figurino, Maquiagem e Caracterização e ainda Designer de Produção. Vencendo só para Melhor Roteiro Adaptado.   





Recomendadíssimo!!! 







Destacamento Blood


Diretor: Spike Lee

Atores: Delroy Lindo, Jonathan Majors, Clarke Peters, Norm Lewis, Isiah Whitlock Jr, Chadwick Boseman, Melanie Thierry, Jean Reno,

Gênero: Drama

Duração: 155 minutos

Ano: 2020








Sinopse: Um grupo de quatro amigos e ex veteranos da Guerra do Vietnã, voltam à nação asiática para recuperar um tesouro escondido e rever os restos mortais de seu líder de esquadrão, Norman Halloway (Boseman). Porém em sua jornada, eles vão ter que enfrentar os perigos da selva vietnamita e outras ameaças.


Foi o primeiro filme que assisti dos "possíveis" filmes indicados ao Oscar 2021, um dos últimos do nosso querido e saudoso Chadwick Boseman, que infelizmente partiu tão cedo (28/08/2020). Ainda bem que em um deles ele foi indicado, em  A voz suprema do Blues, que vou comentar brevemente.

O filme tem o roteiro assinado por Spake Lee e Kevin Willmot, baseado na material original de Danny Bilson e Paul de Meo, The lest tour escrito em 2013, tipo um roteiro especulativo, que teria a direção de Oliver Stone, mas abandonou o projeto em 2016. Sendo que Lee e Willmot reescreveram o roteiro e Lee assumiu a direção. Mais uma vez aborda o tema que retrata a sua marca: preconceitos, racismo e sua visão crítica do cenário político de cada época. Neste não foi diferente, apresenta o retorno dos quatro amigos atormentados pelos fantasmas da guerra e que resolvem voltar ao Vietnã depois de décadas, em busca daquilo que deixaram para trás, não só coisas materiais, mas principalmente dos sonhos, objetivos e memórias, da experiência individual e única vivida e ainda, do significado que esta guerra passou a ter para onde cada um. Como uma "viagem", um retorno a si mesmo, um mergulho emocional e psicológico na sua história, possibilitando que viessem à tona: medos, traumas, angústias e culpas.  




Foi também mais uma denúncia da situação que ainda hoje acontece na política dos EUA, com seus preconceitos e discriminações. Mas em alguns momentos senti que Lee forçou um pouquinho a barra, em inúmeras cenas, havia uma referência a Trump (chato e repetitivo), e a velha questão dos americanos se fazendo de "vítima" nesta guerra, quando a História mostra que não foi bem assim.   

Trilha Sonora de Terence Blanchard, que além da trilha ooriginal, o filme apresenta várias músicas do início dos anos 1970. O filme contém seis músicas do álbum de Marvin Gaye de 1971, What's going on.

Cada um dos cinco personagens principais possui o mesmo nome que os integrantes do grupo The Temptations e o seu produtor musical, Norman Whitifield. O álbum da trilha sonora do filme foi lançado pela Milan Records em 29 de maio de 2020. 

Produção de John Kilik, Beatriz e Lhoyd Levin. Fotografia de Newton Thomas Sigel


Curiosidades: O elenco foi convocado em fevereiro de 2019 e as filmagens, no sudoeste asiático (Ho Chin Minh, Banguecoque e Chiang Mai) começaram um mês depois e foram até junho. Com um orçamento entre 30 e 40 milhões de dólares,é um dos filmes mais caros de Lee. Ao contrário de outros filmes, incluindo O Irlandês, Lee fez com que o elenco principal (a maioria tinha em torno de 60 anos), interpretasse suas versões mais jovens, em sequências de flashbacks sem o uso de tecnologia de rejuvenescimento ou maquiagem. 

Foi o penúltimo filme da carreira de Boseman.


