terça-feira, 15 de março de 2022

Chocolate


Diretor: Lasse Halltröm

Atores: Juliette Binoche, Johnny Deep, Alfred  Molina, Lena Olin, Judi Dench, Carrie-Anne Moss, Victorie Thivisol

Gênero: Romance




Duração: 121 minutos

Ano: 2.000

Sinopse: Vianne Rocher (Juliette Binoche), uma jovem mãe solteira, e sua filha de seis anos Anouk (Victorie Thivisol) resolvem se mudar para uma cidade rural da França. Lá decidem abrir uma loja de chocolates que funciona todos os dias da semana, bem em frente à Igreja local, o que atrai a certeza da população de que o negócio não vai durar muito tempo. Porém, aos poucos Vianne consegue persuadir os moradores da cidade em que agora vive.



 a desfrutar seus deliciosos produtos, transformando o ceticismo inicial em uma calorosa recepção.





Filme "delicioso" de ver, com um Johnny Deep que está magnífico, com um olhar mais que profundo, cheio de mistérios e promessas. Uau!!! 



É um filme encantador na forma de abordar o preconceito, tolerância e a moral sem ser algo piegas, Vianne é uma mulher livre, encantadora e meio nômade que viaja pelo mundo, levando seus conhecimentos sobre as delícias que podem ser feitas com o cacau. E se depara com uma cidade conservadora, onde seus habitantes são mais tradicionais e desconfiados, mas ela parece lidar bem com estas situações pois não se abala e enfrenta com alegria e humanidade mais um desafio a vencer e gradativamente vai conquistando a confiança até dos mais "ranzinzas", sendo que o doce parece conter algo "mágico" que faz com que as pessoas se libertem de seus rígidos valores, ou de suas tristes vidas de aparências. Ambientado na década de 1950.


O filme é visualmente lindo, tendo como Diretor de Fotografia Roger Pratt. Os doces, tortas, bombons e as comidas apresentadas, são de dar água na boca, despertam nossos desejos mesmo, nem que seja por doce. Brincadeiras à parte, já foi comprovado cientificamente que o chocolate aumenta os níveis de serotonina liberadas pelo cérebro, causando assim uma sensação maior de prazer e bem estar. O que foi muito bem explorado no filme.

Roteiro leve e bem construído de Robert Nelson Jacobs baseado no romance Chocolat, de Joanne Harris. Produção impecável de Leslie Holleran. Direção de Arte assinada por Lucy Richardson e como caprichoso Designer de Produção David Gropman. Figurino muito original de Renne Ehlich Kalfus.

Curiosidades: A cidade da França mostrada no filme é Lansquenet-sous-Tannes, embora pitoresca e encantadora como acredito que devam ser as pequenas cidades francesas, é fictícia, mas as cenas externas foram filmadas em Flavigny um vilarejo francês do século X, mas como não tem rio, as outras cenas com água foram realizadas na Inglaterra. É um dos meus sonhos de consumo, conhecer a França, suas cidades medievais, Giverny (cidade onde fica o Museu do Monet), principalmente a região de Provence, a sudeste da França. 

O nome da Chocolataria é Maya, que é uma homenagem a civilização Maia, porque foram eles e os Astecas que tornaram este fruto conhecido, segundo os historiadores, pelo menos 1700 anos aC. O cacaueiro é originário da chuvosa bacia hidrográfica do Rio Amazonas, tendo sido dispersado para as regiões tropicais da América Central e Norte. Por isso a decoração da confeitaria de Vianne é decorada

 com motivos mexicanos. 

Para interpretar Vianne, Juliette decidiu fazer um estágio numa fábrica de chocolate artesanal, passando semanas acompanhando o processo de como eram feito os chocolates e se esmerou tanto, que passou até mesmo a diferenciar a origem do cacau.

O ator Deep não gosta de chocolate e para ele foi difícil fazer as cenas em que come os bombons que Vianne o faz provar.


