domingo, 24 de abril de 2016

A garota dinamarquesa


Diretor: Tom Hooper
Atores;  Eddie Redmayne, Alicia Vikander, Mathias Schoenaerts, Ben Whitshaw, Amber Heard, Sebastian Kock
Gênero: Biografia
Duração: 119 minutos


Ano: 2016

Sinopse: Cinebiografia de Lili Elbe (Eddir Redmayne), que nasceu Einar Mogens Wegwnwer, bem casado, vivendo em Copenhagen, na década de 1920, foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero. Em foco, o relacionamento amoroso do pintor dinamarques com Gerda (Alicia Vikander) e sua descoberta como mulher.

Uma história digna, apresentada de forma muito delicada e sensível. com muita leveza o drama de Lili Elbe vai sendo mostrado, com tanta humanidade, tudo é tão belo e vibrante, que não tem como não se apaixonar e aplaudir este ser que assumiu todos os riscos para ter uma vida plenamente verdadeira. Não conhecia sua história, mas me senti tocada e teria torcido por ela, para que conquistasse seus objetivos. Críticas à parte: que o livro ao qual foi inspirada a história (romance de 



David Ebershoff, inspirado na vidas das pintoras dinamarquesas Lili Elbe e Gerda Wegener), não fazer jus aos acontecimentos reais: um aprofundamento no sofrimento e conflito da vida de Lili, na possível bissexualidade de Gerta, a desintegração e anulação do casamento  de Einar e Gerta e na morte de Lili, que no filme fica subtendido que foi infecção, mas não que foi uma infecção causada por uma rejeição do útero que lhe fora implantado, ela pretendia ter filhos (foi uma pioneira, vanguardista para o seu tempo). Mas apesar de tudo o filme é lindo, com uma fotografia (Danny Cohen), decoração de sets e figurinos ( Paco Delgado) maravilhosos, de encher os olhos. A interpretação e transformação de Redmayne impressiona, com uma postura corporal perfeita (mais feminino que muitas mulheres), trejeitos, expressões, com uma leveza de movimentos fantasticamente femininas, e com uma profundidade na forma de apresentar seus conflitos interiores, quanto a sua identidade sexual, é possível "sentir" sua angústia. Ator que veio para ficar, muuuuuito bom. Acredito que filmes como este e outros apresentados nas telonas este ano (Carol, Amor por direito, Stonewall), tem tudo a ver com o processo de mudança que vem ocorrendo e já não era sem tempo (demonstração de que os tempos mudam, mas os conceitos, nem tanto, demoram...) em relação a sociedade, que se faz imprescindível rever conceitos tão absolutistas (certo/errado; bonito/feio, preto/branco), que reforça padrões convencionais, suprimindo toda e qualquer escolha, que  não esteja dentro destes parâmetros. E a sétima arte não poderia deixar de se fazer presente neste momento histórico de transição, onde o Casamento Gay foi aprovado legalmente e apoiado até mesmo pelo Papa Francisco, é algo realmente inédito, que avanço!!!  



O filme foi indicado ao Oscar 2016, para Melhor Ator (Redmayne), Direção de Arte e Figurino; vencendo na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante para Alicia Vikander. Ao Globo de Ouro, foi indicado nas categorias de Melhor Ator e Atriz em Drama e Trilha Sonora (Alexandre Desplat).
Curiosidades: o filme foi lançado no Festival de Veneza. Nicole Kidman é quem interpretaria Einar, mas decidiu abandonar o projeto por conta do atraso nas filmagens. Já Gwynweh Paltrow viveria a esposa, mas decidiu deixar projeto, alegando compromissos familiares. Lili Elbe morreu em 1931, após complicações na sua quarta cirurgia, estava num outro relacionamento com um parceiro masculino, tentando ter filhos. Já Gerda, depois de se afastar de Lili, casou-se novamente, mas não conseguiu se firmar como pintora, acabou por voltar para a Dinamarca e morreu pobre e com problemas de alcoolismo.


Recomendo!!! Veja e comente.