É um filme forte, surpreendente e imprevisível! Recomendo!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Um sonho distante

Diretor: Ron Howard

Atores: Tom Cruise, Nicole Kidman, Robert Prosky, Thomas Gibson, Barbara Babcock. Colm Meaney, Cyril Cusseck, Jared Harris

Gênero: Aventura

Duração: 140 minutos

Ano: 1992


Sinopse: Joseph (Tom Cruise)  e Shannon (Nicole Kidman) viajam da Irlanda para a América com a esperança de poder reivindicar terras no Oklaroma. A dupla acaba parando em Boston, onde Joseph começa a lutar boxe para sobreviver, mas quando perde uma luta importante, os dois ficam sem dinheiro. Agora o casal, que está cada vez mais envolvido emocionalmente, precisam encontrar outras maneiras de se sustentar e Joseph ainda se questionando se ele é realmente o homem ideal para Shannon.



Filme com uma história interessante, apresenta cenas que vão do drama ao hilário, de tensão ao admirável, com excelente elenco, fotografia maravilhosa, assinada por Mikael Solomon. Mas foi um filme que não agradou a todos, tendo uma recepção mista, houveram muitas críticas (alguns acharam longo demais, outros gostaram das paisagens mostradas). Jay Cara do The Boston Globe diz "é um retrocesso dos bonitos romances históricos, e que foi o projeto mais ambicioso da temporada". Já Kenneth Turan, do Los Angeles Time disse que gostou da produção e fotografia panorâmica, mas não gostou muito dos diálogos e do desenvolvimento do caráter dos personagens. Outro jornalista Gene Siskel do Chicago Tribune, disse que para ele o filme foi um melodrama romântico, levemente antiquado que tem  muitos  momentos encantadores como também embaraçosos e que muito do charme vieram dos próprios desempenhos sérios dos atores principais. 



A trama se passa em 1892 e tem início na Irlanda. Joseph Donnely (Cruise) é um jovem analfabeto que se revolta com um poderoso proprietário de terras e se vê em situação difícil e acaba sendo salvo por uma jovem (Shannon/Kidman) que o resgata com uma carroça e salva sua vida. Insatisfeitos com a vida que estão levando decidem partir para os EUA, atrás do sonho americano. Mas este sonho não será nada fácil de realizar, terão que passar por duras provas, aventuras, muitas lutas para conquistar o que almejam, que é uma vida mais digna no novo mundo, ainda que cada um tenha objetivo diferente: Joseph quer ser dono de terra, por já ter passado muita humilhação e Shannon encontra-se fascinada com uma vida moderna e também ter suas terras, mesmo não tendo um marido, quebrando assim o rígido código moral da Irlanda.




O filme aborda temas como desigualdade social, frustrações, esperança; tendo como pano de fundo as crises de terras na Irlanda e a expansão dos EUA.

Palmas para a produção que é muito caprichada (Todd Hallowel), com um figurino lindo de Joanna Jopliston, Música de Ennya e John Williams.

Curiosidade: É o segundo filme  de três, que Cruise e Kidman trabalham juntos. O primeiro foi em Dias de trovão (1990) e De olhos bem fechados (1999). E os dois eram casados na época das filmagens. 


Prêmios: Melhor Filme no MTV Movie Awards. E indicação para Melhor Sequência de Ação e Melhor Dupla (Tom Cruise e Nicole Kidman).


Vale a pena assistir!!!




Jojo Rabbit


Diretor: Taika Waititi
Atores: Roman Griffin Davis, Scarlett Johansson, Thomasin Mckenzie, Rebel Wilson, Stephen Merchat, Alfie Allen, Sam Rocwell
Gênero: Comédia
Duração: 108  minutos
Ano: 2019

Sinopse: Jojo é um garoto alemão solitário que descobre que sua mãe está escondendo uma garota judia no sótão. Ajudado apenas por seu amigo imaginário, Adolf Hitler. Jojo deve enfrentar seu nacionalismo cego enquanto a Segunda Grande Guerra Mundial prossegue.
 


