domingo, 24 de outubro de 2021

Seven - os 7 crimes capitais


Diretor: David Fincher
Atores: Morgan Freeman, Brad Pitt, Kevin Spacy, Gwyneth Paltrow,  John C. McGinley
Gênero: Suspense
Duração: 127 minutos
Ano: 1995

Sinopse: A ponto de se aposentar, o detetive Willian Somerset (Morgan Freeman), pega um último caso com a ajuda do recém transferido Davis Milles (Brad Pitt). Juntos descobrem uma série de assassinatos e logo percebem que estão lidando com um assassino que tem como alvo, pessoas que ele acredita representar os sete pecados capitais.

O filme é uma obra prima! Muito bem construído, cheio de detalhes, filme para ver e rever muitas vezes, intenso e mantém a nossa atenção o tempo todo, causando ainda um clima de tensão permanente. Com atuações brilhantes de nada mais e menos que Morgan Freeman, Brad Pitt e Kevin Space (três super atores trabalhando juntos, assim como já referendei, os outros grandes "monstros" do cinema juntos em O irlandês) e estão impecáveis na composição de seus personagens, como não poderia deixar de ser, tendo tudo a ver com o título do filme. E principalmente trás a temática dos pecados capitais, claro! Mas também de forma mais sutil, aborda as virtudes, contrapondo os pecados que ficam tão mais em evidência, por isso precisamos estar com os olhos mais atentos. Somerset e Milles, os dois personagens principais, são opostos em tudo, "brincam" com estes valores o tempo todo, valores estes que tomaram forma e que são discutidos desde a época medieval, e que neste filme podemos ver estes contrastes na forma como cada personagem pensa, sente e se expressa (gula versus temperança, luxúria versus castidade, avareza versus generosidade, soberba versus humildade, preguiça versus diligência, ira versus paciência e inveja versus caridade). 


Na trama, Somerset está para se aposentar e está muito desiludido com a sociedade, ele diz "que a cidade está desumana, que não atende um pedido de socorro, mas um grito de fogo, sim". Com o tempo ele foi deixando de se importar, mas através da convivência com seu  novo parceiro, resgata seus valores anteriores. Muito interessante isso, a importância das relações interpessoais nas  nossas vidas, contribuindo para nos vermos melhor, a identificar em nós, sentimentos e ideais que estavam adormecidos. Foi colocada uma frase de Ernest Hemingway: "O mundo é um bom lugar, vale a pena lutar por ele". Que fornece um bom material para profundas reflexões, acredito nisso. De qual o sentido da vida? Qual a função do mal, da violência? Qual missão ou aprendizado que vim desempenhar nesta existência? E por ai vai...  



O filme é cheio de pequenos detalhes, que vão dando forma ao roteiro e na mensagem a ser apresentada, por exemplo, o número 7 é mencionado o tempo todo, no número dos prédios das cenas de abertura, no número dos apartamentos, na lista que fazem na delegacia, exemplos de acontecimentos na vida dos personagens (o detetive Somerset foi chamado para jantar as 19:00 hs). Detalhes que muitas vezes podem passar despercebidos por um expectador mais desatento e isso pode acabar comprometendo a profundidade do todo apresentado. 



Roteiro maravilhoso de Andrew Kevin Wlaker, Montagem de Richard Francis-Bruce (rendo minha homenagem a ele, Parabéns!!!), Música de Howard Shore e Fotografia espetacular de Darius Khondji, que faz enquadramentos e jogos de luz que faz toda a diferença na composição de todo o filme.

Indicações e Premiações: ao Oscar 1996, só foi indicado para Melhor Edição,uma injustiça não ter sido indicado a outras categorias, como Melhor Ator, Ator Coadjuvante, Direção, Roteiro. Enfim!!!

Ao BAFTA  foi indicado a Melhor Roteiro Original

E ao MTV Movie Awards, foi indicado para Melhor Filme, Dupla em cena (Pitt e Freeman) e Vilão (Kevin Space), vencendo nas duas últimas categorias.



Curiosidades: o roteiro original previa a participação de uma mulher na equipe forense da polícia, que sempre parecia nos momentos de "limpeza" dos locais do crime e tinha alguns diálogos com os detetives Somerset e Milles. E também fazia mais referência ao antigo parceiro do detetive Milles, chamado Parsons que levou um tiro e que ficou paraplégico e que esta é a razão de Milles agir de forma tão protetora com seu atual parceiro. Mas estas estas referências foram retiradas da edição final do filme.  