O quarto de Jack



Diretor: Lenny Abrahanson
Atores: Brie Larson, Jacob Tremblay, Joan Allen, William H. Macy, Sean Bridgers, Amanda Brugel, Cas Anvar, Joe Pingue
Gênero: Drama
Duração: 118 minutos

Ano: 2016

Sinopse: Joy/Ma (Brie Larson) e seu filho Jack (Jacob Tremblay) vivem isolados em um quarto. O único contato de ambos têm com o mundo exterior é a visita periódica do Velho Nick (Sean Bridgers), que os mantém em cativeiro. Joy faz o possível para tornar suportável a vida no local, mas não vê a a hora de deixá-lo. Para tanto, elabora um plano logo depois que o filho faz 5 anos, onde com sua ajuda, poderá enganar Nick e retornar à realidade.

Amei!!! Filme sensível, delicado e comovente!!! O meu preferido para ganhar o Oscar deste ano. Uma verdadeira poesia, ainda que na primeira hora (acredito que foi idealizado exatamente para isso) desperta no espectador a sensação de claustrofobia, tamanho realismo no que é mostrado no "room", quarto. Num segundo momento, é possível sentir mais liberdade e relaxar um pouco, diante dos acontecimentos e de como cada personagem vai lidar com a situação. O filme é baseado no livro homônimo, escrito por Emma Donoghue, lançado em 2010, que teve como inspiração o caso real revelado em 2008, da jovem que foi mantida refém pelo pai na Áustria, durante 24 anos, no episódio que ficou conhecido como o Caso Fritz. Inicialmente o projeto foi avaliado por muitos como inadaptável (traduzir em imagens as palavras que compõem o romance, com fator complicador: narrado por uma criança). O cineasta irlandês Lenny, resolveu enfrentar o desafio, e não só conseguiu filmar, como o transformou numa obra prima. O que também deve ter ajudado a direção é que o roteiro também ficou por conta da autora, e não poderia deixar de enfatizar, o desempenho da excelente atriz principal (Larson) e seu apaixonante filho Jack (Jacob, que impressiona e convence, fiquei admirada por não ter sido indicado ao Oscar). Muita emoção durante


todo o desenrolar do filme, mas a surpresa fica a critério de como somos levados a mergulhar no processo de readaptação de Joy, que se mostra muito mais difícil do que poderíamos imaginar (ela como mãe, preocupa-se muito mais com o bem estar e sanidade do filho, transformando dor em força, acabando por se "esquecer de si mesma. Mas que depois, quando seu filho está em segurança, entra numa depressão profunda. apresentando muita confusão entre o novo e o velho, para ela o mundo mudou: valores, família, relações...Ela foi sequestrada aos 17 anos e havia se passado 7 anos desde então. Já para Jack é mais uma descoberta (ele "vivia" num mundo menor, apesar da relação afetiva com todos os objetos, agora terá que ampliar isso tudo, o mundo ficou maior). Indicações e Premiações: Oscar 2016, indicado a Melhor Filme, Diretor e Roteiro Adaptado e venceu para Melhor Atriz Brie Larson. Ao Globo de Ouro, teve indicações nas categorias Filme Dramático, Roteiro cinema, vencendo na de Melhor Atriz Drama (Brie), no BAFTA, venceu em Melhor Atriz e foi indicado para Melhor Roteiro de Cinema, e ainda no Critics Choice Awards, foi indicado para Melhor Filme e venceu nas categorias de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Jovem Ator/Atriz.
Curiosidades: o filme não é baseado em fatos reais, As atrizes Shailene Woodley e Brie Larson foram as duas últimas atrizes a serem convidadas para o papel, sendo  que Emma Watson e Rooney Mara foram outras cotadas. O filme foi rodado no Canadá (Toronto e Ontário),apesar de parecer ser nos EUA, e a polícia ser de Akron. A produção venceu o Grande Prêmio do Público no Festival internacional de Cinema de Toronto 2015. Brie Larson isolou se por um mês e seguiu uma rigorosa dieta, a fim de ter uma noção do que a mãe e Jack passaram; e também não usou maquiagem durante a filmagem.


Frases marcantes: "O universo dos sonhos é o caminho para enfrentarmos os absurdos que somos expostos em nosso cotidiano".
"Os monstros são grandes demais para existir, principalmente quando temos pessoas que nos amam perto da gente".
Recomendadíssimo!!! Original e surpreendente.
  