Gostei imensamente deste filme, apesar de ter sido o último que vi dos indicados ao Oscar 2019. Foi uma grata surpresa. O filme é inspirado no livro Gaging Skies, de Christine Leunens e que conta com um acréscimo do diretor, que é justamente a presença de Adolf Hitler, como amigo imaginário do personagem Jojo. Ela não só gostou como aprovou a idéia e em uma entrevista que deu ao Awards Daily, elogiou a paixão com que o diretor Taika Waititi adaptou sua obra, e descreveu o filme como:  "uma linha muito tênue entre divertido, afiado, trágico e muito assombroso".
O filme estreou mundialmente no 44º Festival Internacional de Cinema de Toronto, em 08 de setembro de 2019, mas aqui no Brasil, só chegou em 04 de fevereiro de 2020. Sua estréia desde o início dividiu os críticos, no que se refere a caracterização nazista (agradou e desagradou) e foi comparado ao que aconteceu na época do filme A vida é bela (1997). O filme é mostrado com a visão satírica do diretor neozeolandês, que já é conhecido por ter esta forma de assinatura (tom cômico a assuntos sérios ou trágicos), sendo que este toque já foi visto na direção dele em Thor Ragnarock (2017), do qual, sinceramente não gostei, acredito que pesou a mão nas falas cômicas/"piadinhas", destoando demais dos anteriores que tiveram uma pegada mais sombria; e outros filmes, como O que fazemos nas sombras (2014) e A incrível aventura de Rick Baker (2016). 


Neste filme, acredito que tenha acertado: é possível ver o conflito interno de Jojo, quando seu amigo imaginário é o próprio Hitler, que trás todo o peso de uma formação radical de ideais do Nazismo, contrastando com o que está vivendo em suas experiencias individuais com uma garota judia. Chamou muito a minha atenção, a forma "pedagógica" de como são construídos os preconceitos e sentimentos de ódio. O filme mostra de maneira muito clara e objetiva, a forma como crianças e jovens são levados a criar uma imagem toda distorcida da realidade, levando a uma reflexão de que uma educação manipuladora da "verdade", pode causar estragos na formação de como o ser humano pode ser visto e internalizado. O jovem Jojo, assim como os outros, desejam fazer parte da Juventude Hitlerista, servir aos seu país e ser bem visto e aceito por todos deste grupo específico, sem se darem conta da profundidade e estragos que esta corrente Nazista ou Neoliberalista podem causar e causou ao mundo. 
Indicações: Oscar 2020, para Melhor Filme, Atriz Coadjuvante (Scarlett Johansson), Figurino, Montagem e Direção de Arte. Vencendo somente na categoria para Melhor Roteiro Adaptado (Taika Waititi).
Globo de Ouro: indicações para Melhor Filme Cômico e Melhor Ator em filme Cômico (Roman G. Davis).

BAFTA: Foi indicado para Melhor Figurino (Mayes C. Rubeo), Atriz Coadjuvante, Trilha Sonora (Michael Giachino), Montagem e Designer. Venceu, também para Melhor Roteiro Adaptado.
Prêmio David Di Donatelo, para Melhor Filme Estrangeiro em 20221.    
Curiosidades: Embora esterante o jovem Roman Griffin Davis ganhou o Prêmio de Melhor Ator Jovem no Critics' Choice Awards.
Pela primeira vez a atriz Scarlett Johanssen concorre ao Oscar, e como se não bastasse, foi em dose dupla: para Melhor Atriz pelo filme História de um casamento e de Melhor Atriz Coadjuvante por Jojo.
Também é a primeira vez que a Figurinista Mayes C. Rubeo é indicada, apesar de já ter assinado grandes produções como Avatar, John Carter - entre dois mundos e Guerra Mundial Z. 
Também foi a primeira indicação de Tom Eagle, como Melhor Montagem. e a segunda vez de Ra Vicent, como Designer de Produção, que já fez o trabalho dr decorador no set de filmagem em O Hobbit, uma jornada inesperada (2012), a Trilogia do Senhos dos Anéis (2001 a 2003) e Alice através do espelho (2016).
Super recomendo este filme. Engraçado na medida certa!

