quinta-feira, 16 de junho de 2022

Nomadland


Diretora: Clhoé Zhao

Atores: Frances McDormand, David Strathrin, Gay DeForest, 

                          Linda May, Charlene Swankie e Bob Wells (Nômades na vida real e não atores)

Gênero: Drama

Duração: 108 minutos

Ano: 2020


Sinopse: Uma mulher na casa dos 60 anos, depois de perder tudo na Grande Recessão, embarca em uma viagem pelo Oeste Americano, vivendo como uma nômade moderna. 




Amei este filme, apesar de mostrar uma triste realidade americana, onde pessoas perderam seus lares devido a uma recessão cruel, apresenta para nós uma visão completamente nova da vida, com valores bem diferentes do que estamos acostumados, com muito mais desapego, onde para sermos felizes, talvez não precisemos ter e viver o sonho da casa própria e uma história fixada em um mesmo lugar e trabalhar até a aposentadoria, ou que tudo isso pode mudar após ela, com novos tipos de desafios e enfrentamentos. Entendo claro que na época abordada não foi propriamente uma escolha, deve ter sido extremamente doloroso essa transição toda. Mas descortinou para todos nós, um outro estilo de vida, onde pode ser uma escolha. Atualmente existe milhares de pessoas que viajam e vivem em trailers nos EUA. Mas não deixa de ser uma crítica da desigualdade social existente nos EUA no passado e no presente, na visão de Chloé.

Aqui, conheço um casal que mora em Alto Paraíso - GO, que estão preparando um trailer, para sair viajando pelo Nordeste para conhecer cidades e culturas novas, bem como levar para muitas comunidades mais carentes, seus conhecimentos em construção, plantio, horta, pomar.



 Era o meu preferido para vencer o Oscar 2021, achei incrível como o assunto foi abordado, com muita delicadeza e sensibilidade (porque não dizer poética) como só uma mulher poderia abordar. Amei que venceu ao Oscar para Melhor Filme. A Diretora alinhava a história de Fern, que após passar pelo colapso econômico na cidade da zona rural de Nevada, ficar viúva, parte em sua van para a estrada, vivendo uma vida fora da sociedade convencional, faz trabalhos sazonais, tipo na Amazon, para sua sobrevivência e ao longo de suas andanças, vai para o Deserto no Arizona, a convite de uma amiga e lá fica conhecendo muitas pessoas que vivem como ela, inicia novos laços afetivos e aprende habilidade básicas para sobreviver e a ter mais auto suficiência na estrada e vai aprofundando na arte de lidar com a solidão e elaborar o longo processo de luto. Segundo Chloé, em Nomadland, a grande e real solução para o problema abordado e enfrentado foi a solidariedade, que une, acolhe e apoia.

O roteiro do longa-metragem é uma adaptação do  livro Nomadlend: Surviving American in the Twenty-Frist Century (Nomadland: Sobrevivendo aos EUA no Século 21), escrito por Jessica Brudes. Na história, a autora acompanha pessoas que precisaram se adaptar nas estradas como nômades após a Grande Recessão de 2008.

O filme é visualmente lindo, com lugares e paisagens deslumbrantes, tudo muito bem orquestrado pelo olhar de Chloé, que também assina pelo Roteiro e Edição, e do Diretor de Fotografia Joshua James Richards.

Música de Ludovico Einaudi, que combina perfeitamente com tudo que foi apresentado.





Curiosidades: a preparação para Nomadland exigiu muita intimidade de Frances com o estilo de vida de sua personagem, Fern. Para conseguir se conectar de forma fiel a este personagem tão intenso e profundo, ela passou cerca de cinco meses viajando de van e aderindo à vida de nômade. E chegou a receber uma proposta de emprego na Target, companhia que fornece fonte de renda para a comunidade nômade no estado de Nebraska. Além disso, ela também trabalhou numa fazenda de beterraba e no centro de distribuição da Amazon. 

No filme, a maioria das pessoas que aparecem no filme, são nômades mesmo na vida real, como Linda May, Bob Wells e Charlene Swankie, que inicialmente não sabiam que Frances era, na verdade, uma estrela de Hollywood. No final de uma das gravações Bob, foi consolar a atriz nos bastidores, dizendo que tudo ficaria bem e que tinha sido significativo contar aquela história. Foi então que McDormand disse que, na verdade, seu marido se chamava Joel Coen, diretor de The Tragegy of Macbeth - atualmente em exibição nos principais festivais de cinema deste ano, e que ainda está vivo. Foi só então que ele descobriu que ela não era nômade na vida real, como grande parte do elenco.