Indicações e Premiações: Foi indicado ao Oscar 2001, nas categorias de Melhor Filme, Atriz, Atriz Coadjuvante (Judi Dench), Roteiro adaptado e Trilha Sonora, mas não venceu nenhum.


Ao Globo de Ouro também foi indicado para Melhor Filme Comédia ou Musical, Atriz em Drama, Atriz Coadjuvante/Secundária e Trilha Sonora. Sendo que também não venceu em nenhuma categoria.

Recomendo! Tem uma bela e cativante história. 



domingo, 6 de março de 2022

Minari: em busca da felicidade


Diretor: Lee Isaaac Chung

Atores: Steven Yeun, Han Ye-ri, Alan S. Kim, Noel KLate Cho, Yuh-jung Youn, Will Patton, Scott Raze

Gênero: Biografia

Ano: 2020

Duração: 115 minutos.


Sinopse: Conta a história de uma família coreana-americana que se muda da Califórnia para uma pequena fazenda no estado do Arkansas, em busca do sonho americano, na década de 1980. Enfrentam muitos conflitos com a mudança, mas o lar da família muda completamente com a chegada da avó materna, astuta e desbocada, mas incrivelmente amorosa.



Filme muito rico em entendimento e aprofundamento das relações humanas e suas complexidades. Muito sensível e provavelmente não foi indicado á toa ao Oscar 2021 na categoria de Melhor Filme, em tempos de Pandemia por Corona vírus. Trazendo inúmeras reflexões do que realmente é importante em nossa existência. Não tem como não se encantar com a relação do pequeno David (Alan S. Kim), com sua simpática avó Soonja (Yuh-jung Youn), ele com sua doce ingenuidade e curiosidades infantis e ela, toda amorosa, paciente e otimista como só as avós conseguem ser. Também aborda a dificuldade de adaptação de ser imigrante, de se ajustar a uma outra cultura e não perder a essência da sua, fator este que vem acontecendo cada vez mais nas últimas décadas. Muitas pessoas saindo de seus países de uma forma positiva ou de outra, em fuga, mas com o objetivo esperançoso de encontrar e ter uma vida melhor, de realmente ser "aceito" na nova pátria.

O diretor também assina o roteiro e informa que foi inspirado em suas próprias vivências, e dirige com muita sabedoria, tudo vai sendo mostrado, como o conflito do casal, que se amam, mas estão frustrados e insatisfeitos com o rumo que está tomando a vida deles. Mas sem grande dramalhões, tudo sendo apresentado de forma suave e simples e desta forma a história vai nos cativando. Assistindo a este filme tive a mesma sensação de quando vi um dos meus filmes preferidos, Cinema Paradiso. Tudo tão singelo, pequenos detalhes que vamos sendo tocados pelos seus conflitos, que poderiam também ser os nossos, das nossas frustrações diante das dificuldades do cotidiano. É um drama familiar, mas é puro encanto! 

Música de Emile Mosseri, Fotografia de Lachlan Milne. Edição Harry Yoon.




Curiosidades: Yuh-Jung Youn foi a primeira atriz coreana indicada ao Oscar, em entrevista ela diz: "Significa que estava representando a Coréia do Sul na premiação. Não é como se eu estivesse representando  o país indo às Olimpíadas, mas sinto que estou competindo pelo meu país. É estressante!"

As filmagens iniciaram em julho de 2019 e estreou no Festival Sundance de Cinema em 26 de janeiro de 2020, sendo muito bem aceito pela crítica e vencendo como Melhor Filme Dramático. Aqui no Brasil só chegou em 26 de abril de 2021.

Gostei muito de "rever" o ator Steven Yeun, tão nosso conhecido, como o personagem Glenn Rhee da Série The Walking Dead.

A planta Minari é de origem asiática, seu nome científico é Oenanthe Javanica, é conhecida como agrião coreano, salsa japonesa, aipo da água ou aipo chinês, também, como salsa-de-água, pois é facilmente encontrada à beiras de rios. Serve para fazer refogados e sopas.