domingo, 24 de outubro de 2021

Seven - os 7 crimes capitais


Diretor: David Fincher
Atores: Morgan Freeman, Brad Pitt, Kevin Spacy, Gwyneth Paltrow,  John C. McGinley
Gênero: Suspense
Duração: 127 minutos
Ano: 1995

Sinopse: A ponto de se aposentar, o detetive Willian Somerset (Morgan Freeman), pega um último caso com a ajuda do recém transferido Davis Milles (Brad Pitt). Juntos descobrem uma série de assassinatos e logo percebem que estão lidando com um assassino que tem como alvo, pessoas que ele acredita representar os sete pecados capitais.

O filme é uma obra prima! Muito bem construído, cheio de detalhes, filme para ver e rever muitas vezes, intenso e mantém a nossa atenção o tempo todo, causando ainda um clima de tensão permanente. Com atuações brilhantes de nada mais e menos que Morgan Freeman, Brad Pitt e Kevin Space (três super atores trabalhando juntos, assim como já referendei, os outros grandes "monstros" do cinema juntos em O irlandês) e estão impecáveis na composição de seus personagens, como não poderia deixar de ser, tendo tudo a ver com o título do filme. E principalmente trás a temática dos pecados capitais, claro! Mas também de forma mais sutil, aborda as virtudes, contrapondo os pecados que ficam tão mais em evidência, por isso precisamos estar com os olhos mais atentos. Somerset e Milles, os dois personagens principais, são opostos em tudo, "brincam" com estes valores o tempo todo, valores estes que tomaram forma e que são discutidos desde a época medieval, e que neste filme podemos ver estes contrastes na forma como cada personagem pensa, sente e se expressa (gula versus temperança, luxúria versus castidade, avareza versus generosidade, soberba versus humildade, preguiça versus diligência, ira versus paciência e inveja versus caridade). 


Na trama, Somerset está para se aposentar e está muito desiludido com a sociedade, ele diz "que a cidade está desumana, que não atende um pedido de socorro, mas um grito de fogo, sim". Com o tempo ele foi deixando de se importar, mas através da convivência com seu  novo parceiro, resgata seus valores anteriores. Muito interessante isso, a importância das relações interpessoais nas  nossas vidas, contribuindo para nos vermos melhor, a identificar em nós, sentimentos e ideais que estavam adormecidos. Foi colocada uma frase de Ernest Hemingway: "O mundo é um bom lugar, vale a pena lutar por ele". Que fornece um bom material para profundas reflexões, acredito nisso. De qual o sentido da vida? Qual a função do mal, da violência? Qual missão ou aprendizado que vim desempenhar nesta existência? E por ai vai...  



O filme é cheio de pequenos detalhes, que vão dando forma ao roteiro e na mensagem a ser apresentada, por exemplo, o número 7 é mencionado o tempo todo, no número dos prédios das cenas de abertura, no número dos apartamentos, na lista que fazem na delegacia, exemplos de acontecimentos na vida dos personagens (o detetive Somerset foi chamado para jantar as 19:00 hs). Detalhes que muitas vezes podem passar despercebidos por um expectador mais desatento e isso pode acabar comprometendo a profundidade do todo apresentado. 



Roteiro maravilhoso de Andrew Kevin Wlaker, Montagem de Richard Francis-Bruce (rendo minha homenagem a ele, Parabéns!!!), Música de Howard Shore e Fotografia espetacular de Darius Khondji, que faz enquadramentos e jogos de luz que faz toda a diferença na composição de todo o filme.