O filme teve sua estréia mundial no Festival Internacional de Veneza e no Festival Internacional de Toronto em 11 de setembro de 2020. Aqui no Brasil em 24 de abril de 2021.

O consenso dos críticos de cinema, disseram em reportagens, que o filme representa: "um estudo poético de personagens sobre os esquecidos e oprimidos. Que Nomadland capta lindamente a inquietação deixada na esteira da Grande Recessão".

Indicações e Premiações: 

Oscar 2021 teve seis indicações para Melhor Filme, Atriz (Frances), Direção, Roteiro Adaptado, Fotografia e Edição. Venceu nos três primeiros. Sendo o terceiro Oscar de Frances, o que faz dela a segunda mulher, junto com Mary Strepp, no rank de vencedoras de Oscar. Venceu em 1997, por Fargo e em 2017 por Três anúncios para o crime.


Globo de Ouro: teve quatro indicações, a Melhor Filme em Drama, Diretora em Drama, Atriz (Frances) e Roteiro de Filme. Venceu a Melhor Filme.

BAFTA: teve sete indicações, em três deles para Chloé, em Direção, Roteiro Adaptado e Edição e para Melhor Filme, Atriz, Fotografia e Edição de Som. Venceu em quatro: Filme, Direção, Fotografia e Atriz.

Super recomendo! Lindo e tocante!

terça-feira, 7 de junho de 2022

PS: Eu te amo



Diretor: Richard LaGravenese

Atores: Hilary Swank, Gerard Butler, Kathy Bates, Jeffrey Dean Morgan, Gina Gershon, Lisa Kudrow, Harry Connick Jr.

Gênero: Romance

Duração: 126 minutos

Ano: 2007

Sinopse: Holly Kennedy (Hilary Swank) é casada com Gerry (Gerard Butler), um engraçado irlandês por quem é completamente apaixonada. Quando Gerry morre, a vida de Holly também acaba. Em profunda Depressão, ela descobre com surpresa que o marido deixou diversas cartas que buscam guiá-la no caminho da recuperação.




Acabei de rever o filme, depois de anos, é daqueles que ficamos suspirando e com o coração apertado, pela história toda, ainda assim desejamos no fundo da alma, encontrar e viver um
 amor tão pleno. Acredito ser melhor viver um amor incrível desses e perder, do que não viver. Estou com "borboletas" no estômago. 

Que casal lindo e expressivo! Quanta intimidade! É o sonho de todas nós mulheres, encontrar um homem que nos ame e aceite de modo incondicional. E Meu Deus, no filme o Gerry Kennedy (Gerard Butler) está de tirar o fôlego, de tão lindo. Super convincente como o marido apaixonado. Affff!!!!

O filme tem frases incríveis! Amo esta: 



"Apaixone-se por alguém que sinta sua falta e precise de você sorrindo".

"Existe amores que duram mais que uma vida".

"Encontre aquela coisa que te torna diferente das demais".

"Saiba que onde quer que eu esteja, eu estou com saudades".


"Se puder me prometer algo, prometa-me que quando estiver triste ou insegura, ou quando perder a fé, você tentará ver a si mesma através dos meus olhos".




O filme aborda a perda, a dor do luto vivida em todas as suas formas, do desespero e  isolamento, até o soerguimento e não só por Holly; que é jovem, bonita, feliz e realizada (ainda que não na profissão), que vive uma relação linda e profunda (e não idealizada) com seu marido que infelizmente fica doente e morre. Mas antes de partir, Gerry prepara um surpresa para a esposa, que será a sustentação para que ela atravesse este período tão doloroso de sua vida. Fiquei realmente imaginando o que é viver isso, perder alguém tão importante em nossa vida. Onde encontrar forças para sobreviver a isso, como lidar com uma perda tão devastadora? Só mesmo Jesus, Família, Amigos e Terapia. 

Foi baseado no livro PS: I love you, de Cecelia Ahern, escritora irlandesa. Foi publicado em 2004 e alcançou o primeiro lugar como Best-Seller na Irlanda por 19 semanas.

O filme tem músicas lindas como My sweet song de Toby Lightman, Same mistake de James Blunt, Love you till the and de The Pogues, In the begining de The Stills e outras. Tendo como Diretor responsável John Powell.






A fotografia também é caprichada de Terry Stacey, sendo que as filmagens ocorreram no segundo semestre de 2006 em Nova York e no Condado de Wicklow, na Irlanda.