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Nove e 1/2 semana de amor



Diretor: Adrian Lyne
Atores: Mickey Rourke, Kim Bassinger, Margareth Whiton, David Marguiles, Christine Baranski, Karen Yong, Dan Lauria
Gênero: Drama Erótico
Duração: 115 minutos
Ano: 1986                            

Sinopse: Elizabeth (Kim Basinger) é uma bela e sexy mulher que trabalha em uma galeria de arte e se envolve com John (Mickey Rourke), um homem rico e extremamente charmoso. Eles se envolvem rapidamente e começam a praticar jogos sexuais cada vez mais intensos, que tornam o relacionamento cada vez mais complicado e difícil de ser controlado.




Sucesso absoluto de bilheteria na época, apesar de toda censura, por conter cenas polêmicas, sensuais demais para a época. Filme envolvente, sendo considerado um clássico do cinema, com este contexto. Tem carisma e charme de sobra, o erotismo é retratado de forma leve, criativo, excitante e original, não tendo nada de apelativo e vulgar, pelo contrário, desperta uma curiosidade sadia, levando a uma reflexão sobre limites nos jogos sexuais. Possibilitando a liberação de possíveis fantasias que ficavam guardadas nas mentes de muitas mulheres reprimidas por uma educação mais castradora. Algo como "apimentar" uma relação a dois, sem que seja visto como um transtorno. No filme podemos acompanhar o envolvimento da divulgadora de artes e um executivo de Wall Street. Mickey e Kim estão lindos, contagiantes, parecem ter se "entregado" aos personagens, com uma química incrível nas cenas mais sensuais. Arrepiante!!! O roteiro foi adaptado do livro de Elizabeth McNeil, onde


Elizabeth (a autora emprestou o próprio nome a personagem) e John se apaixonam de forma muito intensa e passam a viver este sentimento em toda sua dimensão, mas John, misterioso, discreto e sedutor, convence Elizabeth a realizar as mais picantes fantasias, algumas até humilhantes, num jogo de persuasão, sedução e desejo. A intensidade da paixão cresce na mesma proporção que os excessos, evidenciando um Transtorno de John na esfera sexual (personalidade persuasiva e doentia) e provoca em Elizabeth uma dependência psicológica, acabando por desencadear conflitos na relação. A Trilha Sonora é linda, de Jack Nitzsche, amo a música do Bryan Ferry, "Slave to Love".liiinda!!! A fotografia é impecável, assinada por Peter Biziou.
Recomendadíssimo!!! Não pode deixar de ser visto.
Veja e comente.

domingo, 6 de março de 2016

Perdido em Marte


Diretor: Ridley Scott
Atores: Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen Wing, Jeff Daniels, Sean Bean, Kate Mara, Michael Peña, Sebastian Stan, Chiwetel Ejiofor
Gênero: Ficção científica
Duração: 144 minutos
Ano: 2015

Sinopse: O astronauta Mark Watney (Matt Damon) é enviado a uma missão em Marte. Após uma severa tempestade é dado como morto e é abandonado pelos colegas. Acorda sozinho no misterioso planeta, com escassos suprimentos, sem saber como reencontrar os companheiros ou retornar à Terra.