Indicações e Premiações: ao Oscar 2021, foi indicado em seis categorias, para Melhor Filme, Diretor, Ator, Roteiro Original, Trilha Sonora e vendeu para Melhor Atriz Coadjuvante.

Ao Globo de Ouro: foi indicado e venceu para Melhor Filme Estrangeiro, devido as falas serem quase que exclusivamente em coreano. 

Ao BAFTA para Melhor: Diretor, Filme de Língua não inglesa, Ator Coadjuvante (Alan S. Kim), Trilha Sonora, Elenco (Julia Kim). Venceu também na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante (Yuh -jung Youn).

Super recomendo assistir. Fofo demais!!!




segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Razão e Sensibilidade


Diretor: Ang Lee

Atores: Emma Thompson, Kate Winslet, Alan Rickman, Hugh Grant, Tom Wikinson, Grag Wise, Emilie François, James Fleet, Imelda Staunton

Gênero:  Romance




Duração: 136 minutos

Ano: 1995

Sinopse: Em virtude da morte do marido, a viúva da família Dashwood e as três filhas passam a enfrentar dificuldades financeiras, pois praticamente toda a herança foi para um filho do primeiro casamento, que ignora a promessa feita no leito de morte de seu pai,que ampararia as meias-irmãs. Neste contexto, enquanto uma irmã prática Elinor (Emma Thompson), usando a razão como principal forma de conduzir as situações, a outra Marianne (Kate Winslet) se mostra emotiva, sem se reprimir nunca com uma sensibilidade à flor da pele.



Belíssimo filme de época, com um "senhor" elenco reunido, com maravilhosas interpretações. Fico sempre encantada com o Figurino, algo que sempre chama a minha atenção e me surpreende cada vez mais, em filmes de época então, como fica evidente a importância deste profissional para a composição dos filmes. Neste, a assinatura fica a cargo de Jenny Beavan e John Bright. Jenny já nossa conhecida por ser a responsável por filmes como Vestígios do dia (1993), Anna e o Rei (1999), filme que já escrevi e o mais recente Cruella (2021). E foi vencedora de Oscar em dois outros filmes: Uma janela para o amor (1997) e Mad Max - estrada da fúria (2016).  

A música também é linda, romântica e combina perfeitamente com o filme que esteve presente na lista dos dez melhores do ano. Tendo como Diretor responsável, Patrick Doyle.

O filme é baseado na obra clássica de Jane Austen publicado em 1811, mas a autora começou a escrever em 1784, e conta a história das duas irmãs Dashwood, que com a repentina morte do pai, sofrem com a pequena chance que têm de encontrar um bom partido para casamento. Elas se mudam da casa da família para um chalé no campo em Devonshire e lá desabrocham para a vida amorosa, com suas personalidades completamente diferentes. Marianne que é exuberante e sensível, encontra-se dividida entre o belo John Willoughby (Greg Wise) e um coronel mais velho (Alan Rickman) e Elinor, reprimida e racional, inicia uma experiência romântica, ainda que não admita, com Edward Ferrars (Hugh Grant), que tem compromissos que podem atrapalhar o romance. A história é encantadora e mostra a dificuldade de ser mulher no século XIX e em se encontrar um amor verdadeiro numa sociedade obcecada pelo status financeiro e social. Parece que não mudou muito, não acham??? Temos oportunidade de acompanhar como cada personagem vai crescendo e se desenvolvendo no filme, como cada um aborda e "sente" o amor, e como vamos nos apaixonado por eles, com seus acertos e equívocos. Faz uma incrível homenagem à escritora, sendo bastante fidedigno ao livro.

Tem uma Fotografia belíssima de Michael Coulter que também já nos brindou com filmes conhecidos como Um lugar chamado Notting Hill (1999), Simplesmente Amor (2003) e o mais atual Um castelo para o Natal (2021), que nos brindam com duas figuras queridas que estavam um pouco sumidas das telonas, Brooke Shields e Cary Elwes, que fazem um par engraçado e encantador.