Curiosidades: A escritora Cecelia Ahern também assina o roteiro junto com Steven Rogers.

O filme é dedicado à memória da irmã da produtora Molly Smith Windland Smith Rice.


Durante a realização de uma das cenas (striptease), o suspensório de Gerard atingiu a testa de Hylary, fazendo com que a atriz fosse levada ao hospital.

A cantora Nancy Wilson da Banda Heart ensinou o ator Jeffrey Dean Morgan a tocar guitarra em curto espaço de tempo para o filme.

No livro "Holly e Gerry são namorados e se conhecem desde a infância, sendo que podiam terminar as frases um do outro e, mesmo quando brigavam, riam. Ninguém poderia imaginar um sem o outro. Até que o impensável aconteça. A morte de Gerry devasta Holly. Mas quando seu aniversário de 30 anos se aproxima, Gerry volta para ela. Ele deixou um pacote de cartas para ela, uma para mês após sua morte, guiando Holly gentilmente para sua nova vida sem ele, cada nota assinada como PS: Eu te amo."

Daí dá para entender a sintonia e a cumplicidade que eles apresentaram no filme, mesmo sem esta informação, pois no filme eles se conhecem adultos, mas nasce ali um amor instantâneo. E é linda a fala de Gerry quando diz: "Você não me parecia real inicialmente. Eu nunca havia visto tantas cores em uma garota antes". "Mas você combinava com aquele lugar, você e suas cores". Lembra-se da primeira coisa que disse? - Estou perdida!"

Outros livros da escritora: Simplesmente acontece, A lista, O presente, O livro do amanhã, A vez da minha vida, sendo que todos se tornaram Best Sellers em todo o mundo.


Indicações e Premiações:

Hilary Swank ganhou o prêmio em 2008 de Melhor Atriz Internacional no Irish Film and Television Award, um prêmio da Irlanda.



Recomendadíssimo! Lindo, poético e romântico.



domingo, 5 de junho de 2022

Mank


Diretor: David Fincher

Atores: Gary Oldman, Amanda Seyfried, Lilly Collins, Tom Pelphrey, Arliss Howard, Tuppence Middleton, Monika Gossman, Joseph Cross, Tom Burbe, Charles Dance.

Gênero: Biografia

Duração: 131 minutos

Ano: 2021




Sinopse: O enredo de Mank segue a história tumultuosa do roteirista Herman J. Mankiewicz, seus problemas com álcool, seu trabalho com Orson Welles para construir o roteiro da obra icônica Cidadão Kane (1941) e sua luta com o mesmo, pelo crédito do script do grandioso longa e da sua relação com grandes nomes da indústria cinematográfica da época, principalmente com o poderoso magnata da mídia William Randolph Hearst.


Filme em preto e branco, nostálgico que homenageia os grandes Estúdios da época e mostra os bastidores e negociações por trás dos filmes. Todo o glamour de Hollywood, nas décadas de 30 e 40, com uma pitada de humor, mas principalmente como eram feito os acordos, os grandes negócios e interesses, na preparação de um dos maiores clássicos de todos os tempos. O diretor revisita a Era de Ouro em Hollywood e ao processo de criação de Cidadão Kane, filme premiado em 1941, apenas por Melhor Roteiro Original e levando o nome dos dois, Welles e Mankiewicz, ainda que tivesse recebido outras indicações na época, para Melhor Filme, Diretor, Fotografia (em preto e branco), Montagem, Direção de Arte, Som, Música (de filme dramático). Já naquele tempo, nem sempre os filmes grandiosos conseguiam ganhar mutos prêmios, apesar das inúmeras indicações.


É um filme que não vai agradar a muitos, por ser mais lento, monótono e estar sempre ás voltas com termos e discussões calorosas sobre o cinema e temas muito específicos sobre uma produção. Acredito que seja muito mais interessante para quem realmente aprecia o cinema e suas implicações. O grande público poderá não gostar. Os críticos americanos gostaram e fizeram elogios a Direção.

Tem um excelente elenco, Gary Oldman, está como sempre, brilhante como o alcoólatra Mank, que as vezes é patético, outras vezes hilário. Que era um roteirista extremamente respeitado e que se consagra ao assinar mais esta obra. No filme é mostrado um recorte de sua vida, da sua genialidade bem como suas dificuldades em lidar com a bebida, mas também mostra sua generosidade para com todos a sua volta. E no momento sua luta contra o tempo para concluir o roteiro no tempo combinado. E a atriz Amanda surpreende, está muito bem, como a personagem Marion Davies, charmosa e expressiva.