Filme muito interessante baseado no romance homônimo do escritor americano Andy Weir (The Martian, 2011), que foi levado quase que integralmente para a telona. Muito bem dirigido por nada menos que Ridley Scott, o maravilhoso diretor de clássicos, como Alien, o 8º passageiro (1979) e Blade Runner (1982), que volta a encantar as plateias e todo o mundo. Acredito que deveria ter sido indicado ao Oscar e não só no Globo de Ouro. O filme mostra como o personagem Mark ao se ver sozinho no Planeta Vermelho, enfrenta esta situação, necessitando realizar muitos cálculos, usando sua inteligência, criatividade e conhecimento de biólogo, para se manter vivo. O clima de Marte é inóspito e hostil e tudo que esta a seu alcance é limitado, até mesmo o oxigênio e suprimentos. Então todo seu potencial cognitivo e emocional é colocado à prova e ele acaba lidando muito bem: desenvolve diálogos com as câmeras, o que vira diário de bordo, onde vai registrando suas experiências, acertos e erros, bem como toda gama de sentimentos e frustrações vividas neste período, mas tudo sem perder o bom humor, onde faz "piadinhas" e ri de si mesmo, diante das adversidades; sendo que este otimismo é o que o ajuda a se manter vivo. Ainda que seja meio previsível, a história vai sendo contada de modo mais realista possível e convincente, tanto que sentimos tensão e torcemos o tempo todo por ele. Matt Damon está maravilhoso no papel, com seu jeito calmo, seguro e tranquilo de interpretar. O resto do elenco também é estelar,a fotografia é linda, assinada por Dariusz Wolki e Mark Patten, com seus tons avermelhados em "Marte" e azulada, quando voltada para a equipe da Nasa,na "Terra", é tão impactante para mim, como foi no outro filme neste estilo, Gravidade (2013). Sabe-se que o excelente e veterano diretor, usou cenas espaciais em 3D para compor toda a magnitude do Universo. Apesar de longo, não é cansativo, mantém se envolvente do começo ao fim. Muuuuito bom!!!



Curiosidades: o filme foi gravado em Wadi Rum, no sul da Jordânia, que tem um deserto de cor vermelha e já foi palco de outas produções e depois foram para Budapeste, que tem estúdios grandes e altos, compatíveis com as filmagens. A Nasa não só deu a permissão para que fossem utilizadas tantas informações sobre as viagens espaciais, como virou consultora sobre os aspectos do espaço e viagens, especificamente em relação a Marte. A filmagem durou 70 dias, sendo criado 20 sets de filmagem, o que não é quase nada, quando comparado a outros filmes de Scott, como Êxodos- Deuses e Reis, que foram 70. A figurinista Janty Yates, buscou em imagens reais, a inspiração para compor os trajes, porém voltados mais para uma abordagem prática. Os atores Matt Damon e Jessica Chastain já trabalharam num mesmo filme de temática espacial, em Interestelar (2014), mas não tiveram nenhuma cena juntos.
Premiações e indicações: Venceu o Globo de Ouro para Melhor Filme Comédia/Musical e para melhor Ator Matt Damon, No Oscar, foi indicado a Melhor: Filme, Ator, Roteiro Adaptado, Design de Produção, Efeitos Visuais, Edição de Som e Mixagem de Som, mas não venceu em nenhuma categoria. No People's Choisce Awards venceu para Melhor Ator Drama, Matt Damon. No Satélite Awards Melhor Som, e no ADG Award, para Melhor Design em Filme Comédia.
Recomendo!!! 

sábado, 5 de março de 2016

A Missão




Direção: Roland Josfé

Atores: Robert De Niro, Jeremy Irons, Liam Neeson, Ryan McAnally, Aidan Quinn, Cherie Lunghi, Ronald Pichup, Chuck Low
Gênero: Drama
Duração: 125 minutos



Ano: 1986


Sinopse: no final do século XVIII, Rodrigo Mendonça (De Niro), é um mercador de escravos espanhol, que faz da violência seu modo de vida. Acaba tendo um conflito com seu irmão Felipe (Quinn), devido a disputa da mulher que ama Carlota (Cherie Lunghi). Como forma de redenção, acaba se juntando aos padres jesuítas, tendo seu grande representante o padre Miguel (Irons), nas florestas brasileiras, para defender os índios, que antes escravizava, dos interesses das grandes nações da época.