Super recomendo este filme. Apesar de uma temática de suspense e ter cenas mais fortes de violência, a reflexão que pode surgir no expectador no pós filme, compensa todo o resto.




domingo, 17 de outubro de 2021

Adoráveis mulheres



Diretora: Greta Gerwing

Atores: Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh. Elza Scalen, Laura Dern, Thimothée Chalamet, Maryl Streep, Chris Cooper, James Norton, Louis Garrel.

Gênero: Drama

Duração: 135 minutos

Ano: 2019

Sinopse: As irmãs Jo (Saoirse Ronan), Beth (Elza Scanlen), Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh) amadurecem na virada da adolescência para a vida adulta enquanto os EUA atravessam a Guerra Civil (Guerra de Secessão). Com personalidades completamente diferentes, elas enfrentam os desafios de crescer unidas pelo amor que nutrem umas pelas outras.



Que delícia de filme: bem humorado, colorido, cheio de energia com com seus personagens bastante ricos, enfrentando inúmeros desafios. Você ri, chora e se emociona. Amo filmes de época e este é mais um, com suas roupas, costumes e tudo o mais. Atores jovens, mas muito bem antenados com os mais antigos e convencem com seus personagens. O filme é uma produção primorosa, inspirado  no livro homônimo de Louisa May Alcott, de 1868, que já foi interpretado no teatro, ópera e cinema. Foi adaptado pela primeira para o cinema em 1933, tendo Katherine Hepburny como a protagonista principal e em 1984, com Winona Rider. E tiveram outros filmes baseados no livro, mas com outros nomes como Quatro destinos. Para esta nova versão, a Diretora explorou toda a complexidade e sutilezas das personagens, levando para a tela com maestria os sentimentos afetivos de cada uma delas, seus amores, sofrimentos, medos, sonhos. Fez um recorte com algumas colagens, ajustando datas e fatos, do que é realmente apresentado nas 700 páginas do livro, ambientado no ano de 1860. E é claro, também abordou a posição que a mulher ocupava na sociedade do Século XIX e os valores morais da época. Tem uma frase que me chamou a atenção, quando Jo (personagem da Saoirse que é escritora e tem idéias feministas) vai tentar negociar um texto escrito por "uma amiga" e o editor diz que: "moral não vende hoje em dia", onde faz várias alterações no texto com o intuito de deixar bem claro, até onde pode ir em suas observações, para não ultrapassar os bons costumes e nem ameaçar a posição masculina no quesito inteligência. (Isso parece tão atual ainda, não acham???). 
Tem uma produção de chamar a atenção,de Amy Pascall, Denise Di Novi e Robin Swicord e um Produtor Executivo, Arnon Noilchan. Trilha Sonora de Alexandre Displat. Com Figurino assinado por Jacqueline Durran, que rendeu um Oscar a ela (realmente incrível! Onde combinou "um espírito da indumentária livre" e "a tradicional rigidez vitoriana", nas confecção das personagens e ainda de acordo com a personalidade de cada uma . Querendo fazer "roupas vintage parecer cobiçáveis para o expectador moderno indumentárias. E uma Fotografia linda, de Yorick Le Saux, que usou câmera com formato de 35 mm.