Realmente tem uma bela fotografia assinada por Erik Messerschmidt, Edição de Kirk Baxter, Figurino de Trish Summerville, sendo que esta foi sua primeira indicação ao Oscar, apesar de já ter sido responsável por outros looks dos filmes: Jogos Vorazes: em chamas; Millenium: os homens que não amavam as mulheres e Garota exemplar. Compositores Trent Reznor e Atticus Ross, sendo que ambos já venceram o Oscar pelo trabalho junto com Fincher em A rede social (2010).





Indicações e Premiações: Oscar 2021, para Melhor Filme, Ator (Gary Oldman), Direção, Atriz Coadjuvante (Amanda Seyfried), Figurino, Trilha Sonora, Som, Maquiagem e Cabelo. Apesar das dez indicações, só venceu para Melhor Fotografia e Designer de Produção.

Ao Globo de Ouro 2021 foi indicado para Melhor Filme de Drama, Direção, Ator em Drama, Atriz Coadjuvante em Drama e Trilha Sonora. Mas não ganhou em nenhuma das indicações, foi de certa forma um filme esnobado nesta premiação.

Ao BAFTA 2021: o longa foi  indicado nas seis categorias de Melhor Roteiro Original para Jack Fincher, Trilha Sonora Original, Fotografia, Maquiagem e Cabelo e venceu na categoria de Designer de Produção (Donald Graham Burt e Jan Pascale).


Curiosidades: esse é o décimo primeiro filme de David Fincher e foi escrito pelo seu pai. Jack Fincher, nos anos 1990. David pretendia produzir o filme após o término de The Game, porém o projeto nunca seguiu em frente e seu pai faleceu em 2003. Só recentemente conseguiu realizar seu sonho.

Desde o início queria gravar em preto e branco e isso foi uma das dificuldades enfrentadas na produção do longa e também queria dirigir ator Oldman para estrear seu filme, foi categórico quanto a isso. E também sondou outro ator famoso, mas que acabamos por não vê-lo, acredito que seja devido aos escândalos que o mesmo esteve envolvido, Kevin Spacey

As filmagens começaram em 01 de novembro de 2019 em Los Angeles. Também houve filmagens em Victorville, na Califórnia. Sendo tudo finalizado em 04 de fevereiro de 2020.

É um bom filme, vale a pena assistir, muito bem dirigido e produzido, mas sinceramente mais pela produção como um todo e pela história em si, porque apesar de grandioso, é daqueles que não empolga.




 


terça-feira, 15 de março de 2022

Chocolate


Diretor: Lasse Halltröm

Atores: Juliette Binoche, Johnny Deep, Alfred  Molina, Lena Olin, Judi Dench, Carrie-Anne Moss, Victorie Thivisol

Gênero: Romance




Duração: 121 minutos

Ano: 2.000

Sinopse: Vianne Rocher (Juliette Binoche), uma jovem mãe solteira, e sua filha de seis anos Anouk (Victorie Thivisol) resolvem se mudar para uma cidade rural da França. Lá decidem abrir uma loja de chocolates que funciona todos os dias da semana, bem em frente à Igreja local, o que atrai a certeza da população de que o negócio não vai durar muito tempo. Porém, aos poucos Vianne consegue persuadir os moradores da cidade em que agora vive.



 a desfrutar seus deliciosos produtos, transformando o ceticismo inicial em uma calorosa recepção.





Filme "delicioso" de ver, com um Johnny Deep que está magnífico, com um olhar mais que profundo, cheio de mistérios e promessas. Uau!!! 



É um filme encantador na forma de abordar o preconceito, tolerância e a moral sem ser algo piegas, Vianne é uma mulher livre, encantadora e meio nômade que viaja pelo mundo, levando seus conhecimentos sobre as delícias que podem ser feitas com o cacau. E se depara com uma cidade conservadora, onde seus habitantes são mais tradicionais e desconfiados, mas ela parece lidar bem com estas situações pois não se abala e enfrenta com alegria e humanidade mais um desafio a vencer e gradativamente vai conquistando a confiança até dos mais "ranzinzas", sendo que o doce parece conter algo "mágico" que faz com que as pessoas se libertem de seus rígidos valores, ou de suas tristes vidas de aparências. Ambientado na década de 1950.