Curiosidades: Emma Thompson também assina pelo roteiro e ganhou um Oscar e um Globo de Ouro por isso. No Oscar desbancando outros roteiristas como William Broyles Jr. e Al Reinert, em Apollo 13 do desastre ao triunfo; George Miller r Chris Noonan, em Babe, o porquinho atrapalhado; Mike Figgis em Despedida em Las Vegas e Anna Pavignano, Michael Radford, Giacomo Scarpelli e Massimo Troisi em O carteiro e o poeta.

Bem, não poderia deixar de enfatizar que em 92 anos de Premiação do Oscar pela Academia Internacional de Artes e Ciências Cinematográficas, 350 mulheres foram indicadas em alguma categoria que não seja as principais, como Atriz e Atriz Coadjuvante, Figurino. Mas infelizmente, só venceram em 28. Para enfatizar, em Direção apenas Katryn Bigelow em 2010 e Chloé Zhao em 2021, ou seja, em 90 anos, a maioria dos prêmios foram entregues a homens. Fica a dúvida para pensarmos: será que é só por falta de profissionais competentes, sorte, ou por puro e simplesmente preconceito e machismo???

Esta foi a terceira parceria de Emma e Grant, eles trabalharam antes em George & Frederic (1991), em Vestígios do dia(1993) e em Simplesmente Amor (2203). Foi a primeira de Thompson com Alan Rickman, depois atuaram juntos em Momento de afeto (1997), Judas Kiss (1998), Simplesmente Amor, Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban (2004) e em Harry Potter e a Ordem  da Fênix (2007).


Foi a primeira vez que Grant e Rickman contracenaram, depois fizeram parceria em Jogos de ilusão (1995) e Simplesmente amor (2003).

E foi a primeira vez que este trio estiveram juntos, Thompsom, Rickman e Imelda Staunton, depois repetiram a parceria em cena no filme Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Emma Thompson e Greg Wise, que iniciaram um relacionamento no período das filmagens, casaram se em 2003 e estão juntos até hoje.


 Indicações e Premiações

Ao Oscar 1996 foi indicado para Melhor Filme, Atriz (Thompson), Atriz Coadjuvante (Winslet), Fotografia, Figurino e Trilha Sonora (Patrick Doyle). Venceu para Melhor Roteiro Adaptado (Emma Thompson).

Ao Globo de Ouro de 1996, houveram indicações nas categorias: Melhor Diretor, Atriz em Drama, Atriz Coadjuvante em Drama e Trilha Sonora. Vencendo na categoria de Melhor Filme Drama e Roteiro Adaptado.

No BAFTA, teve indicação para Melhor Diretor, Ator Coadjuvante (Alan Rickman), Roteiro Adaptado, Direção de Arte (Luciana Arrighi), Fotografia, Figurino, Maquiagem (Morag Ross e Jan Archibald) e Musica.

No Festival de Berlim, ganhou o Urso de Ouro.

Super recomendo! De encher os olhos e aquecer o coração.


Bela vingança


Diretora: Carey Mulligan, Bo Burnham, Alison Brie, Connie Britton, Jennifer Coolidge, Laverne Cox, Clancy Brown, Alfred Molina, Christopher Mintz-Passe, 

Gênero: Suspense

Duração: 108 minutos

Ano: 2020




Sinopse: Em Bela Vingança, Cassie (Carey Mulligan) é uma mulher com muitos traumas do passado que frequenta bares todas as noites e finge estar bêbada. Quando homens mal intencionados se aproximam dela com a desculpa de ajudá-la, Cassie entra em ação e se vinga dos predadores que tiveram o azar de conhecê-la.