A filmagem principal começou em Boston, em outubro de 2018, com Harvad e Massachusetts, servindo de local principal. Outras locações incluem Lancaster, Universidade de Harvard em Cambridge, Crane Beach em Ipswich, e Concord, todas no estado de Massachusetts. O Museu Shaker, nas Fruitlands de Harvard, uma propriedade em que Alcott e sua família tinham residido durante um tempo no passado, foi utilizada como a localização da casa de Meg e John. A casa da Tia March (Strepp) foi construída num terreno em Concord, a designer de produção Jess Gonchor pretendia que o exterior exalasse "uma velha caixa de jóias desgastada que encontrou na gaveta de sua avó", enquanto comparava o interior a "uma labirinto, cheio de fluxo e atividade sem fim". O Arnold Arboretum da Universidade de Harvard foi utilizado para filmar uma cena ambientada num parque no século XIXem Paris com Pugh, Chalamet e Streep. Castle Hill em Ipswich foi também utilizado para rodar as cenas europeias.
Curiosidades: A diretora já tinha trabalhado anteriormente com Saoirse e Thimothée, no filme Lady Bird em 2018. e a atriz que iria interpretar a personagem Meg, era inicialmente Emma Stone, mas teve conflito de agenda, por já estar envolvida no projeto de A favorita (2019), assim quem fico com o papel, foi a Watson.
A diretora descobriu que estava grávida durante a produção, mas a manteve a novidade até depois de terminar as filmagens em 16 de dezembro de 2018. E logo depois começou junto com Editor Nick Houy a editar o filme e mais tarde foi exibi-lo para os executivos da Sony em Nova York a 10 de março de 2019, três dias antes de dar à luz a seu filho. 
Gerwig já era fã do compositor francês Desplat desde o filme Birth, e ambicionava trabalhar com ele, enquanto que ele amava Lady Bird. Então o trabalho em parceria deles foi ótimo. Desplat disse numa entrevista que Gerwing especificou que ela gostaria que a música fosse "uma mistura de um encontro entre Mozart e David Bowie. Assim ele, empregou uma orquestra que incluia um piano, harpa, flauta, clarinete e celesta. A partitura foi lançada em 13 de dezembro de 2019. 
A estréia do filme aconteceu no Museu de Arte Modern em Nova York, em 07 de dezembro de 2019 e foi exibido também apra abrir o Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro em 09 de dezembro. O lançamento nos cinemas dos EUA, aconteceu em 25 de dezembro, mas para o resto do  mundo, só em 2020.
Foi bem aceito pela crítica de modo geral e também pelo público. Que enfatizam que "a mão delicada e sutil de de Litle Women só pode ter sido idealizado por uma mulher". Demonstrando que finalmente as mulheres estão sendo reconhecidas como Diretoras Competentes. Já fazia uma década que a Academia havia premiado uma delas, Kathryn Ann Bigelow por Guerra ao terror.
Indicações e Premiações: ao Oscar 2020 foi indicado para seis categorias, de Melhor Filme, Atriz (Saoirse Ronan), Atriz Coadjuvante (Florence Pugh), Roteiro Adaptado, Trilha Sonora e ganhou para Figurino.

Ao Globo de Ouro: para Melhor Atriz em Drama (Saiorse) e Melhor Trilha Sonora Original.
Ao BAFTA: teve indicação para 5 categorias, semelhante a do Oscar menos de Melhor Filme e também venceu para Melhor Figurino (Jacqueline Durran).
Recebeu ainda 9 indicações no 25º Critics' Choice Movie Awards, ganhando para  Melhor Roteiro Adaptado.
Foi escolhido pelo American Film Institute como um dos dez melhores filmes do ano.
Recomendo para quem gosta de filme com uma pegada mais antiga e romântico. 


domingo, 21 de fevereiro de 2021

Campo dos sonhos


Diretor: Phil Alden Robinson

Atores: Kevin Costner, Amy Madigan, Ray Liotta, Burt Lancaster, James Earl Jones, Gaby Hoffmann, Timothy Busfield, Dwier Brown

Gênero: Drama

Duração: 162 minutos

Ano: 1989

Sinopse: Ray (Kevin Costner), um agricultor em Iowa, ouve um voz misteriosa à noite vinda do seu milharal dizendo: "Se você construir, ele virá", e sente a necessidade de obedecer. Então, ele constrói um campo de beisebol, apoiado por sua esposa, Annie (Amy Madigan). Mais tarde, os fantasmas de grandes jogadores começam a aparecer para jogar liderados por Shoeless Joe Jackson (Ray Liotta). Ray busca um autor recluso para entender essas mensagens e o verdadeiro propósito do campo que construiu.



Filme que é um encanto e nos emociona do início ao fim, gostoso e leve de ver, o ator Kevin Costner estava no auge de sua fama e convence como o personagem Ray Kinsella, esta lindo e charmoso, como sempre. Ray seu personagem é um homem simples, mas um sonhador, ele e a esposa se conheceram quando eram estudantes nos anos 60, e quando se casaram, continuaram fiéis à idéia de vida simples e liberdade que tinham e assim compraram uma fazenda em Iowa. Mais tarde já com filhinha, essa vida pacata que tinham é abalada porque Ray começa a ouvir uma estranha voz, que só ele ouve e o induz a construir um campo de beisebol em seu milharal. Passa a ter sonhos e por fim aposta neles, mesmo não sabendo o por quê de tudo isso, vai sendo guiado por suas intuições, por um desejo interno, que vem da profundeza de seu espírito. 


O filme é baseado no livro de W.P. Kinsella. Será que é coincidência, a colocação do próprio sobrenome no livro? Não li, mas pelo filme é possível imaginar o quão tocante deve ser. Tem um enfoque espírita, de amor, resgate de relação e de redenção, principalmente entre pai e filho. Deve ser por isso que emociona tanto! Mais um filme sobre o Amor! Poderia ter alguns Campo de Sonhos na vida real, não é? Seria maravilhoso!