O filme é visualmente lindo, tendo como Diretor de Fotografia Roger Pratt. Os doces, tortas, bombons e as comidas apresentadas, são de dar água na boca, despertam nossos desejos mesmo, nem que seja por doce. Brincadeiras à parte, já foi comprovado cientificamente que o chocolate aumenta os níveis de serotonina liberadas pelo cérebro, causando assim uma sensação maior de prazer e bem estar. O que foi muito bem explorado no filme.

Roteiro leve e bem construído de Robert Nelson Jacobs baseado no romance Chocolat, de Joanne Harris. Produção impecável de Leslie Holleran. Direção de Arte assinada por Lucy Richardson e como caprichoso Designer de Produção David Gropman. Figurino muito original de Renne Ehlich Kalfus.

Curiosidades: A cidade da França mostrada no filme é Lansquenet-sous-Tannes, embora pitoresca e encantadora como acredito que devam ser as pequenas cidades francesas, é fictícia, mas as cenas externas foram filmadas em Flavigny um vilarejo francês do século X, mas como não tem rio, as outras cenas com água foram realizadas na Inglaterra. É um dos meus sonhos de consumo, conhecer a França, suas cidades medievais, Giverny (cidade onde fica o Museu do Monet), principalmente a região de Provence, a sudeste da França. 

O nome da Chocolataria é Maya, que é uma homenagem a civilização Maia, porque foram eles e os Astecas que tornaram este fruto conhecido, segundo os historiadores, pelo menos 1700 anos aC. O cacaueiro é originário da chuvosa bacia hidrográfica do Rio Amazonas, tendo sido dispersado para as regiões tropicais da América Central e Norte. Por isso a decoração da confeitaria de Vianne é decorada

 com motivos mexicanos. 

Para interpretar Vianne, Juliette decidiu fazer um estágio numa fábrica de chocolate artesanal, passando semanas acompanhando o processo de como eram feito os chocolates e se esmerou tanto, que passou até mesmo a diferenciar a origem do cacau.

O ator Deep não gosta de chocolate e para ele foi difícil fazer as cenas em que come os bombons que Vianne o faz provar.


Indicações e Premiações: Foi indicado ao Oscar 2001, nas categorias de Melhor Filme, Atriz, Atriz Coadjuvante (Judi Dench), Roteiro adaptado e Trilha Sonora, mas não venceu nenhum.


Ao Globo de Ouro também foi indicado para Melhor Filme Comédia ou Musical, Atriz em Drama, Atriz Coadjuvante/Secundária e Trilha Sonora. Sendo que também não venceu em nenhuma categoria.

Recomendo! Tem uma bela e cativante história. 



domingo, 6 de março de 2022

Minari: em busca da felicidade


Diretor: Lee Isaaac Chung

Atores: Steven Yeun, Han Ye-ri, Alan S. Kim, Noel KLate Cho, Yuh-jung Youn, Will Patton, Scott Raze

Gênero: Biografia

Ano: 2020

Duração: 115 minutos.


Sinopse: Conta a história de uma família coreana-americana que se muda da Califórnia para uma pequena fazenda no estado do Arkansas, em busca do sonho americano, na década de 1980. Enfrentam muitos conflitos com a mudança, mas o lar da família muda completamente com a chegada da avó materna, astuta e desbocada, mas incrivelmente amorosa.



Filme muito rico em entendimento e aprofundamento das relações humanas e suas complexidades. Muito sensível e provavelmente não foi indicado á toa ao Oscar 2021 na categoria de Melhor Filme, em tempos de Pandemia por Corona vírus. Trazendo inúmeras reflexões do que realmente é importante em nossa existência. Não tem como não se encantar com a relação do pequeno David (Alan S. Kim), com sua simpática avó Soonja (Yuh-jung Youn), ele com sua doce ingenuidade e curiosidades infantis e ela, toda amorosa, paciente e otimista como só as avós conseguem ser. Também aborda a dificuldade de adaptação de ser imigrante, de se ajustar a uma outra cultura e não perder a essência da sua, fator este que vem acontecendo cada vez mais nas últimas décadas. Muitas pessoas saindo de seus países de uma forma positiva ou de outra, em fuga, mas com o objetivo esperançoso de encontrar e ter uma vida melhor, de realmente ser "aceito" na nova pátria.