Indicações e Premiações: ao Oscar 1996, só foi indicado para Melhor Edição,uma injustiça não ter sido indicado a outras categorias, como Melhor Ator, Ator Coadjuvante, Direção, Roteiro. Enfim!!!

Ao BAFTA  foi indicado a Melhor Roteiro Original

E ao MTV Movie Awards, foi indicado para Melhor Filme, Dupla em cena (Pitt e Freeman) e Vilão (Kevin Space), vencendo nas duas últimas categorias.



Curiosidades: o roteiro original previa a participação de uma mulher na equipe forense da polícia, que sempre parecia nos momentos de "limpeza" dos locais do crime e tinha alguns diálogos com os detetives Somerset e Milles. E também fazia mais referência ao antigo parceiro do detetive Milles, chamado Parsons que levou um tiro e que ficou paraplégico e que esta é a razão de Milles agir de forma tão protetora com seu atual parceiro. Mas estas estas referências foram retiradas da edição final do filme.  

Super recomendo este filme. Apesar de uma temática de suspense e ter cenas mais fortes de violência, a reflexão que pode surgir no expectador no pós filme, compensa todo o resto.




domingo, 17 de outubro de 2021

Adoráveis mulheres



Diretora: Greta Gerwing

Atores: Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh. Elza Scalen, Laura Dern, Thimothée Chalamet, Maryl Streep, Chris Cooper, James Norton, Louis Garrel.

Gênero: Drama

Duração: 135 minutos

Ano: 2019

Sinopse: As irmãs Jo (Saoirse Ronan), Beth (Elza Scanlen), Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh) amadurecem na virada da adolescência para a vida adulta enquanto os EUA atravessam a Guerra Civil (Guerra de Secessão). Com personalidades completamente diferentes, elas enfrentam os desafios de crescer unidas pelo amor que nutrem umas pelas outras.



Que delícia de filme: bem humorado, colorido, cheio de energia com com seus personagens bastante ricos, enfrentando inúmeros desafios. Você ri, chora e se emociona. Amo filmes de época e este é mais um, com suas roupas, costumes e tudo o mais. Atores jovens, mas muito bem antenados com os mais antigos e convencem com seus personagens. O filme é uma produção primorosa, inspirado  no livro homônimo de Louisa May Alcott, de 1868, que já foi interpretado no teatro, ópera e cinema. Foi adaptado pela primeira para o cinema em 1933, tendo Katherine Hepburny como a protagonista principal e em 1984, com Winona Rider. E tiveram outros filmes baseados no livro, mas com outros nomes como Quatro destinos. Para esta nova versão, a Diretora explorou toda a complexidade e sutilezas das personagens, levando para a tela com maestria os sentimentos afetivos de cada uma delas, seus amores, sofrimentos, medos, sonhos. Fez um recorte com algumas colagens, ajustando datas e fatos, do que é realmente apresentado nas 700 páginas do livro, ambientado no ano de 1860. E é claro, também abordou a posição que a mulher ocupava na sociedade do Século XIX e os valores morais da época. Tem uma frase que me chamou a atenção, quando Jo (personagem da Saoirse que é escritora e tem idéias feministas) vai tentar negociar um texto escrito por "uma amiga" e o editor diz que: "moral não vende hoje em dia", onde faz várias alterações no texto com o intuito de deixar bem claro, até onde pode ir em suas observações, para não ultrapassar os bons costumes e nem ameaçar a posição masculina no quesito inteligência. (Isso parece tão atual ainda, não acham???). 
Tem uma produção de chamar a atenção,de Amy Pascall, Denise Di Novi e Robin Swicord e um Produtor Executivo, Arnon Noilchan. Trilha Sonora de Alexandre Displat. Com Figurino assinado por Jacqueline Durran, que rendeu um Oscar a ela (realmente incrível! Onde combinou "um espírito da indumentária livre" e "a tradicional rigidez vitoriana", nas confecção das personagens e ainda de acordo com a personalidade de cada uma . Querendo fazer "roupas vintage parecer cobiçáveis para o expectador moderno indumentárias. E uma Fotografia linda, de Yorick Le Saux, que usou câmera com formato de 35 mm.