É um filme britânico, com um elenco de estrelas e com música marcante e poderosa de Ennio Morricone, demais!!! O conteúdo histórico do filme tem muito a ver com a nossa história e foi baseado em fatos reais: a expulsão dos padres jesuítas espanhóis, do reino português, devido à crise nas relações políticas entre a coroas Portuguesa e Espanhola (Companhia de Jesus), apoiada pela Igreja Católica da época. Ou seja, conflitos acontecendo por mero interesse político e financeiro e não com a preocupação com o lado humano propriamente dito. Estamos falando do passado ou do presente?! Parece que nada mudou desde então, só os personagens!!! O contexto é do da Guerra Guaranítica, que ocorreu por volta de 1750 a 1757, entre os índios guaranis e as tropas espanholas e portuguesas no sul do Brasil, após a assinatura do Tratado de Madrid, no dia 13 de janeiro de 1750. Onde os índios Guaranis da Região dos Sete Povos das Missões (nome que se deu ao conjunto de 7 aldeias indígenas fundadas pelos padres jesuítas no Continente do Rio Grande de São Pedro, atualmente Rio Grande do Sul, composto pelas reduções de São Francisco de Borja, São Nicolau, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo Custódio), recusam-se a deixar suas terras no território do Rio Grande do Sul e a se transferir para o outro lado do Rio Uruguai, conforme acertado no acordo entre Portugal e Espanha. Encontrei controversas de historiadores de qual era a nação que escravizava os índios, uns afirmam que eram os portugueses, outros que eram os espanhóis (mas segundo a visão destes, os índios eram considerados súditos do Rei da Espanha e portanto não poderiam ser escravizados). Então fica uma incógnita! Mas caso fosse a Espanha, os padres jesuítas não cumpriram com o que era a política da igreja, no entanto, sabemos que esta ordem rompeu com a igreja tradicional da época e vieram para o Brasil com o intuito de Evangelização e Catequese, de qualquer forma, modificar toda uma cultura, ou porque não dizer exterminar. Então ficaria contraditória suas atitudes, catequizar não combinar com escravizar. E foram eles que defenderam até a morte os povos indígenas... Eles representavam um pensamento e posturas próprios ou de sua nação de origem??
? Na análise de Darcy Ribeiro em "As Américas e a Civilização", as missões caracterizaram-se como "a tentativa mais bem sucedida da Igreja Católica para cristianizar e assegurar um refúgio às populações indígenas, ameaçadas de absorção ou escravização pelos diversos núcleos de descendentes de povoadores europeus, para organizá-las em novas bases, capazes de garantir sua subsistência e seu progresso" Mas enfim, o filme é ambientado neste contexto. Sendo filmado em parte no Brasil (Foz do Rio Iguaçu), beirando as fronteiras com a Argentina e Uruguai e outra parte, filmado na Colômbia, as cenas de selva. Os índios que aparecem no filme são da Tribo Colombiana Waunana. A música de Morricone tem um papel fundamental na história, ela sensibiliza, humaniza, eleva, dá corpo e reveste todo o filme de beleza. Não sendo à toa que ganhou muitos prêmios. A fotografia de Chris Menges também é espetacular. Os atores De Niro e Jeremy Irons estão perfeitos, esbanjando, como sempre talento e competência. 






Curiosidades: o personagem de De Niro existiu e foi o responsável pelas táticas guerreiras que permitiram todos os anos de resistência. Seu nome era Lourenço Balde e era português. Vários dos interpretes de nativos, eram na verdade, índios da América do Sul, que pouco falavam inglês e tiveram a liberdade para falar o que quisessem em cena. Os produtores criaram um fundo que recebeu uma porcentagem dos lucros do filme em prol dos Waunana. As quatro povoações receberam cerca de 50.000 libras  durante as filmagens, Valores de 1986. A maioria do elenco e da equipe técnica adoeceram durante as filmagens, De Niro foi um dos poucos que não contraiu a doença (disenteria). O filme quase não foi realizado por causa do tremendo impacto negativo que teve a filmagem do filme Fitzcarraldo, de Werner Herrog, quando morreram vários índios e a bagunça foi geral, na época. 