A música é muito comovente, muito bem afinada com o enredo, assinada por James Horner. A Fotografia é muito bela de John Lindley. O Roteiro também é de Phil Alden Robinson, além da direção.



Curiosidades
: O personagem Ray, foi oferecido a Tom Hanks, que recusou. Já Sheila McCarthy e Reba McEntire, fizeram testes para a personagem de Annie.

Archibald "Moonlight" Wright Graham, personagem interpretado por Burt Lancaster, foi de verdade um jogador de basebol, em 29/06/1905 fez sua estréia pelo New York Giants, mas 5 dias depois desistiu do sonho de ser jogador de basebol para ingressar na carreira de médico. E infelizmente foi o último filme realizado por Burt Lancaster, que faleceu em 20 de outubro de 1994.

No livro de W.P. Kinsella, o protagonista Ray tem um irmão gêmeo, Richard, mas esta sub trama foi excluída do filme.




A produtora do filme construiu o campo de beisebol numa fazenda localizada em Dyersville, no Iowa. Após o término das filmagens, os donos da fazenda decidiram manter o campo. Desde então, a partir de 1990, o campo foi aberto pra visitação pública e também para jogos. e até no dias de hoje continua assim. Talvez as pessoas busquem de alguma forma, encontrar algo perdido e respostas para suas inquietações, inspiradas pelo filme.

Na época, ainda desconhecidos, Matt Damon e Ben Affleck estavam entre os muitos extras presentes nas filmagens, mas as cenas em que aparecem, infelizmente não foram creditadas.

Recomendadíssimo!!! Veja e depois comente.






sábado, 20 de fevereiro de 2021

O irlandês


Diretor: Martin Scorsese

Atores: Robert De Niro, Joe Pesci, Al Pacino, Harvey Keitel, Bobby Canavalle, Anna Paquin, Katherine Narducci, Stepahnie Kurtzuba, Aleksa Pelladino, India Ennenga, Ray Romano

Gênero: Biografia

Duração: 210  minutos

Ano: 2019


Sinopse: Conhecido como "o Irlandês", Frank Sheeran (Robert De Niro), é um veterano de guerra, cheio de condecorações que concilia sua vida de caminhoneiro com a de assassino de aluguel do mundo da Máfia. Promovido a líder sindical, ele se torna o principal suspeito quando o mais famoso representante da associação desaparece misteriosamente.

Temos aqui mais uma história muito bem contada e dirigida por nada menos que Scorsese, que ao longo de anos, praticamente se torna um especialista no assunto de dirigir filmes sobre a Máfia. Em seu Curriculum tem filmes fantástico como: Os bons companheiros (1990) e Cassino (1995). Em uma entrevista, após dirigir Os infiltrados (2006), Scorsese relata que gostaria de dirigir no futuro, uma adaptação cinematográfica do livro I heard you paint houses, do investigador e advogado Charles Brandt, o livro é como uma biografia do então veterano de guerra (Primeira Grande Guerra Mundial) Frank Sheeran, sindicalista, ligado ao crime organizado (sua relação com a família Bufalino), sobre a amizade com o líder sindical Jimmy Hoffa e o desaparecimento deste em 1975. E o mais importante, Scorsese queria reunir três grandes atores: Robert De Niro, Joe Pesci e Al Pacino, sabendo que não seria uma jornada fácil. Em 2007 o filme iniciou a fase de pré-produção e escrita, o que acabou por resultar em anos de trabalho e devidas adaptações, o que levou Scorsese a abandonar temporariamente o projeto. Retomou o projeto de filmagem em 2014 e começou a idealização de como iria ser após anos de espera, tendo como agravante o envelhecimento dos supostos protagonistas principais. Só em 2017, foi que decidiu usar a tecnologia de rejuvenecimento facial e também finalmente teve a confirmação de todos os envolvidos, principalmente Joe Pesci, que já tinha praticamente se aposentado (sendo convencido por seu colega De Niro que disse a ele "Temos que fazer isso. Quem sabe se haverá algo depois?), mudou de idéia. O filme foi concluído em março de 2018, tendo início em setembro/17, sendo filmado (fotografia principal) na cidade de Nova York, nos bairros de Mineola e Williston Park de Long Island. Devido a esta tecnologia nova, o tempo foi prolongado e se tornou a produção mais cara dirigida por Scorsese, em torno de U$159 milhões. A fotografia foi filmada em filme 35 mm, em 117 locais diferentes, com um total de 319 cenas e o supervisor de efeitos visuais, Robert Legato, da Indústria Ligth & Magic, foi quem realizou os efeitos do filme, para rejuvenecer os personagens digitalmente.