A filmagem principal começou em Boston, em outubro de 2018, com Harvad e Massachusetts, servindo de local principal. Outras locações incluem Lancaster, Universidade de Harvard em Cambridge, Crane Beach em Ipswich, e Concord, todas no estado de Massachusetts. O Museu Shaker, nas Fruitlands de Harvard, uma propriedade em que Alcott e sua família tinham residido durante um tempo no passado, foi utilizada como a localização da casa de Meg e John. A casa da Tia March (Strepp) foi construída num terreno em Concord, a designer de produção Jess Gonchor pretendia que o exterior exalasse "uma velha caixa de jóias desgastada que encontrou na gaveta de sua avó", enquanto comparava o interior a "uma labirinto, cheio de fluxo e atividade sem fim". O Arnold Arboretum da Universidade de Harvard foi utilizado para filmar uma cena ambientada num parque no século XIXem Paris com Pugh, Chalamet e Streep. Castle Hill em Ipswich foi também utilizado para rodar as cenas europeias.
Curiosidades: A diretora já tinha trabalhado anteriormente com Saoirse e Thimothée, no filme Lady Bird em 2018. e a atriz que iria interpretar a personagem Meg, era inicialmente Emma Stone, mas teve conflito de agenda, por já estar envolvida no projeto de A favorita (2019), assim quem fico com o papel, foi a Watson.
A diretora descobriu que estava grávida durante a produção, mas a manteve a novidade até depois de terminar as filmagens em 16 de dezembro de 2018. E logo depois começou junto com Editor Nick Houy a editar o filme e mais tarde foi exibi-lo para os executivos da Sony em Nova York a 10 de março de 2019, três dias antes de dar à luz a seu filho. 
Gerwig já era fã do compositor francês Desplat desde o filme Birth, e ambicionava trabalhar com ele, enquanto que ele amava Lady Bird. Então o trabalho em parceria deles foi ótimo. Desplat disse numa entrevista que Gerwing especificou que ela gostaria que a música fosse "uma mistura de um encontro entre Mozart e David Bowie. Assim ele, empregou uma orquestra que incluia um piano, harpa, flauta, clarinete e celesta. A partitura foi lançada em 13 de dezembro de 2019. 
A estréia do filme aconteceu no Museu de Arte Modern em Nova York, em 07 de dezembro de 2019 e foi exibido também apra abrir o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro em 09 de dezembro. O lançamento nos cinemas dos EUA, aconteceu em 25 de dezembro, mas para o resto do  mundo, só em 2020.
Foi bem aceito pela crítica de modo geral e também pelo público. Que enfatizam que "a mão delicada e sutil de de Litle Women só pode ter sido idealizado por uma mulher". Demonstrando que finalmente as mulheres estão sendo reconhecidas como Diretoras Competentes. Já fazia uma década que a Academia havia premiado uma delas, Kathryn Ann Bigelow por Guerra ao terror.
Indicações e Premiações: ao Oscar 2020 foi indicado para seis categorias, de Melhor Filme, Atriz (Saoirse Ronan), Atriz Coadjuvante (Florence Pugh), Roteiro Adaptado, Trilha Sonora e ganhou para Figurino.