Filme surpreendente que me agradou muito. Apresenta como as mulheres são "seduzidas" e abusadas quando estão alcoolizadas, com um discurso inicial de ajuda ou pior ainda, que estão pedindo" por isso". Discurso e atos machistas que são tratados com toda naturalidade, sem que isso perturbe ninguém a volta. Oi! Algo inédito? Não mesmo! Esse é ainda o panorama do acontece em pleno Século XXI, infelizmente!!! Onde a culpa ainda é colocada nas mulheres, de vítimas passam a culpadas, por usarem tal roupa, por terem bebido, como se com isso tudo fosse permitido, algo extremamente comum e assim tudo segue normalmente na "cultura do abuso". Um absurdo!!! Mas vamos lá, neste filme a diretora nos apresenta uma situação inédita, onde Cassie "finge" ser a vítima, mas acaba por dar um susto nestes abusadores, quando percebem que ela está lúcida. Quando indagada sobre o filme ser inspirado em algum fato real, a Diretora Emerald  diz "acho que minha inspiração foi crescer numa época onde era permitido, pela sociedade, levar uma mulher para a cama com todos os tipos de truques sujos, inclusive o uso do álcool. 

Achei que seria interessante ver o que aconteceria quando um homem leva uma mulher, que parece estar bêbada, para sua casa e, na realidade, ela estava sóbria o tempo todo. Como eles iam se sentir e como isso ia se desdobrar". "E se a situação fica com um clima estranho, prova como o argumento que se tenta defender, usando tal método de sedução (abusando de pessoas alcoolizadas) é vazio. Você só é pego no flagra, fazendo algo errado. Queria ver as questões complicadas da nossa cultura, principalmente em termos de relacionamentos, que causam tantas opiniões deferentes". Acredito que seu interesse tenha sido em promover mesmo amplas discussões sobre este assunto. E que assim seja!!! Para isso, acabou dirigindo muito bem, a atriz Carey, que está excelente numa mistura de charme, beleza, com toda uma gama de ambiguidade, mistura de inocência e atrevimento, mas principalmente de coragem. Ao confrontar com seus abusadores, parece ter a sensação de "exorcizar" sua dor, de extravasar suas angústias e seus traumas psicológicos, mas paradoxalmente, acaba por vivê-las a cada noite, reprisando tudo o que sua amiga viveu no passado, e que acabou por transformar a vida de ambas. E isso parece reforçar ainda mais sua dor, quando vive neste círculo vicioso. Sua vingança é contra todo um sistema abusivo, injusto e corrupto. Carey tem uma atuação forte e impactante! Super merecida a sua indicação ao Oscar 2021.



É composto com músicas muto boas, como a Toxic de Britney Spears, Stars are blind de Paris Hilton, Angel of the morning de Juice Newton e outros.

Fotografia assinada por Benjamin Kracun, que faz uma bela composição de tudo, as vezes com cores mais fortes e profundas outras vezes com tons mais claros, como se quisesse mostrar as facetas da personalidade de Cassandra/Cassie.

Figurino também muito bom de Nancy Stein

Indicações e Premiações: ao Oscar 2021 foi indicado a cinco categorias: Melhor Filme, Direção, Atriz (Carey Mulligan), Edição e vencendo para Melhor Roteiro Original.

Ao Globo de Ouro: Filme Dramático, Melhor Diretor, Atriz em drama, Roteiro em cinema. Mas não venceu em nenhum.

BAFTA indicado a  Melhor Filme e Montagem, vencendo para Melhor Filme Britânico e Roteiro Original. 


Curiosidades: Tanto a Direção como o Roteiro são de Emerald.

Uma das produtoras foi  Margot Robbie.

Este filme é um dos que fazem parte do Movimento #Metoo e a cultura de culpabilização das vítimas. Movimento que ganhou força em 2017, onde pessoas poderiam usar este termo, para denunciar abusos e assédios sexuais e acabou viralizando não só em Hollywood, mas no mundo todo.