Eu gostei muito do filme, que também foi bem aceito pela crítica, segundo o Rotten Tomatoes:"é um drama épico de gângster", a Metacritic disse que foi "uma aclamação universal", e o diretor Guilhermo Del Toro o definiu como " obra-prima e corolário perfeito entre os filme Os bons companheiros e Cassino". Para mim o filme, apesar de longo lento, acredito que não teria outra forma de contar uma história incrível, através de décadas, num tempo pequeno e curto. Seria impossível! Achei só o fato de conseguir reunir estes três "monstros" da interpretação cinematográfica num mesmo filme, já seria por si um grande feito. E como não poderia deixar de ser, estão excelentes, correspondendo as minhas expectativas, bem como todo o elenco. Gostei da "pegada" mais melancólica, mais humana de certa forma do personagem central. É um filme  violento, mas retrata a questão familiar de cada um (não só violência e luta pelo poder) e no final, é mostrado que até isso passa, eles os poderosos, também envelhecem e são cobrados por algo infalível, a Consciência, onde são inundados pela culpa, das escolhas feitas no passado, do vazio emocional que foi sua vida, onde era mandado e só cumpria ordens. Foi uma história bem contada da vida de Sheeran, ora é frio, calculista e meticuloso, mas em outro momento se preocupa com sua família e sofre pelo afastamento de uma de suas filhas que se afasta do amor paterno, devido a intuir o que realmente fazia por trás da fachada e desconfiar de suas atitudes em relação a seu padrinho Jimmy, que amava. 



Roteiro de Steven Zaillian, Fotografia é assinada por Rodrigo Pietro, Figurino por Sandy Powell e Christopher Peterson e Música assinada por Robbie Robertson, músico canadense.

Curiosidades: Scorsese já havia trabalhado inúmeras vezes com De Niro e com Pesci, mas foi a primeira vez que dirigiu Al Pacino. Que Quarteto hein! Até poderia ser chamado e "Quarteto Fantástico".

O filme se baseia em fatos reais, Hoffa se tornou sindicalista em 1930 e se tornou uma das figuras mais importantes do movimento naquele período. Em 1975 desapareceu e seu corpo nunca foi encontrado.

O Método conhecido de De - aging, utilizado no filme acabou sendo elogiado pela riqueza de detalhes e pela sutileza, que mesmo visto numa resolução mais elevada ficou excelente. A Empresa Ligth & Magic responsável pelo feito foi fundada em 1970, por George Lucas, criador de Star Wars.

Al Pacino disse em entrevista que ele e os colegas tinham que ser lembrados da idade que estavam representando e precisavam buscar na memória, como andavam ou se levantavam de um sofá, quando tinham 39 anos por exemplo, de como seus corpos reagiam naquela época. Disse que foi muito divertido, representar isso.


A história de Hoffa já rendeu um filme em 1998 e o ator Jack Nicholson estrelou o longa, que conta a vida dele e sobre um dos crimes mais emblemáticos e não resolvidos dos EUA. 

Foi o filme mais longo de Scorsese que já dirigiu Gangues de Nova York (2h 48min), O Lobo de Wall Street (3h), Cassino (2h58min) e A Última Tentação de Cristo (2h44min).  

Indicações e Premiações: foi indicado em 9 categorias para o Oscar 2020, para Melhor Filme, Direção, Atores Coadjuvantes (Al Pacino e Joe Pesci), Roteiro Adaptado, Fotografia, Designer de Produção, Figurino e Efeitos Visuais, mas não venceu nenhum. Só Martin Scorsese que ganhou uma homenagem respeitosa do Diretor vencedor Bong Joon-ho, reverenciando e afirmando que ele foi um de seus ídolos como diretor.

Ao BAFTA, foi a mesma coisa, com as 9 indicações e nada de prêmios.

Ao Globo de Ouro, foi indicado para 4 categorias, de Melhor Filme em Drama, Direção, Atores Coadjuvantes e Roteiro Adaptado, também não levou nenhum prêmio.

Ao Critic's Choice Award venceu para Melhor Elenco.