Ao Globo de Ouro: para Melhor Atriz em Drama (Saiorse) e Melhor Trilha Sonora Original.
Ao BAFTA: teve indicação para 5 categorias, semelhante a do Oscar menos de Melhor Filme e também venceu para Melhor Figurino (Jacqueline Durran).
Recebeu ainda 9 indicações no 25º Critics' Choice Movie Awards, ganhando para  Melhor Roteiro Adaptado.
Foi escolhido pelo American Film Institute como um dos dez melhores filmes do ano.
Recomendo para quem gosta de filme com uma pegada mais antiga e romântico. 


domingo, 21 de fevereiro de 2021

Campo dos sonhos


Diretor: Phil Alden Robinson

Atores: Kevin Costner, Amy Madigan, Ray Liotta, Burt Lancaster, James Earl Jones, Gaby Hoffmann, Timothy Busfield, Dwier Brown

Gênero: Drama

Duração: 162 minutos

Ano: 1989

Sinopse: Ray (Kevin Costner), um agricultor em Iowa, ouve um voz misteriosa à noite vinda do seu milharal dizendo: "Se você construir, ele virá", e sente a necessidade de obedecer. Então, ele constrói um campo de beisebol, apoiado por sua esposa, Annie (Amy Madigan). Mais tarde, os fantasmas de grandes jogadores começam a aparecer para jogar liderados por Shoeless Joe Jackson (Ray Liotta). Ray busca um autor recluso para entender essas mensagens e o verdadeiro propósito do campo que construiu.



Filme que é um encanto e nos emociona do início ao fim, gostoso e leve de ver, o ator Kevin Costner estava no auge de sua fama e convence como o personagem Ray Kinsella, esta lindo e charmoso, como sempre. Ray seu personagem é um homem simples, mas um sonhador, ele e a esposa se conheceram quando eram estudantes nos anos 60, e quando se casaram, continuaram fiéis à idéia de vida simples e liberdade que tinham e assim compraram uma fazenda em Iowa. Mais tarde já com filhinha, essa vida pacata que tinham é abalada porque Ray começa a ouvir uma estranha voz, que só ele ouve e o induz a construir um campo de beisebol em seu milharal. Passa a ter sonhos e por fim aposta neles, mesmo não sabendo o por quê de tudo isso, vai sendo guiado por suas intuições, por um desejo interno, que vem da profundeza de seu espírito. 


O filme é baseado no livro de W.P. Kinsella. Será que é coincidência, a colocação do próprio sobrenome no livro? Não li, mas pelo filme é possível imaginar o quão tocante deve ser. Tem um enfoque espírita, de amor, resgate de relação e de redenção, principalmente entre pai e filho. Deve ser por isso que emociona tanto! Mais um filme sobre o Amor! Poderia ter alguns Campo de Sonhos na vida real, não é? Seria maravilhoso!

A música é muito comovente, muito bem afinada com o enredo, assinada por James Horner. A Fotografia é muito bela de John Lindley. O Roteiro também é de Phil Alden Robinson, além da direção.



Curiosidades
: O personagem Ray, foi oferecido a Tom Hanks, que recusou. Já Sheila McCarthy e Reba McEntire, fizeram testes para a personagem de Annie.

Archibald "Moonlight" Wright Graham, personagem interpretado por Burt Lancaster, foi de verdade um jogador de basebol, em 29/06/1905 fez sua estréia pelo New York Giants, mas 5 dias depois desistiu do sonho de ser jogador de basebol para ingressar na carreira de médico. E infelizmente foi o último filme realizado por Burt Lancaster, que faleceu em 20 de outubro de 1994.

No livro de W.P. Kinsella, o protagonista Ray tem um irmão gêmeo, Richard, mas esta sub trama foi excluída do filme.




A produtora do filme construiu o campo de beisebol numa fazenda localizada em Dyersville, no Iowa. Após o término das filmagens, os donos da fazenda decidiram manter o campo. Desde então, a partir de 1990, o campo foi aberto pra visitação pública e também para jogos. e até no dias de hoje continua assim. Talvez as pessoas busquem de alguma forma, encontrar algo perdido e respostas para suas inquietações, inspiradas pelo filme.

Na época, ainda desconhecidos, Matt Damon e Ben Affleck estavam entre os muitos extras presentes nas filmagens, mas as cenas em que aparecem, infelizmente não foram creditadas.

Recomendadíssimo!!! Veja e depois comente.