O diretor também assina o roteiro e informa que foi inspirado em suas próprias vivências, e dirige com muita sabedoria, tudo vai sendo mostrado, como o conflito do casal, que se amam, mas estão frustrados e insatisfeitos com o rumo que está tomando a vida deles. Mas sem grande dramalhões, tudo sendo apresentado de forma suave e simples e desta forma a história vai nos cativando. Assistindo a este filme tive a mesma sensação de quando vi um dos meus filmes preferidos, Cinema Paradiso. Tudo tão singelo, pequenos detalhes que vamos sendo tocados pelos seus conflitos, que poderiam também ser os nossos, das nossas frustrações diante das dificuldades do cotidiano. É um drama familiar, mas é puro encanto! 

Música de Emile Mosseri, Fotografia de Lachlan Milne. Edição Harry Yoon.




Curiosidades: Yuh-Jung Youn foi a primeira atriz coreana indicada ao Oscar, em entrevista ela diz: "Significa que estava representando a Coréia do Sul na premiação. Não é como se eu estivesse representando  o país indo às Olimpíadas, mas sinto que estou competindo pelo meu país. É estressante!"

As filmagens iniciaram em julho de 2019 e estreou no Festival Sundance de Cinema em 26 de janeiro de 2020, sendo muito bem aceito pela crítica e vencendo como Melhor Filme Dramático. Aqui no Brasil só chegou em 26 de abril de 2021.

Gostei muito de "rever" o ator Steven Yeun, tão nosso conhecido, como o personagem Glenn Rhee da Série The Walking Dead.

A planta Minari é de origem asiática, seu nome científico é Oenanthe Javanica, é conhecida como agrião coreano, salsa japonesa, aipo da água ou aipo chinês, também, como salsa-de-água, pois é facilmente encontrada à beiras de rios. Serve para fazer refogados e sopas.


Indicações e Premiações: ao Oscar 2021, foi indicado em seis categorias, para Melhor Filme, Diretor, Ator, Roteiro Original, Trilha Sonora e vendeu para Melhor Atriz Coadjuvante.

Ao Globo de Ouro: foi indicado e venceu para Melhor Filme Estrangeiro, devido as falas serem quase que exclusivamente em coreano. 

Ao BAFTA para Melhor: Diretor, Filme de Língua não inglesa, Ator Coadjuvante (Alan S. Kim), Trilha Sonora, Elenco (Julia Kim). Venceu também na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante (Yuh -jung Youn).

Super recomendo assistir. Fofo demais!!!




segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Razão e Sensibilidade


Diretor: Ang Lee

Atores: Emma Thompson, Kate Winslet, Alan Rickman, Hugh Grant, Tom Wikinson, Grag Wise, Emilie François, James Fleet, Imelda Staunton

Gênero:  Romance




Duração: 136 minutos

Ano: 1995

Sinopse: Em virtude da morte do marido, a viúva da família Dashwood e as três filhas passam a enfrentar dificuldades financeiras, pois praticamente toda a herança foi para um filho do primeiro casamento, que ignora a promessa feita no leito de morte de seu pai,que ampararia as meias-irmãs. Neste contexto, enquanto uma irmã prática Elinor (Emma Thompson), usando a razão como principal forma de conduzir as situações, a outra Marianne (Kate Winslet) se mostra emotiva, sem se reprimir nunca com uma sensibilidade à flor da pele.



Belíssimo filme de época, com um "senhor" elenco reunido, com maravilhosas interpretações. Fico sempre encantada com o Figurino, algo que sempre chama a minha atenção e me surpreende cada vez mais, em filmes de época então, como fica evidente a importância deste profissional para a composição dos filmes. Neste, a assinatura fica a cargo de Jenny Beavan e John Bright. Jenny já nossa conhecida por ser a responsável por filmes como Vestígios do dia (1993), Anna e o Rei (1999), filme que já escrevi e o mais recente Cruella (2021). E foi vencedora de Oscar em dois outros filmes: Uma janela para o amor (1997) e Mad Max - estrada da fúria (2016).  

A música também é linda, romântica e combina perfeitamente com o filme que esteve presente na lista dos dez melhores do ano. Tendo como Diretor responsável, Patrick Doyle.