Indicações e prêmios: foi indicado ao BAFTA, para Melhor: Filme, Direção, Roteiro Original, Design de Produção (Stuart Craig), Efeitos Visuais e Especiais, Figurino (Enrico Sabbatini), Fotografia e Som. Venceu para Ator Coadjuvante/Secundário Ray McAnally, Edição e Trilha Sonora. Foi indicado ao César, para Melhor Filme Estrangeiro. Ao Globo de Ouro, para Melhor Filme Dramático, Direção, Ator em filme dramático (Jeremy Irons)), sendo que venceu nas categorias  para Melhor Roteiro (Robert Bolt) e Trilha Sonora (Morricone). Ao Oscar, teve indicações para Melhor Filme, Direção, Direção de Arte, Edição, Figurino e Trilha Sonora; vencendo para Fotografia. Ganhou ainda nos Festivais: Cannes, Palma de Ouro, para Direção Roland Josfé e também Grande Prêmio Técnico. Ao David Donnatelo Awards, para Melhores Produtores Estrangeiros (Fernando Ghia e Davis Puttmam). Recomendo!!! Visualmente lindo e tem tudo a ver com a nossa origem histórica.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Foxcatcher




Diretor: Bennet Miller
Atores: Channing Tatum, Steve Carell, Mark Ruffalo, Sienna Miller, Vanessa Redgrave, Anthony Michael Hall, Brett Rice, Guy Boyd
Gênero: Drama
Duração: 135 minutos

Ano: 2015

Sinopse: Campeão olímpico de luta greco-romana Mark Schultz (Channing), sempre treinou com seu irmão mais velho David Schultz (Mark Ruffalo), que é também lenda no esporte. Até que um dia, recebe um convite para visitar o milionário John Du Pont 9Steve Carell) em sua mansão. Apaixonado pelo esporte, Du Pont oferece a Mark que entre para a sua própria equipe, a Foxcatcher, onde teria todas as condições necessárias para se aprimorar. Atraído pelo salario e as condições de vida oferecidas, Mark aceita a proposta e, assim, muda-se para uma casa na propriedade do milionário. Aos poucos vão se tornando amigos, mas a difícil personalidade de Du Pont faz com que Mark acabe seguindo uma trilha muito perigosa para atletas.



Filme denso e tenso, tive a impressão de estar entrando num submundo, num universo inteiramente masculino, onde muitas palavras não são ditas, emoções não são expressadas, tudo muito velado. Muito provavelmente o filme não agradou a muitos, pois estamos acostumados com os "Blockbuster", onde não se precisa de muita reflexão, está tudo muito óbvio e expresso. Neste caso não, pode-se ficar um pouco incomodado com os silêncios e cenas que vão mostrando detalhes, pois as mensagens não são explícitas e lentamente vão dando o seu recado: diferenças sociais, culturais, psicológicas e emocionais. É um filme para pensar, pelas coisas não ditas, tanto no comportamento individual de cada um (tantas emoções não expressadas, mas que aparecem, veladas/subentendidas), como no mundo do esporte, o que acontece nos bastidores dessas grandes competições, o quanto que o expectador é direcionado apenas para a grandeza do evento e não para o que realmente acontece na vida real. É um filme forte, o diretor Miller que tem um predileção especial por histórias verídicas, tanto que já levou para as telonas: Capote (2005), que aborda a questão da pena de morte e O homem que mudou o jogo (2011), que relata o uso da estatística para revolucionar o Baseball. Neste, o que ele aborda não é um caso de superação, heroísmo, nem um grau de descoberta interior dos protagonistas, o que ele questiona são dilemas morais: ambição, uso e abuso de poder, orgulho, egocentrismo, associado a transtornos de personalidade e comportamento e uso de drogas: frieza emocional, necessidade de controle, de ser amado, admirado e reconhecido, baixa autoestima, carências, sentimentos de solidão e frustrações diante da não realização de suas expectativas. Também mostra, e de forma nada sutil, uma crítica à obsessão americana de vencer sempre, de seu narcisismo eterno (tão mostrado em outros filmes), de ser sempre o melhor em tudo, mesmo que para isso tenha que passar por cima de certos valores. Os três protagonistas de forma diferente, e em maior ou menor grau, disputam quem tem o Ego mais "inflado". Gostei muito!!! Atuações impecáveis, fotografia maravilhosa, maquiagem muito boa, roteiro muito bem composto. O Mark Schultz da vida real diz que o filme foi muito preciso.Mas o diretor informa que o verdadeiro Du Pont, tinha um comportamento muito mais estranho do que o mostrado no filme, mas que optou por ir mostrando seus transtornos aos poucos ao público. Du Pont foi mesmo atleta olímpico, mas que um acidente automobilístico o impossibilitou de continuar com sua carreira, era Ornitólogo também, acabou criando o Museu Delaware de História Natural e era colecionador mesmo de obras ligadas a história das gueras e lutas americanas, e tinha realmente uma personalidade excêntrica e dominadora. 