O filme não é baseado em fatos reais, como disse anteriormente, a Diretora pensou no roteiro a partir de suas conjecturas sobre o assunto.

Recomendadíssimo!!!



terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

Hurricane - O furação


Diretor: Norman Jewison

Atores: Denzel Whasington, Deborah Kara Unger, Vicellos Shannon, Liev Scheiber, John Hannah, Debi Morgan, Clancy Brrow

Gênero: Biografia

Duração: 140 minutos

Ano: 1999

Sinopse: Em junho de 1966, Rubin "Hurricane" Carter (Denzel Whasington) era forte candidato ao título mundia de boxe. Entretanto, os sonhos de Carter vão por água abaixo quando três pessoas são assassinadas num bar em Nova Jersey. Quando estava indo para casa em seu carro, com um amigo e passando perto do local do crime, um bar em Peterson (Nova Jersey), Carter é erroneamente preso como um dos assassinos, de um triplo assassinato e condenado à prisão perpétua. Anos mais tarde, Carter publica um memorial em que conta todo o seu caso. O livro inspira um adolescente do Brooklyn chamado Lesra Martin (Vicellos Shannon) e três ativistas canadenses a juntarem forças com Carter para lutar por sua inocência.

Bem, este é mais um filme interpretado pelo maravilhosos, em todos os sentidos, Denzel Whasington. Além de excelente ator, é lindo e puro charme. E só para não contrariar esta excelente na pele do boxeador Rubin Carter. O filme conta sua trajetória, do apogeu no esporte a tragédia de ser preso injustamente, mostrando mais uma vez a questão do racismo e preconceito nos EUA, nada ficou muito claro no rápido julgamento que tiveram, passaram tranquilamente por detectores de mentiras, foram declarados culpados por um jurado todo composto por pessoas brancas e nem mesmo as testemunhas afirmaram com certeza reconhecê-lo ou ao seu amigo John Artis e ainda assim, foram condenados. Também aborda a superação de Rubin, quando aceita a sua condição e busca de forma mais saudável e produtiva, expurgar toda a sua dor e indignação, assim resolve "falar" de seu sofrimento, escrevendo uma biografia, que acaba sendo muito lida e toca alguns leitoras que partem para uma verdadeira "cruzada" para ajudar Rubin a provar a sua inocência. O filme emociona e encanta, apesar de longo, não vemos o tempo passar. 

Elenco super competente, com músicas lindas assinadas por Christopher Young, contidas num CD, com músicas de Bob Dylan, "Hurricane"; Ray Charles, Hard times no one knows, Ella James, In the basement;  Meskell Ndegeocello, Isolation; Melky Sedeck,  Still I rise e outros.

Fotografia de Roger Deakens, bem combinada com os momentos vividos por Rubin (quando está na prisão, seus momentos de angústias são muito bem compostas por tons mais escuros, como que para passar a ideia de seu humor sombrio.

Edição de Stephen E. Rikkin, que trás a história toda com cenas do passado e presente, onde é possível acompanhar muito bem toda sua trajetória de Rubin, com muita clareza.

Roteiro de Armyam Bernstein e Dan Gordon.

Foi muito bem aceito pela crítica e público, apesar das críticas de alguns jornalistas, que afirmaram que o filme meio que deturpou parte da vida de Rubin. E o pugilista Joey Giardello, o ex campeão mundial de peso médio, processou os produtores do filme por difamação sobre a interpretação dada à sua luta com Carter, onde foi apresentado um "desfecho racista". Ele disse que isso foi uma piada, que Rubin não bateu tanto nele nos 15 rounds. E que praticamente todos os especialistas de boxe dirião que ele ganhou a luta, mas foi retratado como um lutador incompetente. 


Indicações e Premiações: O filme teve indicações a várias premiações: Oscar, para Melhor Ator, Denzel.

Ao Globo de Ouro, foi indicado para Melhor Filme em Drama e Melhor Direção, vencendo na categoria para Melhor Ator em Drama, Denzel.