O filme é baseado na obra clássica de Jane Austen publicado em 1811, mas a autora começou a escrever em 1784, e conta a história das duas irmãs Dashwood, que com a repentina morte do pai, sofrem com a pequena chance que têm de encontrar um bom partido para casamento. Elas se mudam da casa da família para um chalé no campo em Devonshire e lá desabrocham para a vida amorosa, com suas personalidades completamente diferentes. Marianne que é exuberante e sensível, encontra-se dividida entre o belo John Willoughby (Greg Wise) e um coronel mais velho (Alan Rickman) e Elinor, reprimida e racional, inicia uma experiência romântica, ainda que não admita, com Edward Ferrars (Hugh Grant), que tem compromissos que podem atrapalhar o romance. A história é encantadora e mostra a dificuldade de ser mulher no século XIX e em se encontrar um amor verdadeiro numa sociedade obcecada pelo status financeiro e social. Parece que não mudou muito, não acham??? Temos oportunidade de acompanhar como cada personagem vai crescendo e se desenvolvendo no filme, como cada um aborda e "sente" o amor, e como vamos nos apaixonado por eles, com seus acertos e equívocos. Faz uma incrível homenagem à escritora, sendo bastante fidedigno ao livro.

Tem uma Fotografia belíssima de Michael Coulter que também já nos brindou com filmes conhecidos como Um lugar chamado Notting Hill (1999), Simplesmente Amor (2003) e o mais atual Um castelo para o Natal (2021), que nos brindam com duas figuras queridas que estavam um pouco sumidas das telonas, Brooke Shields e Cary Elwes, que fazem um par engraçado e encantador.

Curiosidades: Emma Thompson também assina pelo roteiro e ganhou um Oscar e um Globo de Ouro por isso. No Oscar desbancando outros roteiristas como William Broyles Jr. e Al Reinert, em Apollo 13 do desastre ao triunfo; George Miller r Chris Noonan, em Babe, o porquinho atrapalhado; Mike Figgis em Despedida em Las Vegas e Anna Pavignano, Michael Radford, Giacomo Scarpelli e Massimo Troisi em O carteiro e o poeta.

Bem, não poderia deixar de enfatizar que em 92 anos de Premiação do Oscar pela Academia Internacional de Artes e Ciências Cinematográficas, 350 mulheres foram indicadas em alguma categoria que não seja as principais, como Atriz e Atriz Coadjuvante, Figurino. Mas infelizmente, só venceram em 28. Para enfatizar, em Direção apenas Katryn Bigelow em 2010 e Chloé Zhao em 2021, ou seja, em 90 anos, a maioria dos prêmios foram entregues a homens. Fica a dúvida para pensarmos: será que é só por falta de profissionais competentes, sorte, ou por puro e simplesmente preconceito e machismo???

Esta foi a terceira parceria de Emma e Grant, eles trabalharam antes em George & Frederic (1991), em Vestígios do dia(1993) e em Simplesmente Amor (2203). Foi a primeira de Thompson com Alan Rickman, depois atuaram juntos em Momento de afeto (1997), Judas Kiss (1998), Simplesmente Amor, Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban (2004) e em Harry Potter e a Ordem  da Fênix (2007).


Foi a primeira vez que Grant e Rickman contracenaram, depois fizeram parceria em Jogos de ilusão (1995) e Simplesmente amor (2003).

E foi a primeira vez que este trio estiveram juntos, Thompsom, Rickman e Imelda Staunton, depois repetiram a parceria em cena no filme Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Emma Thompson e Greg Wise, que iniciaram um relacionamento no período das filmagens, casaram se em 2003 e estão juntos até hoje.


 Indicações e Premiações

Ao Oscar 1996 foi indicado para Melhor Filme, Atriz (Thompson), Atriz Coadjuvante (Winslet), Fotografia, Figurino e Trilha Sonora (Patrick Doyle). Venceu para Melhor Roteiro Adaptado (Emma Thompson).

Ao Globo de Ouro de 1996, houveram indicações nas categorias: Melhor Diretor, Atriz em Drama, Atriz Coadjuvante em Drama e Trilha Sonora. Vencendo na categoria de Melhor Filme Drama e Roteiro Adaptado.

No BAFTA, teve indicação para Melhor Diretor, Ator Coadjuvante (Alan Rickman), Roteiro Adaptado, Direção de Arte (Luciana Arrighi), Fotografia, Figurino, Maquiagem (Morag Ross e Jan Archibald) e Musica.

No Festival de Berlim, ganhou o Urso de Ouro.

Super recomendo! De encher os olhos e aquecer o coração.