Curiosidades: como o projeto levou anos para sair do papel, muitos atores foram considerados para os papeis principais, como Heath Ledger, Ryan Gosling, Bile Nighy e Gary Oldman, era a primeira escolha do diretor para o papel de Du Pont, que acabou ficando com Carell.  Os atores Tatum e Ruffalo tiveram um intensivo de 5 a 6 meses de treinamento para compor seus personagens, é possível ver principalmente em Tatum, a excelente forma física que se encontrava, bem como uma forma toda "truculenta" de falar e caminhar. Já Ruffalo teve que engordar 13 kg, para viver o personagem, que não estava mais no seu auge, era o mentor/treinador de seu irmão. Eles levavam tão a sério que em um dos treinos, Tatum acabou sentindo um estalo no tímpano e em outro deles, foi tão exaustivo, que os dois choraram no final do treino, de puro cansaço. Na cena em que quebra o espelho, Channing realmente o quebrou, o que não estava no scripit, no entanto, a interação com com o papel o levou a agir com tanta intensidade. Segundo o diretor, a carreira de Carell como ator cômico, não sugeria que ele era apto para o papel, até que almoçou com ele. Depois em uma entrevista disse sobre a escalação de Carell, que "eu acho que todos os comediantes são obscuros".  In Memorian: um dos jovens lutadores que David Schultz treinou foi Kurt Angle, que acabaria tornando -se uma estrela do WWE e TNA. Ele fazia parte do Time Foxcatcher no momento dos acontecimentos do filme, preparando se para os Jogos Olímpicos do Verão de 1996.Ele ganhou o Ouro para a equipe dos EUA, em categoria peso-pesado,, e dedicou a medalha em memória de Schultz. Steve Carell e Channing Tatum improvisaram seu diálogo na cena do helicóptero. E Carell usou vários narizes protéticos como testes de câmera e iluminação, sendo que sua maquiagem levava duas horas para ser realizada, incluindo penteado e retoques para mudar o tom de pele, tanto que ficou irreconhecível (feio). O filme foi indicado a várias premiações: Venceu  Palma de Ouro, no Festival de Cannes em 2014, para Melhor Direção. No Oscar 2015 só foi indicado a Melhor Ator (Carell), Ator Coadjuvante (Ruffalo), Diretor, Maquiagem e Roteiro Original, ma não ganhou nada. Ao Globo de Ouro, também foram várias indicações, mas sem levar nada, para Melhor Filme Drama, Ator e Ator Coadjuvante, No BAFTA foram duas indicações para Melhor Ator Coadjuvante, Carell e Ruffalo. No Critic's Choise Movie Awards foram para Ator Coadjuvante (Ruffalo) e Maquiagem. No Screen Actors Guild Awards, as indicações foram de Melhor Ator principal (Carell) e Ator Coadjuvante (Ruffalo). É, parece que as Academias Americanas, não gostaram muito das críticas sofridas. Recomendo!!! Não espere cenas com muita ação, mas sim muita pressão psicológica.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Como água para chocolate


Diretor: Alfonso Arau
Atores: Marco Leonardi, Lumi Cavazos, Regina Tomé, Mario Iván Martinez, Claudette Mailé, Ada Carmasco, Yareli Arizmeni
Gênero: Drama
Duração: 123 minutos   


Ano: 1993

Sinopse: Tita (Lumi Cavazos) nasceu na cozinha do rancho de sua família, quando sua mãe (Regina Tomé) estava cortando cebolas. Logo em seguida seu pai morre de um ataque cardíaco fulminante, por ter sua paternidade questionada. Com isso Tita é vítima de uma tradição local, que dez que a filha mais nova não pode se casar para que cuide de sua mãe até a sua morte. Ao crescer, Tita se apaixona por Pedro Muzquiz (Marco Leonardi), que deseja se casar com ela. Sua mãe veta o matrimônio devido a tradição, e sugere que se case com Rosaura (Yarel Arizmendi), a irmã dois anos velha que Tita. Pedro aceita, pois apenas assim poderá estar perto de Tita.