Ao Festival de Berlim, ganhou dois prêmios Melhor Ator (Urso de Ouro) e Prêmio do Juri.


Curiosidades: o filme estreou em 17 de setembro de 1999, no Festival Internacional de Cinema de Toronto e foi também destaque no Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 17  de fevereiro de 2000.

O filme foi baseado em dois livros, um deles é o The sixteen round de Rubin Carter, o próprio "Hurricane" e Lazarus and the Hurricane, de Sam Chaiton e Terry Swinton.

O ator Denzel Whasington e Rubin Carter trabalharam juntos durante a produção do filme.

Os locais de filmagem incluem várias cidades de Nova Jerjey, Trenton, Avenel, Patterson e Nova Jersey mesmo, nos EUA. Sendo que a prisão mostrada é mesmo a East Jersey State Prison. E também em Toronto e Ontário, no Canadá.

Super Recomendo! Mais um ótimo filme que mostra um drama muito bem contado, emocionante!!!







domingo, 13 de fevereiro de 2022

Pieces of a woman


Diretor: Kornél Mundrucó

Atores: Vanessa Kirby, Shia LaBeoulf, Ellen Burstyn, Iliza Shlesingem, Sarah Snook, Molly Parker, Jimmie Fails, Bennie Safdie

Gênero: Drama

Duração: 128 minutos

Ano: 2020




Sinopse: É uma jornada emocional de uma mãe que acaba de perder seu bebê. Diante dessa perda, ela terá que lidar com as consequências que seu luto tem nas relações com seu marido e com sua mãe. Lutando para que seu mundo não desabe por completo.

Filme excelente que aborda a gravidez, Sam e Martha se preparam para ter ser primeiro filho e resolvem fazer em casa, de forma natural e com o acompanhamento de uma doula (profissional que dá suporte físico e emocional à gestante e aos seus familiares, sendo que antes do parto, sua principal tarefa é oferecer informações sobre o parto para a futuro mamãe). No entanto, este momento tão esperado não saiu como previram e os dois são obrigados a lidar com o impacto de uma tragédia extremamente dolorosa. E como se não bastasse a dor, ainda sofrem pressões de todos os lados: família, mídia, advogados, e os dois vão precisar descobrir como preservar o relacionamento deles neste período de crise.




É um filme americano, mas com um diretor de cinema e teatro húngaro, Mundruczó que dirige com maestria do início ao fim, podemos sentir todo o desconforto físico e dor de Martha durante seu parto difícil, o nervosismo de Sam e a insegurança e tensão da doula durante todo o processo. E depois a dor devastadora de todos os envolvidos, de como cada um vivencia e lida com sua dor, mas principalmente da mãe Martha. A atriz Vanessa através de sua interpretação surpreende, passa uma dor genuína, uma sensação de vazio, perda e quebra de suas expectativas, mas em nenhum momento assume uma postura de vítima ou mártir, ela só necessita de um período de silêncio e reclusão para elaborar essa perda irreparável. O filme mostra muito bem como Martha vive a quebra de si mesma e a sua capacidade de juntar novamente seus pedaços. Trás também como as relações humanas são complexas, de como relacionamentos despreparados ou mal resolvidos podem ser recuperados ou não diante das tragédias e ainda a questão da noção do que seria justiça diante do que aconteceu. O que era algo íntimo na vida de um casal, tomou proporções grandiosas e tem um alcance nacional, sendo amplamente acompanhando pela mídia. 


O filme inicia como algo mais intimista e nos lança depois para algo muito mais abrangente, da difícil relação afetiva que Martha já tinha com sua mãe e irmã; da construção de um relacionamento frágil com o companheiro; do sentimento de desamparo e solidão que sentiu diante da perda do sonho de ser mãe e as decisões morais que precisa tomar, para ter paz e tentar recomeçar sua vida após tamanha perda.   

O filme não teve uma tradução para o português, mas caso tivesse sido seria "Pedações de uma mulher".