Recomendo!





domingo, 15 de novembro de 2020

Nada é para sempre


Diretor: Robert Redford

Atores: Craig Sheffer, Brad Pitt, Tom Skerrit, Brenda Blethyn, Emile Llyod, Edie McClurg, William Hootkins, Joseph-Gordon Levitt

Gênero: Drama

Duração: 123 minutos

Ano: 1992




Sinopse:  Início do século XX, Missoula, Montana. A família MacLean é comandada pelo reverendo Presbiteriano MacLean (Tom Skerrit) e sua amada esposa (Brenda Blethyn). Apesar de ser rígido na educação dos filhos, Norman (Craig Sheffer) e Paul (Brad Pitt), também os encoraja. Entre o reverendo e smfilhos sempre houve o hábito de pescar, na verdade nçao havia uma linha clara que dividisse religiçao e pescaria. Norman e Paul não foram para a Primeira Grande Guerra Mundial e, logo após o conflito, Norman deixou Missoula e foi para a faculdade, onde descobrui que gostava de lecionar. Já Paul ficou trabalhando como repórter na sua cidade, pois gostava de se divertir, beber e jogar e nunca sentiu interesse em se envolver com o estudo acadêmico. Ao votar para Missoula, Norman espera uma resposta para um emprego de professor e neste meio se apaixona por Jessie Burns (Emily Lloyd). As diferenças entre ele e Paul ficam mais evidentes  e, apesar de gostar de boêmia, Paul se mostra um bom pescador.   

 Filme de rara beleza, dirigido por ninguém menos que Robert Redford, que além de ser excelente ator, também dirige e foi considerado um dos homens mais bonitos de Hollywood. Tem uma fotografia de tirar o fôlego de tão linda, realmente impressiona, daquelas que ficam na memória para sempre. Retrata a História de uma família com suas relações afetivas recheadas de conflitos e aventuras e que apesar dos valores rígidos, cada filho absorve de uma maneira peculiar, tornando-se assim completamente diferentes na forma de encarar a vida e isso tudo é retratado no período de 20 anos, mas apesar de tudo não perdem o amor pela pesca, que foi um dos elos que os manteve unidos. A pescaria era como uma forma de passar valores como virtude, harmonia e paciência, mas em casa havia uma dificuldade afetiva quase que palpável.


A história é baseada no livro autobiográfico de  Norman Maclean que também ajudou o roteiro.

Fotografia assinada por Phlippe Rousselot, Cenografia de Walter P. Martishire,  Trilha Sonora composta por Mark Isham e Produção de R.R. e Patrick Markey




Curiosidades: Redford levou anos até convencer Norman Maclean a vender os direitos de adaptação de seu livro para o cinema. 

O ator William Hurt tinha interesse em interpretar o personagem de Paul Maclean, e chegou a pescar com Norman, mas não recebeu dele aprovação para realizar a interpretação.  

Brad Pitt ainda não era tão conhecido, mas faz uma excelente interpretação de um dos filhos do reverendo, Paul Maclean. Ficando bem claro que desde pequeno, a sua personalidade forte e desafiadora.

Indicações e Premiações: ao Oscar 1993 foi indicado a Melhor Roteiro Adaptado (Richard Friendenberg), Música Original (Mark Isham), perdeu para Alladim. Venceu para Melhor Fotografia de Philippe Rousselot.


Ao Globo de Ouro, recebeu a indicação para Melhor Diretor (Robert Redford).

E ao Grammy, recebeu indicação de Melhor Composição Instrumental - Cinema TV.



Recomendo, é um filme um pouco lento, mas cativante.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Parasita


Direção: Bong Joon-ho

Atores: Cho Yeo-jeong, Park So-dam, Choi Woo-shik, Jung Ji-so, Song Kang-ho, Chang Hyae-jin

Gênero: Suspense

Duração: 132 minutos

Ano: 2019

Sinopse: Toda a família de Kitaek está desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à uma garota de família rica. Fascinados com a vida luxuosa dessas pessoas; pai, mãe, filho e filha bolam um plano para se infiltrarem também na família burguesa, um a um. No entanto os segredos e mentiras necessárias à ascenção social, custarão caro a todos.




Filme com um  excelente roteiro que prende a atenção do expectadoor do início ao fim e de forma totalmente imprevisível, vamos sendo muito bem conduzidos pela trama, sem a menor noção de onde e nem como irá terminar. É surpreendente!!! Somos levados a sentir inúmeros sentimentos, da compaixão/tristeza ao cõmico, da surpresa ao espanto. O filme aborda com certo humor ácido a relação de duas famílias que se cruzam através do trabalho: uma família muito rica, onde os personagens parecem não "olhar para baixo", para outra classe social que não seja a sua e por isso se torna arrogante; e a família pobre que deseja ascender na sociedade e para isso não mede esforços, nem que para isso tenha que se utilizar de métodos não muito éticos.


As duas famílias são compostas pela mesma formação: genitores e um casal de filhos e mostra a diferença de valores entre as classes e injustiças sociais que ocorre entre as mesmas e ainda o mix de emoções e sofrimentos que podem ocorrer quando têem a oportunidade de conviverem: raiva, inveja, perversidade, oportunismo, preconceito.