  
Vivenciamos uma experiência fantástica enquanto vamos assistindo ao filme, embora delicado e sensível, é capaz de nos tocar de uma mameira incrível, através de sua fotografia (luzes e cores), combinadas com um trilha sonora e atuação perfeitamente combinadas dos atores, vamos "vivendo e sentindo" junto com os personagens, todas as muitas emoções que sentiam, que passam na história, como diz meu querido Amigo Dannon: "vivenciamos uma experiência sinestésica" (a ardência das cebolas, o calor provocado pela pimenta, sua dor devido a perda, o despertar da sensualidade, a angústia do desejo contido, o amor proibido...). Vimos este filme juntos. Onde o personagem de Tita demonstra todo o seu amor por Pedro, através dos pratos que prepara, e que devido à sua força, atravessa décadas. É um filme mexicano, com roteiro de Laure Esquível, baseado em romance homônimo de sua autoria. O filme convida a uma reflexão, o significado da comida e a relação que estabelecemos com ela (praticamente todas as nossas relações sociais, familiares, amorosas estão relacionadas com comidas, com pratos preparados para encantar e satisfazer, não só o paladar). Nos faz pensar sobre como os valores e regras que nos são impostos culturalmente, determinam a vida de cada um. No filme, a história é contada pela sobrinha-bisneta de Tita, através de um livro de receitas que é passado das gerações de mulheres da família. Ambientado no início do século XX, em um contexto de guerra (Revolução Constitucionista). A atmosfera criada pelo diretor, fotógrafos (Steves Bernstein e Emmanuel Lubezki) e montador Carlos Bolada, permite intervenções surreais que nos levam a construções da história (tristeza, paixões). O personagem central, Tita, passa toda a sua vida entre aromas e sons dos alimentos na cozinha, que era o único lugar de aconchego, onde os pratos eram preparados pela cozinheira e amorosa amiga Nacha. Tita então desenvolve gosto em preparar os alimentos com carinho e dedicação, transformando-o em comida e que permite o desenvolvimento de afetos e sensações, naqueles que tinham o prazer de desfrutar de seus maravilhosos pratos. E como foi privada de viver seu amor, a comida passou a ter um papel importante, ao preparar os alimentos, ela podia liberar os sentimentos aprisionados e também sentir prazer através do ato de comer, uma vez que outros prazeres da vida não podia desfrutar. Pela comida, transmitia a Pedro, algo que era negado  manifestar.



Através da comida amou Pedro profundamente, encontrando um meio de comunicação entre ambos. Tita passa para a comida, tudo o que está sentindo e possibilita aos outros, sentir, toda a gama de emoções, criando um clima interessante na história. É o retrato da maneira intensa com que as pessoas tem que enfrentar muitas proibições, contendo um amor, que não podia se concretizar naquela época. Para mim, a história peca um pouco, devido a postura de Pedro, que se mostra um tanto fraco e submisso em relação à imposição feita pela mãe de Tita (criando uma convenção local), quando poderia ter tido uma posição diferente, de enfrentamento. Curiosidades: em 1994, a revista mexicana Somos, inclui este filem na lista dos 100 melhores filmes do cinema mexicano. Teve indicação Globo de Ouro de 1993, de Melhor Filme Estrangeiro o mesmo ocorrendo com  ao BAFTA (Reino Unido) em 1994, ao Goya (Espanha), no Japão. Aqui no Festival de Gramado foi indicado também a Melhor Filme de Língua Estrangeira, vencendo na categoria de Melhor  Atriz (Lumi Cavazos-Tita) e Melhor Atriz Coadjuvante (Claudette Mailé-Gertrudes), foi escolhido como Melhor Filme pelo Juri Popular e indicado ao Kikito, na categoria de Melhor Filme Latino. No Chile, mais precisamente em Santiago, tem um restaurante com o mesmo nome, que promete esta gastronomia excelente e extravagante. Confira!!!
Recomendo, é uma viagem sensorial. Fotografia Liiiinda!!! Comente depois.