Bela vingança


Diretora: Carey Mulligan, Bo Burnham, Alison Brie, Connie Britton, Jennifer Coolidge, Laverne Cox, Clancy Brown, Alfred Molina, Christopher Mintz-Passe, 

Gênero: Suspense

Duração: 108 minutos

Ano: 2020




Sinopse: Em Bela Vingança, Cassie (Carey Mulligan) é uma mulher com muitos traumas do passado que frequenta bares todas as noites e finge estar bêbada. Quando homens mal intencionados se aproximam dela com a desculpa de ajudá-la, Cassie entra em ação e se vinga dos predadores que tiveram o azar de conhecê-la.

Filme surpreendente que me agradou muito. Apresenta como as mulheres são "seduzidas" e abusadas quando estão alcoolizadas, com um discurso inicial de ajuda ou pior ainda, que estão pedindo" por isso". Discurso e atos machistas que são tratados com toda naturalidade, sem que isso perturbe ninguém a volta. Oi! Algo inédito? Não mesmo! Esse é ainda o panorama do acontece em pleno Século XXI, infelizmente!!! Onde a culpa ainda é colocada nas mulheres, de vítimas passam a culpadas, por usarem tal roupa, por terem bebido, como se com isso tudo fosse permitido, algo extremamente comum e assim tudo segue normalmente na "cultura do abuso". Um absurdo!!! Mas vamos lá, neste filme a diretora nos apresenta uma situação inédita, onde Cassie "finge" ser a vítima, mas acaba por dar um susto nestes abusadores, quando percebem que ela está lúcida. Quando indagada sobre o filme ser inspirado em algum fato real, a Diretora Emerald  diz "acho que minha inspiração foi crescer numa época onde era permitido, pela sociedade, levar uma mulher para a cama com todos os tipos de truques sujos, inclusive o uso do álcool. 

Achei que seria interessante ver o que aconteceria quando um homem leva uma mulher, que parece estar bêbada, para sua casa e, na realidade, ela estava sóbria o tempo todo. Como eles iam se sentir e como isso ia se desdobrar". "E se a situação fica com um clima estranho, prova como o argumento que se tenta defender, usando tal método de sedução (abusando de pessoas alcoolizadas) é vazio. Você só é pego no flagra, fazendo algo errado. Queria ver as questões complicadas da nossa cultura, principalmente em termos de relacionamentos, que causam tantas opiniões deferentes". Acredito que seu interesse tenha sido em promover mesmo amplas discussões sobre este assunto. E que assim seja!!! Para isso, acabou dirigindo muito bem, a atriz Carey, que está excelente numa mistura de charme, beleza, com toda uma gama de ambiguidade, mistura de inocência e atrevimento, mas principalmente de coragem. Ao confrontar com seus abusadores, parece ter a sensação de "exorcizar" sua dor, de extravasar suas angústias e seus traumas psicológicos, mas paradoxalmente, acaba por vivê-las a cada noite, reprisando tudo o que sua amiga viveu no passado, e que acabou por transformar a vida de ambas. E isso parece reforçar ainda mais sua dor, quando vive neste círculo vicioso. Sua vingança é contra todo um sistema abusivo, injusto e corrupto. Carey tem uma atuação forte e impactante! Super merecida a sua indicação ao Oscar 2021.



É composto com músicas muto boas, como a Toxic de Britney Spears, Stars are blind de Paris Hilton, Angel of the morning de Juice Newton e outros.

Fotografia assinada por Benjamin Kracun, que faz uma bela composição de tudo, as vezes com cores mais fortes e profundas outras vezes com tons mais claros, como se quisesse mostrar as facetas da personalidade de Cassandra/Cassie.

Figurino também muito bom de Nancy Stein

Indicações e Premiações: ao Oscar 2021 foi indicado a cinco categorias: Melhor Filme, Direção, Atriz (Carey Mulligan), Edição e vencendo para Melhor Roteiro Original.

Ao Globo de Ouro: Filme Dramático, Melhor Diretor, Atriz em drama, Roteiro em cinema. Mas não venceu em nenhum.

BAFTA indicado a  Melhor Filme e Montagem, vencendo para Melhor Filme Britânico e Roteiro Original. 


Curiosidades: Tanto a Direção como o Roteiro são de Emerald.

Uma das produtoras foi  Margot Robbie.

Este filme é um dos que fazem parte do Movimento #Metoo e a cultura de culpabilização das vítimas. Movimento que ganhou força em 2017, onde pessoas poderiam usar este termo, para denunciar abusos e assédios sexuais e acabou viralizando não só em Hollywood, mas no mundo todo.

O filme não é baseado em fatos reais, como disse anteriormente, a Diretora pensou no roteiro a partir de suas conjecturas sobre o assunto.

Recomendadíssimo!!!