Resumindo, o filme tem uma forte crítica social, sem apontar "mocinhos ou bandidos", mas existe claramente uma crítica meio que implícita da dualidade das duas Coréias, a do Norte e a do Sul. E aborda principalmente a falta de valorização do ser humano, uns zombando dos outros, estamos sempre muito preocupados com nossos sofrimentos (egocentrismo), sem "querer" enxergar o do outro, fazemos um negacionismo do outro. Ainda que o filme seja colocado no singular, de forma genérica, poderia ser colocado no plural, pois o que vemos durante a exposição desta obra são várias formas de parasitismo. Ficou para mim um questionamento muito implícito: somos todos parasitas???


Música de Jeong Jae-Li e Fotografia assinada por Hong Kyung-pyo.

O filme teve estréia no Festival de Cannes em 21/05 de 2019 e ganhou a Palma de Ouro, tornando-se o primeiro filme Sul Coreano a receber o prestigiado prêmio assim como a ganhar com voto unânime do jurado do Festival, desde "Azul é a cor mais quente" em 2013.

Indicações e Premiações: ao Oscar/20 foi indicado a Melhor Montagem e Direção de Arte e venceu surpreendentemente nas categoriaas de Melhor Filme, Filme de Língua Estrangeira, Diretor e Roteiro Original.

Ao BAFTA fo indicado para Melhor Filme e Realizador, venceu para Melhor Filme Estrangeiro e Roteiro Original.


Curiosidades: a idéia de Parasita surgiu em 2013, enquanro trabalhava no Snowpierce, Bong foi incentivado por um amigo ator de teatro a escrever uma peça sobre sua vivência quando foi tutor do filho de uma família rica em Seul, com pouco mais de 20 anos e considerou transformar sua experiência em uma produção teatral. As filmagens começaram em 18 de maio de 2018 e terminou 124 dias depois em 19 de setembto de 2018. E foram realizadas em torno de Seul em em Jeonju.

O diretor ficou conhecido internacionalmente devido ao sucesso que o filme Expresso do Amanhã de 2013.

A casa principal, projefada por um arquiteto fictício, chamado Namgoong Hyeonja, torna-se o desejo e o símbolo da ascenção social. Segundo Bong a classe em que uma pessoa está inserida determina a quabtidade de luz natural que ela receberá durante o dis. Quanto mais pobre, menos janelas ou janelas menores. Quanto mais rico, mais janelas e janelas maiores. Esse briefing foi fundamental para o cenógrafo Lee Ha Jun, que percorreu inúmeros terrenos vazios observando exatamente como era o deslocamento da luz do Sol ao longo do dia, e fez a casa tão linda, com uma fachada de vidro impressionante, mostrada no filme.

Vale mencionar a homenagem que Bong fez a um de seus concorrentes na noite de entrega do Oscar, ele faz uma reverência diante do renomao Martin Scorcese e informa que este foi um de seus grandes ídolo como diretor. 

Recomendadíssimo!!! Imperdível, ainda que seja uma história que se passa na Coréia do Sul, é perfeitamente possível que fosse retratada no Brasil ou em qualquer outro local. Visão super contemporânea. 



sábado, 26 de setembro de 2020

O paciente inglês


Diretor: Anthony Minghella
Atores: Ralph Fiennes, Kristin Scott Thomas, Juliette Binoche, Willem Dafoe, Maveen Andrews, Colin Firth
Gênero: Drama
Duração: 162 minutos
Ano: 1996





Sinopse: No fim da Segunda Grande Guerra Mundial, um desconhecido (Ralph Fiennes) que teve queimaduras generalizadas quando seu avião foi abatido, é conhecido apenas o Paciente Inglês, acaba por recebr os cuidados de uma enfermeira franco-canadense Hana (Juliette Binoche). Gradualmente ele começa a nerrar o grande envolvimento que teve com uma mulher, Katherine Clifton (Kristin Scott Thomas), esposa de um colega seu Geofrey Clifton (Colin Firth), e como este amor foi fortemente correspondido. Mas da mesma forma que determinadas lembranças lhe surgem na mente, outros detalhes parecem não vir á sua memória , como se ele quisesse que tais fatos continuassem enterrados e esquecidos.