A fotografia é maravilhosa assinada por Benjamin Loeb. Música de Howard Shore.


Curiosidades: Um dos produtores executivos foi Martin Scorcese.

O filme teve sua estréia mundial em 04 de setembro de 2020 no Festival  Internacional de Veneza, onde Kirby ganhou o Copa Volpi de Melhor Atriz e foi indicada a vários outros prêmios como ao BAFTA, Critic's Choice Award, Globo de Ouro e Oscar 2021, para a mesma categoria.

A escalação tanto de Vanessa Kirby como de Shia LaBouf aconteceu em outubro de 2019 e em dezembro começaram as filmagens.

O roteiro é de Kátia Weber, que é esposa de Mundruczó.

Filme muito tocante. Recomendo! Mas vou confessar que meu lado otimista e romântico ficou esperando ate´o fim por um fechamento mais feliz. 



sábado, 29 de janeiro de 2022

Outono em Nova York


Direção: Joan Chen

Atores: Richard Gere, Winona Ryder, Elaine Strich, Sherry Stringfield, Vera Farmiga, Anthony LaPaglia. J.k.Simmons, Rachel Nichols

Gênero: Romance

Duração: 103 minutos

Ano: 2.000




Sinopse: Will Keane (Richard Gere) um playboy cinquentão que tem como promessa nunca ter um compromisso sério com uma mulher. Quando conhece Charlotte Fielding (Winona Ryder), uma jovem que tem a metade de sua idade, imagina que terá com ela outro rápido e fácil romance. Mas nada no relacionamento de ambos é fácil ou rápido. Apesar da diferença de idade, eles terminam se apaixonando perdidamente e fazendo com que Will resolva abandonar a decisão de nunca assumir um compromisso amoroso.


Sou completamente apaixonada por este filme, daqueles que fica na memória para sempre, que encanta nos faz suspirar e ter doces lembranças com suas belas cenas e uma fotografia linda e exuberante. É um dos poucos filmes que me fez desejar conhecer os EUA, mais precisamente Nova York, as cenas no Central Park, são de tirar o fôlego de tão lindas.  

A história em si não é nada inédita, até de certa forma clichê, mas bem apresentada e construída a partir da idéia de um homem mais velho na pele de Gere, que francamente está belíssimo neste filme, meio cínico em relação ao amor, mas que passa a sentir algo inteiramente novo, quando conhece e se permite relacionar com a jovem e romântica Charlotte, que é uma artista plástica. Juntos vão tentar balancear as diferenças e os desafios, mostrando a todos a força do amor.

Produção primorosa de Amy Robinson, com um Figurino maravilhoso, que eu infelizmente não descobri quem foi o responsável, mas foi um show de vestidos, casacos, enfeites de cabelo; tudo visualmente lindo e de muuuuito bom gosto.

Roteiro de Alisson Burnett.

Trilha Sonora assinada por Gabriel Yared, com músicas lindas como Beautiful de Jennifer Paige; You're not from here de Lara Fabian; Our love never ends de Sydney Forest e outras.

Fotografia de Changwei Gu, simplesmente maravilhosa.


Curiosidade: Outono em Nova York foi o primeiro filme falado em inglês dirigido por Joan Chen, que era uma atriz chinesa, que se mudou para os EUA, com apenas 20 anos e estudou cinema na Califórnia State University de Northridge. Em 1.989 naturalizou norte-americana. Dirigiu outros filmes e séries como Ava, alguns episódios das séries Marco Polo, Twin Peaks, Miami Vice.

Em Portugal recebeu o nome de Amar em Nova York.

Como o filme não agradou a crítica na época, não teve indicações a premiações, foi mais um filme que agradou ao público.

Frases marcantes: "Ela aprendeu a viver, ele aprendeu a amar"

                              "Você me olha de um jeito... que eu ainda não fiz por merecer!"

Assista e comente depois, Vale a pena!