Uau! Este é um filme daqueles que tiram o nosso fôlego, visualmente belíssimo, história comovente, interpretações memoráveis, música, enfim... Tudo fica na memória. E teve um sucesso estrondoso de público e crítica, tanto que foi comparado com os grandes clássicos como Lawrence da Arábia, Ben-Hur, Coração valente, mas o mais interessante foi que não teve um grande estúdio por trás de seu sucesso, foi um filme independente, recebendo só o apoio da Miramax e um investimento pessoal diretor. Quando Minghella ofereceu aos grandes estúdios, disseram  que era impossível fazer o roteiro a partir do livro homônimo de Michael Ondaatje, devido a sua complexidade, acreditavam que não seria possível passar toda as idéias do livro para a telona. No entanto Minghella insistiu, assina também o roteiro que se tornou fascinante, e embora eu não tenha lido o livro (ainda), acredito que ele conseguiu fazer um lindo filme, complexo, as vezes um pouco lento (para alguns), mas com uma riqueza de detalhes que prende a atenção seja pelas belas paisagens, música, diálogos, somos cativados pelos personagens que são profundos, melancólicos, mas que estabelecem uma cumplicidade quase palpável (quantos olhares!!!) Enfim tudo resultou numa produção madura, linda e tocante, uma história de amor entre o então Conde Lázlo de Almásy e Katherine, tendo como produtor primorooa de Saul Zaentz.
Curiosidades: O livro foi lançado em 1992 e também foi consagrado pelo público e críticas mundiais e venceu o prestimoso Booker Price, o mais importante prêmio da Literatura Inglesa. O diretor é britânico, assim como todo o elenco, não tem "astros americanos" e ironicamente foi considerado um "azarão", pois acabou sendo indicado a 12 categorias do Oscar 1997.
A atriz Kristin escreveu uma carta ao diretor, quase que implorando pelo papel, escreveu: "I am 'K' in your film" (Eu sou 'K' do seu filme) e acabou conseguindo ser escalada. Este filme é o primeiro filme em que o diretor e a atriz Juliette Binoche trabalham juntos, o segundo foi em Invasão de domicílio em 2006. 






Inicialmente seria o Estúdio Twendy Century Fox que iria produzir e distribuir o filme, mas queria que a atriz Demi Moore fizesse o personagem de Katherine, mas acabou não havendo um acordo, o mesmo oocorendo com os outros gandes estúdios.
Em uma extrevista o diretor diz: 
Folha - O que atraiu atenção para o filme, já que ele não teve um grande orçamento para um épico (US$ 33 milhões) nem astros de Hollywood?

Minghella - "As pessoas têm necessidade de filmes que emocionam, não que manipulam a emoção. Há uma frase maravilhosa no livro de Michael que diz que "o coração é um órgão de fogo". Quis fazer o filme como um vulcão que iluminasse as pessoas."

Foi parcialmente filmado na Toscana, a famosa cena da igreja, é na verdade no Mosteiro de San'anna in Caprena. E em outras cenas, apesar de a história se passar no Egito, no deserto do Sahara, na verdade as filmagens foram realizadas na Tunísia (com dunas ondulantes, souks cheios de movimentos, gargantas, e grutas escavadas nas rochas, e lagos secos e planos). E segundo a produção foi uma viagem incrível de inúmeras descobertas.
Premiações e Indicações: Oscar, teve 12 indicações, para Melhor Ator, Atriz, e Roteiro Adaptado e vencendo  para Melhor Filme, Diretor, Atriz Coadjuvante (Juliette Binoche), Direção de arte (Stuart Craig e Stephanie McMillan), Fotografia assinada por John Seale, Figurino de Ann Roth, Edição de Som, Trilha Sonora tendo como diretor Gabriel Yared e Mixagem de som.
Ao Grammy 1998, venceu na categoria de Melhor Composição Instrumental para filme, para Gabriel Yared.

Ao Globo de Ouro, ganhou para Melhor Filme Drama e Melhor Trilhha Sonora, sendo indicado ainda para Melhor Diretor, Ator em Drama, Atriz em Drama, Atriz Coadjuvante para Drama e Roteiro.
Ao BAFTA: venceu para Melhor Filme, Fotografia, Ator Principal, Atriz Principal (Kristin), Desenho de Produção e Som. Sendo que Gabriel Yared recebeu o Prêmio Anthony Asquill pela música do filme e Anthony Minguella foi indicado ao Prêmio Davis Lean de Direção.
Festival de Berlim: ganhou o Urso de Prata na categoria de Melhor Atriz (Juliette) e indicado ao Urso de Ouro para Melhor Filme.
Premio César (França) 1998, recebeu indicação para Melhor Filme Estrangeiro.
Prêmio Goya (Espanha) 1998, recebeu indicação para Melhor Filme Europeu. 
Recomendo assistir, é uma linda história de amor e tragédia. Imperdível!!!